quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Carta de um brasileiro

Surgiu um projeto, alías acho que já deixou de ser projeto pois está posto em pratica, de fazer chegar à Brasilia no dia 01 de janeiro de 2011 pedidos, sugestões, idéias etc ao presidente.

É uma iniciativa desvinculada de partidos politicos e de orgão publicos aumentando portanto sua credibilidade e expectativa de exito. Quem quiser participar é só ir até o site: http://www.cartadeumbrasileiro.com.br/ 

Neste mesmo local é possivel ter informações diversas e ler os pedidos já efetuados.

E aqui vai uma critica minha: muita gente, mas muita gente mesmo, ao invés de se agarrar a uma oportunidade de fazer e dizer coisas produtivas e importantes, aproveita para fazer partidarismo, xingar, agredir, e dizer coisas sem o menor fundamento, ao invés de convidar para um debate sério os milhares de problemas de nosso pais.

Isso tudo é lamentável mas acreditemos que por hora estamos colhendo o que foi plantado. Há que se  acreditar no próximo plantio, quando colheremos melhores frutos, certamente.

Copiado do blog do Beto Bertagna.  



Três horas de caminhada pela manhã, percorrendo em média 15 km, parada para almoço e mais 15 km no período da tarde. As pausas são apenas para entrevistas e conversas com a população. Assim tem sido a rotina do professor de comunicação social Backer Ribeiro Fernandes, que segue a pé de São Paulo a Brasilia para entregar à presidente Dilma a “Carta de um brasileiro”. 

Até o momento, ele já andou mais de 200 km.Apesar de preparado, o professor entende que caminhar bastante exige um processo de adaptações “a estrada em si tem desníveis, o que faz com que o corpo fique mais inclinado do que numa caminhada comum”, explica. Fora isso, as diferenças climáticas  também alteram o desempenho do indivíduo, conta ele. “Escolhemos começar a andar mais cedo, às oito da manhã, porque o sol é menos forte”.Backer começa agora a ganhar massa muscular o que o fez engordar um quilo. “Bebo líquidos a cada quinze minutos, como me recomendou minha nutricionista. Pode ser água de coco, água mineral, maltodextrina, suco, tanto faz. 

O importante é repor líquido a todo momento. Devo terminar a caminhada do dia com os mesmos quilos que estava quando iniciei. Se percebo que perdi, reponho em líquido”, conta ele.Contatos com o médico, nutricionista e preparador físico acontecem por telefone. A caminhada tem sido tranquila e ainda não foi preciso trocar de tênis, mas segundo recomendações do preparador físico Vanderlei Carlos Severiano, mais conhecido como “Mestre Branca”, serão mais de três até o final do trajeto, dia 1º de janeiro em Brasília.

Tal esforço é parte do projeto “Carta de um brasileiro”, movimento que partiu de São Paulo no dia 21 de novembro rumo ao Distrito Federal com o objetivo de recolher cartas, pedidos e reivindicações do povo ao longo do caminho para entregar a presidente eleita Dilma Rousseff no dia da posse. Os brasileiros podem fazer seus pedidos pessoalmente para o professor ou pelo site www.cartadeumbrasileiro.com.br, além de acompanhar a caminhada pelas redes sociais como Facebook, Orkut e Twitter. 

O endereço online oferece também os resultados da pesquisa desenvolvida pelo IBOPE no mês de outubro, onde foi perguntado a 2002 de 140 municípios de todo o país: “se você pudesse se encontrar com o presidente eleito por apenas 5 minutos, o que você pediria a ele para si mesmo?”. As respostas destacaram a saúde como preocupação nacional e a educação como top of mind. “Carta de um brasileiro” é um movimento desvinculado de partidos ou instituições oficiais que busca criar uma nova forma de participação popular na política. O movimento busca dar voz a todo e qualquer cidadão que queira se posicionar diante do novo governo, fazendo do Brasil um país que entende que o papel dos individuos vai além das urnas.  





terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O pré-sal vai gerar um outro tipo de riqueza

Na ultima quarta feira foi aprovada, na Camara, proposta que destina metade do Fundo Social do Pré-sal para a educação. Desta forma essa enorme riqueza guardada nas profundezas de nossa orla vai ajudar a erguer para a maior das alturas o cérebro de milhões de nossos jovens que, além de tornarem-se cidadãos plenos, ajudarão na construção de um Brasil melhor.

Xerocado do blog de Berto Bertagna.


Educação : Senadora Fátima Cleide comemora a destinação de recursos do pré-sal


 


A aprovação, na última quarta-feira (1), pela Câmara, de proposta que destina metade dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal para a área da educação foi comemorada nesta sexta-feira (3), em plenário, pela senadora Fátima Cleide (PT-RO).  

