Reflitamos um pouco sobre o que temos em nossas mãos por esses dias. Pensemos a respeito do mundo estamos que construindo para os que virão depois de nós. Rezemos e fiquemos em paz.
Jonas
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
O Quinto Beatle
É bem comum ouvir por ai essa expressão “ quinto Beatle” e que refere-se às pessoas que estiveram em torno do quarteto ajudando-os no desenvolvimento e execução do seu trabalho.
Muita gente fala no tecladista Billy Preston ou no o assessor de imprensa Derek Taylor ou ainda num dos principais executivos da gravadora Apple, Neil Aspinall. A lista é grande.
E tem George Martin. Produtor e arranjador, do inicio ao fim da banda, de todas as músicas compostas pelos quatro cabeludos de Liverpool.
George Martin foi o principal incentivador da banda. Olhem só o que ele disse ao reporter Geneton Moraes sobre seu trabalho no começo do quarteto:
"Quando comecei a trabalhar com os Beatles, logo no primeiro ano,depois que eles gravaram "Please, Please Me", eu disse: "Senhores, este é o primeiro sucesso..". Propus um desafio: "Agora, tragam-me algo melhor!". Os dois voltaram com "From Me To You" - que era boa. Depois, me trouxeram "She Loves You", melhor ainda. Em seguida, "I Wanna Hold Your Hand",fantástica! A cada vez, compunham algo diferente da anterior. Não era como "Guerra nas Estrelas I", "Guerra nas Estrelas II", "Guerra nas Estrelas III". Davam um tratamento original".
"Digo que esta curiosidade e este esforço para transpor o horizonte é que caracterizaram o pensamento de John e Paul. Isso é que os fez tão bons! Sempre tentavam melhorar, sempre tentavam ser mais originais. Perguntavam-me: "Que som podemos ter? O que é que você pode nos dar? O que é que não sabemos ainda? Ensine!".
Ou seja George Martin dedicou-se a desafiar John e Paul contibuindo assim para que viessem tocar em nossos ouvidos algumas das melhores músicas compostas nesse planeta.
E Martin tinha também sua veia criativa. São dele algumas das musicas da trilha sonora do filme Yellow Submarine, um desenho animado estrelado pelos Beatles.
Como se sabe o filme é a história de um terra onde seus habitantes eram ameaçados pelos Azuis que não gostavam e nem permitiam que se tocassse música.
Então o sargento Peppers, de Pepperland, chama os Beatles para ajudar a combater os tais Azuis.
Durante a viagem os Beatles atravessam várias terras ou paises que vão dando significado às musicas da trilha sonora ou vice-versa.
Destaco para voces a música Pepperland, composta por George Martin e executada pela orquestra dele mesmo.
Fiquem em paz
Jonas
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Maquiagens e Barbies
Neste Dia das Crianças eu me ví diante da mistura das aguas do rio da vida da Gigi. Essa mistura está materializada nos presentes que involutariamente, é bom que se diga, compramos para ela: um pequeno estojo de maquiagem e uma boneca Barbie.
Na hora eu comentei com a Rita: estamos presenteando uma moça ou uma menina? E percebemos que estamos assistindo isso sim uma mudança de fase na vida de um ser humano.
E me lembrei que ultimamente tenho estado atento a essas coisas, mas eu não fui sempre assim. Com as devidas desculpas aos meus filhos eu sou obrigado a confessar que com eles raramente eu me dava conta dessas coisas.
E eu desconfio que sei por que. A mim me parece que minha vida tinha outras prioridades que não passavam nem perto da contemplação, da valorização da vida e da percepção das emoções.
A embriaguez causada por outras prioridades e outros valores me afastavam do real significado de nossa existencia que é perceber a presença do outro e tentar entender o que se passa com o outro.
A embriaguez motivada por outros atrativos não deixava cravar em meu coração as incontaveis nuances da beleza da vida.
A embriaguez do riso fácil não me solidarizava com as dores que os que me são caros sentiam.
A embriaguez em poças rasas me impedia de mergulhar fundo e descobrir a diversidade da vida.
A embriaguez da superficialidade não me deixava confessar meu compromisso com a vida dos que me amam. E que me amam apenas por que eu sou o que sou e não pelo que eu acho que eu deveria ser.
Então o que eu quero agora é a sobriedade que me faz abrir os olhos para um horizonte largo, plano e promissor.
Preciso me manter sóbrio para entender as fases da minha propria vida, recheda de sucessos e fracassos. As minha próprias lições.
