domingo, 18 de março de 2012

Lamentável deputado Romário.


Não sou um torcedor de futebol daqueles que acompanham o esporte no dia-a-dia em todos os seus detalhes também não sei dizer muita coisa sobre jogadores. Por isso não sei quase nada a respeito do sr Romário exceto que é ex jogador de futebol e atual deputado federal pelo Rio de Janeiro.

E o que vou dizer não passa nem de perto pelas coisas de futebol, sua organização ou quem é quem no mundo esportivo. Acrescento ainda que acompanho muito superficialmente os preparativos para o Mundial de 2014. Sei apenas a respeito dos assuntos mais comentados como foi o caso da falta de educação do secretario geral da FIFA, sr Valke, ao fazer declarações sobre as condições dos preparativos para a Copa.

E o sr Valke foi  severamente repreendido por representantes do governo brasileiro a ponto do ofensor se ver obrigado a pedir desculpas, e ainda hoje fiquei sabendo que ele está suspenso das conversas oficiais com o sobra a Copa de 2014 no Brasil. Bom. Muito bom. E parabéns a Dilma e ao Aldo Rebelo e outros representantes nossos por sua atitude em defesa senão do Brasil, mas ao menos das regras de boa educação.

E agora acabo de tomar um susto com declarações de sr Romário a respeito do mesmo assunto: preparação da Copa de 2014. 

Sr Romário vai ao limite da falta de educação. Usa palavras como roubo, palhaçada, merda e vergonha. Além disso, a falta de educação do deputado é generalizante, ou seja, vai da figura da Presidente até deputados, passando por ministros e outros envolvidos na tal preparação.

Nacionalismos a parte, e para além do péssimo exemplo de um ocupante de uma cadeira no Congresso Nacional,  essa atitude para mim é desproporcional ao valor que pode ter esse evento para o Brasil.

Em que pese a expectativa da visita de milhares de estrangeiros em nosso país na época dos jogos e ainda, a importância econômica que a Copa tem, não acho que naqueles dias do campeonato o Brasil estará mais visível do que está normalmente, - lembremos que os torcedores assistirão aos jogos e não ao país - não receberá mais visitantes do que recebe ao longo dos anos, e nem esses turistas deixarão aqui mais dinheiro do que outros tantos deixam todos os dias. Portanto vamos com mais calma com tudo isso.

Devemos sem duvida nenhuma levar a sério o compromisso assumido com a FIFA e fazer tudo que for possível para que a Copa aconteça da melhor maneira em prol do esporte e da imagem do nosso país. 

Mas é bom que isso não tome contornos de um misto de obsessão e baixarias e acabemos por divulgar ao mundo, e esse é um risco real, que somos incapazes não com as providencias burocráticas  e de gestão, mas pode ser que pareça que somos um país representado - lembremos que sr Romário é deputado - por falastrões briguentos, mal educados e desprovidos do mínimo de respeito pelas instituições do próprio país que representa. 

E se nós mesmos dermos esse exemplo, como poderemos exigir respeito dos estrangeiros?

( Leiam aqui as infelizes e despropositadas - porque generalizantes - palavras do sr Romário).

Fiquem em paz,

Jonas

sábado, 17 de março de 2012

Amadores e profissionais.




" Perguntei à terra,
 ao mar, à profundeza
 e, entre os animais, às criaturas que rastejam.
 Perguntei aos ventos que sopram 
 e aos seres que o mar encerra.
 Perguntei aos céus, ao sol, à lua e às estrelas
 e a todas as criaturas à volta da minha carne:
 Minha pergunta era o olhar que eu lhes lançava.
 Sua resposta era sua beleza."

Santo Agostinho em seu livro Confissões.

Como se sabe, e me perdoem por dizer o que se sabe, vivemos muito mais para ter do que para conhecer ou saber.

E Santo Agostinho nesse belo poema nos chama a contemplação. Contemplar é algo que nos escapa no dia a dia dado que vivemos em uma ciranda que nos impusemos e da qual não se sabe bem para onde vai e nem em que vai dar.

Bem ao contrário de nossas agendas, nossas obrigações profissionais ou nossos manuais sobre como lidar com toda essa parafernália a nossa volta, a natureza se manifesta sempre de maneira simples sem "oquês" e nem "praquês".

