segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pequena história sobre corrupção



Esta história aconteceu no Hotel Maksoud Plaza em São Paulo. Trabalhei lá por muitos anos no tempo em que este hotel era a meca dos profissionais hoteleiros, por ser referencia nacional em hotelaria. Era também o point de todos os points. Um local onde personalidades e celebridades de todas as areas gostavam de estar. Sinal de status e de glamour.

Por conta disso a imprensa falada, escrita e enxergada chegava a fazer plantão por lá pois sempre havia alguém que era noticia hospedado no hotel. Por  conta disso também aconteceram por lá muitas gravações de cenas de novelas e até de filmes. 

E a minha pequena história se deu quando eu trabalhava na recepção e numa tarde a Globo veio gravar umas cenas de um capitulo de alguma novela sua.

E a cena era assim: um ator fazia o papel de recepcionista e um outro vinha até o balcão da recepção para pedir informações sobre um hóspede. O "recepcionista" se negava a dar a informação pedida, mas o outro puxava uma nota de dinheiro e dava ao "funcionário", que no mesmo momento passava a entregar informações sobre o suposto hóspede.
Fiquei bravo pra caramba. Ofendido de verdade. Pois aquela função alí representada e descaradamente subornada era a minha função. E fiz um discurso bravo e contrário àquela desinformação e distorção sobre a minha atividade e de meus colegas. Evidentemente não adiantou nada. Continuou a gravação e é certo que foi ao ar, embora eu não tenha visto.

Sempre me chateio e me constranjo com essas sugestões bastante comuns em filmes e novelas de que profissionais de hotelaria se não são altamente subornáveis são muitas vezes figuras caricatas e desprovidas de caráter e moral.

Não sei se foi isso que criou a cultura da gorgeta ou se foi ao contrário, e a gorgeta é que criou a possibilidade do suborno e da corrupção exibida em filmes e novelas. Tem gente por ai, muita gente, que acredita que pequenos mimos dados a funcionários diversos tais como recepcionistas, camareiras e garçons abre portas de privilégios e regalias muitas vezes negadas a quem não dá esses agrados. Ledo engano.

E cá entre nós, acho até que é essa mesma crença que leva pessoas a presentearem funcionários públicos (guardas de transito, fiscais, examinadores, etc.) a fim de terem facilitados seus processos sobre qualquer coisa.
 
Arrisco a dizer que essa prática é que faz alguns pais de familia, muitas vezes bons pais e otimos cidadãos, a subornarem seus próprios filhos oferecendo vantagens ( um carro zero por exemplo ) se passarem no exame da faculdade. 

A verdade é que muita gente acredita e pratica  a troca de favores aparentemente inofensivos como sendo ferramenta comum para fazer o mundo andar.

Tá bem, tá bem. Pode ser que eu esteja exagerando e mostrando um rigor excessivo embora, podem acreditar, eu sempre duvidei de rigor em excesso. Acho que o rigor em excesso é muitas vezes um disfarce para um sem fim de desmandos e despautérios.

Bem mas eu queria mesmo era falar de corrupção. E citei essa minha história e mencionei algumas possibilidades do cotidiano de muita gente por que eu quero dizer que é preciso que o pessoal do Cansei II vá com calma com seus discursos raivosos contra a corrupção nos meios politicos. Dou uma lasca da unha do meu dedo mindinho esquerdo se uma parte grande desse pessoal do Cansei, O Retorno, já não deu gorgetas por aí em troca de favores e privilégios e da mesma forma se já não recebeu favores mal intencionados.

E já que citei o Marchadores Cansados e suas pedradas generalizadas contra "tudo que está ai", quero dizer que ao falar da gravação de um capitulo de novela eu falei de uma ficção ( a própria novela ) , porém digo que não eram raros os dias em que eramos tentados por polpudas gorgetas nada ficticias, oferecidas por probos e respeitáveis senadores, governadores, ministros, altos executivos e assemelhados  para que facilitassemos o acesso de pessoas e coisas aos seus apartamentos e que fariam a história - escandalosa história, segundo a Veja -  do Zé Dirceu no Hotel Naoum em Brasilia, parecer convescote de amigos escoteiros.

O buraco da corrupção está bem abaixo da linha em que o pessoal do Tea Party Tupiniquim acha que o país deve caminhar. A corrupção é assunto que deve ser tratado em duas dimensões: cultural e fiscalizatória.

Mas isso é assunto pra outro dia.

Fiquem em paz

Jonas

domingo, 11 de setembro de 2011

Musicas para o domingo 110911

Hoje além de convida-los para ouvir música quero partilhar com vocês um album com algumas fotos que fiz e que está lá no Facebook. Mesmo que voce não seja assinante do tal sitio dá para ve-las, bastando clicar aqui.

Aguardo visitas e comentários, divirtam-se e

Fiquem em paz

 Jonas





















THE FAB FOUR




sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Industria de multas: é possivel viver sem ela?



Lí a noticia, e ela pode ser confirmada aqui , que a arrecadação com multas de transito em São Paulo, já ultrapassa a casa dos 528 milhões de reais.

E fui informado também de que, por força de lei, essa grana toda é utilizada pela CET - que para quem não sabe a CET é o orgão cuidador do transito em São Paulo - na manutenção e modernização da frota de veiculos de serviço, na manutenção e modernização dos equipamentos de sinalização e em campanhas educativas sobre transito.

Bem, afora o susto pelo tamanho da montanha de grana arrecadada que segundo consta é maior até que o orçamento de muitos municipios do Estado, fico assim meio encafifado querendo ter certeza de que a CET tem mesmo interesse em que os motoristas paulistanos sejam exemplos de obediencia das leis de trânsito.

Agora peço licença e convido-os a fazerem junto comigo alguns exercicios simples de matemática. 

Sabendo-se que as multas por infrações chamadas gravissimas custam R$ 191,54 e as chamadas leves custam R$ 85,13 temos, apenas para o nosso exercicio, uma média de valor por infração de R$ 138,35.

Se tomarmos a projeção de arrecadação com multas para o ano calculado em R$ 638 milhões e dividirmos por essa multa média temos uma quantidade de multas lavradas igual à 4.611.993, ou 12.636 multas por dia. Por dia!

Diz o Detran que a frota de veiculos circulando em São Paulo é de 7 milhões de unidade. Se considerarmos próximas da realidade as médias obtidas acima temos que mais da metade - mais da metade ! - dos motoristas paulistanos são multados ao menoss uma vez no ano. Haja má educação ou despreparo para conduzir um veiculo.

Como se vê não parece que está surtindo muito efeito todo o aparato montado pela CET - inclusive suas campanhas educativas - a fim de fazer com que a circulação de veiculos em São Paulo seja feita dentro das regras.

Mas para além desse exercicio o que eu quero dizer é que não é crível que a CET  deseje colocar ordem na casa, que são as ruas da cidade, uma vez que ela vai matar a sua galinha dos ovos de ouro. Ou seja, motorisas bem preparados e educados e sinalização eficiente podem significar uma queda grande nessa arrecadação e a CET viveria de que?

O que dá a entender é que se a CET precisar de mais grana é só multar mais. Simples assim. E em meio a uma necessidade inadiável de gerar mais receitas pode ser que haja excesso de rigor punitivo, ou no minimo um certo desejo de que se cometam infrações. Não pode não?

Mas aproveito e faço uma sugestao. Não seria mais lógico a sobrevivencia financeira da CET estar incluida no orçamento do Municipio? E que ela fosse obrigada a cumprir metas, fazer economia e coisas básicas assim como qualquer outro orgão municipal?

Fiquem em paz

Jonas

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Breves relatos sobre o Cansei II


Selecionei tres publicações sobre as Marchas convocadas para ontem pelo país. Vamos à elas.

