quinta-feira, 28 de maio de 2015

Pensando sobre partidos politicos

Estive navegando um pouco no site do MBL e lá deixei um comentário. Como não poderia deixar de ser alguns me chamaram de petralha e me mandaram vazar. Welisson foi mais educado e e fez comentário pertinente sobre o que eu disse. Ai abaixo esta minha resposta sobre o comentário dele.


Caro Welisson,

Antes de tudo penso ser necessário lembrarmos da expressão bastante comum " tomar partido ", que significa assumir uma posição, ter uma opinião, juntar-se com iguais à você. Não significa necessariamente torcer por um partido, significa muito mais estar de um lado de uma situação qualquer.

Também acho necessário pensar em quantas vezes tomamos partido no nosso dia-a-dia. 

Por exemplo você é morador de um condominio em que vai haver eleição para sindico. Existem dois ou tres candidatos e por razões que só voce conhece voce prefere apenas um deles e é nele que voce vota.

Você é advogado. Periodicamente existem eleições para a diretoria/ presidencia da OAB. Também existem vários candidatos e por razões que só você conhece você prefere apenas um deles e é nele que você vota.

No clube que voce e sócio haverá votação para a nova diretoria com tres ou quatro concorrentes. Por razões que só voce conhece você escolhe um e vota nele.

Há que se ressaltar o seguinte: nenhum dos candidatos e nenhum de seus eleitores querem o mal daquelas instituições. As candidaturas são motivadas por diferentes razões ( ideias, altruismo, ideologias, etc ) e os eleitores preferem um ou outro por motivos subjetivos (empatia, comunhão de idéias, propositos, etc.) mas em nenhuma das situações há de se dizer que um quer o mal e o outro quer o bem. Isto é um erro tolo.

Pode ser que seus candidatos ganhem nas tres situações, pode ser que não. 

Se na OAB  seu candidato perder você rasgará seu diploma de advogado e deixara de advogar?

Se no condominio seu candidato perder voce muda de prédio?

Acho que não. Acredito que você, mesmo descontente, permanecerá onde vc sempre esteve e mesmo com criticas aos eleitos, entenderá que as regras do jogo são essas, entenderá que  os eleitos trabalharão para o bem do conjunto total de pessoas da entidade que representam. 

Você pode prestar atenção nos erros dos eleitos, colecionar estes erros, e nas proximas eleições ser como um cabo eleitoral do outro candidato e em favor dele divulgar os erros que foram cometidos.

Na administração publica do Brasil e de todos os paises democráticos do mundo as coisas são do mesmo jeito.

Os individuos se unem em torno de algumas idéias e formam um conjunto que em politica se chama partido. Só isto. Não existe mal nos partidos por si mesmos. O mal, se houver, é dos individuos que fazem parte daquele partido. O partido sozinho não é nem bom e nem ruim. O partido sozinho não existe e portanto não serve para nada. 

Intervalo: algumas pessoas andam falando na anulação do registro do PT como partido a fim de se acabar com a corrupção. Besteira. Burrice. Os integrantes corruptos do PT vão formar outro partido. Simples assim. Fim do intervalo.

Por que os partidos politicos  no Brasil andam tão desacreditados? Acho que só um estudo sociólogico, antroplógico e até, por que não, psiquiatrico pode explicar.

Mas eu arrisco um palpite: isto é resultado de uma gradativa, porém efetiva, marginalização da população em geral dos assuntos relativos à administração publica e da politica propriamente dita.

Durante décadas, nós brasileiros, temos andado à margem dos assuntos que implicam diretamente em nossas vidas.

Durantes décadas todos os governos- o PT inclusive - falam e falam em inserção economica e financeira. Mas nao falam em inserção cultural, intelectual e politica.

E digo que não são só os governos. Acrescente-se aí todos os orgãos formadores de opinião em especial a midia, sendo que esta ultima não faz outra coisa senão falar mal do país, todos os dias, o ano todo.

Parece proposital, talvez não seja e seja apenas um movimento natural, que nós - povão em geral - sejamos chamados para decidir o futuro politico da Nação, do Estado e do Municipio apenas nos dia das eleições e depois somos esquecidos. Tem sido assim desde sempre.

E digo esquecido não no que diz respeito a nossa existencia, mas sim ao que pensamos e o que queremos. Ao que de fato sonhamos como seres humanos. Como diz a musica: a gente não quer só comida, quer diversão e arte.

Mas voltemos a pensar na tomada de partido.

Os partidos nascem da diversidade de opiniões. Impossivel imaginar que um pais com quase 200 milhões de habitantes, todo mundo pense do mesmo jeito. Os possibilidades de ideias, projetos, ideologias são infinitas. Partidos nascem disto e nada mais. Mas sempre nascem com um único proposito: melhorar a situação que está colocada. Segundo o ponto de vista dos integrantes de cada partido.

Partidos são o agrupamento de pessoas que tem várias coisas em comum, mas não obrigatoriamente todas as coisas em comum. Estar em um partido não significa perder a visão critica, a capacidade de analisar erros e acertos e falar sobre eles.

