sexta-feira, 23 de março de 2012

Fim da linha? Demóstenes abocanhou 30% de negócio ilegal avaliado em R$ 170 milhões


A Polícia Federal tem conhecimento, desde 2006, das ligações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.

Três relatórios assinados pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos, então chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (DRCOR), da Superintendência da PF em Goiânia, revelam que Demóstenes tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino, calculada em, aproximadamente, 170 milhões de reais nos últimos seis anos.

Segundo relatório da Polícia Federal, 30% é o percentual que o senador do DEM recebia do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Morre Chico Anysio, a personificação do humor brasileiro

  Por Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Azambuja, Coalhada, Painho, Bento Carneiro, Professor Raimundo, Bozó, Nazareno e Alberto Roberto. Esses e muitos outros personagens ocupam posição de destaque no imaginário popular e têm em comum o mesmo criador – o cearense Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, mais conhecido como Chico Anysio. Ator, escritor, compositor, dramaturgo e radialista, ele encantou diferentes gerações com tipos e um humor que nunca descambava para a piada chula. Sempre havia algo de inteligente em seus textos, mesmo que, em muitos momentos, soasse conservador.

Nas dezenas de programas que comandou, ele procurava representar toda a sociedade brasileira. Não à toa, uma de suas mais brilhantes criações foi “Chico City”, exibida entre 1973 e 1980, pela TV Globo, e que representava os vários personagens de uma cidade em plena época do regime militar. Outra criação inesquecível foi Baiano, que formava uma dupla musical com os Novos Caetanos, ou melhor, o falecido ator e compositor Arnaud Rodrigues, que fazia uma sátira aos artistas baianos que alcançavam projeção nacional, no caso Caetano Veloso e os Novos Baianos. A dupla tinha tanta qualidade, inclusive musical, que emplacou sucessos como “Vô Batê Pá Tú”.

Cidadania Frente Parlamentar cobra do governo detalhes sobre operação na 'cracolândia'

Por Leticia Cruz - Rede Brasil Atual

São Paulo – Deputados paulistas da Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack cobraram da Secretaria Estadual da Justiça na manhã de hoje (22) maior participação no processo de decisão das ações cumpridas pela Operação Sufoco, conhecida como “cracolândia, que ocorre na região central de São Paulo . Um efetivo da Polícia Militar ronda pelas ruas do local desde 3 de janeiro, quando o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ordenaram o início das ações para coibir o tráfico. A reunião de hoje resultou no compromisso do governo de tornar mais eficiente a troca de informações entre as secretarias envolvidas na operação conjunta – municipais e estaduais – e os parlamentares.


domingo, 18 de março de 2012

Lamentável deputado Romário.


Não sou um torcedor de futebol daqueles que acompanham o esporte no dia-a-dia em todos os seus detalhes também não sei dizer muita coisa sobre jogadores. Por isso não sei quase nada a respeito do sr Romário exceto que é ex jogador de futebol e atual deputado federal pelo Rio de Janeiro.

E o que vou dizer não passa nem de perto pelas coisas de futebol, sua organização ou quem é quem no mundo esportivo. Acrescento ainda que acompanho muito superficialmente os preparativos para o Mundial de 2014. Sei apenas a respeito dos assuntos mais comentados como foi o caso da falta de educação do secretario geral da FIFA, sr Valke, ao fazer declarações sobre as condições dos preparativos para a Copa.


sábado, 17 de março de 2012

Amadores e profissionais.




" Perguntei à terra,
 ao mar, à profundeza
 e, entre os animais, às criaturas que rastejam.
 Perguntei aos ventos que sopram 
 e aos seres que o mar encerra.
 Perguntei aos céus, ao sol, à lua e às estrelas
 e a todas as criaturas à volta da minha carne:
 Minha pergunta era o olhar que eu lhes lançava.
 Sua resposta era sua beleza."

Santo Agostinho em seu livro Confissões.

Como se sabe, e me perdoem por dizer o que se sabe, vivemos muito mais para ter do que para conhecer ou saber.