Do Blog do Ricardo Kotscho

Publicado em 07/09/11 às 16h08

Protesto chique em SP lembra fracasso do “Cansei” 

Eles não aprendem e não desistem. Derrotados três vezes nas eleições presidenciais, os valentes da fina flor paulistana foram de novo às ruas para protestar "contra tudo o que está aí". Desta vez, o álibi foi a Marcha Contra a Corrupção organizada nas redes sociais em várias regiões do país.

Em São Paulo, apesar dos esforços de alguns blogueiros histéricos, o protesto fracassou: segundo  a Policia Militar, apenas 500 pessoas se animaram a sair de casa neste belo feriado de 7 de setembro com muito sol para ir à avenida Paulista levantar cartazes contra a corrupção.

A personalidade mais conhecida identificada pela imprensa foi a socialite Rosangela Lyra, sogra do jogador Kaká e representante da Dior no Brasil.

Era a mesma turma chique do "Cansei", um "movimento cívico" criado em julho de 2007, para protestar contra o "caos aéreo", pelo presidente da OAB paulista, Luís Flávio Borges D´Urso, agora pré-candidato do PTB de Roberto Jefferson a prefeito de São Paulo, mas nem ele foi visto hoje na avenida Paulista.

De outro líder do "Cansei", o executivo Paulo Zotollo, ex-presidente da Phillips, não se ouviu mais falar. Na época, ele causou um enorme dano para a imagem da empresa ao declarar em entrevista ao jornal "Valor":
"Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz como tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado".

O Piauí ainda existe, virou até nome de revista, vai bem, cresce e seu povo está melhorando de vida, ao contrário do infeliz executivo que apenas vocalizou o que pensava boa parte da elite paulistana sobre os nordestinos, quando o presidente do país era o  pernambucano Lula.

A direção nacional OAB nacional na época, que ainda não era dominada por tipos como Ophir Cavalcante (quem?), o novo Álvaro Dias predileto da mídia, decidiu não participar do movimento e criticou a sessão paulista da entidade.

O então presidente da OAB-RJ, Wadih Dammus, resumiu do que se tratava. "O Cansei é um movimento de fundo golpista, estreito e que só conta com a participação de setores e personalidades das classes sociais mais abastadas de São Paulo".

Foi o que se viu no 7 de setembro de protestos na avenida Paulista. São os mesmos. Só mudou o mote.

Em tempo (atualizado às 19h12): 

No final da tarde desta quarta-feira, 7 de setembro de 2011, os números sobre o tamanho das manifestações em São Paulo variavam nos portais da grande mídia, que ajudaram a promover os protestos na avenida Paulista.

Segundo a "Veja", em nova manifestação promovida à tarde, no mesmo local, havia entre 2 e 4 mil pessoas no protesto, dependendo do informante e do blogueiro.

No portal da  "Folha", o maior jornal do país, a multidão de protestantes chegou ao máximo de 700 manifestantes, em seus diferentes informes ao longo do dia.

Até o final da tarde, segundo o portal do "Estadão", um dos mais empenhados promotores das manifestações na avenida Paulista, em nenhum momento, até as 19 horas,  o protesto passou de 500 participantes.

Seja como for, foi bem menos gente do que o registrado na maior manifestação do fracassado "Cansei", promovida no dia 17 de agosto de 2007, na praça da Sé, em São Paulo, com o apoio da Febraban (a federação dos bancos) e da Abert ( a associação das grandes emissoras de televisão), entre outras mais de 60 entidades da "sociedade civil organizada".

Segundo a Polícia Militar, havia 5 mil pessoas naquele dia em São Paulo protestando contra o "caos aéreo" do governo Lula e outras mazelas nacionais.

A grande imprensa brasileira, que se uniu para promover o golpe militar de 1964 e eleger Fernando Collor em 1989, parece ter perdido seu poder de mobilização. E seus blogueiros, colunistas e editores amestrados continuam latindo para cada vez menos gente.

 Do Blog do Altamiro Borges

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Que tal a marcha contra escravocratas?

Por Altamiro Borges

Neste 7 de setembro, Dia da Independência, a Juventude do PSDB, os chefões demotucanos e alguns “calunistas” da mídia deram apoio às chamadas “marchas contra a corrupção”. O motivo é nobre e seduziu algumas pessoas contrárias aos “malfeitos” com o dinheiro público. Já os animadores dos protestos não são tão nobres assim. Muitos deles são mais sujos do que pau de galinheiro.

Mas já que decidiram deixar suas mansões e ir às ruas para protestar, aproveito para fazer uma sugestão. Por que não convocam também atos contra as empresas corruptoras ou contra os empresários que sonegam impostos e desviam grana para os paraísos fiscais? Já que estão tão indignados, por que não protestam contra os escravocratas, que crescem como praga no país?

A “lista suja” da escravidão

No final de julho, o Ministério do Trabalho divulgou o seu Cadastro dos Empregadores. Ele mostra que o uso do trabalho escravo tem crescido no país. A “lista suja” do governo traz 251 nomes de empresários do campo e das cidades – o maior número desde a criação da lista, em 2004. Em julho do ano passado, ela continha 151. Em cerco de um ano, o salto dos criminosos foi de 65%.

Segundo o ministério, esse aumento decorre do aperto na fiscalização. Ela hoje seria mais eficiente, como comprovou o recente escândalo do uso de trabalho escravo nas oficinas subcontratadas pela multinacional espanhola Zara. Será que o correspondente do El País, Juan Arias, que adora falar besteiras sobre o Brasil, toparia participar de uma “marcha contra os escravocratas”?

Cadê os indignados demotucanos?

A “lista suja” também confirma que a maioria dos escravocratas explora na zona rural – são os velhos latifundiários, alguns deles travestidos de modernos barões do agronegócio. Dos 251 criminosos listados, 183 infrações foram cometidas no campo. O total de trabalhadores resgatados nestes locais foi de 7.963. O Pará é o estado que concentra o maior número de escravocratas (62).

Será que o senador tucano Álvaro Dias, muito ligado aos ruralistas, toparia convocar uma marcha contra o trabalho escravo? Pelo twitter, ele foi um dos entusiastas dos protestos de ontem. O “indignado” demo ACM Neto também poderia ser acionado. Alguns tucaninhos, filhinhos de papai de ruralistas, poderiam até usar seus carrões para agitar a “marcha contra os escravocratas”.

Desarquivar a PEC do trabalho escravo

Esta marcha não teria somente um caráter de denúncia, não seria apenas um oba-oba oposicionista. Ela serviria para pressionar os deputados a desarquivarem a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) contra o trabalho escravo. Até hoje o DEM e o PSDB, além dos ruralistas de outros partidos, bloqueiam a tramitação deste projeto civilizatório. Será que rola dinheiro dos escravocratas?

