terça-feira, 17 de setembro de 2013

Crise existencial de um "vejista": ser ou não ser ético.

Li, por mera indicação de pessoa conhecida e não porque eu vá cometer a imprudência de navegar pelo sitio da Veja, um artigo de Gustavo Ioschpe - e não dou o link por que a Veja jamais deve esperar de mim que eu vá conduzir alguém a ler qualquer coisa dela - e no tal do artigo o autor coloca-se diante do dilema se deve ou não educar seus filhos com os mesmo valores éticos e morais recebido de seus pais e, é claro, como não poderia deixar de acontecer com as produções da dita revista, o sr Gustavo aproveita para descer o pau no Brasil, dando a entender que apenas no nosso país existe crise moral e ética, se é que isso existe mesmo.

Lamentável.

Mas deixando de lado esse complexo de vira latas que atinge grande parte de nossos patrícios resta tentar uma reflexão um  tanto menos pessimista sobre o futuro de nossa sociedade pela constatação de mudanças profundas nos usos e costumes das famílias do mundo inteiro, se eu não me engano.

Sr Gustavo faz referencia ao rigor com que foi educado por seu pai e quando fala sobre ele diz assim:  "Meu pai era um obcecado por retidão, palavra, ética, pontualidade, honestidade, código de conduta, escala de valores, menschkeit (firmeza de caráter, decência fundamental, em iídiche) e outros termos que eram repetitiva e exaustivamente martelados na minha cabeça"

A maioria dos pais mundo afora são assim exceto pela palavra "obcecado". Isso dá um certo tom  de intransigência , de intolerância, de incapacidade de diálogo. Meu pai também foi um homem severo na exigência de determinados comportamentos dos filhos, mas eu não o chamaria de obcecado. Diria muito mais que os valores que meu pai praticava em seu tempo tornaram-se em parte impraticáveis nos dias de hoje.

E por que?  Não dá pra responder. O mundo muda desde o dia em que foi chamado de mundo. Quando o sr Gustavo faz um discurso recheado de moral e bons costumes ele certamente se esquece que essa é a moral DELE do tempo DELE.  Em tempos idos e em tempos que virão moral, usos e costumes mudaram e continuarão mudando. E não dá pra ir buscar no tempo e na História os momentos que as coisas mudaram uma vez que a dinâmica, a roda viva que dizia Chico Buarque, passa de modo imperceptível e carrega com ela tudo que queremos e fazemos.

Sr Gustavo de modo bastante sutil quer atribuir a tal crise ética ao nosso Brasil contemporâneo   exclusivamente a indivíduos como se esses fossem completamente autônomos no agir e no pensar diante de uma sociedade tão midiática como a que vivemos hoje.

A mim me parece que para além de modelos econômicos, avanços tecnológicos, hábitos de consumo, praticas educacionais que são por si só mais que suficientes para mudar uma sociedade e com essas mudanças novos entendimentos sobre ética e moralidade, vivemos também sob um ditadura noticiosa e informativa que atende interesses exclusivamente de uma pequena classe e que não mede esforços para virar tudo de perna para o ar se for preciso para atingir seus objetivos. Exemplo claro disso e que todo mundo concorda são as telenovelas. Se o pai de sr Gustavo fosse o pai de algum dos personagens que aparecem na sala de nossas casa todas as noites, via televisão, certamente já teria cometido suicídio.

No meu entender a industria do entretenimento em todas as suas dimensões contribuiu e contribui ainda para mudar de maneira radical hábitos e costumes também em todas as dimensões.

E na rabeira deste modo de ver o mundo sob a ótica exclusiva dos criadores das ditas telenovelas, também os analistas, articulistas, editorialistas e seus congêneres da grande mídia quiseram aproveitar para montar um mundo ideal para seus patrões. E não há dia que não se leia calunia, difamação, ameaças, mentiras deslavadas, erros grosseiros de quem tem pressa em causar confusão, pois é no meio da confusão e da ignorância que reinam os mal intencionados.

Não estou fazendo critica pela critica, quero apenas exercer meu direito de dizer ao sr Gustavo mesmo que ele nunca vá tomar conhecimento disto que a própria revista em que ele escreve é useira e vezeira em colaborar para a deterioção não só de valores eticos e morais mas, o que é muito pior, todos os dias faz questão de esculhambar com a Republica e seus poderes sempre que estes não estejam de acordo com os objetivos antes de tudo demagógicos e/ou financeiros da dita cuja. 

Esta revista abriga hoje dois, e já abrigou um terceiro em tempo recente, dos piores articulistas em termos de ética, educação e respeito com quem quer que seja. Recuso-me a dizer os nomes destes pseudos jornalistas mas quem está minimamente informado a respeito da parte suja do jogo político no Brasil sabe que este dois são os representantes do que há de pior em termos de convivência  civilizada.

Sr Gustavo esta muito mal acompanhado. Uma boa providencia que ele pode tomar para obter resposta para essa sua crise existencial é se recusar a escrever na tal revista. Seu obcecado pai ficaria orgulhoso dele com toda certeza. Mas ele deve estar confortável por lá. E se for assim nada do que ele disse é sincero. Como tudo o mais que vem daquela revista.



terça-feira, 10 de setembro de 2013

Promessa cumprida



Em julho publiquei a foto das flores da pitangueira no Facebook e afirmei categorico: em setembro elas serão pitangas!

E agora estamos em setembro e aí está a pitanga. Com toda a naturalidade, em sua silenciosa simplicidade a pitangueira cumpre mais um dos ciclos que se espera dela. E o faz no tempo certo.

Em toda a Terra a Criação atende seus ciclos. Frutificam as pitangueiras, as galinhas botam ovos, os ursos polares nascem com casacos que lhes garante suportar o frio, vulcões vez ou outra acordam e estremecem a Terra, as baleias sobem e descem pelos oceanos. Os dias substituem as noites, as estações se sucedem, chove, faz sol, venta, a Lua cresce e diminui ao longo do mês movimentando as marés e assim a vida acontece, quase sem sobressaltos, tudo em seu tempo certo e de acordo com a Natureza, na maioria das vezes de modo totalmente harmônico como se todos os elementos e seres da Criação reconhecessem sua interdependência.

Exceto a parte humana da Criação. Esta parte insiste em não esperar que nela aconteça o que tem que acontecer em especial a parte harmônica com seus semelhantes e com o restante da Natureza. E nega desde o seu próprio corpo e a complexa vida que pulsa nele até sua participação na aventura de todos sobre  Terra, o Homem insiste em dizer que quem manda é ele próprio, como se fosse possível um Homem existir apenas por suas vontades, com a clara intenção de bastar-se a si mesmo.

E quando se vê incapaz de cuidar de sua própria vida e que as coisas não funcionam apenas por sua vontade, quando percebe que nem tudo o que planejou aconteceu e que, ao contrário, o que não estava previsto acabou acontecendo o Homem apela para o Divino, se ajoelhando, fazendo ofertas e muitas vezes propondo suborno.

