quarta-feira, 9 de março de 2011

Vozes no deserto: André Lux e Sonia Amorim

Melhor falar de tudo um pouco, Todos nós desafinamos , Mocinhos e bandidos, A banda do sargento Jotagebece e o clube dos tuiteros solitários, Das relevancias, Vivamos e deixemos viver   

Todos esse links ai em cima levam às publicações que fiz nos últimos dias e todas batem praticamente na mesma tecla: apesar dos novos modelos e conceitos de convivência política, apesar dos discursos igualitários, há uma nítida tendência de repetir-se entre os blogueiros a mesma coisa que aconteceu nas outras mídias tradicionais, que é o nascimento de blocos homogêneos quanto às preferências ideológicas e culturais e que acabarão isolando os que deles divergem, formando uma ditadura internética que pretende criar um segundo pensamento único.

Nessas publicações que cito ai em cima cometi o pecado da excessiva sutileza contando com o já conhecido ditado que diz que para bom entendedor meia palavra basta. Ou pode ser que eu não tenha sido competente em dizer de modo claro essa minha impressão. Ou por fim quem sabe se por receio de ferir suscetibilidades acabei deixando por menos essa coisa que me atazana que é a sensação de que sou uma voz no deserto.

Assim como dizemos a respeito dos jornalões, revistonas e tevezonas que parecem seguir uma pauta ditada pela imprensa do Grande Irmão do Norte, a mim me parece que na parte da blogosfera habitada pelos ditos blogueiros progressistas e que chamaram-se de sujos a época das últimas eleições também existe o seguimento se não a uma determinada pauta mas ao menos a cópia de um único estilo de manifestação especialmente sobre a política nacional que consiste em replicar as publicações de meia dúzia de sítios que dizem todos exatamente a mesma coisa. Fica parecendo algo como assistir aos telejornais televisivos: todos transmitem as mesmas noticias e dão as mesmas informações.

Essa meia dúzia que é replicada foi incensada por seus seguidores talvez em razão de sua contundente militância em favor do projeto de Lula e Dilma. Essa meia dúzia teve altares erigidos cujos alicerces são compostos pela entrevista com Lula, pelas fotos ao lado de Dilma, por conhecimentos anteriores aos fatos do segundo semestre do ano passado, pelas profissões que exercem que lhes permite exercer full time a pratica de escrever em seus sítios e tudo isso recoberto pelas centenas de seguidores conseguidos justamente as custas da excessiva exposição promovida entre essa meia dúzia mesmo.

Sustentada por esse altar a meia dúzia trata com ironia excessiva, com exagero verbal, com palavrões, e muitas vezes de maneira infundada todos os assuntos da política - e vejam bem: somente da política - brasileira. Política tornou-se uma espécie de oxigênio para a blogosfera. Parece que o país não precisa de mais nada que não seja o que pensam e fazem os envolvidos em política.

Isso chama-se desinformar, fomentar pensamentos belicosos e acirrar a animosidade contra tudo aquilo que a meia dúzia não gosta.

Eu também fui contundente na defesa do projeto de Lula e Dilma. Aliás defendo o projeto petista desde sua nascente em S Bernardo. Eu também soube discernir em muitos momentos o que foi pura politicagem e o que foi discurso e esforço honesto. Eu também repliquei noticias e informações de vários cantos - tenho toda a lista dos "sujos" em meus favoritos -  e que eu julguei, naquela hora, algo importante de mais gente conhecer. Mas nesse momento sou um desprivilegiado geográfico e não posso sentar-se a mesa de botecos paulistanos para erguer brindes à vitória da militância dessa meia dúzia.

Sendo assim estou bem longe de conseguir minha primeira centena de seguidores, talvez eu nem consiga, mas gosto de olhar para meus generosos e pacientes leitores como seres humanos e confesso que hesito muitas em abrir em profundidade o que penso para não passar a impressão que de mim deve emanar luz sobre toda a escuridão da ignorância humana. Prefiro ao contrário colocar um pouco de poesia e romantismo nessa conversa toda, pois acho que esse pode ser um bom caminho para o definitivo entendimento entre as pessoas e não dos modelos que elas gerenciam.

Prefiro convidar meus generosos e pacientes leitores a refletirem com um tantinho mais de humanidade e sem nada de raiva e ironia a respeito dos contratempos, circunstancias crenças e comportamentos das pessoas.

E estou escrevendo tudo isso por que ouvi ecos de minha voz no deserto vindo lá dos lados de dois blogs: um é o Tudo Em Cima do André Lux e o outro é o Abra a Boca, Cidadão! da Sonia Amorim e que souberam com muito mais competência que eu escrever sobre essa triste realidade que parece desenhar-se no horizonte, mas que ainda dá tempo de transformá-la.

E como já é praxe aqui no Saúva faço conexão com quase tudo que escrevo com alguma música que quase invariavelmente é do repertório daqueles moços lá de Liverpool.

Fiquem em paz,
Jonas


segunda-feira, 7 de março de 2011

Inacreditáveis teorias

Existem por ai muitas teorias de conspiração. Vejam por exemplo essa lista que encontrei hoje que, por ser recheada de devaneios tão descabidos, não pode ser levada a sério.

Mas existem outras teorias que vão sendo montadas ao longo do tempo, recebendo a cada dia mais um detalhe que aos poucos vão dando ares de verdade e, a respeito delas, as discussões parecem não ter fim.

Encontrei hoje uma que eu não conhecia. Se você ler aqui poderá ficar sabendo que Lennon fez um pacto com aquele-que-não-se-diz-o-nome a fim de que sua banda, The Beatles fosse a mais extraordinária história de sucesso jamais conhecida. E para sustentar essa tese o autor do texto cita em especial a tão polemica teoria de que Paul McCartney teria sido morto em um acidente de moto e a partir de então um sósia teria sido colocado em seu lugar.