E Santo Agostinho nesse belo poema nos chama a contemplação. Contemplar é algo que nos escapa no dia a dia dado que vivemos em uma ciranda que nos impusemos e da qual não se sabe bem para onde vai e nem em que vai dar.

Bem ao contrário de nossas agendas, nossas obrigações profissionais ou nossos manuais sobre como lidar com toda essa parafernália a nossa volta, a natureza se manifesta sempre de maneira simples sem "oquês" e nem "praquês".


sexta-feira, 16 de março de 2012

O verdadeiro fogo amigo das oposições

Sempre achei que através das preferências pessoais pode-se dizer muito a respeito de uma pessoa. Noves fora o preconceito que isso pode causar, é sempre bom lembrar o famoso ditado: diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.

Mas o fato é que existe mesmo uma inegável relação entre a personalidade e as preferências nas várias dimensões humanas. Musica, cinema, literatura e esportes vão sempre ser identificados antes de tudo com o comportamento de um individuo. Longe de mim dar pitaco em áreas que desconheço totalmente, mas acho que isso em psicologia poderia ser algo como extravasar aquilo que é reprimido. Então no mundo das artes e dos esportes a tendência é preferir sempre aquilo que trazemos muito vivo dentro de nós, mas que por incontáveis razões não podemos fazer ou dizer clara ou publicamente.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Atenta blogosfera progressista. Atenta!!

Preciso encontrar, antes que comece a campanha das eleições municipais desse ano, um curso de meditação transcendental ou algo do gênero onde eu aprenda a me desligar de tudo que incomoda minha mente, onde eu saiba levitar espiritualmente e pairar sobre todas as baixarias que estão por vir. Pois receio que vai ser difícil, muito difícil, suportar os linchamentos que a mídia engajada desde já  na eleição do Serra e os seus simpatizantes farão durante os poucos meses que temos até as eleições.

Muita gente se assustou  com o comportamento dos responsáveis diretos e indiretos  pela campanha presidencial e dos simpatizantes de Jose Serra em 2010, e que foi motivo de longas reflexões e ponderações. 

Fomos quase todos, pegos de surpresa pela pauta dos debates da campanha na qual se sobrepuseram discussões sobre crenças e princípios muito diferentes daqueles realmente indispensáveis para a boa governança de um Estado. Pouco se viu de programas partidários ou de propostas de governo. E muito se ouviu sobre valores éticos e morais - muito deles duvidosos e alguns comprovadamente hipócritas - a ponto de que um observador extraterrestre recém chegado ao nosso país poderia imaginar que estávamos preparando a eleição de líder de alguma seita religiosa e não de um governante de uma nação inteira.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Mas isso é aperfeiçoamento?

Sempre defendi uma tese de que o ser humano é o mesmo em sua essência desde que caminha sobre a terra, seja sobre a ótica criacionista ou darwiniana. E o que chamo de essência são os sentidos e as emoções . Acredito que este ser humano que conhecemos ( ou não ? ) hoje em dia é o mesmo ser humano que rabiscava paredes nas cavernas.

Coisas como sono, fome, alegria, dor, inteligência, amor, necessidade de viver em grupo, inveja, ódio, etc, etc.. vivem dentro do homem exatamente do mesmo jeito desde sempre.

O que nos diferencia de nossos irmãos habitantes das cavernas e todos os que existiram entre eles e nós são os avanços no conhecimento que é o que parece causar a equivocada impressão de que somos melhores.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

A velha e inutil pergunta: onde foi que eu errei?

Na vida da gente é sempre assim. Vez ou outra ficamos matutando sobre se tivessemos feito isso ou aquilo em lugar disso ou daquilo outro. Se tivessemos virado pra esquerda e não pra direita, adiado ou antecipado algum projeto.. Enfim vez ou outra nos acontece de não estarmos satisfeitos com nossa situação e ficamos repetindo a velha pergunta: mas onde foi que eu errei?

