sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um nome novo para algo antigo

Sempre me chamou a atenção a "sinceridade cruel" das crianças e pré-adolescentes que, no exercício do aprendizado da convivência, praticam sua criatividade e perspicácia botando apelidos nos colegas - apelidos que muitas vezes não envaidecem em nada aquele que é apelidado. Pior ainda é quando resolvem ressaltar e trombetear pelo pátio do colégio eventuais detalhes físicos - digamos assim - fora dos padrões. E muitíssimo pior é tratar da sexualidade de uns e outros de maneira preconceituosa, muitas vezes colocando o pai e a mãe no meio.

Mas crianças são assim desde sempre. Desconfio que todo mundo algum dia na vida, mesmo em épocas distantes, viveu o papel de alvo de risos da turma. E ao fim de tudo cada um ia pra sua casa e tinha apoio dos pais e irmão pra esquecer essa "crueldade". E até hoje essas coisas se chamavam gozação, apelidos, brincadeiras, farra, e sei lá mais o que.

Agora chama-se bullying. E, a exemplo dos novos nomes que dão à coisas antigas, sempre se pretende que ao mudar o nome, as realidades dos envolvido também mudarão. Foi assim com os negros que acabaram virando afro-descendentes, com os homossexuais - antes bichas- agora gays, velhos que viraram idosos e vai por ai afora. Mas continuam sendo minorias e como tal ainda vitimas de preconceitos.

E surgem os "especialistas" sobre o tal do bullying desfiando um rosário de conseqüências sobre o caráter e a personalidade de crianças "vitimas" disso. Eu preferia as explicações de Freud para essas coisas e que acabavam sempre botando a culpa na mãe.

E os "especialistas" fazem uma lista de recomendações sobre como prevenir e punir atos de bullying.. Como se fosse possível punir crianças por botarem apelidos ou fazerem gozações com alguém que tem uma perna torta ou um narigão daqueles. Não é por ai. É evidente que não é.

A psicologia faz parte da imensa lista de coisas a respeito das quais nada sei. Meu contato mais direto com essa área do conhecimento humano foi quando fiz exames psicotécnicos para conseguir emprego. E foi só.

Mas tenho a impressão que o verdadeiro bullying de que são vitimas nossos brasileirinhos (gostei dessa expressão, dona Dilma) não está entre seus colegas. Está muito mais no modelo express de vida que estamos inventando. Modelo esse que não permite o apego, não deixa experimentar a tranqüilizadora sensação de pertença. 

Estou entendendo que no campo dos relacionamentos não existe mais o compromisso da perenidade, muito pelo contrário  é cada vez maior a sensação do descartável, do use-agora-porque-amanhã-não-tem-mais. 

Virou condição sine qua non para bem viver, experimentar o sexo cada vez mais cedo. Apenas pelo sexo, e não como uma experiência de doação, de uma ligação amorosa, de demonstração de afeto e de confissão de atração pelo outro. Consome-se pessoas como se consome álcool e engenhocas eletrônicas. Tudo é consumo. 

É triste ver que os modelos econômicos de sociedade se sobrepõem aos modelos humanitários. 

Um casal que se proponha a viver uma vida a dois e eventualmente formar uma família já não prioriza a convivência dentro de uma casa, mas antes de tudo o sucesso na aquisição de bens cuja saciedade é jamais alcançada. Um casal hoje é uma sociedade financeira, planilhada eletronicamente, cujas balizas vida afora sãos as colunas de créditos e débitos. Não é culpa somente das pessoas, as circunstancias criadas parecem levar todos pelo mesmo caminho.

E os brasileirinhos no meio disso tudo sofrem. Talvez até quem sabe um deles pode se dar por feliz se levar um apelido, ou se for motivo de gozação dos colegas, por que ao menos isso pode significar notar e ser notado. Melhor, muito melhor, do que ficar trancado em um quarto tendo como companhia os "amigos" virtuais das redes sociais. Amigos incolores, inodoros e insípidos.

Se for preciso sentar em uma mesa de boteco e encher a cara para ter a companhia de alguém, o nosso brasileirinho faz. Pois isso ao menos o faz  conhecer cheiros, sabores, ouvir vozes e risos, e se der sorte pode ser até que alguém segure sua mão.

Não nos enganemos. A solidão é uma praga que está dizimando a paz de nossas crianças. O modelo de sociedade exageradamente consumista, um modelo que faz pensar que felicidade e amor são coisas que vendem na loja de conveniências, é um celeiro de solidão. Uma sociedade extremamente competitiva em que todos devem ser bons em tudo e aqueles que ficam "apenas" em segundo lugar não servem para nada, é uma usina de solidão. A valorização exarcebada de um certo padrão físico de beleza é cruelmente excludente e se torna também em um viveiro de solidão.

E para mim a solidão é a irmã mais velha da depressão.

Não estou aqui tentando fazer um ensaio de compreensão a respeito do gesto de Wellington na Escola Tasso da Silveira, ele cometeu uma atrocidade inominável, ele é réu nessa história toda, jamais vitima.

Mas há que se deitar um olhar mais amplo sobre quais sejam os elementos verdadeiramente nocivos para a formação do caráter e da personalidade dos nossos brasileirinhos. 

E poderíamos começar a notar que já é mais comum do que parece, encontrarmos pais que não se interessam pelos filhos e, penso eu, se uma criança não se sente pertencente àqueles de quem depende, de que maneira ela desenvolverá sua auto-estima? Não sei.

Fiquem em paz.

Jonas

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O semeador atento.