Reconheço que o texto está bem escrito e que pode ser tomado como uma boa peça a respeito da história da banda. Mas já que tanto se teoriza e se fala sobre o sucesso dos quatro cabeludos de Liverpool  eu também me julgo no direito de explicar o êxito planetário e já cinqüentenário desses gênios musicais.

Antes quero dizer que julgo a idéia da venda da alma para aquele-que-não-se-diz-o-nome insustentável como explicação do sucesso de quem quer que seja pois, segundo o próprio autor do texto, os Beatles seriam apenas uma banda mediana e igual a tantas outras que existiam naquela época e então eu pergunto: qual a mecânica desse tal contrato que faria com que todos os ouvintes da banda ao redor do mundo gostassem de suas músicas e não as das outras bandas? A cada audição dos moços de Liverpool viria um anjo daquele-que-não-se-diz-o-nome a cochichar no ouvido do vivente, dizendo: esses são bons, esses são bons... e tanto repetiriam até convencer o dono do ouvido a transformar-se em um beatlemaniaco? Não creio...

E mais que isso há que se lembrar que as obras musicais dos Beatles equiparam-se a tantas outras obras produzidas pela genialidade humana não só na área da música e nas artes em geral mas em outras áreas do conhecimento humano. Beethoven e Sabin. Mozart e Bill Gates. Chico Buarque, Michelangelo e Santos Dumont. Todas essas pessoas serão lembradas para sempre por suas contribuições geniais para a humanidade. E não é crível pensar que todos eles e os outros milhares de criadores de obras-primas tenham feito algum tipo de acordo com aquele-que-não-se-diz-o-nome.

Não sou do tipo de beatlemaniaco que vive escarafunchando detalhes técnicos das musicas, ou detalhes da biografia dos Fab4. Já tive a coleção completa dos vinis desses moços, mas que aos poucos se desfez por circunstancias diversas. Depois quando surgiram os CDs tentei refazer a coleção mas também sem sucesso. Hoje tenho toda essa coleção em MP3 mesmo, a remasterizada. Fora isso tenho dois livros: o Anthology que foi livro antes de virar um box de seis dvds, e um livro com a ficha técnica de todos os álbuns beatle lançados no Brasil e no mundo. Esse livro eu consulto vez ou outra para me ajudar a publicar musicas aqui no Saúva. E tenho três camisetas devidamente ornadas com as capas de: O Reis do Iê-Iê-Iê, Rubber Soul e Sargeant Peppers. Aviso importante: não os divinizo. E dessa mesma forma também não poderia demonizá-los.

Essa é toda a minha identificação externa de beatlameniaco. O resto eu tenho no meu coração. Toda a minha identidade com essa - para mim - incrível banda, está em meu coração.

Pois a minha teoria para explicar tudo isso é o amor, muito longe, portanto, daquele-que-não-se-diz-o-nome. Vejo-os, todos os quatro, como grandes amigos, amigos verdadeiros que se amaram muito e que, durante um tempo em suas vidas, conseguiram expressar essa amizade através da música. Pois para fazer música do jeito que eles fizeram precisa ter muito amor. Divergências, ciumeiras, egos, mercantilismo e grana, tudo isso faz parte da convivência e não servem para mim, de modo algum, como elementos para explicar o fim da banda. Acabou por que acabou. E para mim acabou apenas a pessoa jurídica chamada The Beatles. Dentro de mim continua existindo a pessoa amorosa, poética, inspiradora de tantos sonhos e que de uma porção de jeitos serve para me fazer levar a vida. Digo que até agora atravessei algo em torno de 80% de minha vida embalado pela musica desses moços que, digam o que quiserem dizer, despertam em mim todas as vezes que eu as ouço emoções idênticas as que sinto quando algo toca minha alma. É isso: quando ouço suas músicas não “perco meu tempo” a pensar em quem toca a base, ou a guitarra, ou o piano, ou de quem é o vocal. Eu as ouço apenas. E deixo-as penetrarem em minha alma.

Fiquem em paz,

Jonas

" Jude, pegue uma canção ruim e faça-a melhor" 



Diário do carnaval

Dizem por ai que para um homem realizar-se plenamente na vida precisa plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho.

Árvore eu já plantei. Filho também já tive, aliás, tive dois: um e uma. E livro, bem um livro assim como a gente chama de livro nunca escrevi não. Mas tem esse modesto Saúva atualmente com suas 289 páginas e com meus fiéis e pacientes leitores e que pode ser quem sabe, chamado de livro virtual.

Esse ditado sobre a plenitude da vida talvez tenha a ver com as experiências que esses momentos trazem à vida de um homem. E das três situações eu diria que a mais marcante é ter um filho. Tenho até hoje em minhas retinas as horas em que meus filhos nasceram. Talvez com um tantinho de esforço eu possa me lembrar até das palavras ditas naqueles momentos.

Mas apesar de tudo acho essa lista muito curta. Acrescento nela que é necessário conhecer e participar do Carnaval de Pernambuco.

Nunca fui carnavalesco ou folião ou que nome tenham aqueles que curtem a folia - e ainda não sou - portanto não tenho referencias muito concretas para diferenciar o carnaval pernambucano de outros. Mas mesmo não tendo mergulhado por inteiro nas avenidas por aí, meus ouvidos sempre as rodearam. E eu afirmo com certeza: o que meus ouvidos ouviram neste carnaval me faz dizer que a riqueza das letras das musicas daqui, a leveza das marchas, ou mesmo a contundente marcação dos tambores, e o coro alegre de milhares de vozes cantando músicas centenárias, são fácil, fácil daquelas experiências equivalentes aos melhores momentos da vida de um homem.