Ela também poderia exigir maior fiscalização do Estado. Afinal, os escravocratas são notórios corruptores. Eles corrompem fiscais, juízes, policiais e... parlamentares. A bancada ruralista no Congresso Nacional é expressiva e atuante. Para peitar os escravocratas corruptores é urgente aumentar a fiscalização e endurecer as punições. Quem topa a marcha contra os escravocratas?
 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

GENTE À TOA

 

Sabem quem é essa gente que participou da “manifestação contra a corrupção", na Avenida Paulista? São as mesmas pessoas que fizeram manifestações quando aconteceram os acidentes dos aviões da TAM e da GOL. São pessoas sem nenhum escrúpulo que usaram os mortos no acidente e seus familiares para gritar “Fora Lula”. Na época culparam o presidente pelos acidentes, como se ele fosse o piloto, o controlador das torres ou o mecânico que fez a manutenção dos aviões. Depois das perícias, das investigações sobre as causas dos acidentes, a verdade veio à tona: no acidente da GOL, os pilotos americanos foram os culpados; no acidente da TAM houve falhas mecânicas e do piloto. Há acidentes de aviões no mundo todo e nunca, em país algum, alguém teve a idéia destrambelhada de culpar o presidente da nação. Como no caso dos acidentes aéreos, o que essa gente quer de fato não é combater a corrupção, mas culpar o governo. Eles ainda não se conformaram, mesmo após os 8 anos do governo Lula, em serem governados por um ex-sindicalista, ex-operário e nordestino. Não aceitam que milhões de pessoas saíram da miséria graças ao Bolsa Família e à geração de empregos recorde. Não aceitam que os filhos dos pobres tenham ganhado o direito de freqüentar quaisquer universidades, graças ao PROUNI. Nunca aceitaram os recém-chegados à classe média. Agora não aceitam que a presidenta Dilma dê continuidade ao governo Lula. Dilma está fazendo um ótimo governo para todos os brasileiros, mas principalmente para aqueles que mais necessitam. Isso não interessa para essa gente abastada, eles querem um governo que atenda apenas seus interesses, como foi o governo FHC. Eles votaram no Serra, foram derrotados pela segunda vez e estão inconformados, querem um terceiro turno na marra. Teve um moleque abestalhado que disse que queria a revolução, confundindo o golpe de 1964 com revolução. Será que ele sabe o que é um golpe militar e suas conseqüências trágicas, como as mortes de pessoas, as torturas? Sabe que essas barbaridades seriam seguidas pela desestabilização da economia do país, pelo desemprego, falta de crédito, desabastecimento? Não, o idiota não sabe o que é um golpe militar. Alguns babacas estavam na manifestação fazendo propaganda explicita da revista Veja! Não sei se eles foram pagos pela Editora Abril, se eram funcionários ou se são apenas um bando de abestalhados alienados. A revista Veja está morrendo de ódio de ter sido pilhada cometendo crime de invasão de privacidade. O fato é que o objetivo da manifestação era só combater o governo Dilma, criticar o PT. Estão tentando evitar que o PT eleja prefeitos em 2012 e que Dilma se reeleja em 2014, ou que o Lula volte, se Dilma não quiser a reeleição. Essa gentinha elegeu Maluf, Pitta, Serra, Kassab; se pudessem, elegeriam FHC. Mas o que eles mais desejam, no fundo de suas almas preconceituosas, é a volta da ditadura militar: basta ler os comentários desses cretinos no blog do abestalhado Reinaldo Azevedo, que é chamado até de"general”. Ô gente escrota!
 
Jussara Seixas
 
Fiquem em paz

Jonas

 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Onde voce estava no dia sete de setembro de qualquer ano?



Mesmo correndo o risco de cair naquele lugar comum, quando se costuma dizer Ah! no meu tempo era diferente, eu arrisco a dizer que já vão longe os dias em que a comemoração do 7 de setembro era visivel em todas as esquinas. Pelo menos nas esquinas pelas quais eu passava quando criança. E, sim, eu desfilava com minha escola pelas ruas do bairro ouvindo as bandas e fanfarras do meu e dos outros colégios da região.

E comecei dizendo isso por que quero muito saber por qual processo de desprezo ao nosso país passou o Brasil nas ultimas décadas a ponto de que ao referir-se ao 7 de setembro a impressão que se tem é que o brasileiro quer mais é saber se esse feriado cai em dia que se pode emendar com o fim de semana e não o que ele significa.

Parece existir uma espécie de vergonha, ou auto-repressão, de qualquer tipo de exaltação nacionalista, exceto no futebol onde, diga-se de passagem que os comentaristas em geral misturam torcida por um esporte com o orgulho de uma nação. Já se disse que quando nossa seleção de futebol entra em campo ela é a tradução da pátria de chuteiras. Pode não ser completamente errado misturar esporte com nacionalidade, mas a questão é que falta a mesma desenvoltura para manifestar o orgulho de ser brasileiro em outras oportunidades e áreas.

Evidentemente que uma resposta mais adequada para isso só pode ser dada por estudiosos do comportamento humano, coisa que eu não sei fazer nem a respeito de mim mesmo, quanto mais dos outros. Mas mesmo assim arrisco algumas hipóteses para tamanha falta de interesse pelas simbolos e datas nacionais.
 
 Para mim a primeira hipotese que deu causa à isso passa pelo curriculo escolar, em especial o fundamental ou básico. A ausencia de matéria que trate especificamente da organização do nosso, dos papéis de cada uma das esferas da Republica, o histórico e a devida reverencia aos simbolos nacionais fazem com que não se desperte em nossas crianças e adolescentes e muito menos se desenvolva em cada um a necessidade de entender como funciona nosso país o que pode levar, assim eu acho, para um expontaneo desinteresse pelo exercicio da cidadania, do nacionalismo. 

O estudo obrigatório das biografias dos Presidentes da Republica, Governadores e Prefeitos acompanhado de suas realizações como gestores públicos pode ser que ajude nossos jovens a opinarem e participarem mais ativamente da politica nacional. Conhecer o que fazem o Executivo, o Legislativo e o Judiciário em todos os niveis da Federação, ajudariam nossas crianças e adolescentes a entenderem as causas e efeitos das ações dessas instituições no nosso cotidiano.

E como uma coisa leva a outra e após decadas da ausencia desses assuntos nas salas de aula,  formou-se já uma quantidade de adultos brasileiros sem a minima noção do que seja o exercicio da cidadania ou o que é fazer politica, ou no minimo uma noção critica e mais democrática sobre o que é o mundo politico.

Parte desses adultos exercem hoje funções na área chamada de formadores de opinião. E uma parte dessa parte de adultos esculhamba, achincalha e envergonha todos os valores nacionais que vão tornando-se cada vez menos valiosos. Alguns desses brasileiros foram parar na politica e no exercicio daquilo que é a mola mestra da organização do país, e não se constrangem em transformar a politica, isso sim, em seu trampolim para se dar bem. A sí mesmo e todos os seus descendentes e amigos.

Uma outra parte desses adultos ajuda a construir a cada dia que passa a impressão de que somos o pior país do mundo, o último em tudo, o atrasado, o colonizado, a vergonha planetária. Isso evidentemente quando se trata de coisas boas. Quando são coisas ruins aí é o contrário e somos os campeões em tudo que não presta. Não se incluem aqui as bundas, o futebol e as bebidas nacionais.

No meio de tudo isso e para colaborar com essse suicidio nacionalista está a imprensa - a grande imprensa - que não poupa esforços em denegrir, mal informar, distorcer e difamar quando se trata de noticiar a politica e administração publica. Adjetiva, agride, xinga, ataca a honra, mente, faz tudo que pode para enxovalhar figuras publicas sem perceber que com isso desvaloriza não apenas as instituições republicanas mas põe em cheque o valor do voto democrático na medida em que sugere aos cidadão que seus eleitos não valem nada.

E por tabela de maneira quase despercebida sugere que votar não vale nada, que não muda nada. E nessa toada vamos descendo a ladeira, esquecendo nossos valores nacionais, vamos  entendendo que não vael a pena exercitar a cidadania pra o bem.

É triste ver na maioria dos comentários postados por navegantes diversos sobre noticias politicas nos grandes portais da web, são palavrões e xingamentos sem a menor sustentação na realidade.  Não passam de papagaios do que dizem os "gurus" articulistas e editorialistas da grande imprensa.

Não digo que tudo isso tenha origem orquestrada. Pode ser que nada tenha acontecido de maneira dirigida. Acho até que trata-se de uma sequencia de situações infelizes e entristecedoras. Uma porção de causas e efeitos impossíveis de serem pontuadas. Mas está aaí, e só não vê quem não quer.