Eu garanto que não vi a pitangueira aqui de casa fazendo promessas, propostas e oferendas pra que suas flores virassem pitangas. Viraram e pronto.

Mas o Homem quando está a frente do que não é capaz de transformar sozinho apela e ajoelha e reza e esperando que no minuto seguinte tudo se transforme e que o "milagre de sua vida" aconteça. Sem se dar conta de que o milagre já aconteceu e que dentro dele mesmo já está colocado o poder transformador que tanto deseja e que a única regra para esse poder funcionar é a simplicidade, a paciência, a tolerância e o respeito pela Criação. 

Espera-se milagres retumbantes, ruidosos, visíveis, palpáveis e transformadores do aqui e agora.

O maior de todos os milagres, se é que existem milagres grandes ou pequenos, já aconteceu desde sempre: é a Vida que pulsa em todo o Universo, com a Mãe Terra dentro dele, e nós sob os cuidados da Mãe Terra.

Se os nosso olhos virem e se nossos corações compreenderem esse milagre, o milagre da Vida, só ele  basta. Não tem cabimento esperar outro milagre ou exigir que as regras mudem para nosso prazer pessoal. Resta-nos apenas admirarmos e reverenciarmos tudo que está a nossa volta. E nesta admiração e reverencia deixar tudo florescer e virar frutos. De onde vai nascer a generosidade, a partilha e o desejo de viver em harmonia.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Contra o que estamos protestando?

Desconfio que vai levar ainda algum tempo até que especialistas em comportamento humano possam decifrar as razões das manifestações chamadas até agora de "dos estudantes" ou " da juventude", havidas no mês de junho no Brasil.

Quanto a mim que não tenho compromissos com carreira, diplomas ou currículo profissional fico a vontade para dar uns pitacos sobre o que pode ser esse tal de "grito da rua" que é o outro nome dado ao dito movimento pois mesmo que eu erre, e isso é quase certo, não serei responsabilizado e nem cobrado por dizer verdades que não correspondam aos fatos.

Começando desde o tempo em que o Homem dava seus primeiros passo na Terra sabe-se que já naquela época os seres humanos sentiam a necessidade de agruparem-se, agindo desde aquele tempo um tanto de acordo com o ditado que surgiria muito mais tarde que nos ensina que nenhum homem é uma ilha. Nossos distantes antepassados passaram a viver agrupados naquilo que chamavam de tribos. Que evoluiu para vila - acho eu - depois cidades, reinos e outros agrupamentos que eu não me atrevo a citar sem ferir a cronologia da Historia. E como há uma distancia enorme entre aqueles tempos e esse nosso, melhor eu pular logo os milênios que nos separam daqueles ancestrais e olhar para os tempos mais recentes, sobre os quais é mais fácil falar e compreender.

Então estávamos nós, os humanos, já divididos em vilas, cidades, estados, países, continentes e esta divisão dava-se de maneira natural e sem qualquer interferência, ou seja, pertencíamos ao grupo de onde nascêssemos, geograficamente digo eu. Mas dada a tendência humana de enfadar-se com tudo, deve ter havido um momento que nossos antepassados resolveram que as divisões de grupos humanos poderiam ser muitas mais, embora eu ache que já nesse tempo viviam-se  as divisões por classes econômicas e religiosas.

Mesmo sem ter ciência disso, os tataravós de nossos tataravós seguiam a risca mais um ditado, além daquele já citado que diz que  nenhum homem é uma ilha, um outro que diz que a união faz a força. E passaram a dizer entre si que seria muito bom que as pessoas com qualquer tipo de interesse se reunissem com as outras com o mesmo interesse a fim de apoiarem-se uns nos outros na busca de, em primeiro lugar, entenderem por que se interessavam por aquilo, e em segundo diferenciar-se das demais pessoas que não se interessavam pelo que lhes interessava. Estava-se construindo uma bobagem muito maior do que pode parecer, a primeira vista, esta minha narrativa na busca de entender o que aconteceu em junho nas ruas do Brasil. 

E olhando tudo aqui do alto deste ano de dois mil e treze do século vinte e um, como se atrás de nós tudo pudesse ser visto com um gráfico, ou uma linha do tempo para estar mais de acordo com esses tempos de redes sociais, devem casar-se perfeitamente o momento em que surgiram os profissionais padeiros e sua associação, depois os ferreiros e seu sindicato, muito mais tarde surgiriam os engenheiros com seus conselhos, os políticos e seus partidos, os mutuários do BNH e suas entidades, os praticantes de surf e suas federações, enfim tudo em que houver a possibilidade de  reunirem-se dois ou mais indivíduos com os mesmos interesses aí existirá também um representação destes mesmo interesses.Tudo sempre subentendido pelos participantes dessas agremiações que a união faz a força. União aqui entenda-se a reunião das pessoas com os mesmos interesses, e  fazer a força pode querer dizer defender estes interesses, não se sabe bem contra quem ou contra o que.

E deu-se que nós homens nos vimos de repente tão fatiados e representados em qualquer coisa que façamos - profissão, religião, lazer, sociedade, família, negócios - que ao mesmo tempo que nos agregamos e por mais paradoxal que possa parecer nos sentimos também separados de outros grupos que, por razões diversas, não fazemos parte.

E junto a essa tal defesa de interesses contra quem ou contra o que não se sabe o homem meteu-se numa enrascada pois claro está que ao defender ferrenhamente seus interesses  impediu não só a si mas a todos os outros, o experimento de novas possibilidades para as mesmas coisas.

Parece que chegamos ao ponto em que os fabricantes de tampinhas de garrafa não podem evoluir no modo de fazer, apresentar e fechar as garrafas, sem ouvir protestos e tentativas de impedimentos da associação dos fabricantes de abridores de garrafas, que julgam os fabricantes das tampinhas um cartel que age em interesse próprio sem olhar para o restante da sociedade, em especial seus associados fabricantes de abridores de garrafas, que certamente acumularão astronômicos prejuízos se forem lançadas as novas tampinhas de garrafas.

Estamos muito próximos de cada vez que tentarmos dar um passo adiante, mesmo que isso seja em beneficio da maioria das pessoas, uma minoria desde que reunida sob uma entidade com mais força que a simples união faz, impedirá o tal passo evolutivo.

Desculpem-me meus caros e raros leitores se demorei mais que o normal para chegar ao ponto do que quero lhes dizer, mas em resumo é isso: acho que nos representamos demais, nos fatiamos demais, nos unimos demais, nos defendemos demais.