Estivemos, eu e a Rita, atrás de um bloco organizado pelo SESC na sexta feira a tarde e foi digamos assim um aperitivo do que iríamos ver no sábado de manhã em Olinda.

E de se ver a força que podem ter uma dúzia de pessoas tocando seus instrumentos: conseguem literalmente arrastar milhares de pessoas. Ai embaixo tem os vídeos com as fotos dos dois momentos.

Fiquem em paz,

Jonas



domingo, 6 de março de 2011

Musicas para o domingo 060311













E sendo carnaval,  e ainda sendo o estado de Pernambuco um dos que mais contirbui com essa festa, não se pode deixar de ouvir alguns dos mestres da musica pernambucana.







E completando a seção pernambucana tem o Cordel do Fogo Encantado que eu chamaria de banda musical teatral dada sua caracteristica de não só tocar musicas mas divulgar a literatura de cordel e poetas.



Na seção Beatles Forever tem dois videos. O primeiro é mais um da série "fui eu que fiz" e as fotos são dos amanheceres ( será esse o plural de amanhecer ? ) na praia de Candeias em Jaboatão dos Guararapes. E a música é Yellow Submarine in Pepperland, de Lennon&McCartney, arranjo e execução da orquestra de George Martin, e que faz parte do album Yellow Submarine que é a trilha sonora do desenho de mesmo nome.

O segundo video contém In My Life, do album Rubber Soul , que é o sexto album do Beatles. Foi depois do lançamento desse album que veio a constatação de que suas músicas não poderiam ser reproduzidas em publico, o que fez com que os quatro cabeludos de Liverpool, passassem a se concentrar na produção de discos em estúdio.





Fiquem em paz,

Jonas

sexta-feira, 4 de março de 2011

Melhor falar de tudo um pouco II


Longe de mim querer que todos adotem a atitude de Poliana que com tudo se contentava, tudo era lindo e tudo estava bem. Mas insisto que o contrário disso é tão perturbador quanto. Não é possivel que passemos ao largo do equilibrio das coisas que nos movem através da vida.

Diz-se que a imprensa ( quero lembrar que estou chamando genericamente de imprensa todos aqueles que informam, divulgam coisas, replicam noticias, etc.. seja por que meio for, inclusive emails) pauta-se em apenas informar o que acontece por aí. Certo, isso é uma verdade. Mas não é a verdade inteira haja vista a preferencia em noticiar em primeiro lugar, e parece que unicamente, as coisas negativas de nosso cotidiano. Tudo bem. É compreensivel uma vez que os responsáveis pela divulgação das noticias tanbém são seres humanos e sendo assim agem do mesmo jeito que seus consumidores manifestando uma certa preferencia pelo errado, pelo macabro, pelo negativo, sanguinolento.

Mas de uma vez por todas precisamos lembrar que as noticias são protagonizadas por nós mesmos. Noticias nada mais são que as ocorrencias havidas conosco. Portanto a pauta, mesmo que involutariamente, somos nós que fornecemos. Que tal aproveitar esse fato e começar a provocar pautas mais variadas?

E que tal começar a provocar que se discuta coisas um tanto mais úteis para as nossas vidas, para o mais comezinho do nosso cotidiano?  Exemplos não faltam:

1) Quem ainda não perdeu a paciencia com esses ditos Serviços de Atendimento ao Cliente via telefone que nada mais são que um labirinto de links numéricos embalados por péssimas versões de Pour Elise? Quem ainda não desistiu na metade do caminho e ficou com seu problema sem solução? Não é hora de partirmos pra acabar de vez com esse abuso imposto de cima pra baixo e que na maioria das vezes engolimos mansos como carneirinhos?

2) E quem não se sentiu lesado no balcão da farmacia tendo em mãos uma receita médica indicando tratamento com quantidade de remédio muitissimo menor que as embalagens à venda? E acaba-se pagando por trinta comprimidos quando bastam dez para curar o mal? Por que não começarmos a exigir medicamentos em embalagens menores?

3) No supermercado acontece a mesma coisa. Desde a abolição da venda dos produtos a granel do Armazem do seu Manoel, quantos de nós não vê produtos se deteriorarem na dispensa de casa ou perderem a validade por que somos obrigados a comprar mais do que consumimos? Ou desiste de comprar o que está com vontade por que só existe em embalagens familiares?

4) E como anda o noticiario cultural e de lazer? Tirando o famoso "o que abre e o que fecha nos feriados" divulgado largamente de um monte de jeitos, o que mais nós ficamos sabendo sobre cultura e lazer? Aposto que todo dia tem um livro novo, um cd novo, um filme novo, um show novo, uma exposição cultural nova, um evento de qualquer coisa novo, mas quem informa isso? Somente os sitios e areas especializadas. Mas que tal os telejornais dedicarem uns minutinhos diarios pra divulgar essas coisas? Assim mesmo, de maneira sistematica, fazendo com que desde o vovô até a netinha todos saibam o que está acontecendo na cidade, no estado, no pais e no mundo em termos de cultura.

Naquele espaço habitualmente reservado nos telejornais pra informar sobre o clima em todo canto do país, em que um sujeito fica um tempão e de maneira enfadonha explicando por que vai fazer frio ou por que vai chover, não dava pra divulgar cultura? Lazer?

Acrescentem vocês o item que quiserem nessa lista garanto que são muitos.  

E a pergunta é: como forçar a que diversifiquem a pauta? Quem sabe aqui mesmo nesse universo virtual possamos montar uma especie de " Praça Tahir".  Estou sonhando? Não, não estou. Basta que tenhamos vontade e comecemos por nós mesmos. E um bom começo pode ser melhorar o vocabulário. Há uma tendencia de referir-se aos outro sempre com adjetivos agressivos ( imbecil, idiota, lambão, ou palavrões simplesmente ) precisamos fazer um esforço para manter o debate sem precisar tirar as crianças da sala. Imagino que se cada um de nós passar a preocupar-se com o micro de cada um e não mais  com o macro, talvez acabemos por perceber que as soluções estão mesmo em nosso gestos e não nos dos outros.