O titulo que coloquei lá em cima tem o proposito de fazer um paralelo entre aquele ato terrorista de 11 de setembro lá "nozestadozunidos" e as nossas datas importantes. Está me parecendo que a depender da midia brasileira seremos lembrados pelo resto de nossas vidas sobre o que aconteceu e o que estavamos fazendo naquele fatídico dia para o país norte-americano. Não que não tenha sido importante o que aconteceu por lá. Mas que tal alguma coisa similar a respeito das datas importantes de nossa historia? Que tal uma campanha maciça para lembrar o 7 de setembro. Que tal um monte de eventos e informações historicas sobre isso?

Tenho saudade das bandeiras hasteadas na porta das escolas e as crianças decorando o Hino Nacional Brasileiro. Tenho saudade das fitinhas verde-amarela amarradas nas antenas dos automoveis. 

Tenho saudade do meu orgulho de ser brasileiro.

Fiquem em paz.

Jonas

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Enquanto isso na Republica da Roda Presa....



Tá bom mas tá ruim. Assim falaram aqueles que invarialvemente são escalados como consultores e especialistas de economia pelos guardiões da Republica da Roda Presa. . Para essas pessoas bom mesmo é nosso Brasil apenas copiar modelos importados. Pra que pensar? Pra que se arriscar? Pra que independencia? Se historicamente "usestadozunidos" sempre pensou e resolveu tudo por nós, que bobagem é essa de querer autonomia?

Os adoradores do mercado, como quaisquer outros adoradores, são fundamentalistas raivosos e sequiosos por entregar suas oferendas traduzidas na desgraça dos menos favorecidos. Sempre foi assim.

Com a baixa de juros anunciada pelo BC, danaram-se a questionar a independencia deste Banco. Não me consta e nem é crivel imaginar que este banco possa ser assim tão independente a ponto de negar-se a ajustar sua bussola para a mesma direção dos demais orgãos que cuidam da economia nacional. Pelo que eu sei o Banco Central é tão subalterno à Presidencia quanto qualquer outro ministério, secretarías, etc... Mas de repente parece que anunciar o fim do mundo não poderia ser tão desastroso quanto anunciar que o Banco Central perdeu sua total independencia. Coisa que nunca teve.

Se eu não me engano a sede do Banco Central, presidido pelo sr Tombini,  fica num país chamado Brasil e é de se esperar que por sua natureza economico-financeira, o sr Tombini e sua equipe vivam em sintonia com a demais equipes economico-financeiras da Republica a fim de fazer valer os projetos capitaneados pela Presidencia que é a chefe de todo mundo. Cabe a esta ultima mesmo que não de maneira anti-democratica dizer aos seus auxiliares - e esperar que eles a atendam - o que julga serem as melhores medidas para a economia do Pais. E ponto final. É assim que funciona uma República de verdade.

Mas a turma do tro-ló-lo não sabe ficar sem seu choro semanal. Vai daí, que o que era o anseio de muita gente até a semana passada ( uma queda na taxa Selic ) e que se concretizou esta semana, virou motivo de um chorôrô sem tamanho, acompanhado de ilações estapafurdias e a previsão para o fim do mundo na semana que vem.

Segue abaixo pequenas amostras das manchetes estampadas nos portais..., bem aqueles lá .... voces sabem.

Uol Noticias: Corte de juros afeta pouco o consumidor; impacto demora até 60 dias

Portal Terra: Após redução da Selic, PSDB coloca em dúvida autonomia do BC
 








quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Alôôôô...voces querem abacaxiiiiii ?



" Não vim para esclarecer, vim para confundir", já dizia Chacrinha. E ao que parece o grande mestre e comunicador da TV brasileira está sendo revivido por grande parte da imprensa brasileira e de seus discipulos.

Porém há uma triste diferença. Ao contrário do Chacrinha cuja empenho era nos divertir, os jornalões e as revistonas estão empenhados em sempre anunciar o fim do mundo para amanhã. 

A proposta de confundir ao invés de esclarecer é elevada a potencia máxima  através da informação sempre tendenciosa e com opinião unilateral. Não há pluralidade de opiniões e muito menos o cultivo da máxima da justiça democrática que concede a qualquer um o beneficio da duvida até que as culpas sejam comprovadas.

Quando se recusa de maneira sistematica a submeter-se aos padrões democraticos de convivencia, quando não admite sequer ser questionada a respeito de seu comportamento, brandindo uma liberdade e uma moral que ela mesma nega aos outros, ao imprensalona está desmontando a democracia.

Em que pese as tentativas ainda muito timidas da parte de politicos e entidades diversas de chamar a atenção para a grave falta de freios existente nos jornalões e nas revistonas brasileiras, é bastante preocupante que nada de concreto venha sendo feito na direção de regulamentar a divulgação de informações sejam de que natureza for, em especial quando envolver a honra e a moral dos individuos.

Para dizer a verdade a relação que se vê da sociedade com a imprensa é aquela mesma que nos diz aquele ditado que se coloca a tranca na porta depois de arrombada. De nada adianta, ou adianta bem pouco, o apelo para a Justiça afim de requerer indenizações por danos causados por noticias fantasiosas, pois bem se sabe, que a primeira impressão é a que fica. Não são poucos os casos de pessoas que não conseguiram mais recuperar suas imagens publicas após serem vitimas de mentiras jornalisticas.

Uma parte importante da imprensa brasileira está ocupada em desmontar a democracia e a tornar secundária as discussões sobre o que realmente importa para o destino do Brasil. A imprensa tem feito o que pode e o que não pode para disseminar entre os brasileiros o conceito de que honestidade e moral não é uma questão de opção mas antes de tudo trata-se de um padrão ideologico e que consta, evidentemente, apenas dos manuais partidários daqueles com os quais ela convive.

A honestidade e a moral é, segundo a imprensalona, patrimonio dela e de seus partidários. Sendo que seus conceitos são sempre muito relativos e difusos quando trata-se de seus pares e absolutos e rigorosos ao referirem-se aos seus opositores.

O resultado disso já se vê nos comentários da blogosfera, nas mesas dos botecos e nos churrascos em familia: definitivamente tudo que não presta no pais, tudo que tem de ruim e maléfico para o país, vem do atual governo federal. Trata-se de um maniqueismo impar: um governo ruim é 100% ruim em todos os seus atos e todos que pertencem ao governo ou seus eleitores são ladrões, desonestos e safados.

A imprensalona já conseguiu destruir em boa parte da população brasileira o discernimento, o bom senso, a parcimonia. A imprensa golpista apoderou-se indevidamente do papel politico que caberia aos politicos da oposição - e isso só ocorreu por incapacidade destes - e, de posse de instrumentos poderosissimos e de alcance invejável, divulga o que ela quer. De maneira unilateral e sem permitir o contraditório - pois orgãos de imprensa não são tribunas e nem parlamentos - a imprensalona criou o país ideal para ela apenas. 

A imprensalona tentou e conseguiu carimbar na nossa presidenta o apelido de Faxineira, fazendo a população não-pensante do pais, imagina-la uma gerentona visitando diariamente todos os orgãos publicos, vasculhando gavetas, inquirindo pessoas e demitindo quem ela suspeitar. A imprensalona conseguiu com isso reduzir a Presidencia da Republica à um orgão fiscalizador e punidor. Querem imprimir na Dilma o papel triste e quixotesco atribuido ao Collor e que deu no que deu.