As flores florescem por que florescem sempre com as mesmas cores, do mesmo jeito, com a mesma beleza e no mesmo tempo. A frutas explodem nas copas das arvores sempre com os mesmos sabores e aromas. Os bemtevis nascem sempre amarelos e marrons cantando sempre seu canto inconfundível. As fases da lua, as marés, os dias e as noites, sempre e sempre repetidos por igual e com mesma beleza e com os mesmos mistérios. Entre todos os bichos o cio vem e vai sem que haja entre eles nenhuma ansiedade por acasalar-se fora de época. Tudo tem o seu tempo certo.

Olhai os lírios dos campos e as aves do céu, nos ensinou Jesus Cristo. Convidando-nos a confiar na harmonia da criação e para deixarmos as coisas por conta do que podemos chamar do acaso. Tudo haverá de acontecer no tempo certo apesar de nossas dúvidas e de nossa ansiedade.

Contemplar. Talvez essa seja a cura de um de nossos maiores males: a incerteza sobre o dia de amanhã. 

Contemplando a beleza da criação entendemos que não estamos sozinhos. Contemplando a natureza podemos ver que o bem virá e prevalecerá sobre todas as nossas dificuldades. Nos amaremos e nos felicitaremos. A paz e a harmonia fluirão em nós com nas flores, nos astros, nas frutas, nos animais. Pois é disto que é feito a natureza da qual somos parte: de paz e de harmonia.

Deixemos um pouco de ser "profissionais" de viver e sejamos um pouco mais "amadores" (ou amantes) da vida.

Fiquem em paz.

Jonas

sexta-feira, 16 de março de 2012

O verdadeiro fogo amigo das oposições

Sempre achei que através das preferências pessoais pode-se dizer muito a respeito de uma pessoa. Noves fora o preconceito que isso pode causar, é sempre bom lembrar o famoso ditado: diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.

Mas o fato é que existe mesmo uma inegável relação entre a personalidade e as preferências nas várias dimensões humanas. Musica, cinema, literatura e esportes vão sempre ser identificados antes de tudo com o comportamento de um individuo. Longe de mim dar pitaco em áreas que desconheço totalmente, mas acho que isso em psicologia poderia ser algo como extravasar aquilo que é reprimido. Então no mundo das artes e dos esportes a tendência é preferir sempre aquilo que trazemos muito vivo dentro de nós, mas que por incontáveis razões não podemos fazer ou dizer clara ou publicamente.

O simpatizante, fã, torcedor, ou que nome tenha aquele que tem preferência por qualquer coisa, muitas vezes enxerga algo que outros não enxergam. Tem muita gente por ai que não entende como posso admirar tanto os Beatles durante praticamente todos os anos de minha vida e esta admiração não dá a menor pinta de que vai acabar. Mas é que eu ouço sons em suas músicas que despertam em mim emoções desconhecidas para outras pessoas, e muitas vezes para mim mesmo.

E na política não poderia ser diferente. Todos nós estamos sujeitos a preferir um ou outro candidato, um ou outro partido em razão dos discursos e comportamentos que vemos e ouvimos e que, é óbvio, corresponde ao que pensamos e queremos. Normal né?

E foi lendo esse texto de Eduardo Guimarães em seu excelente Blog da Cidadania ( não deixem de ler) que eu me lembrei de algo que eu já disse por aqui: uma boa forma de saber se este ou aquele candidato é compatível com meus ideais de governo e de política é observar seus eleitores e simpatizantes.

A partir das eleições presidenciais de 2010 o PSDB, o DEM e o José Serra conseguiram sacudir o monstro que estava adormecido na alma de seus militantes. De lá para cá o que se vê , em especial nos comentários desses militantes publicados na web é que os mesmos são capazes de praticar todos os tipos de ruindades humanas: ódios diversos, preconceitos de cor, gênero, raça, religião e classe. Elitismo e regionalismos. Falsos moralismos. Aversão a democracia. Entendimento de que políticas sociais são para vagabundos. Submissão ao deus mercado, etc, etc, etc. Evidentemente que a frente dessa "guerra" está a imprensa sempre a favor das politicas neo liberais e portanto contrárias a soberania do Brasil.

Então é isso aí. Se você estiver com dificuldade em decidir-se por um candidato, dê uma boa analisada no comportamento de seus simpatizantes e no que a imprensa fala sobre ele. É um excelente filtro.

Fiquem em paz,

Jonas

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Atenta blogosfera progressista. Atenta!!

Preciso encontrar, antes que comece a campanha das eleições municipais desse ano, um curso de meditação transcendental ou algo do gênero onde eu aprenda a me desligar de tudo que incomoda minha mente, onde eu saiba levitar espiritualmente e pairar sobre todas as baixarias que estão por vir. Pois receio que vai ser difícil, muito difícil, suportar os linchamentos que a mídia engajada desde já  na eleição do Serra e os seus simpatizantes farão durante os poucos meses que temos até as eleições.