O Jornal da Band está exibindo essa semana, e se não me engano a semana toda, um especial sobre avanços tecnologicos na area da saúde. E eu não vi em canto nenhum serem replicadas essas tão gratas noticias. Faço-o eu aqui agora, informando o link da matéria exibida na seghunda feira passada. Está aqui. 

E fiquei especialmente emocionado não apenas com o conteúdo da informação, mas gostei também de ver ao fim da matéria surgir no canto da minha tela uma senhora, esposa de um certo seu Sebastião o qual acabava de passar pelo procedimento e já apresentava muitas melhoras no seu jeito de andar. 

E a esposa do seu Sebastião ao ser perguntada pela reporter sobre como se sentia naquele momento respondeu com um sorriso largo: radiante!

Não troco o rosto radiante dessa senhora por outros dez rostos sisudos fazendo discursos raivosos, porém inconsequentes na medida em que banalizam as alegrias e as dores humanas tornando-as ferramentas de profissionais e profetas do caos.

Fiquem em paz

Jonas

quarta-feira, 2 de março de 2011

Melhor falar de tudo um pouco - I


O hit jornalístico dos últimos dias aqui no nosso Brasil trata de um motorista que atropelou dezenas de ciclistas numa rua central de Porto Alegre. E tome mostrar o vídeo em todo o canto: blogs, sites, TVs, lá estão as imagens: de frente pra trás, de trás pra frente, por cima, por baixo, de lado. Enfim uma overdose inútil de brutalidade mais inútil ainda. E não há dia em que não vejamos babás batendo em bebês, enfermeiras judiando de idosos, motoristas na contra mão em estradas, pessoas sendo espancadas de toda a forma. 

Depois tem as celebridades: funkeiras, goleiros, atores, cantores, modelos-de-não-sei-o-que.. todos eles exibindo seu lados violentos e intolerantes e suas ações fora da lei.

A impressão que tenho é que estou fazendo, através da TV, jornais e web, cursos práticos de pedofilia, violência doméstica, crimes passionais, de surras em geral, e abuso de poder. Já, já saberei tudo sobre essas ações.

Em seguida apresentam-se os políticos, funcionários públicos e empresários corruptos de todos os níveis, naipes e valores. E de quase todos eles ficamos sabendo de sua tendência gananciosa, individualista e classista e que mata ou fere tanto quanto os demais crimes.

Enfim somos pessoas muitíssimo bem informadas sobre todas as misérias humanas graças à todas as mídias que genericamente chamamos de imprensa composta de amadores, semi-profissionais e profissionais da noticia e do pitaco, em tudo que é assunto.

E fica em todos nós a impressão de que a humanidade está a beira de um ataque de nervos, e que o fim do mundo está chegando.

Não quero fazer apologia da felicidade através da ignorância. Tomar conhecimento das coisas é necessário e indispensável. Mas estou me convencendo de que está havendo exagero na dose.

Dia desses assisti em um dos telejornais da noite um vídeo que mostrava dois caminhões chocando-se na entrada de uma fábrica. Nenhum ferido. Nada além de danos materiais. Sem nenhuma conseqüência para quem quer que seja exceto para o cotidiano daquela fabrica. Qual a utilidade dessa noticia?

Essa obsessão pela noticia ruim, pela critica acida, esse desejo enrustido de que tudo dê errado, essa vontade mal disfarçada de rir da desgraça alheia, desejar o pior e a catástrofe, essa vigilância rigorosa que leva a muitos fungarem na nuca de todo mundo como que dizendo: "se cuida que eu to de olho em você", isso tudo já  passou da conta.

Penso que todos aqueles que fazem uso de qualquer instrumento de comunicação pequeno ou grande deveriam optar por reservar um espaço no meio dos seus veículos para divulgar fatos que cubram outros interesses que não sejam apenas os da delegacia. 

Esse texto está ficando muito grande, paro por aqui, e no próximo quero mostrar que é possível falar sobre um monte de coisas úteis e enriquecedoras sem, evidentemente, banalizar a dura realidade da vida.

Fiquem em paz

Jonas








         

terça-feira, 1 de março de 2011

EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A preparam ataque a Libia

Reproduzo texto de Laerte Braga publicado no redecastorphoto por tratar-se de um primoroso ataque ao cinismo e a hipocrisia que regem a politica internacional, sempre baseada no capital.

O principal executivo do grupo EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A na Europa, David Cameron, responsável pelo extinto Reino Unido a mais importante filial do conglomerado naquele continente declarou que tropas das bases da OTAN ali localizadas podem atacar a Líbia para garantir a “democracia”.

Petróleo mudou de nome.

A secretária Hillary Clinton, integrante do conselho diretor executivo do conglomerado repetiu as declarações de Cameron. É o mesmo jogo jogado por George Bush para anunciar o ataque ao Iraque a partir da mentira das armas químicas e biológicas. Mandou o comunicado ser lido por Tony Blair (Bush’s Poodle), então gerente geral do antigo Reino Unido.

Tropas do conglomerado já se reposicionam na região próxima à Líbia para invadir e ocupar o país. O temor é que a revolução popular naquele país ponha fim ao acordo entre o ditador Muammar Gaddafi e os norte-americanos sobre petróleo, políticas do Banco Mundial e do FMI.

Aliado desde 2003, Gaddafi vai ser jogado no lixo como foi Mubarak, mas nada vai mudar é o que decidiu o conglomerado.