Ora a imprensa não é e nunca foi apta ou habilitada para governar. Jornalistas ( ou jornaleiros) não têm o diploma necessário concedido pela população no exercicio do voto democratico, para decidir o que presta e o que não presta para o país. E não o tem também pelo simples fato de julgarem-se infaliveis, éticos e onipotentes, o que é uma aberração em termos de principios democraticos.

No entanto e devido a incapacidade da oposição em articular-se e apresentar propostas de governo, jornalistas e jornaleiros posam de vigilantes da democracia, da cidadania e dos bons costumes, fazendo discursos com verniz liberal mas que procuram tão somente apoderar-se de uma nação inteira a fim de executar seus projetos evidentemente nada honestos e muito menos patrioticos.

Já passou da hora de criarem-se instrumentos para regulamentar a imprensa. Não basta ficarmos falando mal dos Civita & cia bela. Mais um tempinho e já será tarde demais para evitar a desconstrução da democracia no Brasil. Mais um pouco e estaremos assistindo o advento da tirania midiatica. Já não tarda a chegada da implantação do Dia Nacional do Patrocinio, quando o Brasil se curvará de uma vez por todas às forças do liberalismo e do deus mercado, e babau pros interesses nacionais.

O que lí publicado aqui ( blog do bourdoukan) e que divido com vocês logo abaixo, resume de maneira muito feliz a atual obsessão da imprensa golpista do Brasil. Acredito ser esta a tradução mais fiel dos verdadeiros propositos dos Civita, Mesquita, Marinho, Frias e seus caninos seguidores. E é bom mesmo que se cite os nomes dos donos da midia brasileira, pois não é de se supor que a enxurrada de desinformações e confusões causadas pelos editorialistas e articulistas da imprensalona, que corre por aí, corra sem o mando desses senhores.

...Já não se odeia mais o passado
O presente não importa
É preciso liquidar o futuro...

Fiquem em paz

Jonas 






domingo, 28 de agosto de 2011

Quando é que a cavalaria vai nos salvar?



Junto-me ao coro dos indignados com  a atitude irresponsável da Veja ao publicar, neste fim de semana, matéria a respeito do petista Zé Dirceu que, segundo posso ler em toda a blogosfera, tratam-se da ilações sem fundamento e cujo propósito é apenas tumultuar o Estado brasileiro.

Repito o que já está dito por aí a exaustão Veja cometeu um crime. 

A tentativa de invasão do apto de Zé Dirceu, a fuga do Hotel sem pagar a conta, a divulgação de imagens internas do prédio configuram crimes diversos e eu quero perguntar se alguem vai tomar uma providencia policial e juridica contra a revista. 

Mas não basta ir em silencio até a delegacia ou tribunal mais proximo e tomar medidas timidas contra essas atitudes bandidas. É necessário que se faça um escarcéu. Maior que o escarcéu dela mesma. Precisam unir-se a direção do hotel, o PT, o Zé Dirceu, os demais politicos cujas imagens são exibidas e promoverem muito barulho, mas muito barulho mesmo juntamente com as providencias juridicas e policiais para apuração destes fatos. 

A empresa editora dessa revista precisa ser processada por conta de sua irresponsabilidade. Os individuos participantes da autorização para publicação e montagem desse rocambole jornalistico precisam responder nos tribunais e pagarem as penas previstas para seus crimes.

Se mais essa atitude moleque for tolerada e apenas for substituida pelo proximo "escandalo" inventado por essa revista não me resta outra coisa senão imaginar que são todos um bando de bundas moles e então merecemos essa revista e seus assemelhados.

Se as entidades civis e as organizações politicas todas não fizerem um estardalhaço juridico e policial em cima dessa editora então concluo que tá todo mundo achando ótima essa situação e que a noção de crime nesse nosso querido Brasil já desceu para além do vigésimo subsolo e já está botando o pé no fogo do inferno.

Se na segunda feira não houver o menor sinal de que o limite já foi alcançado e se as laudas e mais laudas escritas na blgosfera, se as declarações de indignação vindas de todos os lados, se as comprovações de que estamos diante de um caso de policia não se transformarem medidas concretas que coloquem um freio imediato nas pretensões insanas dos editores, jornalistas e articulistas desta revista, então estarei convencido de que os envolvidos nesses espetaculos quixotescos são todos cinicos, hipocritas e bandidos.

Já estou cheio de ser chamado à cidadania. Já estou cansado de dia após dia ser convocado à eterna vigliancia contra os que perderam faz muito tempo o senso e a noção do que seja a construção de um país digno. Já encheu o saco esperar que no fim do filme a cavalaria vai chegar e levar todo mundo preso. Já começo a desconhecer o que seja legalidade e respeito as instituições. 

Sempre acreditei na nobreza da arte politica. Sempre confiei em que fazer politica é debater ideais. Imaginei que fazer politica é ajudar a construir uma nação, é despertar em um povo seu desejo de desenvolver-se em comunidade. Mas estou percebendo que o que se entende por politica está virando a arte da bandidagem, da dissimulação, das acusações grosseiras e gratuitas, da hipocrisia e da pouca vergonha. Debates politicos estão se tornando menos nobres que debates futebolisticos em torno de mesas de botecos. Tudo está resumido em defesa e ataque. A politica brasileira não passa de um enorme Fla x Flu. Ninguém daqueles que participam dos destinos do nosso Brasil, parece disposto em recorrer as regras pura e simplesmente. E nas mesas dos botecos limitam-se apenas a xingarem a mãe do juiz.

De todos os quatro ou cinco lados das representações politicas no Brasil e dessa maldita imprensa não se vê uma atitude que encaminhe qualquer coisa concreta para por fim nesse desfile indecoroso de calunias e infamias que todos, todos mesmos, proporcionam todos os dias para nós pobres mortais cidadãos brasileiros.

Mas já está cansando. Já está dando ansia. Já está dando vergonha. Isso tudo é palhaçada. O Brasil está se tornando um enorme circo cuja lona é sustentada por essa imprensa corrupta, desleal e desonesta. Um circo em cujo picadeiro apresentam-se todos os dias os politicos que são caricaturas de palhaços ( que me perdoem os profissionais dessa arte ) fabricados por essa imprensa suja.

Fiquem em paz

Jonas









Musica para o domingo 280811

































... e o sonho não acabou. 


Declaro oficialmente desaparecido na minha mudança Recife X São Paulo meu livro com a toda a ficha tecnica das obras dos Beatles. Sendo assim, e temporariamente, publico apenas as musicas.

Mas um dia eu pego quem fez essa maldade comigo....

Fiquem em paz,

Jonas





quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Não existe liberdade sem informação


"Há um problema no mundo que é o problema da informação, o de nos estarem a controlar a informação. Hoje, as palavras mais construtivas, as mais limpas que se possam pronunciar, podem não chegar a lado nenhum, porque os meios de comunicação se encarregam de fazer com que não cheguem."

"O pior é que se está a armar um sistema em que as pequenas coisas são as que ocupam os espaços, a informação e a preocupação da gente. Os grandes temas aparecem então diluídos, por detrás, e não os vemos."

Estes dois paragrafos são de Saramago, publicados aqui e aqui. 

Vivemos dias em que a informação, que deveria servir para o enriquecimento humano, torna-se antes instrumento de dominação e perpetuação da ignorancia, por mais paradoxal que isso possa parecer.

O superabundancia da informação deu-se na mesma medida em que não aperfeiçoaram-se os instrumentos do discernimento, restando-nos a ilusória sensação de que fazemos alguma escolha, no entanto, na verdade, não há escolha, existe apenas um excesso de consumo de informação.

Pode-se dizer por aí que a partir das bancas de jornais com seus milhares de publicações, passando pelas centenas de televisões e rádios e chegando à internet, só não sabe das coisas quem não quer. 

