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sábado, 15 de setembro de 2012

O que queremos ver

Sempre que o assunto é informação, cultura e lazer via mídia, há um consenso sobre a indigência do que é divulgado na imprensa escrita, falada e enxergada.

E é bem comum ouvir-se argumento de que é isso que o povo quer ler, ouvir e ver.

O que muitas vezes dá a impressão é que há um movimento não articulado e não declarado, porém convergente, de uma parte significativa de todos os que lidam com informação e cultura, na direção de ou manter o baixo nível informativo e cultural ou espetacularizar assuntos de interesse de pequenos grupos.

Por estes dias o caso do julgamento da AP 470, "mensalão", é um exemplo gritante de como os responsáveis pela informação podem dirigir e pautar um assunto de acordo com seus interesses, sendo que nesse caso o interesse é a acusar e condenar os opositores e nada mais que isso.

O que salta aos olhos é o excessivo destaque para a demonstração das maracutaias praticadas por um grupo de pessoas e suas respectivas condenações, mas não se vê o debate sobre como isso aconteceu, que oportunidades foram dadas para isso, e quais as possíveis soluções sobre como evita-las no futuro.

Muito menos deixa-se entrever que se trata de crimes feitos por um grupo de indivíduos que, embora abrigados sob um legenda partidária, não tem o poder de conduzir todos os milhares de partidários e simpatizantes da mesma legenda. Em outras palavras o que imprensa tem destacado é algo como se havendo um corintiano bandido todos os demais corintianos são bandidos. Eu aqui, esse pobre e pretencioso escriba, razoavelmente honesto e cumpridor dos meus deveres já estou começando a ter vergonha de dizer que sou eleitor do PT sem ser olhado como bandido, inclusive por familiares.

E ontem em São Paulo, no Rodoanel, aconteceu um protesto de moradores de um bairro marginal a esta via, protesto em que aqueles moradores queriam chamar a atenção para seus problemas de moradia.

E a repórter que dava a noticia teve a cara de pau de dizer que não sabia a razão do protesto, mas que o congestionamento causado era enorme e que os motoristas no local tinham aquela manhã muito tumultuada por conta do tal protesto. E só isso e nada mais. (Nesse momento vale lembrar que 06 dias por ano uma das pistas da marginal do Tiete, na mesma cidade de São Paulo, fica fechada para dar espaço para Formula Indy e a TV não mostra motoristas indignados com a confusão no transito.)

Fatos como o protesto dos moradores merecem reflexão um tanto mais profunda de toda a sociedade. Não é o caso de apenas olharmos para a justificada raiva daqueles que tiveram que se atrasar para seus compromissos por conta do congestionamento, mas em especial é necessário chamar para o debate os responsáveis pelas politicas habitacionais de todas as esferas e saber que providencias podem ser tomadas para resolver o problema. E cabe aos jornais e televisões promoverem esses debates e não tratarem o assunto apenas como mais uma confusão no transito.

Se nestes dois exemplos podemos perceber a manipulação do que realmente importa como informação e noticia para a população a mesma coisa se dá nas informações e noticias cotidianas da mídia em geral.

Será que não dá ao menos uma ou duas vezes por semana em horário nobre exibir a discografia de um Jobim ou de um  Chico Buarque?  Não será possível ao menos uma vez ou duas por mês exibir a biografia de um Drummond ou de um Fernando Pessoa? E que tal debates públicos sobre as demandas das populações locais, do país e do mundo com a presença de não só as autoridades envolvidas mas também técnicos, estudiosos e todos os diretamente interessados?  

Ao invés de encherem nossas cabeças de Hulks, Datenas e seus assemelhados?

Dá, claro que dá. Mas da mesma forma que não interessa debater sobre mecanismos que detenham a corrupção e do mesmo jeito que não interessa saber as razões que fazem pessoas interditarem importante via de transito, também não interessa entregar aos indivíduos cultura, lazer e informação que os levem a formar juízos sobre si mesmos e sobre tudo o mais que o cerca.

A informação e a cultura são bens da humanidade. E como tal devem ser minimamente protegidos e o seu acesso garantido pelos governos a todos os cidadãos. Negar cultura e em especial a informação é roubar a verdade. E roubo é crime. 

Governos que não tomam nenhuma atitude com as centenas de roubos da verdade cometidos diariamente pelos veículos de comunicação em geral são coautores destes crimes. 

Governos inertes diante das calunias, difamações e distorções ditas diariamente na mídia em lugar da verdade deixam a impressão de que tem coisas a esconder.

Governos que concordam em ver a população tendo seus cérebros embotados  pelos eternos e repetitivos enredos de novelas, em cujo universo o mundo se resume apenas em mocinhos e bandidos, e por cínicos Gugus travestidos de Robin Woods, são governos que não querem promover em seu país a erradicação de uma outra miséria, quem sabe tão fatal quanto a miséria de bens materiais, que nasce da carência de cultura e informação.






terça-feira, 8 de maio de 2012

segun Por que greve de fome de um dissidente cubano vira notícia e a de pelo menos 1600 palestinos não?