Como no Egito, onde os generais já reprimem a população para manter intocados os privilégios das elites políticas e econômicas construídos em 30 anos de ditadura.

Em meio a toda essa movimentação e enquanto aguardam a ordem de ataque, bandeiras com a suástica já começam a ser distribuídas ás hordas de mercenários que formam as forças de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

Sobre se o povo líbio deseja esse tipo de intervenção, nenhuma pergunta foi feita. As perguntas são dirigidas aos que comandam os interesses políticos e econômicos da empresa (extinto EUA) sediada em Washington.

Vale dizer que uma intervenção desse porte para garantir o petróleo, agora chamado de democracia vai custar, no mínimo, um milhão de líbios mortos, mas Wall Street sobrevive intacta.

As manifestações populares no Iêmen, na Jordânia, no Barein, na Argélia e em Madison, capital do estado de Wisconsin, essas, por enquanto, não interessam. O petróleo está garantido na repressão de generais/cãezinhos subordinados ao conglomerado. MILICANALHAS iguaizinhos os do Brasil. (Castor)

Uma invasão à Líbia será um ato de terrorismo sem tamanho e confirma os reais “propósitos” democráticos, cristãos e ocidentais de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

A decisão não é repentina vem sendo estudada desde o início das manifestações de protesto do povo líbio e só está sendo anunciada diante da perspectiva de perda do controle dos negócios do petróleo.

A democracia para o conglomerado significa tanques abarrotados de petróleo e cofres estourando de dinheiro. É para isso que dispõe de um arsenal capaz de destruir o mundo cem vezes.

Obama é um criminoso, deveria ser levado ao Tribunal Criminal Internacional, fora o fato de ser um mero funcionário de EUA/TERRORISMO S/A, já que, além dos negócios, quer manter o emprego nas eleições do ano que vem.

Quer ganhar mais quatro anos para tentar emplacar uma cantada em Angelina Jolie. Só levou não até agora. 

David Cameron é o executivo de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A que decretou o fim do multiculturalismo num discurso feito em Berlim no início desse mês de fevereiro, retirando do baú a bíblia do conglomerado. MEIN KAMPF.

Segundo seu pronunciamento diante de executivos do conglomerado na antiga Comunidade Européia a convivência entre diferentes é impossível e por isso deveriam ser tomadas providências para eliminar os diferentes. Não difere nada do que fizeram à América inteira desde Colombo. Os massacres de Maias, Astecas e Incas.

Ou a destruição que em nome de Cristo impuseram aos povos árabes.  

Sílvio Berlusconi, amigo de Gaddafi, com quem firmou vários acordos petrolíferos, já anunciou que vai à guerra num cavalo alazão cercado de amazonas e pronto a intervir no Marrocos para assegurar o direito a marroquinas menores de dezoito anos. Garantiu que leva a bênção do enclave que chamam Vaticano. Herr Bento XVI vai ungir os “libertadores”.

Todo o noticiário da mídia privada e subsidiária do conglomerado (no caso do Brasil as redes nacionais de tevê, os grandes jornais e revistas) já está disseminando o maior número possível de notícias falsas e alarmantes, preparando a população para que dê apoio à ação terrorista de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

Somos a Líbia de amanhã. O Brasil e toda a América Latina.

Na bagagem do “libertador” Barack Obama e seus generais cerveja em forma de veneno a ser servida aos líbios.

Tudo isso é pura barbárie. Violência e genocídio contra um povo que deseja apenas escolher o seu caminho sem que patas e garras nazi/sionistas interfiram e roubem suas riquezas. Aquelas que vão garantir – deveriam – a construção de um país livre e justo com os seus, segundo a vontade dos seus.

O fato de Gaddafi ser um tirano não justifica as ações terroristas de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A sob o pretexto de garantir democracia e direitos humanos. Pelo contrário, é o pretexto esfarrapado para repetir todas as cenas de boçalidade acontecidas no Iraque. Milhares de iraquianos, aliás, estão nas ruas protestando contra o governo títere do país e exigindo a saída dos mercenários do conglomerado terrorista.

Ao Brasil, frente a esse tipo de terror, cabe condenar de forma incisiva a possível invasão – como o fez Lula em relação ao Iraque. Não há colaboração possível com os Estados Unidos.

Os objetivos do complexo terrorista estão claros e em momentos como esses somem as Nações Unidas.  

Pouco importa o que pensam.

Importa o petróleo. Importam os negócios.

Não há diferença alguma entre as antigas batalhas que são mostradas em filmes sobre supostos bárbaros e as de hoje. Mudaram apenas as armas e o centro do terrorismo mundial está em Washington.  

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Fui eu que fiz!

Com os pés enfiados nas areias do litoral de Alagoas e Pernambuco fotografei guarda sóis.


E resolvi dividir as fotos com vocês.

E se as fotos não estiverem lá essas coisas, a música eu garanto que está.

Good Day Sunshine com um piano ao estilo dos anos 30, faz parte do Album Revolver dos Beatles. Esse album marca a fase do inicio dos experimentos musicais dos genios.

Fiquem em paz

Jonas

Músicas para o domingo 240211





















THE BEATLES: Eleanor Rigby é um dos standards de Paul. O tema central da letra é a solidão cuja imagem principal é uma igreja. Diz-se que Paul teria se inspirado na famosa e polemica declaração de John: " O cristianismo vai acabar. Vai encolher e sumir. Não preciso discutir esse assunto. Eu estou certo disso e o tempo vai provar. Somo mais populares que Jesus hoje em dia. Eu não sei quem será esquecido primeiro: o rock´n´roll ou o cristianismo."


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Todos nós desafinamos.

Only A Northern Song, faz parte da trilha sonora do filme Yellow Submarine um desenho animado com os Beatles, musica composta por George Harrison, em cuja letra ele demonstra insatisfação com aquela que na época detinha os direitos autorais dos moços, a Northern Songs Ltda.