Muita gente se assustou  com o comportamento dos responsáveis diretos e indiretos  pela campanha presidencial e dos simpatizantes de Jose Serra em 2010, e que foi motivo de longas reflexões e ponderações. 

Fomos quase todos, pegos de surpresa pela pauta dos debates da campanha na qual se sobrepuseram discussões sobre crenças e princípios muito diferentes daqueles realmente indispensáveis para a boa governança de um Estado. Pouco se viu de programas partidários ou de propostas de governo. E muito se ouviu sobre valores éticos e morais - muito deles duvidosos e alguns comprovadamente hipócritas - a ponto de que um observador extraterrestre recém chegado ao nosso país poderia imaginar que estávamos preparando a eleição de líder de alguma seita religiosa e não de um governante de uma nação inteira.

Felizmente Serra perdeu. Mas não se convenceu. Nem ele e nem seu eleitorado.  

A campanha política de 2010 foi o laboratório experimental dos métodos que agora serão aplicados em larga escala. 

Para mim não é um plano político ou algum ideal nacionalista que está em debate. O Serra, a imprenSSa, o PSDB quase todo e a elite paulistana não querem nada disso. É antes de tudo um plano para a implantação de um ideário retrogrado sustentado por uma política de classes que é excludente, preconceituosa, machista e fundamentalista.

Serra deixou um rastro de rancor e ressentimento capazes de destruir as boas relações políticas do país. Dia sim e outro também me assustam tanto o comportamento da imprensa paulista quanto dos navegantes e comentaristas na web. Destampou-se de vez um injustificado e perigoso ódio por qualquer coisa ou qualquer um ligado ao governo federal. Todas as iniciativas do governo federal, todas as medidas e planejamentos vindos do planalto são tratados com acidez fora do normal, com oposição gratuita do tipo não-gostei-e-pronto. Há choro e ranger de dentes toda vez que se fala em política social ou inclusão daqueles que vivem a margem da sociedade.

Há um torcida descarada para que tudo dê errado, não importando o custo social disso.

E quando dá joga-se nas costas de Lula e Dilma até mesmo assassinatos. Foi assim no acidente com avião da Tam em Congonhas, foi assim no incêndio da Estação Antártica e foi assim com a morte de Eliane Tranchesi cujo câncer que a matou foi atribuído ao Lula pelo ordinário Bóris Casoy.

Todo o exercito de falsos moralistas da imprenSSa paulista, das dioceses católicas e dos templos universais em geral rancorosos que estão com as conquistas dos até agora excluídos, já estão de prontidão para tentar fazer arder na fogueira inquisitorial o candidato Haddad e o governo federal que ele representa como ex ministro  e candidato daquele que é o divisor de águas da historia da pobreza no Brasil.

Já se dissemina a idéia de que o PT tem um plano de dominar o mundo ( risos ) bem ao estilo de Pink e O Cérebro e portanto todos os meios utilizados pela oposição se justificarão para por fim a esse plano.  A estupidez é tamanha que já não se acredita nos instrumentos democráticos do país. E é em nome dessa estupidez que se dará um golpe mortal na já cambaleante Justiça Eleitoral, portanto não nos surpreendamos se  a legislação eleitoral for rasgada e jogada no lixo em prol da eleição do Serra. 

O golpe covarde e rasteiro já começou a ser executado dentro do próprio PSDB com a retirada de duas candidaturas prévias ( e as outras não serão retiradas também? acho que sim) e o adiamento da realização da eleição pra escolha do candidato do partido. 

O golpe covarde e rasteiro já está em execução pelo próprio Serra que declarou que vai federalizar o debate ou, em outras palavras, Serra quer ganhar agora a eleição presidencial de 2014.

O golpe covarde e rasteiro já está em execução com a declaração de que se formará no PSDB uma chapa puro sangue ( bem ao estilo raça pura ) , ou seja, o vice será também do PSDB para que Serra fique a vontade para renunciar dentro de dois anos ( e trair seu eleitorado mais uma vez) para assumir a presidência da Republica uma vez que ele garante que a conquistará agora mesmo.

Prepare-se Haddad e veja aí se no seu teste do pezinho do dia em que você nasceu não consta algo "irregular" e que os "especialistas" da Globo dirão que isso o faz geneticamente um ladrão contumaz. 