Só a sobriedade pode me fazer rir ou chorar com sinceridade diante das surpresas da vida. E a vida não pode ser perdida tão a toa.
E como eu digo sempre uma infinidade de situações concorreram para que eu chegasse até aqui e que tudo acontecesse comigo do jeito que está acontecendo. Eu preciso entender isso e cuidar de tudo com ponderação, parcimonia e sobriedade.
É preciso lembrar sempre da simultaneidade da vida e que não somos apenas cativos de algumas pessoas ou de algumas coisas e muito menos somos apenas cativeiros. Nós somos as duas coisas ao mesmo tempo.
Fiquem em paz
Jonas
domingo, 10 de outubro de 2010
Cenas épicas
O lançamento de um celular, o Smartphone Epic da Samsung, gerou uma idéia bacana. São vários pequenos curtas sobre cenas épicas de beijos, lutas, romances e que tais.
E junto com essa idéia bolaram um concurso de curtas que devem ser feitos com o tal celular Epic. O vencedor ganha 25.000 dolares.
Curtam os curtas.
Fiquem em paz.
Jonas
E junto com essa idéia bolaram um concurso de curtas que devem ser feitos com o tal celular Epic. O vencedor ganha 25.000 dolares.
Curtam os curtas.
Fiquem em paz.
Jonas
sábado, 9 de outubro de 2010
Sir John Winston Lennon
Hoje, 09 de outubro, é o aniversário de duas pessoas importantissimas: uma delas é meu sobrinho Eduardo
(Edu para mim) Salve Edu! Continue sendo o ser humano especial que você é. Que o bom Deus o abençoe sempre.
A outra pessoa é John Lennon. Se estivesse vivo estaria completando 70 anos hoje. Se é que tem alguém que não sabe, ele juntamente com Paul McCartney formou uma das duplas de compositores músicais mais geniais da história da música e esbanjaram competencia e criatividade como Beatles e depois em suas carreiras solos.
Quando se fala em Beatles é comum os fãs dizerem que gostavam mais desse ou daquele integrante da banda. A Rita, por exemplo, gosta mais do George, já minha cunhada Conceição e a Margie Simpson gostam mais do Ringo.
Para mim não há um beatle preferido, entendo que eles formavam uma unidade e não consigo destaca-los, pois penso que se o fizer quebrarei um dos lados desse quadrilatero absolutamente perfeito chamado The Beatles.
Mas certamente ele tinha sua personalidade bem diferente dos demais. Era bem ironico, um poeta engajado, sonhador. Teve também seu lado roqueiro simplesmente. Quando ainda como beatle envolveu-se com tudo que os roqueiros se envolvem. Mais tarde acabou tornando-se um militante pacifista e teve problemas com o FBI para conseguir residencia nos Estados Unidos, mas conseguiu. E, ironicamente, justamente no país onde ele brigou tanto para morar foi onde acabou assassinado por um desequilibrado que o matou em Nova York na noite de 08 de dezembro de 1980.
John também teve seu lado de pai amoroso quando em 1975 nasceu seu filho Sean, e então passou a dedicar-se exclusivamente a ele durante cinco anos que ficou sem fazer outra coisa qualquer inclusive sem compor e nem gravar. Cinco anos depois gravou juntamente com Yoko Ono um belissimo album recheado de poesias chamado Double Fantasy que acabou sendo seu ultimo trabalho.
Quanto às suas músicas sou suspeito em falar delas e confesso uma dificuldade muito grande em escolher a melhor mas ouso fazer uma escolha de tres composições que traduzem fases bem distintas de sua vida mas que revelam sua personalidade sonhadora e ativista ao mesmo tempo.
A primeira ainda como Beatle chama-se Strawberry Fields Forever e faz um chamamento para uma viagem interior. Me parece inspirada na fase psicodélica e lisérgica que os quatro andaram experimentando.
A segunda já como solo chama-se Mind Games e a chamada é na direção de que todos devemos jogar jogos mentais. Pensar na paz e no amor. Pode ser que a corrente do pensamento faça florescer o amor sobre a terra.
A terceira é do album Double Fantasy e é uma lindissima declaração de amor chamada Woman em que Lennon confessa-se totalmente entregue ao amor de sua mulher ( Yoko) e é dela dependente.
Logo depois das fotos estão os videos, espero que voces gostem. Espero que o Edu goste.