Talvez seja esse o sentimento de quem foi para a rua no mês de junho: juntar-se apenas, sem necessidade de uma organização que lhes represente, sem assembleias, sem coletas de votos, sem maiorias ou minorias, apenas uma porção de seres humanos buscando falar sobre seus interesses, pois tanto nos juntamos em grupos, tantas camisetas vestimos, tantas carteirinhas e crachás portamos que ao mesmo tempo que nos dão direitos, nos massificam e nos retiram a personalidade, e nos esquecemos que somos indivíduos.

Não podemos mais viver sob os interesses de milhares de pequenos grupos cujos conflitos impedem que a coletividade como um todo usufrua daquilo que lhe é de direito, ou seja, mais igualdade, mais solidariedade, mais fraternidade. Não precisamos de milhares de associações e representações. Precisamos lembrar que podemos ser apenas uma única Irmandade de Homens.

You may say i´m a dreamer, but i´m not the only one... ( John Lennon)



sábado, 20 de julho de 2013

Ainda sobre a vinda de médicos estrangeiros

Passadas a primeiras e acaloradas justificativas daqueles que são contrários ou a favor da vinda de médicos estrangeiros para o Brasil, resta torcermos para que os debates daqui para a frente sejam menos apaixonados e um tanto mais ponderados sobre do que realmente se está falando, ou seja, da saúde de milhões de brasileiros, naquilo que pode ser a diferença entre a vida e a morte, a saber, atendimento médico minimamente decente.

Faço um esforço para não tornar preponderante nessas minhas intromissões a sensação que tenho de que na verdade tudo tem um forte viés ideológico e um outro, nem tanto, interesse corporativista.

Primeiro é bom que se diga que o muito conhecido, para muitos famigerado, SUS foi criado pela Constituição de 1988 em seu artigo 196, sessão Da Saúde, sustentado por cinco princípios básicos: universalidade - a saúde é um direito de todos e portanto dever do Estado; integralidade - atendimento integral ou ainda desde a simples prevenção de doenças até os procedimentos médicos mais complexos; equidade - todos são iguais perante a lei e perante os benefícios do Estado e não precisa dizer mais nada; descentralização - o que quer dizer que a administração do sistema é de obrigação e responsabilidade das três esferas de poder executivo: União, Estados e Municípios; participação social - implica em que deve haver participação de toda a população na gestão do sistema.

Para mim qualquer debate que queira excluir um ou outro desses princípios nem merece atenção.

Isto posto, combinemos que condenar o SUS por si mesmo é uma baita bobagem dado que o modelo é baseado no que pode haver de melhor em segurança da saúde para todos os brasileiros inclusive para os críticos do Sistema.

Se temos carências no Sistema elas são devidas em boa parte ao conjunto daqueles responsáveis pela administração do mesmo, mas não devemos nos esquecer também da parcela de culpa que cabe aqueles que o operam no dia a dia do atendimento ao publico e aqui incluem-se, é claro, os médicos.

Anote-se que enquanto redijo estas intrometidas  linhas circula por ai uma noticia ainda não totalmente confirmada de que há uma tentativa de boicote ao programa Mais Médicos, boicote este perpetrado por órgãos representativos dos profissionais médicos. Tal boicote ou sabotagem consiste em fazer com que médicos inscrevam-se no programa e em seguida cancelem suas inscrições o que denota dois objetivos desonestos: o primeiro implanta descrédito ao programa por parte da população uma vez que os ex inscritos  alegam falta de benefícios previstos na  CLT nas contratações, e os segundo objetivo muito mais nefasto é atrasar os procedimentos do sistema com esse entra e sai de inscritos.

Feita esta anotação retorno ao assunto e declaro minha estranheza de que em todos os debates e argumentos que ouvi, de todas as partes envolvidas, não ouvi em nenhum deles argumentos do tipo salvar vidas, preservar a saúde de seres humanos, atender pessoas carentes, elevar a auto-estima de pessoas debilitadas, etc e etc.

O assunto gira sempre em torno de planilhas e de benefícios, de tecnologia, de  instalações modernas, de equivalência nas formação dos doutores estrangeiros com os brasileiros.

A respeito desse ultimo item vale a pena perguntar: mas será que os cidadãos naturais sejam lá de que pais forem, não tem um atendimento médico competente nos hospitais, ambulatórios e consultórios de seus países? Será que os médicos brasileiros são o creme de la creme na douta ciência de curar pessoas? Os males que atacam cubanos, franceses, sul-africanos, portugueses são menos complexos dos males de todos nós brasileiros? Por lá padecem apenas de resfriados, prisão de ventre ou diarreia e nós aqui padecemos de doenças que ainda sequer descobriu-se nem a causa e nem a cura? Ora, ora

Voltemos ao centro dos debates. Existe um repetitivo argumento de que nos distantes rincões brasileiros não existe infraestrutura nem de instalações e nem de tecnologia para auxiliar nossos profissionais de medicina em seus diagnosticos sendo esse um fator preponderante para afasta-los de laborar nessas terras. Primeiro há que se saber se querem, as organizações de médicos, que seja construido um Sírio Libanês em cada esquina brasileira. Se assim for percamos desde já todas as esperanças. Para além disso precisamos saber com certeza se são mesmo necessários e indispensáveis uma lista com incontáveis itens de exames laboratoriais, supostamente úteis para a investigação sobre o mal que atinge o paciente, e que vão desde exames de fezes, sangue e urina até raios X e eletros disso e daquilo, invasões nas intimidades das senhoras e dos senhores para tudo terminar na prescrição de uma aspirina ou de um tranquilizante. É virose ou stress dizem invariavelmente os médicos deitando um olhar sisudo à folha dos resultados dos exames. Tome aqui este remédio durante uma semana, se não melhorar volte daqui três meses. Obrigado doutor.

Sinto um cheiro de pressão de laboratórios de análises clinicas e de outros exames  habitualmente efetuados em nossas intimidades. São procedimentos caros como se sabe. Sabe-se lá quanto custa um reagente ao coco do senhor que sente dores no ventre. O que se dirá do custo daquela cultura das secreções das partes pudicas da gentil senhora que tem sentido uns incômodos ao urinar. Pois então. Nada disso se usa na chamada medicina preventiva. Bons hábitos de higiene, de alimentação e do cotidiano de todos nós servem para prevenir tantos males para os quais, tardiamente,  se convocam batalhões de técnicos laboratoriais para escarafuncharem nossas secreções em busca de deus sabe lá o que, e que esse que quase nunca é encontrado. Restando ao médico o prosaico e simplorio ato de receitar uma medicamento de combate ao mal anteriormente detectado pelos batalhões de técnicos e seus reagentes às nossas secreções.