Prepare-se Haddad. E será melhor você mandar todos os que lhe são queridos passarem umas férias em lugar bem distante e isolado pois desconfio que através de você, a imprenSSa, o PSDB, os eleitores de Serra e ele mesmo vão constrange-los até se sentirem impedidos de sair de casa.

Prepare-se Dilma. Você ficará sinucada na típica armadilha do "se ficar o bicho come e se correr o bicho pega", pois eles vão ofender e mentir tanto e tanto sobre o seu governo, ele vão inventar tanta coisa vergonhosa sobre você que você vai se ver obrigada a entrar na discussão e isso é tudo que o Serra quer.

E você Lula? Já dá vontade de chorar sobre o tanto de coisas vergonhosas que se dirá sobre o seu governo. Imagine você que bem no meio dessa coisa toda estará acontecendo o julgamento do "mensalão". Ainda não disseram todas as coisas sobre isso. Dirão mais, muito mais. Mesmo que o resultado do julgamento seja favorável ao seu governo a imprenSSa o condenará.

E preparem-se todos os que aos poucos e ao longo desses nove últimos anos conquistaram seus direitos a livre prática de suas preferências políticas, religiosas, culturais e sexuais, todos vocês haverão de ser ameaçados de expulsão do "paraíso paulistano" e declarados ímpios, pecadores e condenados a internação em alguma "Auschwitz"  malafaiense para a expulsão dos demônios. 

Atenta blogosfera progressista. Atenta!!

Fiquem em paz

Jonas


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Mas isso é aperfeiçoamento?

Sempre defendi uma tese de que o ser humano é o mesmo em sua essência desde que caminha sobre a terra, seja sobre a ótica criacionista ou darwiniana. E o que chamo de essência são os sentidos e as emoções . Acredito que este ser humano que conhecemos ( ou não ? ) hoje em dia é o mesmo ser humano que rabiscava paredes nas cavernas.

Coisas como sono, fome, alegria, dor, inteligência, amor, necessidade de viver em grupo, inveja, ódio, etc, etc.. vivem dentro do homem exatamente do mesmo jeito desde sempre.

O que nos diferencia de nossos irmãos habitantes das cavernas e todos os que existiram entre eles e nós são os avanços no conhecimento que é o que parece causar a equivocada impressão de que somos melhores.

Pois não é por que aprendi algo sobre os vegetais, bovinos e suínos que sinto fome diferente de um milhão de anos atrás.. Não é por que aprendi alguma coisa sobre astronomia que deixei de me encantar com a lua e de sentir-me pequeníssimo sob um céu cheio de estrelas. Não é por que hoje em dia a água chega até mim através de canos e torneiras que sacio minha sede melhor que o sujeito que tinha que sair de sua caverna e debruçar-se sobre o córrego para beber. Pode ser que haja mais conforto entre uma situação e outra, mas água continua sendo água e sede continua sendo sede como sempre foi.

E os rabiscos em paredes de cavernas que citei no inicio são na sua intenção e na sua essência os mesmos rabiscos que fazemos hoje em telas de computador ou seja, necessidade de comunicar-se.

Acredito que com o passar do tempo estabeleceu-se, ou se quis estabelecer, uma igualdade entre conhecimento e desenvolvimento com aperfeiçoamento humano.

Se nos acostumássemos a separar  o que é evolução cultural e tecnológica do que são os sentidos e as emoções humanas tenho certeza de que entenderíamos com muito mais clareza a natureza do homem, e o descobriríamos tão básico e tão primário como sempre foi.
 
E dado que hoje estou um tanto presunçoso, bem ao contrário do meu habitual reconhecimento de que nada sei, corro um certo risco e afirmo que essa sensação, ou essa quase convicção, de que somos melhores hoje do que fomos ontem e que se tudo continuar como está seremos ainda melhores amanhã, nasce das crenças, ideologias e acumulo de riquezas defendidas sempre por pequenos grupos.

Praticamente todos os dias somos convidados, e quase sempre aceitamos, a embarcar em uma nova maneira de viver seja lá o que for em uma nova maneira de olhar para nós mesmos. E assim vivemos nossos dias sempre achando que agora vai, mas ao final nos descobrimos de volta ao mesmo ponto de onde partimos, ou seja: ainda imperfeitos, ainda inseguros, ainda ignorantes a respeito de tudo e de todos.

E todo esse preâmbulo ( mas Jonas isso é só o preâmbulo?!) é para falar sobre algo que tem me feito conversar com meus botões e travesseiro como poucas vezes eu fiz na vida. Estou cada vez mais admirado com a crescente devoção - quase canina - aos cães.