Li no Escrevinhador reportagem de Thassio Borges publicada no Opera Mundi, que informa sobre a greve de fome de pelo menos 1600 palestinos presos em prisões israelenses.



domingo, 6 de maio de 2012

Manchete marota



 Em mais uma de suas manchetes marotas a Folha de São Paulo pretende induzir o leitor de que no universo da política a única arma de convencimento é o dinheiro, e que somos governados por uma bando de corruptos e nada mais. Não importam os interesses em favor de pequenas ou grandes comunidades ou para o país como um todo. Não importa a destinação das verbas. Importa mesmo é dar um ar de maracutaia.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Enxurrada de escândalos

Via O Cafézinho


É uma situação inédita. Escândalos de corrupção não são novos, mas nunca tivemos um dessa magnitude e nessas circunstâncias, envolvendo jornalistas, parlamentares, governadores, empresários, funcionários públicos. Nunca tivemos um inquérito inteiro à disposição de toda sociedade aberta, num ambiente político altamente eletrificado pela presença de redes sociais e blogosfera hiperativas e hipertreinadas em função de seu embate diário com as maquinações da grande mídia.

Vamos tentar organizar as coisas. O que eu encontrei de mais grave nos jornais, blogs e sites nesta segunda-feira foram os seguintes escândalos:

sábado, 28 de abril de 2012

"Quem lutou e pôs o Marconi lá fomos nós"

Via Brasil 247

"— O jornal “O Anápolis” vai ganhar do Detran? Aquele jornal foi contra o Marconi o tempo inteiro. O Butina falou que viu (o documento) na mão do cara (do governo) — contesta Cachoeira.

O ex-presidente do Detran nega a veracidade da informação:

— Não viu, não. Eu fechei isso ontem. Tinha televisões (e outros jornais) — disse Edivaldo, antes de complementar, dizendo que deu atenção especial ao jornal de Carlinhos.

— Eu pedi para incluir o seu (jornal) lá — disse Edivaldo.

Diálogos como esses talvez pudessem ser ouvidos nas salas de direção de qualquer dos grandes jornais e tvs do Brasil. Será que não? Não tem sido esse o papel da grande e mafiosa midia do nosso país nos últimos anos? "

Jornalismo e cumplicidade não são o mesmo

Via Tijolaço do Brizola Neto

"Não existe “sigilo de fonte” na decisão interna de um órgão de imprensa em manter uma  longa sistemática relação com um bandido.

Qualquer jornalista sabe a diferença entre receber informações de um bicheiro sobre algum caso e a de, sistematicamente, receber dele material clandestino que incrimine os policiais que lhe criem problemas. Sobretudo, durante anos e sem qualquer menção à luta de submundo que se desenvolvia nestes casos.

No primeiro caso, é jornalismo. É busca da informação e sua apresentação no contexto em que ela se insere.

No segundo, é cumplicidade. É uma associação para delinquir, criminal e jornalisticamente."

Opinião pública, o que é?

Via Carta Capital

"A mídia nativa, é fácil demonstrar, na sua certeza de representar a opinião pública do País todo pratica aquilo que definiria como jornalismo onírico. Neste mister, o Estadão de quinta 26 supera-se. Estampa na primeira página que a presidenta Dilma mente ao afirmar, ao cabo de um longo encontro com Lula em Brasília, a ausência de diferenças entre ela e seu mentor. A presidenta responde obviamente a uma pergunta e diz: “Não há diferenças entre nós e nunca haverá”. Então por que perguntam se estão certos de que seu sonho é a própria verdade?"

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Farsa de "O Globo" é desmontada linha por linha

Via Terra Brasilis

A presidenta Dilma almoçou com o ex-presidente Lula em Brasília no Palácio da Alvorada na quarta-feira (25). Esticaram a prosa por mais de quatro horas. No encontro estavam os ministros Aloizio Mercadante (Educação), Guido Mantega (Fazenda) e Gilberto Carvalho (Secretária-Geral da Presidência), além do ex-ministro da Comunicação Social do governo Lula, Franklin Martins.
Com um grupo destes reunido, o que conversaram? Evidentemente sobre política, conjuntura nacional, internacional, economia e eleições, além de amenidades pessoais entre velhos amigos. Mas certamente nenhum deles é fonte que falaria confidências em off para jornalistas da velha imprensa.
 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A CPI e as estratégias diversionistas da mídia






Via Cinema & Outras Artes







As reações do grosso da mídia à Operação Monte Carlo, às ligações Cachoeira-Demóstenes-imprensa, e à aprovação da respectiva CPI têm apresentado características que, embora não surpreendam, suscitam preocupação e desalento.

A esperança de que as evidências de associação com o crime organizado que paira sobre setores da imprensa fosse, por sua gravidade, promover um processo de revisão de seus métodos, condutas e deontologia se dissipa ante a constatação de que omissões, distorções e um perfil marcadamente partidário de atuação continuam ditando o perfil da cobertura do tema.