Uma das muitas parábolas de Jesus Cristo é a do semeador. Através desta parábola Cristo chama a atenção para as várias situações enfrentadas por aquele que se dispõe a semear.

E as situações que Cristo descreve vão desde a possibilidade das sementes serem comidas pelas aves, ou que podem cair em solos áridos e espinhosos e finalmente podem cair em solo fértil onde a germinam fortes e viçosas.

A analogia que Jesus faz com essa parábola é com a própria divulgação de Seus ensinamentos, ele faz como que um alerta para aqueles que o ouvem a fim de preveni-los na divulgação de Suas palavras,  pois na divulgação pode ocorrer a mesma situação que no ato da semeadura: umas sementes morrerão e secarão e outras vicejarão no espírito de quem as ouvir.

Mas quero pedir licença ao nosso bom Jesus  para perguntar:  e quando é o próprio semeador que enfrenta aridez espiritual ou aquelas tormentas que fazem o semeador duvidar do resultado de seus esforços?

Deixando egoísmos, esnobismos, vaidades de lado, a verdade é que não poucas vezes eu me sinto inseguro nessa proposta que fiz a mim mesmo de escrever o que penso tornando públicas as coisas que me movem vida afora.

Sinto dois tipos diferentes de incômodos.O primeiro é uma certa impressão de incompetência na tentativa de dizer o que penso,  e em pouquíssimas vezes quando eu releio o que acabei de escrever, eu me convenço que eu escrevi exatamente o que eu penso. Na maioria das vezes sinto que as palavras me escapam, parece existir uma distancia enorme entre eu pensar e as palavras surgirem escritas. Penso mil palavras e escrevo apenas dez. Elas, as palavras, parecem se perder na distancia entre meu coração e o teclado.

O outro incomodo, e este é mais grave, é que os tipos de solos citados por Cristo podem ser eu mesmo. E tenho medo de me tornar desatento ou descuidado, e por não conseguir dizer exatamente o que eu quero dizer posso acabar decepcionando, frustrando ou no mínimo aborrecendo alguém.

Pode ser que venham tempestades que me desviem do caminho, pode ser que chegue o dia em que me sentirei em um deserto, ou pode ser que eu largue tudo por ai pelo vento e não haja mais nenhum sentido em tentar compartilhar o que sinto com quem me lê. E isto é desatenção e desapreço. Isso é falta de zelo, ou pouco caso com as emoções que provoquei.

É preciso cuidar disso. O semeador precisa colher os frutos que plantou. O semeador iniciou um processo irreversível que resultará em uma resposta definitiva para o seu gesto. E é necessário conhecê-la.

Se o semeador tornar-se descuidado e desatento, ou se desprezar, ou resolver que o que plantou não precisa mais de sua atenção, é certo que os frutos apodrecerão e perderão sua natureza saudável e todo tipo de transtorno virá depois disso.

É bem provável que haja uma perversão em tudo, e tudo acabe sem muito significado. Os frutos haverão de perguntar: para que sou fruto? Para que germinei e vicejei se agora ninguém me vê e eu não sacio ninguém? Será que mais tarde serei semente também? Para que?

Cuidemos meus caros. Cuidemos do que plantamos. Fiquemos atentos e zelemos por nossos frutos. Para que eles não se voltem contra nós mesmos e não saiam por ai, ferindo e matando tantos e queridos brasileirinhos nossos!

Fiquem em paz.

Jonas

domingo, 3 de abril de 2011

Músicas para o domingo 030411



Dica de @jaer51













E agora mais um capitulo da séria serie " O Beatles já fizeram isso". Uma vez assisti um capitulo dos Simpsons em que o convidado era George Harrison e que, andando pela cidade com o Bart, podiam ver alguma bandas apresentando-se e repetindo o que George e seus amigos tinham feito, então George dizia com um certo ar de enfado: os Beatles já fizeram isso. Esnobismos a parte, a verdade é essa mesma. As bandas que sucederam os Fab4 herdaram a maldição de ter que repetir o que esses moços fizeram antes. É o caso por exemplo da famosa apresentação no telhado dos estudios da Abbey Road, cena repetida com algumas variações por muita gente boa por ai. Mas falemos de duas das musicas incluidas nessa que foi a ultima apresentação dos Beatles ao vivo e que fazem parte do album Let It Be.

Get Back: apesar de ser uma gravação ao vivo sua qualidade é comparavel à versão de estudio e que acabou sendo lançada no lugar dela. É a ultima canção do album e da apresentação o que faz com que John declare de forma pungente: " Eu gostaria de agradecer a todos em nome da banda e de todos nós. Espero que a gente tenha passado no teste".

I`ve Got a Feeling: é a segunda faixa do album gravada na laje ao vivo também. A guitarra base de George é fortemente distorcida e o vocal é dividido por John e Paul. Com Paul a frente nas duas primeiras estrofes e depois acontecendo uma interessante troca de canais do estéreo, ficando Paul no canal esquerdo repetindo as estrofes e John no esquerdo fazendo o contracanto.

Fiquem em paz

Jonas








 

sábado, 2 de abril de 2011

Quem sabe o sr Aleluia lê.

( em referencia à carta do deputado Aleluia ao reitor da Universidade de Coimbra: http://qr.net/H6J )

Prezado sr Aleluia,

Pena eu não ter a grandeza intelectual de vossa excelência, minha parede lamentavelmente não ostenta vários diplomas e nem títulos que me dariam o alvará necessário para dirigir-me diretamente ao reitor da Universidade de Coimbra, como o senhor fez. Então faço-o por aqui, através de meu modesto sitio, esperando que um dia o acaso permita que estas mal traçadas linhas cheguem ao conhecimento do professor-reitor João Gabriel Silva.