E resolvi dividir com voces uma cronica de LF Verissimo- publicada em seu livro Em Algum Lugar do Paraiso na pag 11 - onde se pode perceber a besteira que é essa coisa de ficar querendo voltar atrás.


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Amizades

Já dizia Mario Quintana: " A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita." 

Talvez todos nós tenhamos vivido pelo menos uma vez exatamente a mesma coisa.  E no caso de escribas amadores como eu isso, além de constante, é mais desesperador: pois nem é o caso apenas de não se se conseguir dizer o que se pensa mas é também a falta de palavras. No caso de Quintana mesmo confessando uma parcial incapacidade ele revela competência para exprimi-la.

Bem eu estou enrolando e vamos direto ao assunto. Eu sempre quis traduzir a amizade ou o amor. Não eu não falo dos bilhetes apaixonados esses eu os fiz às centenas ( !! ) e quem sabe com alguma competência, pois convenci a quem eu queria a respeito dos meus sentimentos.



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O petruciometro.

Em um hotel que trabalhei, certa vez um funcionário foi flagrado surrupiando alimentos da cozinha do hotel. E era uma quantidade razoavel de itens escondidos sob as roupas, na bolsa e onde mais pudesse.

Para melhorar a segurança contra esse tipo de ação foi instalado na saida de funcionários um aparelho equipado com um botão, uma campainha e uma luz,  que todos os que saiam tinham que acionar. O funcionamento do aparelho era bem simples: após um quantidade certa de acionamentos a campainha soava e a luz acendia. E então o funcionário "sorteado" era convidado a entrar na guarita de segurança e era revistado mais detalhadamente. 

E nós chamavamos o tal aparelho de "petruciometro" em homenagem aquele tal que foi pego fazendo um rapa nas geladeiras do hotel e que se chamava Petrucio. 

Quando vejo  portas giratórias instaladas na entrada de agencias bancarias equipadas com um suposto detector de metais eu me lembro do "petruciometro" e tenho quase certeza de que o funcionamento dessas engenhocas tem o mesmo principio, ou seja: depois de umas tantas giradas a porta trava e o cidadão que estiver entrando na agencia passa pelo constrangimento de exibir seu molho de chaves, moedinhas, celulares e qualquer outra coisa feita de metal para o segurança que fica por ali.

E eu digo que desconfio que é na base do sorteio pois informo a vocês que conto nos dedos de uma mão só as vezes que essa tal porta travou na minha entrada em alguma agencia bancaria. Tudo bem que não visito essas agencias com muita frequencia, mas é certo que em todas vezes carrego minhas chaves nos bolsos junto com celular e algumas moedas. E isso sou eu e a maoria arrasadora dos frequentadores dos bancos.

Convenhamos portanto que se por ali tivesse mesmo um detector de metais ninguem, mas ninguém mesmo, entraria na agencia sem ter que mostrar o conteudo de seus bolsos e bolsas.

Agora leio a noticia de que alguns bancos estão providenciando a retirada desses trambolhos das entradas de suas agencias. 

Ótimo. Já vão tarde. Pois a tal porta não constrange apenas os sorteados pelo principio do "petruciometro", mas a toda população que foi levada a crer que ali estão instalados detectores de metal.

Fiquem em paz

Jonas

sábado, 28 de janeiro de 2012

O planeta ainda não está agradecido

Com frases de apelo ecológico como " tirar o planeta do sufoco " e com funcionários usando camisetas onde se lê " o planeta agradece" a grandes redes de supermercados paulistas passaram a cumprir lei estadual que proíbe a distribuição de sacolinhas  plásticas para os consumidores. Pelo que sei outros estados brasileiros já adotaram a mesma lei, e todos eles com a desculpa pretensiosa de que estão ajudando a preservar o meio ambiente.

Poderia até mesmo ser verdade se dentro dos próprios supermercados a farra do plástico tivesse sido interrompida. Porém iogurtes, cereais, farinhas, carnes, frios, embutidos, refrigerantes e todo o tipo de gêneros alimenticios continuam embalados no velho plástico de sempre. Nada mudou.