É uma música desafinada. Muito desafinada.Tanto que uma parte da letra diz o seguinte: 

"se você estiver ouvindo essa música, você talvez pense que os acordes estão errados. Mas não estão! Eu apenas a escrevi assim!"

E ao ouvir essa musica  tão desafinada e ao mesmo tempo justificada pela letra que confessa ser assim de maneira proposital, me ponho a pensar em quantas vezes cada um de nós parece destoar da harmonia que todos julgam ser a mais agradável aos ouvidos, a mais correta.

Penso que na vida assim como nessa música em muitos momentos saimos dos acordes, esquecemos a harmonia, mas temos os nossos motivos. Mesmo parecendo em desacordo com tudo o mais,  por mais desafinados que sejamos, temos os nossos motivos.

É exatamente isso que esse geniais músicos nos propõem: que ouçamos sempre, que tenhamos paciencia, pois nem sempre a beleza das coisas apresenta-se da forma que esperamos. De cara pode parecer desagradável aos nosso ouvidos mas ao entender que existem motivos por trás disso, então o som estridente, o aparente desencontro dos instrumentos, acaba sendo agradável e nos faz bem.

Ouçam a música. Relaxem e apenas ouçam a música. Deixem apenas que ela entre em seus ouvidos, e percebam que apesar da desafinação, ela não deixa de ser uma música e como tal pode ser bem agradável. (Especialmente a bateria do Ringo, rsrs)

Por último fica uma verdade: a vida, assim como uma escala músical, nem sempre é harmonica, mas se dermos umas duas ou tres chances a ela, ela pode ser bem bonita.

E não tenha medo se a canção que voce faz de sua vida, as vezes fica parecendo um tanto desafinada. A sua volta pode ter uma porção de gente gostando de ouvi-la!

Fiquem em paz.

Jonas

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mocinhos e bandidos

Talvez não tenha sobrado nenhum adjetivo de indignação ainda por ser dito a respeito da noticia de uma ex-policial civil que foi revistada por um grupo de também policiais civis que, dentro das instalações da Policia Civil, atentaram contra a dignidade e a honra da moça tirando-lhe as roupas com a desculpa esfarrapada do cumprimento do dever.

Esse ato soma-se às outras centenas que vemos acontecer rotineiramente, cometidos por ditas autoridades que deveriam dar exemplo de civismo, cidadania e respeito ao ser humano. Como é o caso, por exemplo, de dois policiais na semana passada na periferia de São Paulo que agrediram com muitos pontapés, cascudos e safanões um moço que pilotava uma moto e que não teria parado diante da solicitação dos policiais de que o fizesse. 

E ouvimos por aí vozes que se levantam a favor ou contra atitudes desse tipo sendo que as primeiras dizem que são necessárias atitudes rigorosas e punições exemplares em cima de quem desafia a lei e a ordem, e as segundas partem para o discurso humanitário de que todos merecem respeito, no que eu estou de pleno acordo.

Mas me surpreendo muitas vezes em perceber uma sutil variação de preferências e argumentos no meio dessas vozes. Há uma indisfarçável tendência ideológica nesse assunto que passa bem longe de uma genuína defesa da tolerância, da concórdia e da compreensão entre as pessoas. Os favoráveis às punições exemplares o são quando se trata de crimes comuns cometidos por integrantes das minorias e essas mesmas vozes são no mínimo passivas diante dos crimes menos visíveis e menos traumáticos fisicamente cometidos pelas classes, digamos assim, mais privilegiadas. E o contrário também é verdade. Aqueles de coloração dita humanitária reagem com indignação exacerbada diante de violências cometidas contra o mais fracos, mas extasiam-se em desancar, abominar, julgar, condenar e penalizar muitas vezes de maneira indecorosa, injusta e verbalmente violenta contra crimes cometidos pelas classes que chamamos de privilegiadas.

Existe um que de maniqueísmo permeando quase todas as manifestações que contenham viés de julgamento.

Peguemos o evento promovido pela Folha de São Paulo em comemoração ao seu aniversário de fundação essa semana e que teve a presença da nossa Presidente Dilma. 

Houve um pandemônio nas hostes dos eleitores de Dilma. A maioria condenou o gesto dizendo que onde já se viu, ir até a casa daqueles que até ontem levantaram calunias e difamações contra ela. Teve gente que fez questão de analisar o discurso que ela fez, dissecando-o palavra por palavra traduzindo algumas como recados dados aos seus detratores e outras como sendo sinal de submissão. Teve até o uso da expressão "tapa com luva de pelica". O que se lê nas entrelinhas desse tipo de discurso é uma espécie de decepção por Dilma não jogar duro com " essa gente", não processá-los, não derramar sangue. E que Dilma não deveria ter dado tapa com luva de pelica, mas sim de boxe.

Preocupa-me imaginar qual seria o comportamento de muitas pessoas se a elas fosse dado algum poder sobre os indivíduos tal e qual têm a policia,  os juízes e o presidente da republica.

Dilma foi corretíssima. Não em seu discurso - que de resto foi igual a todos os discursos em ocasiões como aquela -, mas em seu gesto que para mim significou a afirmação de que ela compreende a magnitude de seu cargo no sentido de que nele ela pode e deve fortalecer o diálogo, a compreensão e a tolerância.

Revanchismos, demonstrações de força, truculência, julgamentos precipitados, só pioram as coisas. Atitudes belicosas e beligerantes servem apenas para provocar a força contrária, e podem por a perder um projeto importante de construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

O policial que bate no infrator e o humilha só faz provocá-lo para que na primeira oportunidade ele faça o mesmo com o primeiro que encontrar pela frente.  Os comandantes de qualquer grupo, desde a sociedade amigos do bairro, da sindicância do prédio em que moram, até o presidente da republica devem dar exemplos de cordialidade, disposição para o diálogo e do perdão.