Por ultimo mas não menos importante, e seguindo ainda a linha de raciocínio de que os debates tem passado ao largo de cuidar de vidas humanas, não me parece factível que as organizações representativas dos médicos queiram decidir por estes onde devem trabalhar ou não e por quanto. Pois havemos de concordar que os caminhos a serem trilhados na profissão escolhida, os projetos de vida de cada um sejam econômicos ou de aspirações mais nobres, são questão de foro intimo e que cabe a cada um , na intimidade com seus botões e ressalte-se que cada um conhece melhor que ninguém os seus próprios botões, perguntar e encaminhar sua vida do modo que lhe parece mais conveniente. O que vemos aqui, nas organizações representativas dos profissionais de medicina, é uma descarada intrusão, uma ofensa mesmo, às competências que cada um deve possuir para resolver sua vida por si mesmo. Ou então se os médicos  estão a entregar a outros a decisão de sonharem seus sonhos, urge que Deus nos livre de entregar a estes profissionais as questões que dizem respeito à nossa saúde e nossas vidas.

Repito, por ser importante, que o debate deve se dar em torno dos cinco princípios básicos citados lá em cima e sem os quais a saúde de nós todos brasileiros corre serio risco de definhar até a morte e, a depender de nossos recursos financeiros, cabendo aos mais ricos prolongarem suas vidas um tanto a mais, mesmo que lá adiante vão encontrar a morte que todos encontram e não há medico que disso os livre, e aos pobres em vê-las, as suas vidas, interrompidas muito precocemente.










terça-feira, 21 de maio de 2013

Deu no Facebook

 Lá no Facebook, na TL de Dawis Alves, um  moço de nome Jansen Lassalvia, fez um contraponto a respeito de minhas observações sobre o que pensam, o Dawis e seus colegas, a respeito do Bolsa Familia. Abaixo estão minhas respostas em vermelho.

Mesmo depois do texto bem colocado do colega acima, continuo a denominar "BOLSA ESMOLA" sim, porque esmola se da sem nada em troca e esse tipo de ajuda governamental, resolve o problema momentaneamente aumentando o encargo em cima de quem paga os impostos, ou seja, nos contribuintes.

Mais adiante o autor do texto em questão vai dizer que o beneficiário do Bolsa Família  ( e vamos dizer o nome certo das coisas ) compra cachaça e salame com a grana. Preconceitos a parte lembremos que mesmo a cachaça e o salame pagam impostos e pagam o lucro do dono da venda que dá empregos e faz a economia girar. A economia de um pais é uma enorme engrenagem girada por todos não apenas por uma determinada classe. Há que se considerar contudo que os muito ricos pagam menos impostos dado as facilidades legais. Mas isso não é problema do Bolsa Família ( mais uma vez digamos o nome certo das coisas a fim de não criar animosidades desnecessárias)
 
Esse dinheiro deveria ser investido nas escolas públicas de verdadeira qualidade e em período integral, preparando nossas crianças para o ingresso no mercado de trabalho.

  
É um equivoco dizer que se uma grana não é gasta em um lado seria gasta em outro.  Isso é uma questão de gerenciamento e não da existência de um programa social. Nosso querido Brasil sofre do mal de falta de gerenciamento desde que os portugueses cá chegaram. Investimentos errados, ou a falta deles, são um mal que precisa sim ser debatido mas não com a simplicidade de "descobrir um santo pra cobrir outro". Fosse assim bastava pleitearmos por exemplo o fim de todas a benesses muitas vezes desnecessárias concedidas ao alto escalão do funcionalismo publico e já teríamos uma grana legal para investir em outras coisas. 

 Trabalhei anos em vários municípios do interior, e o que vi?
Muita briga entre casais separados para ver com quem iria ficar o cartão bolsa família e não com quem iria ficar com as crianças!


Casais brigam por todas as razões possíveis e imagináveis, senão fosse pelo Bolsa Familia ( esse é o nome certo do programa ) seria por qualquer coisa. Isso é da natureza dos envolvidos e não de um programa social.

 Esse dinheiro em muitas vezes é usado na aquisição de cachaça e salame para tira-gosto e não em comida e roupas para a família.

Sobre isso eu já falei la em cima. Mas não custa repetir cachaça e roupas movimentam a economia da mesma maneira. Mais uma vez a escolha pela cachaça em lugar de comida é uma questão pessoal que permeia a sociedade humana desde que inventaram as muitas opções de consumo.
 
O problema nesse caso encontra-se na péssima educação pública que impede os mais desvalidos de galgar qualquer oportunidade mais digna de crescer. Não me digam que o desemprego é grande, pois as oportunidades existem, claro que não existem empregos pra todos, mas existem, o que falta e muito é mão de obra qualificada.


Não vou dizer que o desemprego é grande não. Longe disso. O desemprego hoje é o menor da historia brasileira. Graças ao odiado governo Lula. De resto não é só educação. É moradia, segurança. saúde, alimentação, mobilidade urbana, saneamento básico, falta de políticas agrícolas, planejamento urbano, criminalidade, trafico de drogas, religiões em geral.  E tudo isso desemboca em miséria  que acaba impedindo que os cidadãos atravessem suas vidas sem sobressaltos e sem apertos. Viu que listinha pequena eu fiz?

 
Quem vive ou trabalha no interior sente o reflexo desse beneficio, pois notasse a dificuldade de encontrar alguém que queira pegar no cabo de uma enxada para trabalhar na roça, ou na construção civil. 


A questão do cabo de enxada vem do agronegócio. Talvez o autor do texto nem existisse no período pré ditadura  militar. O agronegócio - financiado pelas multinacionais como Monsanto ou Bayer por exemplo, expulsou o pequeno agricultor de sua terra empurrando-o para as vilas e cidades do entorno transformando-o em boia fria, com condições de trabalho similares às da escravidão e deu no que deu. Mais uma vez nada a ver com o Bolsa Família - esse é o nome certo do programa.
 
Com a desculpa de ajuda humanitária sem uma contra partida estamos criando um exercito de preguiçosos e analfabetos que tem como solução dos seus problemas fazer mais filhos para não perder o benéfico.


De novo o autor do texto - isso já está ficando cansativo - mistura comportamento humano com o recebimento de benefícios sociais. Então eu vou desenhar pra ver se fica mais fácil de entender. Suponhamos que em uma determinada cidade de um pais qualquer o governo neo liberal e muito chegado ao "salve-se quem puder do deus-mercado" resolva acabar com a segurança publica. Da noite para o dia não tem mais policia e nem o aparato de repressão ao crime. E quem quiser segurança que pague uma privada. Será válido imaginarmos que aquela tal cidade se transformaria em um antro de criminosos com toda a população saqueando, roubando e matando impunemente? É plausível imaginarmos que a segurança publica existe para reprimir os instintos criminosos de todos os cidadãos? Não, não é. Concluímos pois que a existência ou não de serviços e benefícios como o Bolsa Familia - que também pode ser chamado de maior programa de transferência de renda do mundo - não transforma as pessoas no que elas não são. O caráter, a índole, comportamentos e outras coisas são opções do indivíduo. Tem muito nego rico pra caramba por ai que é mais chegado em fazer uma desgraça com a sociedade do que um pobre beneficiário do Bolsa Família.