Muito menos posso ter a pretensão de dirigir-me diretamente ao senhor, mas peço que debite minha ousadia na conta dessas coisas que de vez em quando se abatem sobre nós e nos fazem pensar sermos bons o suficiente para criticar as atitudes de nossos semelhantes.

O que eu tenho a dizer a ele e ao senhor  não passa nem de perto por sua tarimba com discursos contundentes, sejam de fingida indignação ou de puxa saquismo explicito, o que me leva ter que deixar fluir a sinceridade que o bom Deus me deu, e que não é, portanto, adquirida em bancos escolares. Por isso antecipo meu pedido de desculpas ao senhor se o que vou dizer não é revestido da firula  academica dos portadores de sabedoria e conhecimento.

Uma coisa parece termos em comum, sr Aleluia: o apreço, admiração e respeito pelas decisões daqueles que, a exemplo, do professor-reitor João Gabriel Silva, debruçaram-se sobre estudos a respeito de todas as coisas de todas as dimensões humanas.

Essa impressão de algo comum entre nós eu a tenho em razão de sua manifesta indignação dirigida ao professor-reitor onde o senhor declara acreditar que o preparo acadêmico seja um componente importante  para o exercício de qualquer atividade humana. Eu também penso assim, embora eu não o julgue indispensável em muitos casos.

Mas detectei e estranhei uma contradição sua, pois se o senhor admira tanto, e tem como sábios os acadêmicos do naipe do professor-reitor, como pode o senhor ter motivos para criticá-lo em sua decisão, que certamente foi tomada com a temperança e o equilíbrio sempre presente nas decisões de doutos senhores?

Eu não. Eu penso que se um homem com o reconhecido saber do professor-reitor da universidade que o senhor tanto admira, decidiu conceder ao sr Luiz Inácio Lula da Silva o titulo de doutor honoris causa, ele deve saber o que está fazendo. Acredito que o assunto tenha sido colocado sobre a mesa do colegiado decisório daquela honorável instituição e que, após amplo debate, houve consenso sobre os predicados e as qualidades sobejamente conhecidas - e que estranhamente o senhor insiste em desconhecer - do nosso estimado ex-presidente.

Sabe sr Aleluia? Nem sempre é necessária a matemática para construir certo tipo de ponte. Nem sempre o conhecimento jurídico é necessário para a aplicação da justiça. Nem sempre o conhecer biológico nos leva às curas dos males humanos. E muito menos o saber filosófico pode sempre nos ajudar no cultivo daquilo chamamos de vida em plenitude.

Penso que o olhar que os doutores da universidade de Coimbra deitaram sobre a personalidade de Lula foi o mesmíssimo que o próprio Lula deitou sobre seu povo e que soube, como poucos, mesmo sem o conhecimento que o senhor recomenda como adequado para se gerenciar um país, comandar com maestria tal, que é quase uma unanimidade em competência gerencial. Foi ele o engenheiro que construiu pontes seguras sobre as quais andou o povo em busca de melhores condições de vida, ele foi advogado quando deu-lhe um nova visão sobre justiça na medida em que deu-lhe a oportunidade de debater suas próprias necessidades, ele foi o médico que curou em muitos a dor da fome crônica que, certamente, faz doer muito mais o coração do que o estomago. E por fim ele foi o filósofo que trouxe de volta à muitas almas a verdadeira alegria de viver confiante no futuro.

Quanto a este pobre e ignorante escriba devo informar-lhe que não sei nada sobre física e sobre o resultado da fusão de ingredientes alimentares, muito menos eu jamais aprendi sobre a complexidade da construção da língua humana e sua capacidade de identificar e apreciar sabores, no entanto logo mais a noite farei um kibe de forno cujo principal ingrediente da receita é minha sensibilidade e atenção para aqueles que vão prová-lo. E garanto ao senhor que muitos que  já o provaram, aprovaram e repetiram. Muitas vezes a vida é assim, basta darmos a ela a oportunidade de acontecer.

Foi isso que o Lula fez. Foi isso que o professor-reitor fez. 

Faça o senhor também e dispa-se de suas vaidades acadêmicas, tire de suas paredes seus diplomas de não-sei-o-que e olhe para a vida como algo que em muitos sentidos já está feito e resolvido e a nós cabe apenas descobrir  o seu curso natural.

Fique em paz,

Jonas






terça-feira, 29 de março de 2011

Goleiros e caminhoneiros

Duas noticias deste fim de semana e que pode ser que não tenham nada a ver entre sí, mas vale a pena serem comentadas.


A primeira noticia é sobre a façanha do goleiro Rogério Ceni que é agora proprietário de titulo inédito e que dificilmente vai ser tomado dele: o único goleiro do mundo a fazer 100 gols. Um tanto contraditória essa conquista de Rogério Ceni pois aos goleiros cabem evitar gols e não fazê-los. Mas reconheçamos a conquista desse moço e o cumprimentemos.


E o que se vê de especial nessa marca é que ela reflete antes de tudo dedicação, empenho, persistência e compromisso com o trabalho. Rogério Ceni pode ser tomado como exemplo de atleta dedicado. De personalidade discreta, dele não se lê o nome fora das páginas de esporte, ou seja, no que se refere à sua figura publica tudo que se sabe dele é que é um bom atleta.


Diante de tantos Imperadores, Soberanos, Reis, Fenômenos e Galáticos em geral, desta e de outras terras futebolísticas é bom ver que um atleta que não tem nenhum superlativo ou adjetivo junto de seu nome tenha alcançado um feito que será mencionado sempre que se contar histórias de goleiros pelo mundo afora.