Uma das autoras da emenda aprovada, quando da tramitação do texto no Senado, a senadora afirmou, em pronunciamento, que muitos gestores têm a falsa ideia de que a educação já tem muito dinheiro. – Se estivermos falando da educação que finge que ensina e do aluno que finge que aprende, eu diria que  realmente tem muito dinheiro. Mas nós estamos falando da educação que deve qualificar, que deve formar, que deve capacitar as pessoas para o exercício da cidadania plena. Para esta educação, nós precisamos ainda de muito dinheiro – assinalou Fátima Cleide, que destacou o crescimento dos recursos investidos na educação durante o governo Lula . 

Segundo ela, a média  do orçamento da área, em governos anteriores, ficava em  R$ 20 bilhões, contra quase R$ 70 bilhões do orçamento atual.  - Precisamos de mais R$ 120 bilhões para fazer a educação de qualidade, a educação integral, com a qual tanto sonhamos para combater a violência que assola as grandes cidades  - afirmou.


Para Fátima, o combate à violência passa pela oferta de educação de qualidade, “que forma o cidadão pleno“, que qualifica bem os professores e também os remunera com salários dignos. Ela também frisou que as escolas devem ser  aparelhadas, com aulas de música, teatro e dança.

Fátima Cleide também comemorou a destinação de R$ 243 milhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para  13 obras em 4 municípios de Rondônia (Porto Velho, Cacoal, Ariquemes e Ji-Paraná). Os recursos serão destinados para ampliação do sistema de abastecimento de água, construção de sistema de drenagem pluvial, urbanização, pavimentação e drenagens em diversos bairros.

 


 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Há controversias

Dizem por aí que futebol, politica e religião não se discute. E não é que é isso mesmo? Dificil ser imparcial em assuntos como esse, sempre puxamos a brasa pra nossa sardinha, o que é justificável na medida em que esses são assuntos que envovem paixão.

E vejam só esse artigo publicado no Luiz Nassif   chamado " Os roubos no futebol brasileiro" em que o autor parece movido por paixão pelo seu time aqui não revelado, mas que não deve ser do eixo Rio-São Paulo.

Após a leitura do artigo vejam os comentários dos leitores que desmontam totalmente os argumentos do autor. Então fica claro mesmo que ao falar daquilo pelo que nos apaixonamos ficamos cegos e não enxergamos o óbvio.

Quanto a mim - corinthiano que sou - digo o seguinte: meu Corinthians foi garfado. Alguma dúvida? Senão vejamos: Lembram daquele escanteio a favor do Corinthians que não foi dado em 1984? E aquela falta no nosso goleiro que resultou em gol do Paraense em 1967? E aquele apagão no estadio, em 1962, bem na hora da cobrança do penalti em favor do Corinthians? E que conversa foi aquela em 1999 de trocar o mando de campo contra o lanterna do campeonato? Isso só serviu pra motivar os caras... Negócio sério essa roubalheira.....

Fiquem em paz.

Jonas

domingo, 5 de dezembro de 2010

Musicas para o domingo

Opera em um café na Espanha,




Teach me tiger, uah - uah - uah



I feel good, very good....



Ave Maria, ave Maria..... ave.



Fiquem em paz,

Jonas

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Engenheiro de obra pronta

Acho essa expressão " engenheiro de obra pronta" muito bacana para qualificar pessoas que deitam falação sobre o que aconteceu, como se tudo fosse muito óbvio.

Se eu olhar para uma ponte eu digo: aquilo é uma ponte. E posso falar uma porção de coisas sobre ela, posso criticar, posso dizer que ela está alta ou baixa, etc. Mas eu sei que se eu tivesse visto antes o projeto da ponte e desde que eu não sou engenheiro, dificilmente eu visualizaria a ponte pronta e muito menos poderia dar palpites.

Lembrei disso ao ler este artigo aqui:  "Expert italiana em linguagem corporal traça um perfil dos criminosos Zeu e Sandra Sapatão" 


E que é uma lista de obviedades misturadas com leviandades. Trata-se de, como diz o titulo, de uma analise dos perifs fisicos de criminosos e que quer sustentar que o biotipo de um individuo pode determinar seu carater e até mesmo sua tendencia a criminalidade.

O artigo começa com um escorregão risivel, a moça, autora do texto, afirma que: "Com as palavras falamos mentiras, mas o corpo sempre diz a verdade."  Aqui está o tipico comentário de engenheiro de obra pronta. Falar sobre o carater de uma pessoa ao saber o histórico dela é muito facil. Quero ver essa moça assistir um filme com atores profissionais e bem à la Agatha Christie e advinhar quem é o criminoso antes de Hercule Poirot.

E depois a estudiosa passa a construir tipos fisicos de homens violentos: queixo quadrado, nariz e narinas grandes, sobrancelhas unidas e testa curta.  Longe de mim pensar que esse é o biotipo natural do homem negro. Se eu fizer isso estarei chamando essa moça de racista.