 
Ninguém venha com a conversa de politicas humanitárias, esse tipo de politica se emprega em países em estado de guerra civil, não em um país como o nosso cheio de oportunidades para quem tem preparo, então vamos investir na educação.


Conhece o Bill Gates? Não? Deixa eu te apresentar. Bill Gates é o cara que dois terços da população do mundo ajuda a enriquecer. Pois bem. Esse senhor do alto de sua montanha de dinheiro resolveu trabalhar mundo fora doando parte de sua grana para acabar com a fome e a miséria no mundo. E não é só isso. A Fundação Bill & Melinda Gates investe pesado também em auxilio a pesquisas em varias áreas do conhecimento humano.   Dai alguém vai dizer ah! mas a grana é dele! Sim é verdade. Mas por que todos nós não podemos fazer um milésimo por cento do que ele faz, mesmo que indiretamente, concordando com que o Estado pegue uma parcela do que pagamos de impostos para beneficiar os outros? Isso é humanitarismo. Se persistir alguma duvida sobre os gestos de Bill Gates da uma olhadinha na pagina dele. É em inglês.

Posso citar também a FAO - caso não saiba é um orgão da ONU - cuja missão também é acabar com a fome no mundo.

Você quer mais informações sobre a fome no mundo? Leia aqui. E vamos combinar: humanitarismo não tem nada a ver com juntar um monte de caixas de leite quando algum pais no mundo sofre um terremoto ou tem uma guerra civil. Isso, quase sempre, é coisa de burguês.

Eu ia parar por aqui, mas resolvi dar mais uma contribuição. Leia aqui os números sobre a fome no mundo. E é sempre bom lembrar que o Brasil esta inserido no mundo. Tem pessoas com fome aqui também,

Reduzir tudo à "bolsa esmola dada pra vagabundos" não é coisa de ser humano dizer. 

 
Quer ganhar o bolsa família?
Então vamos entrar em um curso profissionalizante do governo para ser inserido no mercado de trabalho!
Quero ver quem entrar!!!!


Não sei por que mas fiquei com a impressão de que há uma grave falta de conhecimento dos parâmetros para recebimento do Bolsa Família. Um deles é que os filhos menores sejam matriculados em escola. Ou seja , salvo os casos que a burocracia e corrupção nos grotões do Brasil impeçam, não há como receber o beneficio sem cuidar dos filhos. Isso é fato.
 
De conhecimento de causa eu lhes digo: o povo mais trabalhador, mais sofrido e MENOS privilegiado com politicas públicas é o sertanejo. Porque será?


Mais uma vez fiquei com a impressão de desinformação sobre o Bolsa Familia. Se for observado com atenção onde ocorreram as criminosas informações falsas sobre a suspensão do beneficio e o consequente pânico na população foi justamente nos estados do Norte e Nordeste onde esta a maior quantidade de beneficiados do programa. Sendo assim essa afirmação tem um viés preconceituoso. 

Falar em políticas humanitárias com fundamentos de quem vive na frente de uma TV vendo a globo é fácil, quero ver vivendo a realidade da miséria humana.

Voce não tem a obrigação de me conhecer. Do mesmo jeito não tem o direito de tirar conclusões apressadas sobre mim. Sou inimigo numero um da Rede Globo. Na televisão assisto as vezes algum futebol, filmes ou um desses programas de entrevistas ou fora da linha de BBBs e Faustões.  Mas isso bem as vezes e nunca, NUNCA, a Globo. Para além disso você não conhece meu histórico de vida e não sabe o que eu sei ou deixo de saber a respeito de miséria humana.

PS: Caso o senhor Lassalvia queira se dar ao trabalho de saber um tantinho a mais a respeito do que é o Bolsa Familia o site está aqui.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Yoani: madre Teresa ou cliente da Daslu?

Insisto em dizer que é incompreensivel, ao menos para mim, as razões de sr Nelson Motta ter largado as coisas da musica, teatro e artes em geral para se meter em politica. Ele é bem fraquinho nisso. Mas deve ser coisa de seus patrões. E ele é claro tem que obedecer. Mas seus argumentos não duram cinco minutos.

Vamos lá. 

O sr Nelson Motta saiu em defesa da moça Yoani, a suposta blogueira cubana, e os argumentos dele são tão mal embasados que basta responde-lo com o que se lê na WEB. Se ele desse uma googada rapidinha não correria o risco de jogar fora o respeito conquistado junto ao publico em geral, como pessoa bem informada a respeito de umas tantas coisas do mundo das artes.

Eis o artigo de sr Motta publicado no 247 e minhas considerações a respeito de suas descondierações com o publico em geral.

Novela cubana
Se os eficientíssimos serviços de repressão cubanos, que há anos espionam Yoani Sánchez dia e noite, tivessem descoberto a menor prova de suborno, a "agente milionária da CIA" já estaria presa. É sintomático que, para eles, alguém só discorde do governo se levar dinheiro. Freud diria que estão falando deles mesmos.

Bem sr Motta conheço um outro país em que um certo partido de oposição ajudado por uma certa imprensa engajada partidariamente diz a mesma coisa de blogues em geral. Talvez Freud possa dizer a todos nós por que, aqui no Brasil,  aqueles que militam a favor do governo federal são chamados de "chapa-branca" pelo senhor e seus colegas.

Antigamente eles queriam ser mais realistas que o rei, hoje tentam ser mais tirânicos que os tiranos, como mostraram os protestos contra Yoani em Recife, Salvador e Feira de Santana, não só com gritos e faixas, mas esfregando dólares falsos no seu rosto e puxando os seus cabelos.

A imprensa da qual o senhor faz parte cansou de inventar ( e fracassou) marchas de protestos: "Cansei". "Indignados contra tudo que esta ai". "Contra Corrupção". O que o senhor tem a dizer sobre elas?

Mas Yoani até gostou dos protestos, como um sopro de democracia para quem vive numa ditadura sufocante, e se divertiu ouvindo velhas palavras de ordem "que nem em Cuba se ouvem mais". O resultado foi uma repercussão muito maior — maciçamente a favor da blogueira — do que teria a sua viagem ao Brasil.

Uau! E o senhor sabe quais são as palavras de ordem que nem em Cuba se ouve mais? Hum.. tá atualizadinho hein? Mas essa "repercussão muito maior" começou pelas ilações infundadas e bem ao estilo " Mãe Dinah" da sua revistinha de cabeceira - aquela editada à beira do esgoto paulistano, o Rio Tietê - que na semana passada chamou a atenção para a passagem dessa moça pelo Brasil, chamando o seu, o meu, o nosso PAÍS de satélite cubano. ( tem coisa mais fora de moda pra se dizer?) Não fosse por isso  ninguém saberia da visita dessa triste figura ao NOSSO Brasil. Vamos combinar: isso tava combinado né?