Por favor donos de cachorros e defensores do ideário do politicamente correto não atirem pedras. Ainda. Mas a verdade é que estamos assistindo  acontecer com os cachorros a mesma coisas que umas tantas crenças e ideologias e interesses comerciais aconteceu conosco, seres humanos.

Como eu já disse, eu e meus botões, e não poucas vezes meu travesseiro junta-se a nós, temos tido longos, porém inconclusivos, debates sobre a crescente cultura da assunção dos cachorros como seres humanos.

Uma estranha, e para mim incompreensível, convicção de que os cachorros são os melhores amigos do homem tem levado multidões a tratá-los como se fossem bibelôs, objetos de decoração, ou como aquelas estatuetas brancas de gesso que a gente compra na loja para colorir ao nosso gosto.

Antes de tudo eu acredito que o melhor amigo do homem é o homem mesmo. Sob todos os sentidos o homem é capaz de praticar para outro homem uma imensa quantidade de bem inimagináveis para um cão.

Outro aspecto infundado é o da fidelidade. Embora reconheça-se que um cão ( e de resto todos os animais ) demonstram gratidão aos seus donos sendo-lhes fiéis acima de todas a coisas, sabemos também que o dono do cão é aquele que o alimenta, protege, aquece, etc.... vão me dando licença, mas a mim me parece que na lógica canina fidelização é muito mais uma troca de atenções do que um legitimo sentimento de amor e respeito.

Mesmo que a essa altura eu já esteja sentindo pedras vindas em minha direção, continuo ainda a confessar meu espanto com a insistente - ou quem sabe já obsessiva - tentativa de inclusão de cães no universo humano, fato esse comprovado pelos diálogos - perdão monólogos - praticados dia e noite pelos donos com seus cães. Para mim a diferença entre falar com cães e com paredes é que esse últimos reagem. Atenção eu disse que apenas reagem. Não contradizem, não ponderam, não aconselham, não consolam e nem ensinam e muito menos nos dizem: cara, você tá louco! Apenas reagem latindo ou sacudindo o rabo o que não é exatamente uma resposta da qual se possa saber o significado.

Aqui no Saúva há muito tempo atrás eu falei de uma grave subversão praticada pelos humanos contra a natureza dos cães: anulou-se nesses últimos a sua instintiva caça aos gatos. Quando vejo fotos de cãezinhos e gatinhos juntinhos, comparo-os àqueles pássaros assum-preto cujo olhos são furados para que cantem supostamente melhor. O canto desse bichos, outrora de alegria, passa a ser de dor e de solidão. E agora  o que se vê são cachorros que sufocam seus instintos e paparicam gatos apenas para deleite de seus donos.

Floresce por ai um mercado cada vez mais promissor cujo faturamento já deve chegar a casa dos milhões. Já se vê muito mais lojas de penduricalhos para cães do que de brinquedos para crianças. Alguma coisa está errada.

Quero apenas com essas considerações tentar demonstrar que uma boa dose de dominação ou submissão pode ser disfarçada com gestos caridosos e de amizade.

Tudo bem, existe algo para dizer em favor dos donos de cães. Eles dividem seu amor com outra criatura. Reservam uma boa dose de afeto e de atenção para outros seres. Mas afirmo sem nenhum medo de errar que a maioria esmagadora de donos de cães consomem com tranqüilidade as carnes de outros animais. São bilhões de bichos mortos todos os anos para consumo humano.

E antes que me joguem mais pedras falando sobre um certo "abate humanitário" recomendo a leitura desse artigo aqui.

Não. Eu não sou vegetariano. E também não crio um cachorro. O que não me faz nem mais e nem menos coerente que qualquer outra pessoa. Mas se eu saio por aí fazendo discursos para que não se coloque pássaros com olhos furados em gaiolas, ou que não se açoitem leões em circos, que não se abandone cães na rua, também não exigirei de um eventual cão de minha propriedade que não corra atrás de gatos ou que vista camisetas do meu time de futebol.

É bom esclarecer aqui que o que estou chamando de "dono de cachorro" são aquelas pessoas que por atitudes, palavras e gestos depositam nesses bichos mais confiança, dinheiro e tempo do que depositam em pessoas. E são bem mais do que possamos imaginar.

É bom olharmos com atenção para o monte de bobagens cometidas ao longo do tempo em razão da confusão entre conquistas de conhecimento  e com aperfeiçoamento da espécie para que não façamos a mesma coisa com cães.