E a outra noticia do fim de semana trata de caminhoneiros de estrada e o consumo de drogas. Não é de hoje que se sabe que caminhoneiros em geral são submetidos à uma pressão enorme para cumprir prazos e metas. É preciso reconhecer que dirigir caminhões ou ônibus por ai é uma função estressante e que em termos de risco penso que pode ser equiparada à de policiais ou dos profissionais de aviação mas nem por isto os primeiros tem a mesma carga horária privilegiada que têm os segundos.

Com os tais dos GPS´s, radares e satélites os caminhoneiros são vigiados 24 horas por dia estejam onde estiverem, e isso por si só já bastaria para estressar qualquer um, mas some-se ainda a presença do perigo constante em cada curva de uma estrada, o cansaço físico pelo exercício da atividade e ainda mais o risco de assaltos. 

Não estou justificando e nem procurando desculpas para defender o uso de drogas de qualquer tipo - legais ou não - que motoristas ingerem para suportar as tarefas que deles se esperam. Estou dizendo que já passou da hora de se pensar em algum tipo de controle da carga horária desses profissionais e acima de tudo que ele as cumpram e que sejam punidos se assim não fizerem. Em meio a tanta tecnologia disponível já deve ser possível que tanto os empregadores quanto a fiscalização trabalhista e policial possam aferir o período de trabalho e de descanso desses motoristas. E que tanto um período quanto o outro sejam adequados às condições humanas razoáveis assim como o são em tantas outras atividades.

E encerro dizendo que o que estas duas noticias tem em comum para mim é me despertar o saudosismo. Lembro que na minha infância - êêêê nem faz tanto tempo assim, vai - os caminhoneiros eram chamados 
"irmãos da estrada" e quando rodávamos por ai em velhos Chevrolets e Vemaguetes meu  pai e nós todos sabíamos que podíamos contar com a ajuda desse profissionais - que pintavam frases nos para choques de seus FeNeMês -  para quase tudo: desde socorro mecânico passando por dicas sobre condições das estradas e de bons lugares pra almoçar.

E tínhamos os Garrinchas e Pelés, e o Desafio ao Galo na Record aos domingos pela manhã, tempos em que os jogadores de futebol jogavam antes e passavam no caixa depois.

Mas vieram a tal da globalização, as necessidades do mercado, as metas de produção, o marketing, e a excessiva necessidade de consumir. que passaram como um rolo compressor em cima do prazer de viajar por uma estrada sabendo que se precisar de ajuda, tem. E da alegria sincera de festejar a vitoria do time em um tempo que a marca mais importante da camisa era o escudo que ela ostentava e não a da Nike , ou da Adidas, ou.....

Fiquem em paz

Jonas

                      Copiado de: http://www.releituras.com/festrada_imp.asp

domingo, 27 de março de 2011

Musicas para o domingo 270311

































E para a seção Antologia Musical duas músicas do mesmo album. Album que é por sí só antologico dado que não tem nome e ficou conhecido como o Album Branco. Mas já ouvi algumas pessoas chamando-o de
"Olho de Boi" dos Beatles. 

A primeira faixa do album duplo é Back In The U.S.S.R e diz a história que foi escrita como uma observação ironica sobre o comentários de norte-americanos que, estando na Russia, viviam dizendo que tinham vontade de voltar aos EUA. E os Beatles nos colocam então em uma viagem ao contrário.

Depois tem Yer Blues, homenagem de John aos musicos que faziam blues britanico. A musica e a letra são tão poderosas quanto o vocal de John - e a guitarra rascante de George e a linha de bateria com pulso firme de Ringo.

Fiquem em paz

Jonas



quinta-feira, 24 de março de 2011

Democrata? Eu?!

Democracia não deveria ser apenas a definição de um regime político, mas antes de tudo um estado de espírito.

O mundo já assistiu experiências desastrosas demais cometidas em nome da democracia. Muitos países ditos democráticos cometem, em nome da democracia, despautérios semelhantes aos da Idade Média período em que a Igreja Católica invadia, oprimia e matava em nome de Deus.

O exemplo mais gritante dos dias atuais acontece no Grande Irmão do Norte,também conhecido como a maior democracia do mundo, e cujo presidente recebeu o Premio Nobel da Paz mas que atualmente guerreia em três países diferentes em nome da preservação da dita democracia. E existe uma lista enorme de democracias espalhadas pelo mundo que não hesitam em reprimir, proibir, submeter e matar a depender dos interesses de A ou B.

Ao que parece democracia para muitos pode ser traduzida como algo que termina exatamente onde os interesses se confrontam. E é bom que se entenda que interesses nesse caso não passam nem de perto pela pessoa humana. Os interesses que se confrontam giram sempre em torno de coisas que não são do espírito humano e sequer pertencem ao bem estar ou a plenitude da vida de pessoas.

A verdade é que aos poucos se cria uma escala do exercício democrático que funciona mais ou menos assim: primeiro minha casa, depois minha rua, depois meu bairro, depois minha cidade, meu estado e meu país. E nesse exercício de micro-defesas  nunca se contempla a humanidade em toda a totalidade.

Talvez meus filhos espantem-se com o que eu vou dizer agora, mas confio em que eles serão generosos os suficiente para refletirem junto comigo. 

Sempre me perguntei por que eu sou levado a amar e proteger meus filhos antes das outras pessoas, pois pode ser que em nome de proteção aos meus filhos eu acabe cometendo coisas impensáveis. Por que eu sou levado a distinguir meu filho de todos os demais seres humanos. Ser filho é uma virtude? Um predicado raro? O fato de o meu filho ser meu filho torna-o uma pessoa extraordinária? Ou o meu filho é meu filho somente por uma lei biológica e em tudo mais ele é um ser humano como todos os demais? Todos os seres humanos não são filhos de alguém?