No sertão baiano, uma milícia de talibãs tropicais impediu a exibição do filme "Conexão Cuba-Honduras", porque não queriam discutir nada, mas calar o opositor no grito. Quando conseguiu falar, Yoani disse que vive numa sociedade "onde opinião é traição" e eles vaiaram.

Tá errado. A exibição do filme não aconteceu por que sua "idola" chegou atrasada ao evento - talvez seja por que o relógio suiço da moça não estivesse ajustado com nosso horário - e os organizadores aproveitaram a deixa pra não exibir porcaria nenhuma.

Mas deveriam aplaudir, porque no Brasil que eles sonham também será assim. A maior fragilidade da democracia é poder ser usada livremente pelos que querem destruí-la, a começar pela liberdade de expressão.

O senhor desconhece liberdade de expressão senhor Motta. Tanto que alguns dias atrás o senhor classificou de coices e relinchos a expressões contrarias ao ex-poeta brasileiro Ferreira Gullar emitidas por um bocado de navegantes da WEB. O senhor esqueceu?  Não lembra que o senhor alegou algo parecido como o maior poeta vivo brasileiro merece todo o crédito em suas palavras apenas por esse fato em sí mesmo? Haja maniqueismo hein?

Yoani escreve, descreve e analisa muito bem o cotidiano de Cuba, mas suas críticas não são violentas, debochadas ou incendiárias. Muitas vezes são crônicas sobre as dificuldades para comprar um ovo, o elevador quebrado há oito anos, a escassez de quase tudo, os roubos e malandragens sistêmicos, a internet lenta e censurada, os privilégios da elite.

Então tá senhor Motta. Pelo que se sabe essa moça Yoani  tem acesso a uma baita internet, coisa para poucos até mesmo no lado de fora das fronteiras cubanas. E não é só isso. Ela usufrui inclusive de Pay Pall coisa proibida para seus demais concidadãos. Acrescente-se ainda que em um ano ( um ano apenas ) dona Yoani ganhou em premios internacionais - estranhamente todos ligados a grandes orgão privados de comunicação - o equivalente a mais de 20 anos de salário minimo de paises como a França!  Então essa coisa de comprar ovo e consertar elevadores para ela não é problema de jeito algum. Se ela quer que imaginemos que Cuba é o inferno sobre a terra deveria apresentar-se com um perfil proximo de Madre Teresa de Calcutá e não alguma coisa parecida como uma potencial cliente das Lojas Daslu.

Como quase todos num país ainda na idade do byte lascado, Yoani não tem conexão em casa. É obrigada a postar em hotéis a preços absurdos porque as poucas lan houses são só para estrangeiros e seu blog não pode ser acessado na ilha.
Uiii sr Motta. Nessa o sr pegou pesado. A sua "revolucionariazinha" tem seu bloguezinho "modesto" traduzido em mais de 18 idiomas uma façanha que a coloca como titular de um site mais badalado que os da ONU, do FMI e da União Europeia apenas pra citar alguns. Então nos dê licença sr Motta ela não paga preços absurdos em nada. Absurdo é o que ela ganha como serviçal do neo liberalismo, modelo para o qual o senhor trabalha de graça se comparado com ela. Hum desconfio que é por isso que o senhor está revoltado.

Agora Yoani quer usar o dinheiro dos seus prêmios culturais ganhos no exterior para fundar um jornal independente. Ley de Medios em Cuba já!

Ai jizuismariajosé! Quer dizer que o senhor sacou o espirito da Ley de Médios? Hum mas isso foi só uma ironia sua não foi?  Talvez devido a sua inexperiencia em cronicas politicas ( culpa de seu patrão que o põe a fazer coisas que o senhor não sabe ) o senhor acaba de jogar por terra uma provavel seriedade que poderia ser atribuida ao seu texto. Encerrando assim o senhor se declara um observador hipocrita dos grandes debates revelando seu pouco caso com a democracia.

Por fim recomendo a leitura dos artigos abaixo, escritos por gente verdadeiramente competente que não usa argumentos tão rasteiros e tolos para tratar de assunto tão importante como a liberdade de expressão.


Salim Lamrani: Um bate-papo com Yoani Sánchez

 Izaías Almada a Yoani: Interceda pela vida do soldado Bradley Manning

 As dúvidas sobre a blogueira cubana





sábado, 5 de janeiro de 2013

A turma da rua de cima contra a turma da rua debaixo


Nelson Motta é um cara que lidava apenas com assuntos relativos à música. E era bom assim. Vez ou outra eu assisti suas entrevistas com pessoas do mundo das artes musicais o que sempre serviu para acrescentar mais alguma coisa nos meus parcos conhecimentos sobre o dito assunto.

Mas eis que agora esse moço vira antropólogo político também. E nessa seara ele parece não ter começado muito bem, pois resolveu dar seus pitacos a respeito da reação de muita gente sobre uma crônica de Ferreira Gullar (postada aqui no Saúva ). E no meio desses pitacos Nelson Motta sugere que gente boa são apenas as pessoas que concordam com tudo que diga o sr Ferreira Gullar pelo singelo fato de que, segundo o sr Motta, "é o maior poeta vivo do Brasil". Exceto pelo equivocado e ditatorial mandamento do Vaticano sobre a infabilidade papal e que diz que tudo que vem do Papa não deve ser discutido, não conheço outra pessoa no mundo com a qual sejamos chamados a concordar irrestritamente.  

Mas segue o baile. Diz o sr Nelson Motta que a tal crônica foi " Reproduzida em um “site progressista”, com o habitual patrocínio estatal, a crônica foi escoiceada pela militância digital."

De duas uma ou o sr Motta não lê o que escreve ou finge desconhecer os avanços relativos às conquistas de liberdade de expressão com o advento da internet. Nunca antes na historia da humanidade houve momento em que os indivíduos tiveram tanta oportunidade de manifestar-se como este tempos que vivemos agora. Talvez o sr Motta recuse-se a sair daquele mundo midiático em que ele cresceu (biologicamente eu quero dizer) no qual todos os órgão de comunicação são pretensiosos formadores de opinião (seja lá o que isso quer dizer) e não dão a mínima chance para seus leitores ou o distinto publico em geral de contradizer o que divulgam.

Estou falando do velho e ultrapassado modelinho de enviar cartas para a redação que são lidas ou publicadas sob um olhar, digamos assim, criterioso para não dizer censor, ou seja, lêem-se e publicam-se apenas as cartinhas dos amáveis leitores mansos e cordatos com a linha editorial e que se rasgam em elogios aos autores das crônicas. Esse tempo passou. E ainda que consideremos que uma grande massa dos navegantes da web não estejam suficientemente familiarizados com essa liberdade, ou ainda que receiem manifestar com sinceridade menos acida seus pontos de vista, temos que reconhecer que a reação ampla e imediata a respeito de crônicas, artigos, noticias, comentários etc. entrou em um caminho sem volta. Graças a Deus.