Pelo menos por enquanto a única coisa que me ocorre é que o que está acontecendo de verdade é uma economia - desconfio que bem grande - para os supermercados além de uma renda extra para os mesmos com a venda de sacolas de pano, carrinhos de mão, etc.

E estranhamente nada mudou nos pequenos supermercados e em estabelecimentos de outros ramos de comercio que continuam a oferecer as sacolinhas.

Alguém está  querendo nos fazer acreditar que retirando as sacolinhas dos supermercados estamos dando um grande passo na direção de políticas ambientais mais eficazes. Balela pura. Ate o mundo mineral sabe que as sacolinhas são usadas para embalar lixo e que apenas serão substituídas por sacos plásticos comprados nas prateleiras dos mesmos supermercados. Eita delicia capitalista!

Fariam muito melhor nossos prezados governantes se pensassem por exemplo em obrigar que todos edifícios construídos a partir de agora equipassem as pias das cozinhas dos apartamentos, com trituradores de alimentos. Isso diminuiria bastante o descarte de lixo via lixeiro. Na mesma linha poderia se pensar em fazer adaptar, talvez com algum subsidio, todos os apartamentos de uma determinada idade com os mesmos trituradores.

E poderiam fazer ainda mais se investissem pesadamente em infraestrutura de coleta de lixo seletiva - mas uma verdadeira coleta seletiva, diaria, bem planejada e eficente -, reciclagem, e produção de gás derivado do lixo. Mas pelo menos por hora não se vê nada disso.

E que tal uma campanha de conscientização bem feita, eficiente e de longo prazo de exibição convocando a população a dispensar as tais sacolinhas em compras de dois ou três pequenos volumes. Não vejo nada de errado em carregar uma ou duas caixas de remédio na mão por exemplo. O pãozinho na padaria já é embalado em sacos de papel, mas os padeiros insistem em colocar o saco de papel em uma sacola plástica. Pra que?

E que tal educar a população para descartar o papel higiênico usado no vaso sanitário antes de dar a descarga? Sim por que papel higiênico na água é muito mais solúvel que certos materiais ali despejados. Isso reduziria o uso de saquinhos plástico na lixeira do banheiro.

E por que não garrafas de vidro retornáveis para cervejas e refrigerantes? Certamente já dispomos de tecnologia de sobra para colocar um código de barras nos rótulos das ditas cujas para serem lidas na entrada do supermercado emitindo um cupom de credito de vasilhame para o consumidor.

E por fim por que não convocar distribuidores, produtores e fabricantes de embalagens a buscar soluções para seus produtos com prazo - exatamente como fizeram com os consumidores - para reduzir de maneira drástica o uso do plástico? Afinal se os consumidores têm que se adaptar com uma decisão de cima para baixo,  então que se adaptem todos.

Certamente existem outras centenas de sugestões e idéias que ajudariam de verdade a tirar o planeta do sufoco levando-o a agradecer com sinceridade e sem essa desconfiança de que está sendo enrolado.

Fiquem em paz,

Jonas

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

E como se sentem os soldados?

É indiscutível a responsabilidade direta das autoridades dos três níveis de Governo e mais as do Judiciário na desastrada operação de desocupação do terreno do Pinheirinho em S J dos Campos - SP. Muito já se falou sobre isso e chegou-se a conclusões óbvias de que faltaram em especial respeito e compaixão  pelo próximo,  para tornar aquela operação menos dolorida possível para a população envolvida no assunto.

Isso é ponto pacifico e não há o que se acrescentar.

Mas todo esse evento trouxe-me a lembrança um encafifante pensamento que carrego comigo já faz muito tempo: como se será que se sentem os ocupantes da base da escala hierárquica e que por fim foram os que botaram a mão na massa para fazer com que tudo acontecesse? Falo dos soldados que entraram em campo e foram, literalmente, os executores da infeliz ordem e pior que isso foram a tradução palpável e visível, do pouco caso com que o assunto foi tratado.