Mas pra deixar por menos e sem entrar na area da xenofobia e a seguir o racionio dessa especialista, eu posso dizer o seguinte: todo homem de rosto redondo, nariz e narinas pequenas, sobrancelhas separadas e testa longa - não resisto em dizer que isso não tem nada a ver com o biotipo caucasiano -  é  bonzinho. E pronto!  Acabamos de resolver toda a criminalidade do mundo.

Prendamos os queixos quadrados e libertemos os queixos redondos.

O portal Terra justifica a publicação dessa matéria dizendo que já era hora de apresentar aos leitores algo diferente e longe das obviedades. Concordo. Só é lamentável que o leitor do Terra tenha continuado a ler obviedades. Com a diferença de que estas além de óbvias são levianas.

Fiquem em paz.

Jonas

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A vitória do anjo de Gabriel

Ollhem só que história bacana. Daquelas que envolvem uma porção de personagens dispostos a fazerem coisas boas acontecerem. São historias assim que renovam na gente a esperança de que o ser humano ainda vai dar certo, apesar de tudo.

Xerocado do Balaio do Kotscho.

Acabei de ler agora no site do Estadão, no meio da manhã deste sábado, uma incrível história humana que se situa entre os extremos da vida e da morte e nos faz pensar nos desígnios do destino determinado por alguma entidade superior para cada um de nós.

“Recém-nascido é encontrado dentro de bolsa na região de Higienópolis _ Segundo a equipe médica, no momento em que foi encontrado, ele tinha no máximo 4 horas de nascimento”, diz a notícia do repórter Ricardo Valota, do estadão.com.br.

Algúem que passava pela calçada da rua Piauí, perto da praça Buenos Aires, ouviu o choro de uma criança, avisou a polícia e o bebê foi levado rapidamente para o Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, onde seria salvo pelos médicos, que o batizaram de Gabriel.

Ficamos sabendo que o bebê  passa bem; a PM fez buscas pela região para encontrar a mãe do menino, mas não a encontrou, e o caso foi registrado no distrito policial do bairro.

Drama, milagre, miséria, abandono, final feliz: em apenas quatro horas, o destino do pequeno Gabriel já teve quase todos os ingredientes dramáticos de uma vida inteira e deixa no seu rastro muitas indagações sobre a sua origem e o seu futuro.

Quem serão os pais desta criança? Onde e como vivem? Onde e como o bebê nasceu? O que leva uma mulher a abandonar o filho logo após o seu nascimento? E se não passasse ninguem pela calçada àquela hora, no começo da madrugada de sábado?

O nome bíblico dado ao recém-nascido me fez lembrar que, durante toda esta semana, travou-se aqui no Balaio um longo e acalorado debate entre leitores comentando os textos que escrevi sobre a permissão dada pelo papa Bento 16 para que os católicos possam usar preservativos, mas só nas relações sexuais com prostitutas.

Nos mais de 1.100 comentários publicados, leitores de todas as religiões, ateus e agnósticos discutiram de tudo, do papel da religião nos dias de hoje às dúvidas que permanecem sobre as origens da nossa existência e os destinos da humanidade, deixando no ar mais perguntas do que respostas e apenas uma certeza para mim: cada vez mais, não tenho certeza de nada e aumentam as minhas dúvidas sobre todas as coisas.

Quando vejo um caso como este do pequeno Gabriel, e não consigo entender o que foi que aconteceu, aumenta minha perplexidade diante do mundo em que vivemos e do que estamos fazendo dele. Confesso que uma história dessas me choca mais do que a guerra contra a bandidagem nas ruas do Rio.

Em tempo: 

ainda bem que existe esta interação com os leitores aqui no blog para a gente nunca perder as esperanças.

Leiam só esta mensagem enviada pelo leitor Janos, às 12h59, que está publicada na área de comentários:
“Tenho quatro filhos, e estou com 77 anos, mas assiom caso não tiver alguém para adotar este menino, Gabriel, eu aceito com o máximo prazer ficar comigo para a alegria dos demais filhos e eu! Por favor Deus!!!!, que tenham piedade destes abandonados”.

Aos maconheiros

Passamos a ultima semana assistindo e lendo a respeito da "guerra" contra o tráfico no Rio de Janeiro. Em especial no domingo as ações das forças de segurança foram tão espetaculares e tão meticulosamente organizadas que fizeram  a gente ter esperança de que agora vai. 

Mas para ir é preciso que torçamos para que as forças de segurança permaneçam nos territórios conquistados e que continuem sendo coordenadas como foram até agora. Assim seja.

Uma coisa ficou evidente: o poder dos traficantes. A quantidade de armas e munições aprendidas em apenas um pequeno espaço geografico nos dá bem a noção de qual é o tamanho do "negócio" e a quantidade de dinheiro envolvida.

Será de fato necessário muito esforço, coordenação e vontade politica para reduzir ao minimo os efeitos catastróficos desse tipo de "atividade".