E vejam aqui um vídeo da Band mostrando o que é subverter a natureza.

Fiquem em paz,

Jonas

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A velha e inutil pergunta: onde foi que eu errei?

Na vida da gente é sempre assim. Vez ou outra ficamos matutando sobre se tivessemos feito isso ou aquilo em lugar disso ou daquilo outro. Se tivessemos virado pra esquerda e não pra direita, adiado ou antecipado algum projeto.. Enfim vez ou outra nos acontece de não estarmos satisfeitos com nossa situação e ficamos repetindo a velha pergunta: mas onde foi que eu errei?

E resolvi dividir com voces uma cronica de LF Verissimo- publicada em seu livro Em Algum Lugar do Paraiso na pag 11 - onde se pode perceber a besteira que é essa coisa de ficar querendo voltar atrás. 

Ir por um outro caminho diferente daquele que escolhemos - e que podemos achar que não foi uma boa escolha -  não significa que tudo seria melhor.

Copio aí embaixo cronica bacana de LF Verissimo.

Fiquem em paz

Jonas

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Amizades

Já dizia Mario Quintana: " A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita." 

Talvez todos nós tenhamos vivido pelo menos uma vez exatamente a mesma coisa.  E no caso de escribas amadores como eu isso, além de constante, é mais desesperador: pois nem é o caso apenas de não se se conseguir dizer o que se pensa mas é também a falta de palavras. No caso de Quintana mesmo confessando uma parcial incapacidade ele revela competência para exprimi-la.

Bem eu estou enrolando e vamos direto ao assunto. Eu sempre quis traduzir a amizade ou o amor. Não eu não falo dos bilhetes apaixonados esses eu os fiz às centenas ( !! ) e quem sabe com alguma competência, pois convenci a quem eu queria a respeito dos meus sentimentos.

O que eu quero mesmo é um dia traduzir essa força que move o mundo e transforma todas as coisas. Pois eu acredito que nada possa acontecer no mundo que não seja por amor ou no mínimo por amizade. Mesmo em coisas contraditórias como guerra ou violência existem vestígios de amor pois quem as faz, faz acreditando estar fazendo algum tipo de bem ou a sí mesmo ou aos outros. Mesmo que seja o bem para um minoria e o mal para a maioria.

Mas é melhor, claro que é, apreciarmos o resultado do amor e da amizade na feitura de coisas universais. E podemos ficar apenas com o mundo das artes como exemplo. Quanta coisa pode ter mudado no mundo e nas pessoas diante de uma expressão artística. Filmes, livros, musicas, continuam dentro das pessoas mesmo após o seu final. 

E os filmes, os livros e as musicas transformam o mundo através da perenidade, através de sua permanência no tempo.

Qualquer um de nós é capaz de citar um livro, uma musica ou um filme que nos levou a olhar uma determinada coisa de outro jeito. Para melhor, espera-se.

Realizar algo visivel para todos, mesmo que seja algo muito simples, e que seja feito com base no amor e na amizade transforma nem que seja o pequeno quadrado em que cada um vive, quando não pode também transformar a vida de muita gente.

Eu tenho um paradigma de amizade transformadora: os Beatles. Para mim aqueles moços por amor e amizade transformaram de maneira inequívoca a cultura musical do planeta.

E em várias oportunidades eu já tentei falar sobre isso. Mas fiquei sempre com a sensação de não ter dito o que eu penso de verdade.

E hoje eu descobri dois vídeos no YouTube feitos por fãs da banda inglesa que reúnem - nas imagens, nas musicas escolhidas, e nos comentários de quem os assistiu - quase tudo o que eu penso sobre o que para mim foi, em algum momento, uma amizade com uma força transformadora insuperável.

Não falo mais nada. Peço apenas que assistam os vídeos e visitem o sitio original onde estão postados e  quem sabe talvez possam compreender o que eu estou tentando dizer faz um bocado de tempo.

Fiquem em paz

Jonas









quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O petruciometro.

Em um hotel que trabalhei, certa vez um funcionário foi flagrado surrupiando alimentos da cozinha do hotel. E era uma quantidade razoavel de itens escondidos sob as roupas, na bolsa e onde mais pudesse.

Para melhorar a segurança contra esse tipo de ação foi instalado na saida de funcionários um aparelho equipado com um botão, uma campainha e uma luz,  que todos os que saiam tinham que acionar. O funcionamento do aparelho era bem simples: após um quantidade certa de acionamentos a campainha soava e a luz acendia. E então o funcionário "sorteado" era convidado a entrar na guarita de segurança e era revistado mais detalhadamente. 