Outro aspecto de quem esta apenas fazendo um exercício no estilo mimimi, ou coxinha como diria meu filho, é referir-se a um certo patrocínio estatal para os sítios progressistas estimulando-o dessa formas a fazerem critica contra tudo que venha da direitona demo-tucana-midiatica. Sr Motta é um ingênuo e eu só vou dizer as obviedades que digo a seguir porque eu, nessa minha condição de blogueiro impertinente porém espontâneo e gratuito,  senti-me ofendido por esse comentário infantil do neo-direitista-midiatico.

A primeira obviedade é que sei de um monte de blogs ditos progressistas, mas que eu prefiro sujos, que são escritos amadoristicamente - não por seu conteúdo, mas pela atividade em si mesma - boa parte deles contando com numero expressivo de leitores e que não recebem um só caramiguazinho de ninguém. Auto-remuneram-se com a satisfação pessoal de fazerem-se presentes e mostrarem-se ativos na discussão política do país.

A segunda obviedade é que não existe órgão de imprensa - lida, escutada ou enxergada - nesse país que não receba verbas chamadas oficiais, via publicidade governamental. A Rede Globo é campeã na arrecadação desse tipo de verba e se ela fosse o que o sr Nelson Motta sugere que sejam os blogs sujos - corrompidos pela grana oficial - o JN não seria a usina de manipulação demo-tucana que é. Muito menos a Rede Globo teria condição de pagar o salário mixuruca que deve receber o sr Motta, razão pela qual ele devia meter-se em algum tipo de reflexão sobre de onde vem a verba do gelo de seu uísque.

Resta olhar para o linguajar rastaquera e ofensivo com que ele se refere aos internautas comentaristas qualificando seus comentários como coices e relinchos. 

Bem, embora eu tenha muito respeito por todos os seres do mundo animal, quando se refere ao grupo dos quadrúpedes que cavalgam e carregam cargas eu fico com os que relincham não apenas por seu porte altivo mas por sua agilidade, inteligência e força. Já os que zurram, geralmente são mais medíocres e menos dados ao aprendizado.

De resto o sr Nelson Motta, devido ao conteúdo de seu artigo em defesa do caro colega demo-tucano, me lembrou os garotos da minha infância, aqueles mais surtados que, diante de qualquer divergência entre amigos tratavam tudo como se fosse uma briga de paus e pedras entre a turma da rua de cima e a turma da rua debaixo.


O artigo do sr Nelson Motta está aqui.





quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Ferreira Gullar é muito fácil.


Ferreira Gullar em artigo publicado no 247 mais uma vez discorre sobre sua incompreensão  a respeito da história politica do Brasil atual. E desta vez acrescenta um escancarado preconceito contra pobres. E o faz de um jeito tão ingenuo que rebate-lo é facil demais.

Em preto escreve ele e em vermelho escrevo eu.

-----------


Muitos de vocês, como eu também, hão de se perguntar por que, depois de tantos escândalos envolvendo os dois governos petistas, a popularidade de Dilma e Lula se mantém alta e o PT cresceu nas últimas eleições municipais. Seria muita pretensão dizer que sei a resposta a essa pergunta. Não sei, mas, porque me pergunto, tento respondê-la ou, pelo menos, examinar os diversos fatores que influem nela.

Mentirosa essa sua falsa modéstia dizendo que não tem pretensão de saber a resposta. Pretensão é o que não lhe falta. O que não quer dizer que você SABE a verdade. 

Assim, a primeira coisa a fazer é levar em conta as particularidades do eleitorado do país e o momento histórico em que vivemos. Sem pretender aprofundar-me na matéria, diria que um dos traços marcantes do nosso eleitorado é ser constituído, em grande parte, por pessoas de poucas posses e trabalhadores de baixos salários, sem falar nos que passam fome.

Sem querer descer aos SEUS detalhes você é mesmo um baita preconceituoso, tentando fazer um paralelo entre pobreza e a  incapacidade de compreender política e História. Dá pra mudar um pouco de assunto e falar sobre um  plano de governo? Sobre medidas efetivas e concretas para acabar com a corrupção?  Reconhecer de vez que a democracia é feita pela totalidade dos cidadãos? Quem sabe o povo vai te entender?

Isso o distingue, por exemplo, do eleitorado europeu, e se reflete conseqüentemente no conteúdo das campanhas eleitorais e no resultado das urnas. Lá, o neopopulismo latino-americano não tem vez. Hugo Chávez e Lula nem pensar.

Mamma mia. Quer dizer que na Europa está tudo bem? A classe média européia muito esclarecida tem sabido escolher seus governantes ao longo dos séculos, tanto que não enfrentam nos dias de hoje falências, quebradeiras em geral, aumento da pobreza, desemprego e todo esse tipo de coisas que só estão acontecendo no Brasil, não é? Aliás, falando em governança na Europa há que se lembrar de grandes estadistas democratas e humanistas como Hitler, Mussolini e Salazar. Ou então do integro, ético e moralista Berlusconi. Todos eles assumiram o governo via o que? Matando seus patrícios? Ou contando com a irrestrita conivência da população de olhos azuis?

Historicamente, o neopopulismo é resultante da deterioração do esquerdismo revolucionário que teve seu auge na primeira metade do século 20 e, na América Latina, culminaria com a Revolução Cubana. A queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética deixaram, como herança residual, a exploração da desigualdade social, já não como conflito entre o operariado e a burguesia, mas, sim, entre pobres e ricos. 

Não moço. O que você chama de neopopulismo é resultante da incompetência do liberalismo de proporcionar vida plena as populações mundiais. Isso que a gente está assistindo na Europa é um exemplo. Lula surgiu no vácuo do seu FHC e demais antecessores que não souberam mostrar competência na construção de um pais mais justo e mais igual.

O PT é exemplo disso: nasceu prometendo fazer no Brasil uma revolução equivalente à de Fidel em Cuba e terminou como partido da Bolsa Família e da aliança com Maluf e com os evangélicos.

Engraçado você odiar tanto o Bolsa Família, mas não vejo você se indignar com os salários pornográficos e mordomias injustificaveis para os que mamam  no Estado, ( sim, inclusive sob o governo do PT ). Vide esta materia informando sobre pensões vitalícias, pagas com o dinheiro publico, e, como você sabe, dinheiro publico vem de impostos. E impostos são arrecadados entre outros modos via o consumo da população. E parte dessa população é beneficiaria do Bolsa Familia. A conclusão óbvia é que tem gente vivendo, em parte, da graninha minguada do Bolsa Familia. Falei?

E quem sabe você queira pensar um pouco sobre essa outra informação a respeito do dinheiro arrecadado na ultima campanha eleitoral e, sem dizer platitudes do tipo isso daria pra construir muitos hospitais e escolas, que tal pensar seriamente naquele ditado que diz que não existe almoço de graça.
 