Esses amores classificados assim em ordem de importância  acabam estabelecendo os territórios pelos quais se faz qualquer coisa. E junto surgem as ideologias que não contemplam nunca os indivíduos, apenas sustentam um modelo que fracassará sempre pois não é apoiado na defesa  da humanidade.

A democracia deveria ser um estado de espírito assim todos pensariam antes de tudo em permitir o acesso irrestrito às riquezas naturais - pelo menos - para todos os indivíduos. A única e indispensável condição para viver a vida em abundancia deveria ser apenas a comprovação de que se é humano e não a certidão de nascimento.

Soa utópico certamente imaginar que no mundo não deveriam existir palavras que representem posse como fronteiras, governos, bandeiras, e tudo o mais.

Mas mais utópico ainda é imaginar que um dia os governos das grandes potencias, atuais e das que ainda estão por vir, encaminharão soluções que resolvam definitivamente as grandes e graves aflições humanas. Não irão. Por que permanecerão para sempre pensando em micro-defesas e nunca em macro-solidariedade.

Fiquem em paz,

Jonas

domingo, 20 de março de 2011

Fazer o que Jesus faria?


Uma vez alguém me deu uma dica de como proceder na hora de tomar uma dessas decisões que muitas vezes nos deixam inseguros e não sabemos que caminho tomar. Disse-me a pessoa: pergunte-se sobre como Jesus agiria, e então faça a mesma coisa.

Isso dito assim sempre me pareceu muito pretensioso, dado que se sequer sei o que pensam meus semelhantes, que dirá saber o que Jesus, uma divindade, pensa., embora ao mesmo tempo seja impossível não reconhecer que Jesus nos deixou tantos ensinamentos que ao menos um deles fará referencia àquilo que nos aflige em dado momento.

E aconteceu que mais tarde eu tomei conhecimento de duas poesias de autores declaradamente ateus – Saramago e F Pessoa -, e pareceu abrir-se em mim o caminho para compreender a tal dica de tentar agir como Jesus agiria.

Saramago em seu "Um capitulo pra o Evangelho" nos revela um Jesus tanto Deus quanto homem, um ser completo, tal e qual todos nós desejamos ser e viver.  E Fernando Pessoa faz a mesma coisa em "Num meio-dia de primavera" ao nos mostrar um Deus menino tão menino quanto todos nós queremos ser.

Para surpresa minha estes dois ateus souberam descrever com sabedoria e poesia um Jesus tão generoso e amoroso quanto eu jamais tinha ouvido falar. De repente quem eu via apenas como Deus, passei a ver também como menino e homem e de tal forma que a impressão que tenho é de que, sim, eu posso falar com ele, perguntar-lhe sobre minhas coisas
 
Para esse Jesus quero perguntar uma porção de coisas entre elas é quando chegará o dia em que não nos envergonharemos das nossas limitações, das nossas imperfeições humanas. Quando é que aprenderemos a perdoar-nos a nós mesmos sem culpar a ninguém pelos nossos erros. Quando é que assumiremos com humildade nossa ignorância sobre o outro e por isso mesmo podermos dar a ele a oportunidade do reinicio.

E quando virá, enfim, o dia em que a direção de nosso olhar será para onde aponta o dedo daquele menino.

Fiquem em paz,

Jonas

Musicas para o domingo 190311



















E na Galeria De Obras Primas de novo dois videos.

O primeiro contém Help, do album do mesmo nome gravado em 1965. Esta é umas das primeiras letras dos Beatles a não contar uma historinha de "garoto-encontra-a-garota/garoto-perde-a-garota". É uma verdadeira súplica de John por ajuda. Posteriormente ele diria: "Eu realmente quis dizer aquilo... O pedido de socorro era verdadeiro".

No segundo ouve-se She´s Leaving Home, do album Sgt Peppers - de 1967- que é considerado o divisor de águas da música Beatle e é tido até hoje como o melhor album de rock de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone.Essa é uma outra balada clássica da dupla Lennon&McCartney. Trata-se de uma triste observação social sobre uma garota que foge de casa e de tudo o que o dinheiro pode comprar, por sentir falta de amor e atenção em sua vida. Paul afirmou que foi inspirado por um artigo de jornal, que o fez pensar na mesma solidão que permeia "Eleanor Rigby".

Fiquem em paz,

Jonas



quarta-feira, 16 de março de 2011

Um brinde às lembranças

Video que descobri no Blog DoLaDoDeLá  e que me deu vontade de dividir com voces.

E a primeira coisa que me ocorreu enquanto eu o assistia é que vivamos a vida de tal forma que quando as lembranças e as visões do passado vierem nos sacudir, não tenhamos medo de ir fundo, bem no fundo, de cada uma delas e que na volta, felizes, possamos erguer um brinde por tudo que fizemos, tudo que vivemos e por todos aqueles que amamos.

Fiquem em paz.

Jonas

terça-feira, 15 de março de 2011

Destino: sim ou não?



Deu no Portal R7: "Cidade no Japão 'parece set de filme catástrofe', conta repórter brasileiro"  Me desculpe senhor repórter brasileiro mas aquilo não parece, aquilo É uma catástrofe.
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Estive lendo lá no Balaio do Kotscho     um artigo a respeito do salvamento de um senhor de 60 anos de idade e que foi encontrado, vivo evidentemente, boiando em alto mar, agarrado aos destroços de sua cidade arrastada pelo tsunami que varreu uma parte do litoral japonês.