E nós chamavamos o tal aparelho de "petruciometro" em homenagem aquele tal que foi pego fazendo um rapa nas geladeiras do hotel e que se chamava Petrucio. 

Quando vejo  portas giratórias instaladas na entrada de agencias bancarias equipadas com um suposto detector de metais eu me lembro do "petruciometro" e tenho quase certeza de que o funcionamento dessas engenhocas tem o mesmo principio, ou seja: depois de umas tantas giradas a porta trava e o cidadão que estiver entrando na agencia passa pelo constrangimento de exibir seu molho de chaves, moedinhas, celulares e qualquer outra coisa feita de metal para o segurança que fica por ali.

E eu digo que desconfio que é na base do sorteio pois informo a vocês que conto nos dedos de uma mão só as vezes que essa tal porta travou na minha entrada em alguma agencia bancaria. Tudo bem que não visito essas agencias com muita frequencia, mas é certo que em todas vezes carrego minhas chaves nos bolsos junto com celular e algumas moedas. E isso sou eu e a maoria arrasadora dos frequentadores dos bancos.

Convenhamos portanto que se por ali tivesse mesmo um detector de metais ninguem, mas ninguém mesmo, entraria na agencia sem ter que mostrar o conteudo de seus bolsos e bolsas.

Agora leio a noticia de que alguns bancos estão providenciando a retirada desses trambolhos das entradas de suas agencias. 

Ótimo. Já vão tarde. Pois a tal porta não constrange apenas os sorteados pelo principio do "petruciometro", mas a toda população que foi levada a crer que ali estão instalados detectores de metal.

Fiquem em paz

Jonas

sábado, 28 de janeiro de 2012

O planeta ainda não está agradecido

Com frases de apelo ecológico como " tirar o planeta do sufoco " e com funcionários usando camisetas onde se lê " o planeta agradece" a grandes redes de supermercados paulistas passaram a cumprir lei estadual que proíbe a distribuição de sacolinhas  plásticas para os consumidores. Pelo que sei outros estados brasileiros já adotaram a mesma lei, e todos eles com a desculpa pretensiosa de que estão ajudando a preservar o meio ambiente.

Poderia até mesmo ser verdade se dentro dos próprios supermercados a farra do plástico tivesse sido interrompida. Porém iogurtes, cereais, farinhas, carnes, frios, embutidos, refrigerantes e todo o tipo de gêneros alimenticios continuam embalados no velho plástico de sempre. Nada mudou.

Pelo menos por enquanto a única coisa que me ocorre é que o que está acontecendo de verdade é uma economia - desconfio que bem grande - para os supermercados além de uma renda extra para os mesmos com a venda de sacolas de pano, carrinhos de mão, etc.

E estranhamente nada mudou nos pequenos supermercados e em estabelecimentos de outros ramos de comercio que continuam a oferecer as sacolinhas.

Alguém está  querendo nos fazer acreditar que retirando as sacolinhas dos supermercados estamos dando um grande passo na direção de políticas ambientais mais eficazes. Balela pura. Ate o mundo mineral sabe que as sacolinhas são usadas para embalar lixo e que apenas serão substituídas por sacos plásticos comprados nas prateleiras dos mesmos supermercados. Eita delicia capitalista!

Fariam muito melhor nossos prezados governantes se pensassem por exemplo em obrigar que todos edifícios construídos a partir de agora equipassem as pias das cozinhas dos apartamentos, com trituradores de alimentos. Isso diminuiria bastante o descarte de lixo via lixeiro. Na mesma linha poderia se pensar em fazer adaptar, talvez com algum subsidio, todos os apartamentos de uma determinada idade com os mesmos trituradores.

E poderiam fazer ainda mais se investissem pesadamente em infraestrutura de coleta de lixo seletiva - mas uma verdadeira coleta seletiva, diaria, bem planejada e eficente -, reciclagem, e produção de gás derivado do lixo. Mas pelo menos por hora não se vê nada disso.

E que tal uma campanha de conscientização bem feita, eficiente e de longo prazo de exibição convocando a população a dispensar as tais sacolinhas em compras de dois ou três pequenos volumes. Não vejo nada de errado em carregar uma ou duas caixas de remédio na mão por exemplo. O pãozinho na padaria já é embalado em sacos de papel, mas os padeiros insistem em colocar o saco de papel em uma sacola plástica. Pra que?