Como será que cada soldado viu e sentiu aquilo tudo? Pois é sabido que aqueles soldados para além de funcionários públicos que são pagos para fazer manter a normalidade jurídica do Estado, são também seres humanos. Não é difícil imaginar que muitos deles, quem sabe a maioria, também constroem suas vidas com dificuldades, também perderam noites de sono planejando o mês de salário, as contas, comida, escola, moradia, remédios etc., etc. Quem sabe uma parte deles também more em locais cuja propriedade legal seja difícil de ser comprovada.

A mesma coisa pode ser perguntada a respeito da outra ação desastrada do Estado efetuada na Cracolandia - SP. Como é que sentem-se os soldados que levaram a cabo ações de repressão e humilhação a que submeteram os dependentes de crack que vivem por ali?

Muita gente poderá dizer que o soldado é treinado para cumprir ordens e não fazer perguntas. Tudo bem. E eu acho que na maioria das profissões as coisas se dão assim mesmo. Para isso existe a hierarquia, para isso existem penalidades para quem não cumpre ordens recebidas.

Mas todo mundo sabe que se um comandante mandar seu soldado tomar um copo de veneno ele não vai tomar. Ele também não vai se atirar pela janela do vigésimo andar mesmo que seja ameaçado de ser expulso da corporação.

E deve ser do consenso geral que um oficial militar não pode mandar seu soldado atirar em membros da própria família por óbvias razões de envolvimento emocional.

O que temos então? Temos que um policial não é totalmente desprovido de valores que passam por sua auto-estima e vão até a vida familiar e que ele tem dentro de si todo o conjunto de emoções, sentimentos e critérios que isso envolve.

Sendo assim cabe uma pergunta: por que diabos um soldado agride gratuitamente quem não representa o menor perigo? Por que diabos um soldado invade lares e grita com crianças e idosos, e os expulsa como se fossem animais?

E nesse momento me ocorre outra pergunta: será que se fosse dado a todo ser humano escolher sua profissão de maneira livre e independente, quantos será que escolheriam ser soldado? 

Quantas são as contradições que cada um nós vive? E qual a magnitude do estrago que provocam em nossas almas?

Não vou continuar pensando, escrevendo e perguntando. Na maioria das vezes me sinto impertinente demais me envolvendo no que não sou chamado e naquilo a respeito do que nada sei.

Mas quem sabe ao menos possamos continuar refletindo sobre isso..

Fiquem em paz,

Jonas

sábado, 14 de janeiro de 2012

Os indiferentes

O texto abaixo, de Antonio Gramsci - pensador italiano -, foi escrito em 1917. Mas em vista do descolamento da maior parte da população brasileira da discussão dos grandes temas nacionais provocado pela ação do poder midiatico do Brasil, bem que poderia ter sido escrito hoje mesmo.

"Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.

A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.

A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.

Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.

Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes."

 Primeira Edição: La Città Futura, 11-2-1917
Origem da presente Transcrição: Texto retirado do livro Convite à Leitura de Gramsci"
Tradução: Pedro Celso Uchôa Cavalcanti.
Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive
HTML de: Fernando A. S. Araújo
Direitos de Reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005. A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License

domingo, 8 de janeiro de 2012

Instituto Nacional de Dois Pesos e Duas Medidas

Esta semana os órgãos de propaganda oficial dos tucanos e que se auto-intitulam imprensa livre e democrática, nos ensinaram como transformar expedientes governamentais federais rotineiros e transparentes em crimes, e como fazer para que verdadeiros crimes cometidos pela cúpula do governo tucano devem ser empurrados para baixo na escala hierárquica.

O primeiro, tratado com o estardalhaço de sempre, recheado de informações desencontradas e palavras colocadas na boca dos outros além de suposições sobre providencias a serem tomadas, refere-se ao suposto privilégio que teria sido dado ao Estado de Pernambuco na distribuição de verbas federais para obras contra enchente. Segundo o blá-blá-blá geral, Estados como São Paulo, Rio e Minas teriam sido prejudicados por receberem valores muitos menores que Pernambuco, sendo que esse ultimo seria curral eleitoral do Ministro e vai por ai afora.