Mas há que se perguntar antes de tudo: o que exatamente devemos saber? o que é mais importante que se saiba? E após isso, ao se ter as respostas, então sim - e só então - poderemos debater o que interessa para o mundo todo.

Dado que a informação, por todos os sistemas disponiveis, é ou patrocinada por interesses financeiros, quero dizer publicidade versus audiencia, ou então é manipulada pelos interesses particulares daqueles que a detém - na maioria das vezes ditadores em pele de democratas - pode-se dizer que toda informação disponivel é inexata, carente de confirmação, quando não é absolutamente mentirosa.

O fato é que talvez não saibamos o que queremos saber. Vem daí essa nossa incomoda insatisfação com as coisas, como se enxergassemos tudo através da bruma. E falta-nos não só a resposta mais importante, mas sequer sabemos fazer a pergunta que nos levará até ela.

Junto com a informação anda a liberdade. Há uma sutil, no entanto importante, confusão entre abundancia de informação com liberdade.  Jamais será por saber quase que instantaneamente o que se passa nos quatro cantos do mundo, que seremos livres. Ora, se sabemos que a liberdade vem do conhecimento puro e profundo a respeito de tudo, e se não o temos, como podemos ser livres?  Tudo que me é permitido saber é manipulado e se é manipulado como posso saber plenamente, ou ter conhecimento suficiente para dizer-me livre?

Existe mesmo uma estreita e insuperavel ligação entre liberdade e conhecimento, não se tem uma sem ter o outro. 

Quando sairmos da periferia do que  nos dizem para ser discutido e nos aprofundarmos em busca do que é realmente importante debater, aí sim seremos livres.

Fiquem em paz,

Jonas













sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Neymar e Ganso ou Lula e Dilma?




E que me desculpem os santistas mas do jeito que as coisas estão agora no Brasileirão, se o campeonato terminasse hoje o Santos seria rebaixado, mesmo contando com dois dos mais festejados craques atualmente que são Neymar e Ganso. A reflexão a respeito disso é óbvia mas vale a pena lembra-la na medida em que, no futebol assim como em outras áreas, existem os radicais que em muitas medidas tornam-se cegos para as obviedades. 

Um time de futebol vencedor é composto de 11 jogadores sintonizados, sincronizados, valorizados e motivados por igual, uma comissão técnica isenta de preferencias pessoais na hora de escalar o time e uma diretoria interessada em manter sua torcida - razão de ser do futebol - satisfeita. 

E por cima disso tudo é necessária a presença de uma torcida atenta, exigente e colaborativa, imperdoavel nos desmandos e que saiba empurrar seus jogadores na hora do jogo. Por isso vencer no futebol vai um tanto além do que confiar em um ou dois craques. Uma lista razoavel de circunstancias favorece ou não a conquista de um campeonato.

Uma vez eu integrei a torcida de um time que estava atenta para todas essas circunstancias e que, por consequencia, viria a ser vencedora. Eramos uma torcida diferenciada, como diriam os cheirosinhos de Higienópolis. Manifestavamos quase que 24 horas por dia a nossa preferencia pelo nosso time.

Chegavamos mesmo a participar de várias palestras do tecnico. Houve uma delas que ocorreu em plena escadarias da Catedral da Sé. Me lembro como se fosse hoje. Lá estava eu no meio daquela multidão, acompanhado de minha familia. Era lindo se ver. Todos com bandeiras, camisetas, cantos de guerra, e cada vez que o time aparecia na escadaria, ou o técnico empunhava o microfone, gritavamos e aplaudiamos querendo dizer: contem com a gente, esse campeonato está no papo. Ao fim da palestra subimos a Brigadeiro até a Paulista, orgulhosos e confiantes na nossa vitoria.. Outros torcedores surgiam nas janelas e sacadas dos edificios e nos aplaudiam e vibravam com a gente. Não era possivel errar.

Depois fui morar em Porto Alegre e confesso que fiquei surpreso ao conhecer mais uma quantidade enorme de integrantes da torcida do mesmo time tão boa e tão motivada quanto a de São Paulo. Aos domingos pela manhã ficavamos todos reunidos na Redenção empunhando nossas bandeiras, vestindo nossas camisetas, reunidos em pequenas rodas de bate-papo ou caminhando exibindo com orgulho as cores do nosso time. Com esse gesto mostravamos aos nossos adversarios que estavamos cada vez mais unidos em torno da meta. 

E mesmo não tendo podido participar de outras paletras por lá, mesmo assim estive no meio de muitas manifestações publicas pelas ruas da cidade em favor do nosso time.

Tudo ia dar certo pois em nosso time jogavam os mais respeitados craques nacionais. Nossa comissão técnica era composta de pessoas capazes de identificar com clareza todas as fraquezas dos adversários, preparando o time para o jogo final. E a diretoria sabia do que a torcida precisava. E o mais bacana de tudo foi a inovação implantada por essa diretoria e que se tornou a base de muitas de nossas vitorias: a cada campeonato, nós torcedores, eramos chamados a escolher junto com a comissão tecnica quem seriam os jogadores escalados.

Enfrentamos algumas finais e perdemos, hora por nossos proprios erros, hora pelo jogo sujo dos adversários que contaram algumas vezes com a ajuda do juiz.

No entanto apesar de tudo e de todos finalmente vencemos um campeonato nacional. Depois vencemos outro e mais outro em seguida. E disputamos e vencemos com a mesma garra tanto campeonatos regionais como estaduais. Consolidamo-nos como competidores do melhor nivel, não imbativeis, mas que não se amedrontam diante do jogo sujo de alguns adversários sempre presentes em todos os jogos.

Mas com o passar do tempo a minha torcida, minha querida torcida, pareceu ficar satisfeita com apenas um ou dois craques e, se não chegou a desprezar os outros jogadores, deixou que o brilho de um ou dois ofuscasse o brilho dos demais.

Essa torcida, cuja garra e alegria estão guardadas para sempre em meu coração, parece que acomodou-se, baixou a guarda, perdeu a garra ou , vá lá quem sabe, passou a ficar muito certa da vitoria para sempre. E começou a comportar-se de tal maneira confiante que largou sua natureza vigilante e exigente, relaxou e partiu para a mera provocação do adversário, usando aqui e ali os mesmos metodos que estes.

Do mesmo jeito que a torcida, tambem a comissão técnica e a diretoria voltaram-se para afazeres estranhos àqueles que eram o desejo dos torcedores. E enquanto isso permitiram que torcedores contrários começassem a frequentar nossas reuniões, tomando posição de destaque e até mesmo participando da escalação do nosso time. 

Tudo saiu dos eixos e, para mim, a excessiva confiança em apenas um de nossos craques, está permitindo que esse acredite em demasia nas suas habilidades e seu destino vitorioso a ponto de chegar a sugerir que nós, os torcedores, não devemos mais votar em favor dos jogadores que queremos ver em campo.

Meus amigos torcedores deixemos um pouco de lado essa acomodação de torcedor que hora despreza o adversário e hora fica procurando desculpas esfarrapadas, como culpar o juiz sempre, para justificar nossas derrotas.

Vamos de novo pra rua com nossas bandeiras e camisetas, vamos pra frente da sede do nosso clube. Mas dessa vez para exigir da nossa diretoria e da comissão tecnica que retomem as mesmas orientações e o mesmo estilo de jogo que nos levaram a tantas e inesqueciveis vitorias. Estou preocupado com essa acomodação dos excessivamente confiantes, com esse pouco caso a respeito da habilidade dos adversários, que não necessariamente são desonestas.

Precisamos montar guarda, fazer vigilia, mostrar que estamos ativos e atentos. Mostrar que a torcida é e sempre será a razão de ser de qualquer campeonato, de qualquer time. Não haverá jogo se a torcida se desfizer. Não existirão craques se a torcida não os reconhecer e não escala-los. O clube depende e sempre dependerá de nós. Precisamos parar de dar desculpas estapafurdias por nossas derrotas. 