Efeitos catastróficos em todos os sentidos: homicidios, invasão da  vida privada dos cidadãos de bem, contaminação do poder publico via corrupção e o mais devastador: o vicio que leva a todo tipo de disturbio da vida humana.

E sendo assim precisamos desviar o olhar dos morros e enxergar os consumidores do que é produzido nos morros. Sabidamente as drogas atingem pessoas de praticamente todas as idades, todos os niveis sociais, todas as profissões e dos dois generos humanos.

Não quero falar dos consumidores que já estão na fase da dependencia braba. Quero pensar naqueles consumidores eventuais. Esses consumidores eventuais - eventuais por enquanto -e que se julgam  inocentes de toda essa lambança, consomem pequenas doses de drogas - eu acho - com desculpas que vão desde animar as reuniões com os amigos até para relaxar depois de um dia estafante de trabalho. Esses consumidores eventuais - eventuais por enquanto é bom que se repita - passam a maior parte do tempo sóbrios e lucidos o suficiente para que de alguma forma seja despertado neles o tamanho da encrenca que eles ajudam a promover a cada vez que compram suas "desculpas" do traficante da esquina.

Vez ou outra surgem por ai campanhas de conscientização de uma porção de coisas: meio ambiente, saúde, alimentação, etc, etc..., promovidas por entidades de todos os niveis: públicas, ONGS, religiosas, civis, etc. etc.

Que tal se as religiões ( Igrejas ) partissem pro ataque ao consumo de drogas com a mesma voracidade com que se dedicaram a condenar o aborto nas ultimas eleições? Não quero escrever o que eu estou pensando, mas quem quiser buscar em suas reflexões as razões do por que o ataque ás drogas é sempre tão timido, talvez vá chegar as mesma conclusão que eu, mesmo que eu não a escreva.

Será que já não era hora de todas as entidades partirem pra campanhas que mostrassem  mais didaticamente aos consumidores eventuais de drogas, coisas como as que vimos acontecer essa semana: estivemos a beira de uma chacina! todos precisam saber disso. Estivemos a beira de ver morrer homens e mulheres de bem cujo unico crime é ir morar onde dá pra morar! 

A fome e a miséria que caminham pelas vielas do Complexo do Alemão, andam com uma mão dada ao poder publico e a outra mão dada ao tráfico. E quem está por trás colaborando com isso é, numa grande parte das vezes, o tal consumidor eventual. Isso precisa ser dito!

Os consumidores eventuais - eventuais por enquanto - e que, talvez quem sabe julguem-se a margem de tudo isso,  precisam ser cutucados e chamados a responsabilidade para que entendam que é de seus bolsos que sai a grana que vai fazer acontecer tudo que aconteceu. 

Precisa-se parar de olhar com glamour, com romantismo e tolerancia para esses consumidores eventuais. Além de dependentes em potencial eles alimentam a criminalidade tanto quanto os demais viciados. A diferença daqueles para estes é que por serem eventuais - ainda - e no pleno exercicio dominio de suas capacidades é darem a impressão de que não há mal nenhum no que fazem. É preciso faze-los parar, antes que seja tarde. Antes que duas guerras sejam perdidas: contra o vicio e contra o tráfico.

Fiquem em paz.

Jonas

sábado, 27 de novembro de 2010

O Guardador de Rebanhos e a Liberdade

Fernando Pessoa nos versos de O Guardador de Rebanhos desperta (ao menos em mim despertou) uma visão pura do Menino Jesus, que nos leva a desejar que de fato seja assim, tão simples, tão singelo mas ao mesmo tempo tão santo.

Quisera minha vida desse jeito. Longe das complicações impostas pelos intermediários que se intrometem em nossos desejos sem que peçamos, e que só conseguem nos afastar do que poderia ser a mais doce das amizade.

E por falar em complicações é o mesmo Fernando Pessoa que em outro verso, chamado Liberdade nos faz visualizar um mundo sem obrigações, sem nada pra fazer, e mais uma vez fala em Jesus Cristo de uma maneira que contradiz com muita sabedoria os tais intermediários que insistem em nos ensinar fé!

Fiquem em paz

Jonas

O Guardador de Rebanhos

Num meio dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra,
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.


Tinha fugido do céu,
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras,
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem


E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.


Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!


Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três,
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz


E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz no braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras nos burros,
Rouba as frutas dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.


A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas,
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.


Diz-me muito mal de Deus,
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia,
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.


Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que as criou, do que duvido" -
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
mas os seres não cantam nada,
se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres".
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
..........................................................................

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.


A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.


A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos a dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.


Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.


Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade


Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.


Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos,
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
.................................................................................

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu no colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
....................................................................................

Esta é a história do meu Menino Jesus,
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?





Liberdade

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.

E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
      Fernando Pessoa
 

O charlatanismo neoliberal

Não sou absolutamente da politica do "quanto pior melhor", pelo contrário. Mas sou obrigado a confessar um certo prazer ao ver cairem por terra analises burras, tecidas por que aqueles que insistentemente acreditam que o melhor dos mundos passa necessariamente pelo MERCADO,  esse deus mágico capaz de nos suprir desde o arroz com feijão até a felicidade e a realização humana.