Um dia haveremos de aprender que existem mais força em nossas palavras gentis, abraços e perdão no que na potencia de cem bombas de mil megatons cada uma.

E tenho saudade dos tempos dos filmes de mocinho e bandido que eu assistia nas matines lá no Cine Guanabara, na paulistana e periférica Vila Formosa, filmes que, embora tivessem sempre um monótono e previsível final em que os mocinhos venciam  os bandidos era certo que eles venciam sem violência e com justiça. E junto com eles venciam também, meus melhores sentimentos.

Fiquem em paz,

Jonas


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A Banda do Sargento Jotagebece e o Clube dos Tuiteros Solitários.

Os antropólogos podem falar sobre isso muito melhor que eu, mas sei que todos os animais, entre eles  nós  humanos, precisam viver em grupos. E fico imaginando que quando ainda rabiscávamos as paredes das cavernas e sequer imaginávamos que um dia existiria o microondas já fazíamos questão de viver com alguém, provavelmente com nossos  parentes. Depois ampliamos o grupo para fora da caverna e inventamos os vizinhos, as tribos, depois a vilas, as cidades, os países e finalmente os impérios. 

E aqui estamos nós, nos dias de hoje, vivendo em um sem fim de grupos. Muitos semelhantes aos dos nossos antepassados, porém agora acrescidos de Associações, Ordens, Conselhos, Sindicatos, Organizações Mundiais e até Máfias. Todos, supostamente, abrigando pessoas com os mesmos interesses e atividades.

E nessa onda, ao mesmo tempo em que desenvolvemos o senso de solidariedade e fraternidade, também fizemos o contrário: aprendemos a avaliar e classificar os outros levando em conta os grupos a que pertencem. E vai dai que eu imagino que foi assim que fizemos nossos primeiros inimigos e inventamos a guerra. Mas passou o tempo e alguém deve ter descoberto que guerrear dava muito trabalho, sangrava e doía, então surgiu a tolerância. Deve ter sido assim que surgiram as assembléias, as mesas redondas, os atuais fóruns, e outros que tais. Mas não foi tão bom assim. Pois continuamos com nossa equivocada tendência de privilegiarmos e nos juntarmos apenas aos nossos iguais e repudiar os desiguais. E então se inventou outra guerra que é a do preconceito, da discriminação, do isolamento.

A ordem vigente é: ou você participa de alguma associação, nem que seja a do clubinho da esquina, ou você tem uma dificuldade danada de ter voz e vez na construção das coisas a sua volta. Sem ter carteirinha de alguma coisa você está exposto a toda espécie de exclusões. É sério. 

Os ventos da internet são um tantinho benfazejos e parecem soprar a favor dos milhões de anônimos que querem mandar seu recado. Mas cuidemos, pois eis que aqui também nesse espaço supostamente incolor, inodoro e insípido no que diz respeito as cores ideológicas, religiosas e futebolísticas, parece que já tem uns e outros famintos de montarem seus grupos, suas comunidades, e através deles discriminar, excluir e calar. 

Da mesma forma que as mídias tradicionais inventaram que "a arte imita a vida" para justificarem atitudes nem sempre semeadoras da concórdia e da solidariedade, vemos agora uma parcela da população cibernética querendo criar algo como o " virtual imita o real", perdendo assim uma enorme oportunidade de acabar definitivamente com todas as barreiras, fronteiras, gavetas e escaninhos que só fazem segregar.

E tem os Beatles e suas músicas. Que, no que diz respeito a mim, não param nunca de embalar meus pensamentos e muitas das vezes me fazem  perguntas que tenho receio de responder. É o caso de Nowhere Man, que descreve um homem solitário meio perdido em seus projetos, talvez sem ninguém para apoia-los. E os quatro cabeludos de Liverpool perguntam: ele não é um pouco parecido com você e eu?

Fiquem em paz

Jonas

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Música não serve pra isso.



Desconfio que na usina da criatividade humana a maior e mais fértil produção é a música. Há quem diga que algumas composições músicais foram encontradas na Siria datadas do ano 1.400 AC (!).  Dêem só uma olhada aqui nesse sitio que apresenta a execução de uma das tais músicas e aproveitem e leiam as muitas informações que acompanham o video.

E eu desconfio também que a área do cérebro humano com maior espaço de armazenamento de dados é a área da música. Não sei não mas é bem provável que umas boas centenas de músicas possam ser arquivadas na nossa lembrança. Não deve existir nenhum outro item da produção do homem que seja tão lembrado quanto a música.

E música é bom pra tudo. Alegrar, motivar, apaixonar, chorar, rir, pular, agrupar, unir, lembrar, contemplar, dormir, trabalhar, viajar, confraternizar, a musica é, enfim, um componente importante, quem sabe indispensável, para a harmonia da vida, para a convivencia em grupos e para o amadurecimento intelectual de todos os individuos.

E de toda a história da humanidade, o momento atual parece ser o mais propicio e abundante para criação e audição musical. Nunca antes no mundo todo se ouviu tanta música. A proliferação e popularização dos tocadores portateis de música, a televisão, a internet, CDs, DVDs, BlueRays e tudo o mais ajudam cada vez mais aproximar o ser humano da música. É admiravel, também, o número cada vez maior de pessoas presentes nos mega shows musicais, verdadeiras multidões. E os Beatles já ultrapassaram a estupenda marca de mais de um bilhão de discos vendidos, isso equivale dizer que um em cada seis dos habitantes do planeta já ouviu uma música beatle.

Mas falar sobre as qualidades da música é discorrer sobre uma cansativa lista de obviedades e não é esse meu propósito.