De minha parte eu digo que o amor pelo meu time não morrerá jamais, ao que eu saiba não existe ex-torcedor. Mas não estou gostando nem um pouco dessas escalações e do excessivo brilho que se quer dar a um ou dois craques. Ninguém joga sozinho. Eles precisam de nós e devem ouvir-nos. Vamos lá.

Quem quiser entender que entenda.

Fiquem em paz,

Jonas

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Não foi o PT que inventou o "despachante"


































Foi lá nos idos da década de 70, em pleno vigor da ditadura militar a mesma que deixou tantas viuvas chorosas e saudosas por esse país afora, que eu tirei minha carteira de motorista. No dia do exame no Detran eu ouvi de meu instrutor da auto-escola que eu poderia tirar minha carteira sem fazer os testes, bastava dar uma caixinha que a emissão de minha CNH estava assegurada.

Em meu recente retorno à São Paulo tomei conhecimento que o Detran mudou de lá da 23 de Maio para a Avenida do Estado e, à boca pequena, comenta-se que a mudança deu-se pelo  fato de que as ratazanas corruptas que habitavam aquele prédio por muitas decadas já estavam roendo os alicerces do mesmo, e que este já ameaçava ruir tamanho eram os descalabros e roubos cometidos entre aquelas paredes e nas suas redondezas povoada por centenas de outras ratazanas denominadas despachantes.

O Brasil deve ser o único pais do mundo que tem essa praga-mãe da corrupção chamada despachante, que aos poucos está se extiguindo, não por causa do apego a ética e a honestidade de uma parcela significativa da população do nosso país, mas por que aos poucos surgiram mecanismos de atendimento ao publico que tornaram desnecessárias essas figuras.

Mas o despachante ainda anda por aí, chamado agora de lobista, consultor ou intermediador - eufemismos chiques para corruptor - e que continua levando e trazendo propinas para funcionários publicos de primeiro, segundo, terceiro e ultimo escalão.

O meu unico neuronio portador de algum conhecimento de sociologia desconfia que o corrupto despachante surgiu da estranha ojeriza que o brasileiro tem por esperar sua vez na fila e menos ainda por cumprir todos os tramites junto as repartições publicas.

Não sei bem se o despachante é filho da burocracia ou vice versa, ou se ambos são irmãos, filhos da mesma mãe, mas o fato é que a existencia dos dois levam à corrupção.

A mim me parece que desde sempre é assim: seja para a emissão de uma simples certidão de qualquer coisa até regularização da documentação de uma empresa (que em seu passado possui historico nebuloso sobre suas atividades) é só contratar um despachante - ou que outro nome tenha - desses que tem acesso, jeitinho e amigos nos orgãos publicos e que especialmente conheça os valores de litros de uisques, carros zero ou viagens para paraisos fiscais e pronto está tudo certo.

Tenho um outro neuronio bastante solitário metido a economista e que vive me dizendo que nem precisa se reunir com seus colegas da mesma área  para perceber que uma grande fatia do bolo de dinheiro que circula no mundo - mas estamos falando apenas do Brasil -  passeia livre, leve e solto pela informalidade - um outro eufemismo para ilegalidade - fruto de atividades corruptoras praticadas por especialistas em furar a fila, obter favores para amigos ou ajoelhar-se submisso em frente dos balcões das repartições.

De um jeito ou de outro uma parte grande da nossa sociedade sempre tolerou ou, pior ainda, estimulou e aplaudiu o chamado jeitinho brasileiro que acabou tornando-se a pedra angular da corrupção quase epidemica que assola nosso Brasil.

Os discursos indignados do pessoal da UDN, do Tea Party tupiniquim, do Cansei, das viuvas da criminosa ditadura militar e dos preconceituosos em geral são cinicos. Nunca ouvi do PIG uma noticia sequer sobre as pequenas corrupções e infrações cometidas por esse pessoal, dentro de supermercados, nos estacionamentos, nas filas de bancos, nos cartórios, nas leis de transito, etc. etc. etc., e que julgam que corrupção só tem uma via - aquela que leva ao funcionário público - e se esquecem da via em que trafegam os corruptores que certamente são individuos e representantes de empresas em geral que buscam todo tipo de vantagens. Noticias essas que se fossem publicadas poderiam quem sabe servir de elemento constrangedor para aqueles que, despossuidos de coluna vertebral, servem àqueles que melhor lhes remuneram não importa de que jeito.  Nunca vi ser publicada a foto dos corruptores emcimadas por manchetes sensacionalistas e nem sempre verdadeiras.

Deve ser por causa de uma outra visão miope do funcionalismo publico e que julga que os representantes dos serviços dos governos são propriedadas do pais e que podem ser achincalhidos e humilhados do jeito que melhor convier.

Antes que digam que vim aqui apenas justificar a corrupção como sendo algo que se faz há muito tempo e por muita gente, informo que indigno-me tanto quanto qualquer brasileiro por sentir-me lesado. Sinto-me , na maioria das vezes, um perfeito idiota por cumprir meus deveres de cidadão e todos os outros deveres que dizem respeito aos vários papéis que exerço no meu cotidiano. Mas minha indignação não é APENAS contra os funcionários publicos que se deixam corromper mas também contra a parte da sociedade civil que os corrompe.

Ah! Já ia me esquecendo: NÃO dei a caixinha sugerida pelo meu instrutor da auto-escola. Prestei exame normalmente.

Mas todo esse papo aqui é apenas um preambulo ou justificativas iniciais para meu próximo texto através do qual pretendo contribuir - contribuições estas que tem o mesmo tamanho da minha importancia nas decisões  do país, ou seja, nenhum - e que passam inevitavelmente pela reforma politica como forma de diminuir a corrupção. Até já.

Fiquem em paz,

Jonas













domingo, 14 de agosto de 2011

Músicas para o domingo - especial para os pais

Em uma música cantada por Adriana Calcanhoto, chamada Mulher Sem Razão, tem um trecho que diz:
" .. ouve o teu coração ao cair da tarde, ouve aquela canção que não toca no rádio.."

É verdade que todo o conjunto da letra e da música não tem muito a ver com essa conversa que proponho ter com voces, meus raros e caros leitores e em especial com os papais, em todo caso essa frase que citei é um gancho e tanto para reflertimos um pouco sobre os dias que vivemos atualmente.

Começo por lembrar que pelo que se sabe nunca se ouviu tanta música como  nos dias de hoje. Certamente os tocadores portáteis de música, a globalização no comércio das composições e o advento da internet são instrumentos que contribuiram demais para isso.

Mas também  é verdade, lamentavelmente, que com a universalização da comunicação, os mesmo meios que trazem aos nossos ouvidos as canções que todos queremos ouvir, trazem também todo tipo de apelo, de convocação, de chamadas, de pregações, ruidos de toda natureza, e tudo parece querer nos indicar os caminhos com soluções iguais para tudo e todos. É a ben(mal)dita globalização que desfaz nossa individualidade.

E a barulheira é tamanha que nos esquecemos das doces melodias que tocam solitárias dentro de cada nós e que nos inspiram e animam nossos passos pela vida, as vezes se parecendo com passos de uma dança , em outras nossos passos são marchas altivas e em algumas apenas passos cansados. E mais que tudo e na maioria das vezes as canções que tocam em nossos corações são de uma porção de jeitos bem agradáveis para quem está junto de nós.

