quarta-feira, 2 de março de 2011

Melhor falar de tudo um pouco - I


O hit jornalístico dos últimos dias aqui no nosso Brasil trata de um motorista que atropelou dezenas de ciclistas numa rua central de Porto Alegre. E tome mostrar o vídeo em todo o canto: blogs, sites, TVs, lá estão as imagens: de frente pra trás, de trás pra frente, por cima, por baixo, de lado. Enfim uma overdose inútil de brutalidade mais inútil ainda. E não há dia em que não vejamos babás batendo em bebês, enfermeiras judiando de idosos, motoristas na contra mão em estradas, pessoas sendo espancadas de toda a forma. 

Depois tem as celebridades: funkeiras, goleiros, atores, cantores, modelos-de-não-sei-o-que.. todos eles exibindo seu lados violentos e intolerantes e suas ações fora da lei.

A impressão que tenho é que estou fazendo, através da TV, jornais e web, cursos práticos de pedofilia, violência doméstica, crimes passionais, de surras em geral, e abuso de poder. Já, já saberei tudo sobre essas ações.

Em seguida apresentam-se os políticos, funcionários públicos e empresários corruptos de todos os níveis, naipes e valores. E de quase todos eles ficamos sabendo de sua tendência gananciosa, individualista e classista e que mata ou fere tanto quanto os demais crimes.

Enfim somos pessoas muitíssimo bem informadas sobre todas as misérias humanas graças à todas as mídias que genericamente chamamos de imprensa composta de amadores, semi-profissionais e profissionais da noticia e do pitaco, em tudo que é assunto.

E fica em todos nós a impressão de que a humanidade está a beira de um ataque de nervos, e que o fim do mundo está chegando.

Não quero fazer apologia da felicidade através da ignorância. Tomar conhecimento das coisas é necessário e indispensável. Mas estou me convencendo de que está havendo exagero na dose.

Dia desses assisti em um dos telejornais da noite um vídeo que mostrava dois caminhões chocando-se na entrada de uma fábrica. Nenhum ferido. Nada além de danos materiais. Sem nenhuma conseqüência para quem quer que seja exceto para o cotidiano daquela fabrica. Qual a utilidade dessa noticia?

Essa obsessão pela noticia ruim, pela critica acida, esse desejo enrustido de que tudo dê errado, essa vontade mal disfarçada de rir da desgraça alheia, desejar o pior e a catástrofe, essa vigilância rigorosa que leva a muitos fungarem na nuca de todo mundo como que dizendo: "se cuida que eu to de olho em você", isso tudo já  passou da conta.

Penso que todos aqueles que fazem uso de qualquer instrumento de comunicação pequeno ou grande deveriam optar por reservar um espaço no meio dos seus veículos para divulgar fatos que cubram outros interesses que não sejam apenas os da delegacia. 

Esse texto está ficando muito grande, paro por aqui, e no próximo quero mostrar que é possível falar sobre um monte de coisas úteis e enriquecedoras sem, evidentemente, banalizar a dura realidade da vida.

Fiquem em paz

Jonas








         

2 comentários:

  1. Ontem, assisti um pedaço da novela Tititi, adoro a Cláudia Raia magnífica e o Alexandre. E peguei o principio do JNAC.
    Já abriu com desgraças nas manchetes da noite.
    E abriu o blogo de notícias, looooooongo, por sinal, com uma dúzia de casos de crime, morte,
    perdas e danos de toda ordem, desgraças a perder de vista.

    É o Datena, é o Ratinho, é a mídia pelo Brasil
    a fora, semeando o medo, o pânico, criando mil e uma necessidades para que os fabricantes e lojistas revendedores de uma montanha de produtos possam ter motivos para anunciar.
    Tudo em detrimento dos corações e mentes
    singelos, ingênuos, que náo conseguem desenvolver seu próprio olhar sobre a vida
    e ficam à mercê da grande rede demolidora
    da humanidade, a mídia golpista que assola o
    país de norte a sul, leste e oeste.

    Eu fico de cara, sabe...
    E tudo isso é repassado sistemáticamente para
    toda a programaçao televisa, incluindo os
    programas destinados às crianças.

    Consciëncia, massa críticca, é o que buscamos.

    ResponderExcluir
  2. É disso que falo, parece que não sobra tempo pra mais nada senão falar mal, falar mal, falar mal...

    ResponderExcluir