Com certeza meus raros e caros leitores já estão a par das contradições nesse assunto e eu nem vou cansá-los com as evidencias disto. Mas só quero fazer uma pergunta: por que diabos se isto estava previsto no orçamento de 2011, foi debatido no Congresso e coisa e tal, por que só após terminado o ano é que os cândidos e probos jornalistas noticiam ? Por que só falam depois que  coisa acontece, já que se falassem antes talvez tudo pudesse ser esclarecido e/ou mudado?

Resposta: elegeram o Ministro da Integração como a bola da vez para cair. E que se dane se os fatos são ou não verdadeiros, o negócio é escandalizar e tentar manobrar a massa fazendo-a acreditar que um governo progressista é sinônimo de corrupção. E ponto final. O caminho está aberto para atingirem a Dilma e assim o farão antes que a gente possa se dar conta.

E enquanto isso usando as mesmas réguas, compassos e gabaritos, porém ao contrário, a prestimosa imprensa demo-tucano-direitista leva a população paulistana a acreditar que a ação higienista - portanto criminosa- dos governos municipal e estadual de São Paulo na Cracolandia foi - isso é o que disseram no inicio - pensada e arquitetada em cima dos melhores padrões de saúde e de integração social recomendados.

Tiveram os aprendizes de Hitler e Goebbels, a cara dura de dizer que na primeira fase aqueles dependentes de crack das ruas da Barra Funda, ao serem dispersos, procurariam ajuda médica na medida em que se dariam conta da sua realidade. Mentira! Uma pessoa em crise de abstinência pode cometer qualquer desatino inclusive homicídio ou suicídio para saciar seu vicio. E ao privá-los assim de maneira abrupta e sem orientação e assistência a Policia Militar do Estado, Alckmim e Kassab colocam em risco a integridade física e patrimonial de milhares de pessoas, tanto dos usuários quanto daqueles que vivem nas regiões próximas da Barra Funda.

E ontem o pasquim da Famiglia Mesquita, quando se deu conta da porcaria cometida, anunciou candidamente que a ação foi autorizada pelos escalões inferiores do Município e do Estado sem o conhecimento do Governador e do Prefeito, jogando a culpa para os anônimos servidores que pagarão o pato com os seus empregos certamente.

E todo o conjunto de jornaleiros e suas tipografias serviçais passaram a isentar de culpa a cúpula do Governo Estadual e Municipal bem ao contrário do que fazem quando exigem que a Dilma vasculhe as gavetas de seus ministros, secretários, delegados, escrivães e contínuos, responsabilizando a Presidente pelos atos de toda a maquina federal.

E eis que eu fico aqui pasmo diante de todas as evidencias de que mais do que nunca é necessário discutir a relação da imprensa com o resto da sociedade.

Fica cada vez mais insuportável para mim a apatia com que o Governo Federal e o Congresso deixam passar tudo em branco, aparentemente não se incomodam, se submetem silenciosamente aos desmandos daquele que poderá vir a ser o único e real poder nesse país que é a imprensa.

Ou está todo mundo de rabo preso uns com os outros, todos carregam crimes inconfessáveis nas costas, todos cometem coisas vergonhosas nos vãos dos palácios governamentais, ou eu sou um perfeito e acabado idiota.

E devo ser mesmo idiota pois nos próximos dias a outrora Venus Platinada - agora uma deusa caída e desbotada - começa a exibir o famigerado BBB e eu serei convocado pelas circunstancias a explicar para minha neta que toda a vulgaridade, leviandade, erotização gratuita e futilidade preconizadas pelos participantes do programa é apenas passatempo e não tem o propósito de criar comportamentos e destruir valores e conceitos sociais.

Terei de explicar para a Gigi a existência de um Instituto Nacional de Dois Pesos e Duas Medidas e que ela vai ter que se virar para conviver com a falta de coerência dos homens.

Fiquem em paz

Jonas