Vejam só que bacana ( poderia ser triste ) a comparação de uma análise feita pelo time do Zé Ruela a respeito da Irlanda versus Brasil no ano de 2006 e com  a realidade atual.. Recheado de mentiras e enganações o discurso do sujeito é tão charlatão que embrulha até o Bono, que não devia ter nada com essa história.

A pretensão de pessoas desse tipo é enervante não pela pretensão em si mesma, mas por que vem sempre recheada de preconceitos, de ilações infundadas.

Sempre desconfiei de pessoas que tem solução para tudo e ao apresentar suas sugestões não ficam só nisso mas fazem questão de desmerecer a tudo e a todos, sempre desconfiei do excesso de honestidade, do excesso de boas intenções, nunca acreditei no excesso de rigor. E muito menos desce pela minha garganta que da cabeça de um sujeito só, de um unico e exclusivo sujeitinho, possam passar soluções para problemas tão compelxos que muitas vezes tem o tamanho do planeta.

E o mais gostoso: a constatação do fracasso do neoliberalismo ou do oldconservadorismo foi publicada no Estadão.

Leiam essa gostosura no blog do  Esquerdopata. .

Fiquem em paz

Jonas

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ação de Graças

Mesmo com um atraso de 24 horas me considero ainda com tempo de comentar a respeito do Dia de Ação de Graças, uma data com significado especial para todos aqueles que, dirigindo suas orações a Deus, sentem-se alvo das atenções divinas em seu cotidiano, estas atenções  que costumamos chamar de milagres.

Não penso que Deus aja pontualmente na vida de alguém e ao pensar assim corro o risco de sugerir que Deus já tenha deixado tudo pronto aqui na Terra e saiu pelo universo afora tratando de criar outras coisas. Não quero falar em destino até por que não acredito que tudo já esteja escrito, pois se assim fosse bastava eu ficar sentado em algum canto esperando acontecer o que aconteceria comigo de qualquer jeito.

Mas para mim é dificil pensar que Deus, mesmo sendo Deus, haveria de criar para sí mesmo uma tamanha e dificultosa tarefa de ficar ouvindo seus fieis por toda a eternidade e intervindo na vida destes a fim de solucionar-lhes os problemas.

Penso que Deus, justamente por ser Deus, criou a harmonia da vida, criou a interrelação entre todos os seres vivos e é nesta harmonia e nesta interrelação que residem todas as necessidades humanas. Este é o principal e quem sabe o único milagre divino de que somos alvos. Já temos tudo que nos basta para vida.

Contraditóriamente justamente nós, os humanos e racionais, e por essa racionalidade distintos do resto do mundo vegetal, mineral e animal, justamente nós é que nos recusamos a aceitar a casualidade e as imposições da vida. Devemos aprender com os astros, os vegetais, os animais e minerais. Nenhum deles quebra a harmonia e todos aceitam com serenidade seus papéis, suas importancias, o ir e vir da vida de maneira compreensiva e pacifica.

Se cuidarmos sempre da interdependencia entre tudo que é vivo chegaremos ao que o próprio Cristo nos garantiu: eu vim para que todos tenham vida e vida em abundancia. Assim sendo não é de Deus que devemos esperar o acerto daquilo que supomos estar errado em nossas vidas, Deus nos mostra que a vida já está certa desde sempre.

Minha vida não me foi dada ontem, ou no dia em que eu nasci. As condições para que minha vida acontecesse já foram dadas em um tempo impossivel de determinar. E assim é com todas as vidas: do pé de alface ao peixe-boi ou da zebra aos ovos chocos, passando pela vida humana, tudo é harmonico e só existe por que tudo o mais existe.

Cuidar da vida, de todas as vidas, e deixa-las acontecer com naturalidade. Essa deve ser a nossa verdadeira Ação de Graças, essa pode ser a maneira mais agradável a Deus de manifestarmos nossa gratidão por tudo que nos foi dado.

Fiquem em paz

Jonas

Em caso de desastre, consulte o Twitter

Xerocado da Revista  Forum

Cada vez mais agências humanitárias e voluntários utilizam as redes sociais da internet quando ocorrem desastres nas Filipinas, um dos países mais vulneráveis aos efeitos da mudança climática. Os especialistas atribuem a redes como Facebook e Twitter o número de mortos ser de apenas 20 durante a passagem do tufão Megi, que em outubro atingiu este arquipélago com ventos de até 269 quilômetros por hora.