Eu tenho mesmo é uma pergunta para fazer para os sujeitos que transformam seus carros em discotecas ambulantes, alguns deles equivalentes a trios elétricos, que gastam uma pequena fortuna em parafernália eletronica para maltratar meus ouvidos tocando suas musicas - de gosto duvidoso diga-se de passagem - num volume próximo de causar surdez instantanea. Eu pergunto: musica serve pra isso?

Enquanto o mundo todo, desde os filósofos gregos, considera a música uma dádiva divina para os homens, esses caras conseguiram transformar a música em algo que desperta na gente os piores instintos. Dá um vontade ernorme de armar-se de lança-chamas, bazucas e congeneres para desligar a barulheira infernal que eles chamam de "som". E que não passa disto mesmo, de "som" ou, melhor dizendo, barulho. Pois a música só traz prazer se não machucar os timpanos que são, nesse caso, a porta de entrada de nossas almas.

Fiquem em paz

Jonas

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Musicas para o domingo 200211



















BEATLES: Sexy Sadie foi escrita por Lennon sobre o Maharish que durante a estada dos Beatles em seu centro de meditação na India, investiu de forma nada espiritual sobre mia Farraw, provando a Lennon que não era tudo que afirmava e aparentava ser. O titulo da musica seria: "Maharish, o que voce fez? Você fez todo mundo de besta." Mas foi aconselhado por George e acabou substituindo o nome do guru por Sexy Sadie, sem no entanto perder sua habitual acidez e mandar muito bem seu recado pro cara de pau.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Vivamos e deixemos viver.

Já tive oportunidade de dizer por aqui que sempre acreditei que a essencia da natureza humana é a mesma desde que o homem caminha sobre a terra. Digo essencia querendo dizer das emoções e sensações humanas. Sinto a mesma fome, o mesmo frio e o mesmo sono que o homem sempre sentiu. Sinto o mesmo amor e a mesma saudade que sentiam meus antepassados lá nas suas cavernas. Mudou apenas a forma de saciar a fome, aquecer-se do frio e repousar para dormir. Posso lidar com o amor e a saudade de formas diferentes, mas os impulsos são os mesmos.

Apesar de todo o avanço do conhecimento humano, apesar de todas as descobertas feitas pelo homem, nossa carne, nossos ossos, nossas fibras e nervos, que são o invólucro do nosso espirito ou que nome tenha aquilo que anima a nossa vida, tudo é feito da mesma matéria desde sempre.

No entanto a medida que avançamos no conhecimento e criamos novas condições de vida, a impressão que temos é que somos novos seres. Parece que tudo que sentiamos ontem não sentimos mais hoje.

Cada vez mais procuramos diferentes soluções técnicas para coisas do espirito, como se as coisas do espirito estivessem em constante mudança.

Uma das coisas que mais me chama atenção nos ultimos tempos é julgar como virtudes as diversas fases da vida, a infancia, a adolescencia e a velhice. O excessivo tratamento pontual das fases da vida passa a impressão que não se está falando de seres humanos  construidos ao longo do tempo, cuja construção aliás só termina no dia da morte. Lidamos com as crianças como se fossem perfeitas e acabadas. Do mesmo jeito com jovens e idosos. Não estou falando dos adultos. Pois esses é quem são os sabichões de tudo, e vivem enfiando o pé na jaca, inclusive eu mesmo.

Todo dia surgem novos conceitos técnicos para tratar de um adolescente como se a adolescencia fosse algo pontual na vida, que tem um começo e fim estanques e determinados no tempo, sem um antes e sem um depois, como se não fosse apenas uma passagem. 

Digo tudo isso por que hoje tomei conhecimento de que retomaram estudos sobre nosso sistema educacional que ao que me consta já mudou uma infinidade de vezes nos ultimos anos. O ponto central é sobre a reprovação ou não dos alunos nos primeiros anos escolares. E descobriram que a aprovação automatica em vigor nos dias de hoje não resolveu o problema da evasão escolar. Coisa que achavam que iria resolver quando implantaram o metodo atual. 

E ouvi todo tipo de argumentos muitos deles girando em torno dos efeitos emocionais na criança ao repetir de ano. Como se logo depois, ao longo de sua vida a criança, então adulta, não vá passar por todo tipo de vitórias e derrotas, e não vá viver a tal da meritocracia.

Não sei não, mas nessa história de evasão escolar o buraco é mais embaixo. Passa por condições economicas das familias, por experiencias domésticas vividas pelas crianças. Passa pelas instalações da escola, pelo material didático, pela preparo e dedicação de todos os profissionais envolvidos no ensino. Enfim é um emaranhado de assuntos que não podem ser disfarçados na mera "premiação" de um individuo apenas por ele ser uma criança.

Acho que está na hora de compreendermos que não existem soluções técnicas para o o que sentimos. A soluções técnicas devem caminhar no sentido, isso sim, de proporcionar a todos nós, vivermos nossas sensações, emoções e experiencias humanas em sua plenitude.

Decepcionar-se, frustrar-se, recomeçar do zero, são sensações e experiencias pelas quais todos nós passamos desde que nascemos, não há como evita-las. Deixemos que nossas crianças vivam isso, e apenas cuidemos para que seja um aprendizado benéfico. Tratemos apenas de ajuda-las a enfrentar tudo isso com dignidade.

E em mim, ao escrever sobre isso, vieram as inevitáveis comparações com o passado. E penso que nada melhor que a poesia para nos fazer lembrar de uma porção coisas boas, que acabaram sendo esquecidas no meio da tal da modernidade e das "soluções" que se sobrepõem em nossas vidas, dia após dia.

Fiquem em paz,

Jonas

Esse video foi uma dica da @wwwcristie