E por conta disso, e diante das manifestações de fé religiosa ou de ateísmo e as atribuições ao divino ou ao destino por tudo que está ocorrendo, nosso caro Kotscho propõe que seus leitores comentem e exponham suas conclusões sobre as razões de uns terem sido salvos e outros não daquela tragédia que vem acontecendo no Japão desde sexta feira passada.

Acredito que nada nessa vida possa ser destacado pontualmente de dentro da Historia. Quero dizer que vivemos um emaranhado de ações e reações, estamos enredados em uma complexa teia que mistura atitudes nossas e a harmonia da criação. Vejamos, por exemplo, os próprios casos do terremoto e maremoto havido lá no Japão e, embora possam ser ditos com exatidão o dia e a hora em que aconteceram, devemos lembrar que esses eventos não "nasceram" naquele dia e naquela hora. Devido a formação geológica de nosso planeta esses eventos começaram a "nascer", quem sabe, há bilhões de anos atrás.

E assim é com tudo que existe no reino animal, vegetal e mineral. Eu acho que nada está sendo feito agora. Tudo vem sendo construído e modificado ao longo de um tempo impossível de ser estabelecido. Embora na minha certidão de nascimento conste dia e hora em que eu nasci, na verdade foi por causa da existência do meus pais que eu nasci. E estes nasceram por causa dos pais deles, e antes destes houve a existência dos pais dos pais dos pais... e isso não tem fim. Ou melhor, talvez haja sim um fim e que será no dia em que descobrirem o primeiro homem e a primeira mulher, se é que existiram, e nesse dia vamos saber o real significado de dizer “somos todos irmãos". E, se for assim mesmo, o que vai acontecer comigo daqui um pouco já está determinado, embora não se possa precisar.

Ao dizer essas coisas assim eu posso passar a impressão de que não tenho fé no divino, no místico. Não é bem assim. Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Haverá sempre um momento em nossas vidas que, mesmo que se possa racionalizar quase tudo, estaremos diante do que nos impressiona justamente pela impossibilidade de ser explicado. Sempre chegará o dia da famosa pergunta que-é-que-eu-estou-fazendo-aqui? ou então será-que-eu-mereço-isso-que-está-acontecendo?

Creio de verdade em alguma inteligência divina que, a depender da denominação religiosa, tem vários nomes. Sempre dou graças pela vida, embora tenha momentos em que a vida nos pareça inimiga. E sendo assim pode ser que exista mesmo um Grande Plano para todos nós mas que é supervisionado e alterado todos os dias a depender do humor e da boa vontade do divino.

Essa espécie de roleta da vida que é jogada nas tragédias como essa do Japão nos chama sempre atenção pela quantidade enorme de vidas interrompidas de uma vez só e pelas outras poucas que são salvas aparentemente pelo acaso. Mas a verdade é que todo os dias muitas vidas se acabam por ai de uma porção de jeitos e tantas outras permanecem intactas nessa aventura que é viver. E nós nem percebemos.

Por mim sempre reservo um espaço para o místico e para a religiosidade que é inerente a todos nós, creio eu. 

Gosto de rezar o Santo Anjo todas as vezes que saímos de casa. Gosto ainda mais quanto nós o rezamos junto com a Gigi. 

Gosto de pensar que tenho uma alma e que ela se desprende de meu corpo toda vez que durmo e sai por ai se divertindo conhecendo lugares e outras almas, e já estou ficando quase certo que é essa minha alma viajante que dá mais sabor a minha vida. Eu já falei sobre isso aqui.

Gosto de ouvir alguém me dizer: vai com Deus! E, claro, sempre respondo: fique com Deus!

E às vezes quero mesmo acreditar que quando eu morrer vou encontrar em algum canto com todos aqueles que amei e que já se foram, e então ficaremos juntos esperando aqueles que estarão ainda por chegar. Vai ser uma festa.

Fiquem em paz

Jonas
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domingo, 13 de março de 2011

Musicas para o domingo 130311





















E na seção O Sonho Não Acabou, dois videos:

O primeiro é Strawberry Fields Forever do album Magical Mistery Tour de 1967. Com essa música Lennon imortalizou um orfanato de nome Strawberry Field em Liverpoool proximo a Penny Lane.  Me lembrei muito dessa música no dia da morte de John. Para mim naqueles dias essa música soava como um convite do próprio John para que o seguissemos numa viagem psicodelica e sem nenhum sentido. Como sem sentido foi o assassinato dele.

O segundo é Tomorrow Never Knows, e que faz parte do Revolver. Representa um avanço muito rápido da linha musical que os genios pretendiam seguir e que foi iniciada em Rubber Soul apenas oito meses antes. Alguns trechos dessa música foram tirados do Livro tibetano dos mortos e foi um dos experimentos de mais sucesso naquela época. Tanto a música como a letra - um trecho da música diz: "listen the colours of your dreams - ouça as cores de seus sonhos " antecipam o surgimento do psicodelismo. O titulo da música é de Ringo mas não aparece na letra e o solo de guitarra foi gravado de trás pra frente.


 

sábado, 12 de março de 2011

De tsunamis e flores



 Há pouco mais de um mês eu fiz uma proposta a Rita, mas que vínhamos adiando por mera displicência.

A proposta consistia em comprar  flores para duas senhoras, nossas vizinhas, em retribuição ao gesto que elas tiveram às vésperas da Gigi viajar para São Paulo: elas preparam uma pequena festinha com bolo, brigadeiros e tudo o mais, convidaram as outras crianças do prédio e a que mora bem em frente a nós cedeu sua casa para a reunião. Para mim foi um gesto muito carinhoso e que precisava de algum jeito ser retribuído e de preferência de um jeito que não fosse só em palavras.