Por Kara Santos

Cada vez mais agências humanitárias e voluntários utilizam as redes sociais da internet quando ocorrem desastres nas Filipinas, um dos países mais vulneráveis aos efeitos da mudança climática. Os especialistas atribuem a redes como Facebook e Twitter o número de mortos ser de apenas 20 durante a passagem do tufão Megi, que em outubro atingiu este arquipélago com ventos de até 269 quilômetros por hora. Os Serviços Atmosféricos, Geofísicos e Astronômicos das Filipinas (Pagasa) iniciaram sua conta oficial no Twuitter em meados de outubro, bem antes do impacto do Megi.

As atualizações em tempo real, que foram reenviadas pelos seguidores e informadas pelas principais rádios e emissoras de televisão, garantiram que o público soubesse quando e onde se esperava que o tufão fosse mais severo. Milhares puderam fugir para lugares mais seguros ou tomaram medidas de precaução antes da chegada do tufão.

Apenas um mês depois de criada, a conta da Pagasa no Twitter agora tem cerca de 28 mil seguidores que recebem as mensagens com informação meteorológica e atualizações sobre tempestades. “As redes sociais são muito populares por estes dias. Muitos jovens e os diferentes setores já usam este meio, por isso decidimos que também poderíamos aproveitá-lo”, disse Venus Valdemoro, encarregado da Unidade de Informação Pública da Pagasa.

Este estado de alerta diante da destruição que o país costuma experimentar, com uma média de 20 tufões por ano, tem origem nas dolorosas lições aprendidas a partir da fúria do tufão Ketsana, de 2009. Embora as Filipinas estejam acostumadas a enfrentar estes eventos climáticos na segunda metade do ano, padrões meteorológicos erráticos têm cobrado mais vítimas fatais e propriedades nos últimos anos.

Se esta vulnerabilidade foi combinada com o enorme interesse dos filipinos pelas novas tecnologias, o fato de estas serem usadas para atender necessidades sociais se torna bastante natural. Frequentemente se diz que Manila é a capital mundial das mensagens de texto. Segundo a empresa norte-americana Gartner, dedicada a realizar pesquisas sobre as tecnologias da informação, as Filipinas, com 94 milhões de habitantes, tem uma penetração da internet de 29,7% e é líder na Ásia em matéria de adoção de redes sociais.

Atualmente, é o sexto país no mundo no uso de Facebook e Twitter. No primeiro tem mais de 18 milhões de usuários, por exemplo, segundo a consultoria comScore. As agências humanitárias também pegaram o trem das redes sociais. A Cruz Vermelha das Filipinas as usa para divulgar notícias sobre suas atividades.

A conta dessa organização no Twitter conseguiu cerca de três mil seguidores nos dias posteriores ao seu lançamento, no pior momento do tufão Ketsana. Depois, os seguidores aumentaram para 42.364, e continuam crescendo. “O amplo alcance das redes faz com que sejam meios muito efetivos para comunicação com o público em geral”, disse à IPS a secretária-geral da Cruz Vermelha das Filipinas, Gwendolyn Pang.

A quantidade de seguidores dessa entidade no Facebook também aumentou durante a passagem do Ketsana, e o site ajudou a mobilizar voluntários para as operações de resgate, acrescentou Pang. Agora, há cerca 100 mil pessoas seguindo a organização nessa rede social. Esta tecnologia permite que todos possam se expressar, o que a torna indispensável na hora de divulgar anúncios, disse Pang.

Rubens Canlas Jr., assessor para temas de tecnologia da informação, disse que o uso das redes sociais da internete eliminou o “intermediário” na contaminação, permitindo obter a informação pública diretamente da fonte. “No passado não tínhamos outra opção a não ser depender do rádio e da televisão para recebermos atualizações sobre emergências e meteorologias, que não são maneiras eficientes de disseminar informação urgente”, disse Canlas.

Os canais de TV que competem entre si também criam um “gargalo tecnológico” quando entrevistam um porta-voz e, portanto, impedem que outro canal, ou emissora de rádio, tenha acesso a essa fonte durante certo tempo, explicou Canlas. “Agora, Pagasa pode transmitir por si mesmo a informação por mensagem no Twitter e a mídia pode, simplesmente, informar usando essa mensagem”, acrescentou. Embora o Twitter seja a única conta oficial da Pagasa, seus funcionários dizem que chove pedidos para abrirem outras no Facebook e no Friendster.

As Filipinas estão catalogadas como o país mais propenso aos desastres, segundo estudo do Centro para a Pesquisa sobre a Epidemiologia dos Desastres, com sede em Bruxelas. O Banco Mundial lista o país entre os mais afetados pela mudança climática, e o que corre maior perigo de enfrentar tempestades frequentes e intensas.

Em média, anualmente 20 tufões atingem o país. Megi foi o décimo deste ano. Em setembro e outubro do ano passado, os tufões Ketsana e Parma atingiram a ilha filipina de Luzón cmo diferença de uma semana entre um e outro, desatando as piores inundações em quatro décadas e matando mais de mil pessoas neste e em outros países da Ásia oriental.