Aos papais, entre os quais me incluo, seria bom de vez em quando que pudessem ouvir as canções que tocam não apenas em seus corações mas também nos corações dos seus filhos. E cantar e dançar junto com eles essas melodias cujos acordes só nós sabemos tocar, em busca de uma ajuda mutua para a manutenção da individualidade e da vida em plenitude. 

Tem canções escritas dentro de cada um de nós, é melhor deixar tocar...

Fiquem em paz,
Jonas










sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Junto com o PIG



Ontem, enquanto eu aguardava na seção de frutas e legumes do supermercado enquanto a Rita fazia a escolha de alguns itens, fiquei ouvindo a conversa de duas funcionárias do supermecado que faziam a limpeza por alí. E a primeira perguntou para a segunda como tinha sido o capitulo da novela no dia anterior. E a segunda, citando o nome de cada um dos personagens, ia desfiando o rosário de maldades que normalmente são vistos nas novelas: traição, infidelidade, corrupção, roubo, planos desonestos dos caricatos e grotescos ocupantes de cargos publicos e assim por diante. Enquanto eu ouvia fiquei esperando que ela narrasse também "aquele" beijo ( lugar- comum em todas as novelas) ou então - suprema ingenuidade minha! - que ela falasse do personagem sempre presente nessas historias, o tal bonzinho, que nunca se dá bem, mas vive tentando consertar as coisas. Mas a narradora não falou nada disso. No fim da lista das maldades ela se calou e as duas funcionárias concentraram-se de novo em seus afazeres.

E eu perguntei aos meus botões por que raios será que nos enredos das novelas, que são sempre e  invariavelmente os mesmos, os personagens que parecem ser os preferidos são aqueles de pior carater, ou no minimo são os que mais divertem e pelos quais a audiencia mais torce.

Enquanto meus botões pensavam na resposta, eu me lembrei da midia em geral, dos jornalões, revistonas e seus congeneres e em um deles em especial que é a Rádio Jovem Pan, e pensei que esta emissora parece estar tornando-se, a exemplo dos escritores de novelas, especializada em mostrar apenas o que os personagens da politica e administração federal nacional fazem de ruim.

Nesses meus dias de desocupação forçada tenho me tornado um ouvinte da dita rádio, pois um dos meios de comunicação preferido da Rita são os irradiados, vai dai que eu a acompanho na audição da, repito, Jovem Pan.

Na redação dessa tal rádio tudo que se escreve a respeito da presidencia da republica e dos ministérios do Brasil é digno de fazer parte da galeria dos piores folhetins já escritos. E tome descer o pau em todos os participantes do governo central em todos os niveis que, se os redatores das noticias pudessem, os descreveriam de maneira tão esculhambada quanto os funcionários publicos de novelas.

Ah sim! Mas tem também as informações a respeito dos governos estadual e municipal de São Paulo, mas sobre estes as noticias são tão importantes e fundamentais para o funcionamento da máquina publica, quanto são importantes os anuncios colocados no mural das paróquias comunicando os proximos bingos e quermesses. Fica-se sabendo sobre as condições do transito, o projeto de alguma nova ponte e nada além disso.

E fico eu ao "pé do rádio"  todos os dias, do mesmo jeito que fiquei ontem junto das funcionárias do supermercado: esperando a parte boa das narrativas. Esperando que se fale sobre qualquer coisa boa, qualquer coisa boa mesmo e que esteja acontecendo no governo federal. Mas ao final concluo que ou as noticias transmitidas são parte do capitulo da novela de ontem ou então as letras "JP" exibidas no logotipo da tal emissora não significam "Jovem Pan" e sim "Junto com o PIG".

Fiquem em paz

Jonas







segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O sabão Omo e a Globo



Encafifo-me demais todas as vezes que vejo a Omo anunciando um sabão com nova fórmula. E a tal nova fórmula vai lavar muito melhor, mais profundamente, mais perfudamente. E mostram as entranhas de uma peça de roupa para onde os novos cristais vão em busca da sujeira mais escondida e deixando tudo limpinho e cheirosinho. E me pergunto: Ué! Mas a formula anterior já não fazia tudo isso.

E fico assim pensando se o fabricante não está a pensar que seus consumidores não se dão conta disso, ou se ele - o fabricante - sempre aposta na fidelidade canina na famosa marca destes mesmos consumidores

E ocorreu-me a mesma coisa  neste fim de semana, quando eu li que a Desorgonizações Globo fez publicar  o seu manual de conduta jornalistica - sob o pomposo titulo "Principios Editoriais" - para todos os seus funcionários de todas as midias cujo foco principal é ética, isenção e credibilidade. E imediatamente veio-me a pergunta: Ué? Mas não foi sempre assim?? Não foi assim lá naquele dia da bolinha na testa do Serra? Não foi assim no dia do acidente com o avião da Tam em Congonhas, dia em que o sr Bonner Simpsom deixou o ar condicionado do estudio e foi lá na beira da pista culpar o governo federal na pessoa do Lula como responsavel pelo acidente? 

Tá bom, tá bom, também não me precisa chamar de ingenuo né?

Assim como as peças de publicidade do sabão, a Globo também nos brinda com uma peça publicitária dizendo que agora vai. Então tá. Em um ambiente onde a cultura reinante desde os idos da "ditadranda" é de nitida tendencia ideologica e onde não se poupa esforços para destruir moralmente aqueles que não se afinam com os interesses de seus donos, de repente basta colocar no papel que todos devem ser éticos e isentos que vaptvupt! todos se tornam éticos e isentos. ( importantissimo: como em todos os lugares, na Desorganizações Globo já existem desde sempre pessoas éticas e isentas, não sei quantas são, mas que tem, tem.). Será que antes existia um manual onde a ordem era ser antiético e tendencioso?

Mas deixa isso pra lá e vamos fazer de conta que ok, tudo bem e vamoquivamo. E como consumidor esporádico de um ou outro produto de algumas das midias da Desorganizações Globo, quero, a exemplo de qualquer outro consumidor, contribuir sobre o que eu julgo ser uma melhoradinha nesse tal manual. Então lá vai, são só duas sugestões:

A primeira é que pudesse se tornar norma em todas as noticias que citassem nome de politicos fossem citados também e obrigatoriamente o partido a que pertencem. Pois não sei se os leitores concordam mas quando é noticia ruim envolvendo partidários da situação ( sim estou falando do PT e sua base) o partido é citado e quando não, não. Pois sei lá entende? Eu fico - e não sei se os demais milhões de ouvintes da noticia tambem ficam - com a impressão de que coisas desonestas, imorais, antiéticas, estapafurdias e otras cositas mais, somente acontecem com os petistas e seus aliados. Os demais é claro são todos santos. Então seria simples assim: disse o nome de um politico diga-se também o partido dele. Para o que der e vier.

Penso também que a palavra governo com o passar do tempo passou a ser tradução apenas do governo federal. Pois que se faça também, e obrigatoriamente, a explicação de que governo está se falando: se federal, estadual ou municipal, de preferencia citar nomes do presidente, ministros e secretários, prefeitos e governadores. Não só para que se dê nome aos bois mas para que fique claro para a população em que esfera se enquadra a noticia.

Um caso representativo disso que estou falando é por exemplo a esculhambação injusta e nada isenta quando o assunto é imposto. O sentimento que se tem que é o único e exclusivo arrecador de impostos no Brasil é o governo federal. Bem eu nem vou citar aqui as dezenas ( quem sabe centenas?) de impostos e taxas cobradas nesse nosso querido pais cuja arrecadação é feita pelos tres niveis de governo.

Dirão alguns que estou sendo ingenuo - de novo - mas são com coisas assim pequeninas que se constroem a consciencia politica nacional. É assim que se aprende a distinguir quem é quem na politica de um país e as esferas de responsabilidade.

Fiquem em paz

Jonas