E que tal educar a população para descartar o papel higiênico usado no vaso sanitário antes de dar a descarga? Sim por que papel higiênico na água é muito mais solúvel que certos materiais ali despejados. Isso reduziria o uso de saquinhos plástico na lixeira do banheiro.

E por que não garrafas de vidro retornáveis para cervejas e refrigerantes? Certamente já dispomos de tecnologia de sobra para colocar um código de barras nos rótulos das ditas cujas para serem lidas na entrada do supermercado emitindo um cupom de credito de vasilhame para o consumidor.

E por fim por que não convocar distribuidores, produtores e fabricantes de embalagens a buscar soluções para seus produtos com prazo - exatamente como fizeram com os consumidores - para reduzir de maneira drástica o uso do plástico? Afinal se os consumidores têm que se adaptar com uma decisão de cima para baixo,  então que se adaptem todos.

Certamente existem outras centenas de sugestões e idéias que ajudariam de verdade a tirar o planeta do sufoco levando-o a agradecer com sinceridade e sem essa desconfiança de que está sendo enrolado.

Fiquem em paz,

Jonas

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

E como se sentem os soldados?

É indiscutível a responsabilidade direta das autoridades dos três níveis de Governo e mais as do Judiciário na desastrada operação de desocupação do terreno do Pinheirinho em S J dos Campos - SP. Muito já se falou sobre isso e chegou-se a conclusões óbvias de que faltaram em especial respeito e compaixão  pelo próximo,  para tornar aquela operação menos dolorida possível para a população envolvida no assunto.

Isso é ponto pacifico e não há o que se acrescentar.

Mas todo esse evento trouxe-me a lembrança um encafifante pensamento que carrego comigo já faz muito tempo: como se será que se sentem os ocupantes da base da escala hierárquica e que por fim foram os que botaram a mão na massa para fazer com que tudo acontecesse? Falo dos soldados que entraram em campo e foram, literalmente, os executores da infeliz ordem e pior que isso foram a tradução palpável e visível, do pouco caso com que o assunto foi tratado.

Como será que cada soldado viu e sentiu aquilo tudo? Pois é sabido que aqueles soldados para além de funcionários públicos que são pagos para fazer manter a normalidade jurídica do Estado, são também seres humanos. Não é difícil imaginar que muitos deles, quem sabe a maioria, também constroem suas vidas com dificuldades, também perderam noites de sono planejando o mês de salário, as contas, comida, escola, moradia, remédios etc., etc. Quem sabe uma parte deles também more em locais cuja propriedade legal seja difícil de ser comprovada.

A mesma coisa pode ser perguntada a respeito da outra ação desastrada do Estado efetuada na Cracolandia - SP. Como é que sentem-se os soldados que levaram a cabo ações de repressão e humilhação a que submeteram os dependentes de crack que vivem por ali?

Muita gente poderá dizer que o soldado é treinado para cumprir ordens e não fazer perguntas. Tudo bem. E eu acho que na maioria das profissões as coisas se dão assim mesmo. Para isso existe a hierarquia, para isso existem penalidades para quem não cumpre ordens recebidas.

Mas todo mundo sabe que se um comandante mandar seu soldado tomar um copo de veneno ele não vai tomar. Ele também não vai se atirar pela janela do vigésimo andar mesmo que seja ameaçado de ser expulso da corporação.

E deve ser do consenso geral que um oficial militar não pode mandar seu soldado atirar em membros da própria família por óbvias razões de envolvimento emocional.

O que temos então? Temos que um policial não é totalmente desprovido de valores que passam por sua auto-estima e vão até a vida familiar e que ele tem dentro de si todo o conjunto de emoções, sentimentos e critérios que isso envolve.

Sendo assim cabe uma pergunta: por que diabos um soldado agride gratuitamente quem não representa o menor perigo? Por que diabos um soldado invade lares e grita com crianças e idosos, e os expulsa como se fossem animais?

E nesse momento me ocorre outra pergunta: será que se fosse dado a todo ser humano escolher sua profissão de maneira livre e independente, quantos será que escolheriam ser soldado? 

Quantas são as contradições que cada um nós vive? E qual a magnitude do estrago que provocam em nossas almas?

Não vou continuar pensando, escrevendo e perguntando. Na maioria das vezes me sinto impertinente demais me envolvendo no que não sou chamado e naquilo a respeito do que nada sei.

Mas quem sabe ao menos possamos continuar refletindo sobre isso..

Fiquem em paz,

Jonas