 

 

De cara com o estuprador

Xerocado do blog do LadoDeLá







Passei a tarde de domingo esperando para fazer um boletim de ocorrência de furto de veículo. Nada tão extraordinário assim, considerando que furto de veículo no estado de São Paulo é tão rotineiro quanto levar o carro para lavar. Naquela tarde, por exemplo, foram três veículos. Numa cidade de 60 mil habitantes.

 Ao chegar à delegacia, dei de cara com o sujeto. Estava algemado, olhar cabisbaixo. Nunca tinha visto um estuprador de perto. E logo pensei: - Será que ele tem algo de diferente de nós? O quê? Parecia uma pessoa comum, como tantas outras... Talvez seja isso! Um estuprador é capaz de ser e agir como outra pessoa qualquer. O crime tinha acontecido hora antes em Valinhos. Ele violentou a vítima ameaçando-a com uma pequena faca serrilhada de cabo amarelo. Ela seguia com ele no carro pela Rodovia Anhanguera em direção a São Paulo. Será que pensava em matá-la? A cancela automática do pedágio não abriu e o carro da frente parou. Ele diminuiu a velocidade, o bastante para a garota abrir a porta e se jogar para fora.

Um carro de polícia vinha logo atrás e quase passou por cima dela. Começou a perseguição. Ele levou a pior, depois de bater em outro carro. Na delegacia, os policiais estavam excitados. Tão excitados quanto jornalistas diante de uma queda de avião, ou um pescador ao fisgar um dos grandes. Muitos guardas, doze ao todo, se cumprimentavam com entusiasmo. Tudo meio patético, para quem vê naquele fato algo tão revelador da nossa miséria existencial. Depois de lavrado o fagrante, o estuprador foi encaminhado à carceragem, para aguardar remoção para o Centro de Detenção Provisória de Campinas.

Neste momento, muitos fotografaram o acusado, espécie de troféu. A jovem repórter anotou cuidadosamente todas as informações e também pediu ao guarda que fotografasse o criminoso. Acho que preferiu não olhar diretamente para ele pela lente. Quando a delegacia esvaziou, Vera, a plantonista, ouviu um ruído na carceragem e foi checar. Voltou assustada e avisou: - O cara está tentando se matar! Pensei comigo: - A jovem repórter acaba de deixar a notícia atrás das grades, ensanguentada. Foi um corre-corre. Decidiram algemá-lo com as mãos para trás. Enquanto isso, o telefone tocava sem parar. Repórteres, esposas (três se apresentaram assim), a mãe e uma tia, que desabafou: - De novo! Quando puxaram a capivara do cidadão, lá estavam: duas condenações, uma de quatro anos e oito meses e a outra de dois anos e tanto. Ambas pelos mesmos crimes. Pensei: - Esse aí é caso perdido.

Um detalhe me chamou a atenção: - O guarda que o prendeu disse que o homem tinha voz afeminada, achou até que fosse "gay". Seria mais um caso emblemático de vítima de abusos na infância? Ninguém vai querer contar toda a história. E sabe por quê? Porque agora que ele está preso, ninguém quer mais saber.

Manchetes, fotos e noticias

E existem algumas pessoas que se satisfazem em olhar fotos e manchetes e depois saem por ai divulgando informações incompletas quando não tendenciosas. Essas são um prato cheio para a velha midia. Vejam abaixo um bom ( ou será péssimo? ) exemplo da total desconexão entre foto e manchete com a noticia.

Xerocado do blog do Esquerdopata

Lendo a manchete abaixo e vendo a foto ilustrativa o que é que se imagina?


Errado, o desemprego caiu e a notícia seguinte mostra que o salário subiu...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O apodrecimento da velha midia

No ultimo dia 24 Lula concedeu entrevista aos blogueiros ditos progressistas haja vista estarem do lado esquerdo do pensamento politico brasileiro. Mas eles preferem chamar a si mesmos de "blogueiros sujos" em uma homenagem ao enriquecimento do anedotário nacional cometido por Serra ao chamar os blogs desse pessoal de sujos, sabe-se lá por que.

A repercussão dada pela velha imprensa a essa entrevista não passa nem perto dos assuntos em pauta, a velha imprensa prefere ter um ataque de ciumes e deitar uma falação tendenciosa sobre o que seria a qualidade, ou seriedade, dessa entrevista.

Começa pela Folha de São Paulo que preferiu gastar seu tempo em questionar quando os blogueiros haviam pedido a entrevista e  quando a mesma teria sido confirmada. Uma pergunta inédita informa a Assessoria de Imprensa do Planalto. O Presidente, segundo a Assessoria já concedeu 960 entrevistas ao longo desses oito anos de governo e a Folha nunca fez esse tipo de pergunta.

Depois é a vez de Dora Kramer a destilar veneno e desqualificar os entrevistadores, em um artigo no Estadão. Ela própria ao cegar-se de tanta dor de cotovelo, se contradiz confrontada com muitos de seus artigos publicados em tempos anteriores.