Esses são fatos indiscutíveis, que tampouco Lula tentou ocultar: sua aliança com os evangélicos é pública e notória, pois chegou a nomear um integrante da seita do bispo Macedo para um de seus ministérios. A aliança com Paulo Maluf foi difundida pela televisão para todo o país. Mas nada disso alterou o prestígio eleitoral de Lula, tanto que Haddad foi eleito prefeito da cidade de São Paulo folgadamente.

Ta bom Gullar e você quer nos convencer que  fazer política é governar sozinho? Que o PSDB não tem aliados e não faz concessões e nem acordos? Quem foi que botou essa figura caricata e entreguista que é o Roberto Freire (um ex-comunista! que sacrilégio!) usufruindo das mamatas do governo paulista? E que dizer da ridícula Soninha (esta também uma suposta esquerdista) que emprega parte da ala feminina da própria família em estatais administradas pelo PSDB?

 E o julgamento do mensalão? Nenhum escândalo político foi tão difundido e comprovado quanto esse, que resultou na condenação de figuras do primeiro escalão do PT e do governo Lula. Não obstante, o número de vereadores petistas aumentou em quase todo o país.

Juristas do país todo e que entendem muito mais de Direito que você, e quem sabe o conheçam tanto quanto alguns juízes do STF, contestaram parcialmente os métodos, os resultados e a excessiva difusão desse lamentável episodio e talvez os pobres eleitores brasileiros - esse que você chama descaradamente de ignorantes - tenham aplicado melhor que você essa máxima do me engana que eu gosto. As escandalosas "certezas" do braço midiático da oposição - como essas que você exibe por aqui - banalizaram o papel de uma instituição que deveria merecer o respeito de toda a população. Você e sua direitona midiática esculhabaram o STF. Foram tão fundo nas definições - que deveriam ser privativas, e até mesmo intimas - dos julgadores que acabaram por revelar uma fragilidade surpreendente no exercício das tarefas de fazer Justiça. Agora não reclame.

E tem mais. Mal o STF decidiu pela condenação de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, estourava um novo escândalo, envolvendo, entre outros, altos funcionários do governo, Rose Noronha, chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo e pessoa da confiança e da intimidade de Lula.

Como já disse alguém, os escândalos no Brasil nascem e morrem nas redações, sem que nada os sustente.

Em seguida, as revelações feitas por Marcos Valério vieram demonstrar a participação direta de Lula no mensalão. Apesar de tudo isso, a última pesquisa de opinião da Datafolha mostrou que Dilma e Lula continuam na preferência de mais de 50 % da opinião pública.

E por tras dessa maquina de criar factóides vislumbram-se crimes de verdade como, por exemplo, o do vazamento de informações mantidas sob segredo de Justiça. Acrescente-se ainda que você e a direitona midiática querem tornar moral e legal o que foi sempre condenavel, pelo menos eticamente, em qualquer sociedade que é o dedo-durismo fácil, o alcaguestimo gratuito, a acusação leviana, coisa de covardes que não sabem assumir sozinhos a responsabilidade de seus atos. Se for pra caguetar o Lula serve qualquer um: de Juízes deslumbrados com seus cinco minutos de fama até bandidos querendo livrar a própria pele.

Como explicá-lo? É que essa gente que os apoia aprova a corrupção? Não creio. Afora os que apoiam Lula por gratidão, já que ele lhes concedeu tantas benesses, há aqueles que o apoiam, digamos, ideologicamente, ainda que essa ideologia quase nada signifique.

E o que é tudo isso que você está dizendo? Se não é sua tentativa de justificar de modo dissimulado seu desejo de que o Brasil volte a ser dividido entre eternamente ricos e os irremediavelmente pobres? O que é essa sua raiva mal disfarçada contra a população mais pobre do Brasil? O nome disso é o que? Por que essa dificuldade em admitir a crença em um projeto político, e que é sinônimo de ideologia?

Esse é um ponto que mereceria a análise dos psicólogos sociais. O cara acha que Lula encarna a luta contra a desigualdade, identifica-se com ele e, por isso, não pode acreditar que ele seja corrupto. 

Do mesmo jeito que você faz de conta que não acredita na corrupção das privatizações da era FHC. Do mesmo jeito que voce nega de pés juntos que não houve compra de votos para a emenda da reeleição. E se eu estou errado, você não está certo. Simples não é?

Consequentemente, a única opção é admitir que o Supremo Tribunal Federal não julgou os mensaleiros com isenção e que a imprensa mente quando divulga os escândalos.

Calma aí. Os julgados estão condenados e, até onde se sabe, cumprirão suas penas. Quer dizer que além de você chamar os pobres de ignorantes chama-os também de esquizofrênicos?

O que ele não pode é aceitar que errou todos esses anos, confiando no líder. Quando no governo Fernando Henrique surgiu o medicamento genérico, os lulistas propalaram que aquilo era falso remédio, que os compridos continham farinha. E não os compravam, ainda que fossem muito mais baratos. Esse tipo de eleitor mente até para si mesmo.

Do mesmíssimo jeito que você mete a boca no Bolsa Família, ô sujeito!!

Não obstante, uma coisa é inegável: os dirigentes petistas sabem que tudo é verdade. O próprio Lula admitiu que houve o mensalão ao pedir desculpas publicamente em discurso à nação.

Esse seu “não obstante, uma coisa é inegável.." revela o cinismo de sua afirmação inicial de que nada sabe. Inegáveis meu caro são suas "certezas". Além disso, negar qualquer coisa faz parte do jogo. Ou será que você e a extensão oposicionista, as vezes chamada também de imprensa, quer discutir o livro Privataria Tucana?

Por isso, só lhes resta, agora, fingirem-se de indignados, apresentarem-se como vítimas inocentes, prometendo ir às ruas para denunciar os caluniadores. Mas quem são os caluniadores, o Supremo Tribunal e a Polícia Federal? Essa é uma comédia que nem graça tem.

Sim e não. Supremo Tribunal e Policia Federal ofereceram subsídios seletivos para que a direitona midiatica forçasse a barra transformando um caso de desvios de 75 milhões de reais ( não comprovados ) no maior escândalo de corrupção da Republica esquecendo-se do dinheiro dez vezes  maior desviado na Privataria Tucana. E, não custa repetir,  você e tantos outros ajudaram a piorar um tantinho mais a credibilidade da população na competência e isenção da Justiça. De fato toda essa comedia que você escreve nem graça têm. 

PS: e quando terminei esse escrito fui dar uma passeada pela NET. E eis o que encontro publicado no site do MPF: Não foi comprovada a tese de que o ex-presidente teria feito pressão sobre o ministro Gilmar Mendes para atrasar o julgamento do mensalão no STF. Como que reafirmando o que eu disse antes: escândalos quase sempre nascem e morrem nas redações.