Aliás as pessoas que fazem parte de um partido tem muito mais autoridade dalar dele do que os que estao de fora, na medida que estar de fora de um grupo pode significar a tendencia de apenas enxergar erros e nunca virtudes.

Então é assim meu caro. Sou petista desde que me lembro que me tornei um ser minimamente politico. Assim como voce, Wellisson, resolveu abraçar a causa do MBL ou do ROL por razões que só voce conhece e pode defender. E não descartemos a possibilidade dos lideres destes movimentos daqui uns anos de formarem um partido politico.

Não pense que eu acho que esta tudo maravilhoso no Brasil. Tenho criticas. Muitas. Mas sinceramente não vislumbro soluções para nossos problemas na semana que vem, ou no ano que vem, ou na década que vem. Talvez levemos até um século para corrigir nossas falhas. E então novas falhas surgirão.

E não serão culpa exclusiva do PT.



domingo, 24 de maio de 2015

Menino Maluquinho lançará pedra fundamental do Parlashopping

Lá pela década de 80 eu trabalhava no hotel mais bambambam do Brasil cujo lobby era rodeado por lojas que vendiam mimos muito caros, é claro, em especial para os hospedes do hotel, e que se pareciam muito com uma Dutty Free já que naqueles obscuros tempos objetos importados não se achavam em qualquer canto.

Eram tempos de governadores biônicos que, para quem ainda não sabe, foi uma invenção da ditadura para fazer de conta que havia eleição para cargos executivos.

O governador biônico de S Paulo era um hábil fazedor de politica com dinheiro publico. Subornava a Assembleia Legislativa e o Congresso Nacional na maior cara dura distribuindo presentes e medalhas à deputados e senadores sempre com vistas a garantir seu futuro politico cujo projeto incluía ser Presidente da Republica. Mas deixemos isto de lado cuja História a maioria conhece.

O que quero contar é que nas datas nacionais, 7 de setembro ou 15 de novembro, esse tal governador convidava praticamente todo o Congresso Nacional para vir à São Paulo onde fazia farta distribuição de condecorações e homenagens aos excelentíssimos deputados e senadores.

Hospedava todo mundo, inclusive esposas, no hotel bambambam com tudo na faixa, quer dizer tudo por conta da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo.

Muitos dos senhores políticos e senhoras esposas não se avexavam em arrematar tudo que havia nas lojas do hotel, desde roupas e objetos infantis, até malas, licores, perfumes, cachimbos e obras de arte tudo por conta da Casa Civil. Pareciam uma nuvem de ganfanhotos arrasando tudo que viam pela frente.

E no dia seguinte lá vinha um funcionário da Casa Civil, entrava nos bastidores do hotel, somava as contas e as pagava em cash, sem nenhum questionamento. 

Desde então se passaram algumas décadas e eu nunca mais fui testemunha ocular das farras consumistas dos nobres deputados, senadores e suas esposas. 

E deve ser por inspiração e saudade daqueles bons tempos de consumismo selvagem com dinheiro publico, que o sr Cunha - mui digno presidente da Câmara - acaba de sugerir e aprovar - ainda falta aprovação do Senado - a construção de um shopping center anexo ao Parlamento lugar onde certamente a simples posse de um crachá de parlamentar valerá crédito ilimitado em qualquer uma das suas lojas.

Vale dizer que a construção do shopping contraria a legislação e o plano diretor de Brasília. 

E eis que neste meio tempo caminha por estradas brasileiras compondo uma tal Marcha Pela Liberdade saindo de São Paulo  em direção a Brasília o garoto Kim Kataguiri também conhecido como Jaspion de Indaiatuba ou o Menino Maluquinho ( este apelido surgiu por conta da panela que ele precisou colocar na cabeça pra se proteger da chuva ). E lá em Brasília ele previa uma chegada apoteótica onde seria recebido as portas do Congresso Nacional por todos seus nobres integrantes em especial o cambaleante senador Aécio Neves e seu assessor para qualquer assunto jurídico o deputado Carlos Sampaio.

Estes dois últimos já teriam redigido um novíssimo pedido de impeachment da Dilma e o entregariam ao Menino Maluquinho que, escalando as conchas do Congresso, de lá do alto bradaria um discurso sem pé nem cabeça exibindo a sola gasta de seu Nike exigindo a saída de Dilma agora e já.

Mas deu chabu e o cambaleante senador, chamado de arregão pela reaçada toda, já desistiu - pelo menos esta semana - do impeachment de Dilma.

Então pra não perder a viagem o Menino Maluquinho irá, juntamente com Eduardo Cunha, lançar a pedra fundamental do futuro Parlashopping, quando receberá das mãos do presidente o CongressoCard numero 00000001 ilimitado e vitalício para compras na Lojas Cunha. Já existe inclusive a possibilidade de umas das lojas ancora ser a Agencia de Viagens Maluqinho especializada em viagens a pé.

E la nave va.