Hoje pela manhã finalmente compramos as flores. Foram dois maços de flores do campo lilases e brancas, que dividimos em três partes, uma delas para nós mesmos.

Preparamos então dois buques e fomos entregar as nossas vizinhas. Pessoal, era de se ver o sorriso delas.  Valeu  a pena não somente pela imagem daqueles sorrisos sinceros, por que de surpresa. Mas dentro de nós ficou declarado de forma definitiva o reconhecimento daquele bonito gesto que fizeram anteriormente por nós.

E conto tudo isso por que nestes dias temos visto essa tristeza toda que acontece no Japão. E fico pensando nas vidas interrompidas, nos projetos adiados. E nas palavras que não foram ditas e nos gestos que não foram agradecidos. 

Bom mesmo é não adiar de jeito nenhum os gestos de carinho, a visão prazerosa de um sorriso . Por que  amanhã ou depois pode vir  um tsunami e revirar nossas vidas. E a ultima coisa que eu quero fazer é ir embora dessa vida sem dizer obrigado a quem me fez algum bem.

Fiquem em paz,

Jonas

quarta-feira, 9 de março de 2011

Vozes no deserto: André Lux e Sonia Amorim

Melhor falar de tudo um pouco, Todos nós desafinamos , Mocinhos e bandidos, A banda do sargento Jotagebece e o clube dos tuiteros solitários, Das relevancias, Vivamos e deixemos viver   

Todos esse links ai em cima levam às publicações que fiz nos últimos dias e todas batem praticamente na mesma tecla: apesar dos novos modelos e conceitos de convivência política, apesar dos discursos igualitários, há uma nítida tendência de repetir-se entre os blogueiros a mesma coisa que aconteceu nas outras mídias tradicionais, que é o nascimento de blocos homogêneos quanto às preferências ideológicas e culturais e que acabarão isolando os que deles divergem, formando uma ditadura internética que pretende criar um segundo pensamento único.

Nessas publicações que cito ai em cima cometi o pecado da excessiva sutileza contando com o já conhecido ditado que diz que para bom entendedor meia palavra basta. Ou pode ser que eu não tenha sido competente em dizer de modo claro essa minha impressão. Ou por fim quem sabe se por receio de ferir suscetibilidades acabei deixando por menos essa coisa que me atazana que é a sensação de que sou uma voz no deserto.

Assim como dizemos a respeito dos jornalões, revistonas e tevezonas que parecem seguir uma pauta ditada pela imprensa do Grande Irmão do Norte, a mim me parece que na parte da blogosfera habitada pelos ditos blogueiros progressistas e que chamaram-se de sujos a época das últimas eleições também existe o seguimento se não a uma determinada pauta mas ao menos a cópia de um único estilo de manifestação especialmente sobre a política nacional que consiste em replicar as publicações de meia dúzia de sítios que dizem todos exatamente a mesma coisa. Fica parecendo algo como assistir aos telejornais televisivos: todos transmitem as mesmas noticias e dão as mesmas informações.

Essa meia dúzia que é replicada foi incensada por seus seguidores talvez em razão de sua contundente militância em favor do projeto de Lula e Dilma. Essa meia dúzia teve altares erigidos cujos alicerces são compostos pela entrevista com Lula, pelas fotos ao lado de Dilma, por conhecimentos anteriores aos fatos do segundo semestre do ano passado, pelas profissões que exercem que lhes permite exercer full time a pratica de escrever em seus sítios e tudo isso recoberto pelas centenas de seguidores conseguidos justamente as custas da excessiva exposição promovida entre essa meia dúzia mesmo.

Sustentada por esse altar a meia dúzia trata com ironia excessiva, com exagero verbal, com palavrões, e muitas vezes de maneira infundada todos os assuntos da política - e vejam bem: somente da política - brasileira. Política tornou-se uma espécie de oxigênio para a blogosfera. Parece que o país não precisa de mais nada que não seja o que pensam e fazem os envolvidos em política.

Isso chama-se desinformar, fomentar pensamentos belicosos e acirrar a animosidade contra tudo aquilo que a meia dúzia não gosta.

Eu também fui contundente na defesa do projeto de Lula e Dilma. Aliás defendo o projeto petista desde sua nascente em S Bernardo. Eu também soube discernir em muitos momentos o que foi pura politicagem e o que foi discurso e esforço honesto. Eu também repliquei noticias e informações de vários cantos - tenho toda a lista dos "sujos" em meus favoritos -  e que eu julguei, naquela hora, algo importante de mais gente conhecer. Mas nesse momento sou um desprivilegiado geográfico e não posso sentar-se a mesa de botecos paulistanos para erguer brindes à vitória da militância dessa meia dúzia.

Sendo assim estou bem longe de conseguir minha primeira centena de seguidores, talvez eu nem consiga, mas gosto de olhar para meus generosos e pacientes leitores como seres humanos e confesso que hesito muitas em abrir em profundidade o que penso para não passar a impressão que de mim deve emanar luz sobre toda a escuridão da ignorância humana. Prefiro ao contrário colocar um pouco de poesia e romantismo nessa conversa toda, pois acho que esse pode ser um bom caminho para o definitivo entendimento entre as pessoas e não dos modelos que elas gerenciam.

Prefiro convidar meus generosos e pacientes leitores a refletirem com um tantinho mais de humanidade e sem nada de raiva e ironia a respeito dos contratempos, circunstancias crenças e comportamentos das pessoas.