Daí vai o Noblat e faz um copia-cola em seu blog do artigo da sra dona Dora Kramer. Ou seja, inoculando assim um pouco mais de veneno nas cabeças dos incautos leitores.

Mas a cereja desse bolo ficou por conta de um dos discipulos do Mestre Ali Kamel, das organizações Serra, ops Globo. Esse rapaz carrega em seus ouvidos o discurso de Serra e igualou a entrevista a trincheiras!! Trincheira de ataque a imprensa. Mostra-se intolerante, ou incapaz de relaxar, ao humor sutil,  contido no nome de um dos blogs da entrevista que chama-se Cloaca News. E o seu dono é chamado de sr Cloaca. Óbviamente esse último agradece demais a promoção dada ao seu blog no meio da histérica incompreensão dos velhos senhores da velha midia. Esse moço - discipulo de Ali Kamel - parece surpreso ao saber que Lula dirigiu-se ao blogueiro como sr Cloaca. Não entendo por que. Dado que das cabeças de algumas figuras da velha imprensa saem coisas muito piores que de uma cloaca quando referem-se ao Presidente da Republica. Mas ai tudo bem né?

O que salta no meio de tudo isso é a resistencia, ou quem sabe incapacidade mesmo, em aceitar a internet como a proxima ( e quem sabe a única ) usina de informações.

Talvez o problema daqueles que insistem em ficar na velha midia seja o seu medo de ver as suas verdades serem debatidas quase que no mesmo momento em que são divulgadas, pois é esse o grande lance da internet: os navegantes podem rebater, reprovar, validar, e divulgar as informações sem serem submetidos a nenhuma especie de controle. Cada vez mais e de maneira irresistivel os cidadãos comuns, quando navegando pela web, podem consumir noticias não de forma passiva, mas interagindo com as mesmas e sendo muitas vezes eles próprios os divulgadores ( notem que eu não disse donos) da informação.

A concorrencia na divulgação de informação está sendo multiplicada por mil e isso pode significar o fim de impérios que nem preciso dizer os nomes. E ainda mais que isso, os egos de alguns medalhões da velha midia perderão o brilho e terão que descer do palanque de suas proclamações dadas até hoje como irrefutáveis, e virem até o chão debater com leitores cidadãos-comuns, publicarem revisões, aceitarem sugestões. Ou ainda, se for da vontade de um deles, recolher-se ao ostracismo e deixar para os comprometidos com a exatidão das informações a divulgação de ideías para serem debatidas e o acatamento da pluralidade de opiniões.

E que acalme-se a velha imprensa. Assim como acabaram os pincéis de espalhar sabão de barba no rosto, os filmes para máquinas fotográficas e os acendedores de lampiões a gás, acabarão também os jornalões e as revistonas. Isso não é uma profecia, é fato.

Em tempo: Lula concedeu 960 entrevistas em 08 anos o que dá uma média de 01 entrevista a cada 03 dias o que invalida a opinião do discipulo de Ali Kamel que começa seu despautério dizendo que Lula é avesso a entrevistas.

Clique aqui para ler o comentário da Assessoria de Imprensa sobre a pergunta da Folha.

Clique aqui para ler o comentário de Paulo H Amorim

Clique aqui para ler a integra da entrevista de Lula aos blogueiros.

Clique aqui para ler a ciumeira de Dora Kramer

Clique aqui para ler o discipulo de Ali Kamel promovendo o Cloaca News.

Fiquem em paz

Jonas

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A felicidade de cada um por conta de todos.

Outro dia eu escrevi aqui no Saúva a respeito da responsabilidade coletiva da sociedade, via governos, sobre a realização dos individuos. Disse que estão errados aqueles que imaginam que a realização de cada um pode se dar de maneira isolada e por conta de esforços pessoais.

Encontrei hoje esse artigo no Adital  chamado O Direito de Ser Feliz, do monge beneditino Marcelo Barros, e que fala sobre o projeto de inserção de um artigo na Constiuição Brasileira  que garanta o direito de todos à felicidade.

Como diz no próprio artigo do Adital pode parecer estranho decretar a felicidade de um povo através de lei. Mas a verdade é que a ação dos governos na direção do bem estar e da realização dos individuos é de fato uma obrigação pública.

O conceito liberal do estado minimo caminha justamente na direção oposta, quando entrega a felicidade de individuos aos agentes mercantis e privados . Nem tudo tem preço e nem tudo pode ser quantificado. Uma parte significativa da realização humana é dependente das relações sociais, da convivencia amorosa, da aceitação no grupo, e isso tudo não se compra em lojas de conveniencia. Isso deve ser proporcionado através de regulamentos que permitam o acesso de todos a tudo, coisa que só o Estado pode fazer.

Leiam o artigo do Adital  que está muito mais rico que o texto deste pobre e humilde blogueiro.

Fiquem em paz

Jonas

@jotagebece