Até recentemente os historiadores desdenhavam os pobres. A
crônica do passado se fazia em torno de reis efeminados, alguns; corajosos,
outros; e efeminados e corajosos, poucos deles, como Ricardo Coração de Leão. Fazia-se também de santos, mas os
santos da Igreja, em sua maioria, foram recrutados entre os membros da classe
dominante na Idade Média, ainda que renunciassem à riqueza, como Francisco de
Assis, ou se fizessem mártires nas guerras que, de santas nada tinham, como as
cruzadas. Os santos modernos, com raras exceções, são militantes políticos
contra os pobres, como o fundador da Opus dei. E, é claro, os intelectuais, cientistas
e artistas sempre estiveram na comissão de frente do desfile da assim chamada
civilização.