E estou escrevendo tudo isso por que ouvi ecos de minha voz no deserto vindo lá dos lados de dois blogs: um é o Tudo Em Cima do André Lux e o outro é o Abra a Boca, Cidadão! da Sonia Amorim e que souberam com muito mais competência que eu escrever sobre essa triste realidade que parece desenhar-se no horizonte, mas que ainda dá tempo de transformá-la.

E como já é praxe aqui no Saúva faço conexão com quase tudo que escrevo com alguma música que quase invariavelmente é do repertório daqueles moços lá de Liverpool.

Fiquem em paz,
Jonas


segunda-feira, 7 de março de 2011

Inacreditáveis teorias

Existem por ai muitas teorias de conspiração. Vejam por exemplo essa lista que encontrei hoje que, por ser recheada de devaneios tão descabidos, não pode ser levada a sério.

Mas existem outras teorias que vão sendo montadas ao longo do tempo, recebendo a cada dia mais um detalhe que aos poucos vão dando ares de verdade e, a respeito delas, as discussões parecem não ter fim.

Encontrei hoje uma que eu não conhecia. Se você ler aqui poderá ficar sabendo que Lennon fez um pacto com aquele-que-não-se-diz-o-nome a fim de que sua banda, The Beatles fosse a mais extraordinária história de sucesso jamais conhecida. E para sustentar essa tese o autor do texto cita em especial a tão polemica teoria de que Paul McCartney teria sido morto em um acidente de moto e a partir de então um sósia teria sido colocado em seu lugar.

Reconheço que o texto está bem escrito e que pode ser tomado como uma boa peça a respeito da história da banda. Mas já que tanto se teoriza e se fala sobre o sucesso dos quatro cabeludos de Liverpool  eu também me julgo no direito de explicar o êxito planetário e já cinqüentenário desses gênios musicais.

Antes quero dizer que julgo a idéia da venda da alma para aquele-que-não-se-diz-o-nome insustentável como explicação do sucesso de quem quer que seja pois, segundo o próprio autor do texto, os Beatles seriam apenas uma banda mediana e igual a tantas outras que existiam naquela época e então eu pergunto: qual a mecânica desse tal contrato que faria com que todos os ouvintes da banda ao redor do mundo gostassem de suas músicas e não as das outras bandas? A cada audição dos moços de Liverpool viria um anjo daquele-que-não-se-diz-o-nome a cochichar no ouvido do vivente, dizendo: esses são bons, esses são bons... e tanto repetiriam até convencer o dono do ouvido a transformar-se em um beatlemaniaco? Não creio...

E mais que isso há que se lembrar que as obras musicais dos Beatles equiparam-se a tantas outras obras produzidas pela genialidade humana não só na área da música e nas artes em geral mas em outras áreas do conhecimento humano. Beethoven e Sabin. Mozart e Bill Gates. Chico Buarque, Michelangelo e Santos Dumont. Todas essas pessoas serão lembradas para sempre por suas contribuições geniais para a humanidade. E não é crível pensar que todos eles e os outros milhares de criadores de obras-primas tenham feito algum tipo de acordo com aquele-que-não-se-diz-o-nome.

Não sou do tipo de beatlemaniaco que vive escarafunchando detalhes técnicos das musicas, ou detalhes da biografia dos Fab4. Já tive a coleção completa dos vinis desses moços, mas que aos poucos se desfez por circunstancias diversas. Depois quando surgiram os CDs tentei refazer a coleção mas também sem sucesso. Hoje tenho toda essa coleção em MP3 mesmo, a remasterizada. Fora isso tenho dois livros: o Anthology que foi livro antes de virar um box de seis dvds, e um livro com a ficha técnica de todos os álbuns beatle lançados no Brasil e no mundo. Esse livro eu consulto vez ou outra para me ajudar a publicar musicas aqui no Saúva. E tenho três camisetas devidamente ornadas com as capas de: O Reis do Iê-Iê-Iê, Rubber Soul e Sargeant Peppers. Aviso importante: não os divinizo. E dessa mesma forma também não poderia demonizá-los.

Essa é toda a minha identificação externa de beatlameniaco. O resto eu tenho no meu coração. Toda a minha identidade com essa - para mim - incrível banda, está em meu coração.

Pois a minha teoria para explicar tudo isso é o amor, muito longe, portanto, daquele-que-não-se-diz-o-nome. Vejo-os, todos os quatro, como grandes amigos, amigos verdadeiros que se amaram muito e que, durante um tempo em suas vidas, conseguiram expressar essa amizade através da música. Pois para fazer música do jeito que eles fizeram precisa ter muito amor. Divergências, ciumeiras, egos, mercantilismo e grana, tudo isso faz parte da convivência e não servem para mim, de modo algum, como elementos para explicar o fim da banda. Acabou por que acabou. E para mim acabou apenas a pessoa jurídica chamada The Beatles. Dentro de mim continua existindo a pessoa amorosa, poética, inspiradora de tantos sonhos e que de uma porção de jeitos serve para me fazer levar a vida. Digo que até agora atravessei algo em torno de 80% de minha vida embalado pela musica desses moços que, digam o que quiserem dizer, despertam em mim todas as vezes que eu as ouço emoções idênticas as que sinto quando algo toca minha alma. É isso: quando ouço suas músicas não “perco meu tempo” a pensar em quem toca a base, ou a guitarra, ou o piano, ou de quem é o vocal. Eu as ouço apenas. E deixo-as penetrarem em minha alma.

Fiquem em paz,

Jonas

" Jude, pegue uma canção ruim e faça-a melhor"