Fiquem em paz,
Jonas
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Minha silenciosa vingança
Do outro lado da rua do nosso prédio, bem em frente, tem uma dessas casas que são alugadas para eventos e festas. Festas que geralmente acontecem no fim de semana e vão até lá pelas 2:00 da madrugada. E festa que se preza tem musica alta e de preferencia ao vivo. E como não poderia deixar de ser, meu quarto fica de frente para a tal casa. Já podem imaginar que nos dias de festa eu não durmo muito bem não.
E na ultima festa o pessoal mandou as favas e de vez a tal da Lei do Silencio e a festa seguiu animadissima até as 03:30 hs.
Eu acordei lá pelas 00:30 e de inicio tolerei e até gostei do repertório da banda que estava tocando. Esperançoso de que logo fosse acabar eu até pensei comigo mesmo que no dia seguinte iria procurar o sindico para saber se alguém um dia tinha tentado tomar alguma providencia a respeito disso.
Em seguida, e já completamente desperto, comecei a pensar que eu mesmo – no dia seguinte- iria procurar os orgãos responsáveis por fazer respeitar a lei.
O tempo foi passando e a banda começou a tocar roques dos anos 60 e nesse momento eu comecei a me imaginar usando blusão de couro, calça jeans e, junto com minha gangue de motoqueiros, eu parava na frente da tal casa, chamava todo mundo pra briga. E depois do quebra-quebra eu saia satisfeito com a paz retornando ao lugar.
Foi quando a banda passou para uma ou duas musicas italianas tipo tarantela e então na minha cabeça eu estava desembarcando de um baita sedã preto bem na porta da casa, junto comigo, vindos em mais tres sedãs pretos, dez sujeitos invocados protegiam minhas costas enquanto eu – em um encontro reservado com o dono da festa – exibia para ele uma foto da propria mãe, dizendo que estava preocupado com a saude daquela boa senhora pois eu acabara de ve-la amarrada e sendo embarcada em um barco de pesca lá no cais. O dono da festa saiu correndo e o silencio reinou.
A banda tascou essas musicas “pulantes” e o cantor gritou: tira o pé do chãããooo! E eu me vi com meu pelotão de ninjas descendo de escadas de corda pendentes de helicópteros que sobrevoavam a tal casa. Todos armados de metralhadoras e lança-chamas. Ouvi pratos, copos, sopeiras e saladeiras sendo estilhaçados pelas rajadas e, ao mesmo tempo, os lança-chamas assavam as carnes dos presentes. Os musicos fugiam gritando e tudo ficou quieto.
Mas eu continuava a ouvir muito barulho e que não identificava mais como música mas sim como de parabrisas dos automoveis estacionados em frente a festa e que eu quebrava com meu bastão de beisebol e em seguida ouvi explosões de dinamites que eu coloquei no alicerce dos muros que faziam tudo ruir e por ali passavam as pessoas fugindo apavoradas e finalmente a paz podia ser ouvida.
A banda passou a tocar um frevo e nesse exato momento eu entrei na festa. Estava fardado e com muitas estrelas brilhando em meus ombros e dezenas de insignias enfeitando meu peito, e eu gritava para meus 30 comandados: prende todo mundo ! Vai todo mundo passar a noite em cana. Foi quando o cantor gritou: valeeeeeu pessoal! Boa noiteeeee!.
Tudo ficou verdadeiramente quieto, já eram quase 03:30, e então eu dormi. Dormi o sono daqueles que tem consciencia do dever cumprido.
Fiquem em paz,Jonas
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Trocar palavras
É comum algumas palavras serem substituidas por outras a fim de que a mesma coisa passe a ser interpretada de maneira diferente ou menos preconceituosa, mais aceitável.
Dois exemplos: antes referiamo-nos aos com mais idade como velhos, sendo que com o passar do tempo velho passou a ser sinonimo de coisa ultrapassada, então agora as pessoas de mais idade são idosas. Os veados – essa palavra não era dita em casa de familia – agora se chamam gays cuja expressão foi integrada ao vocabulário de todos nós sem conotações pejorativas.
Estou achando que é hora de pensarmos na palavra amor.
Dizer amor nos remete à renuncia, zelo, atenção, fidelidade o que, na maioria das vezes, exige presença. O amor que conhecemos e entendemos quase sempre só pode ser praticado através da convivencia mutua e do conhecimento reciproco.
Pode ser muito dificil entender que amor pode ser praticado entre estranhos proximos ou distantes.
Além disso tudo, a palavra amor traz – a depender do caso – proposta de compromissos que podem não corresponder ao que verdaderiamente estamos a fim. E acima de tudo é muito confuso declarar amor por pessoas que nunca vi, não conheço e jamais conhecerei.
Estou falando tudo isso por que toda a humanidade anseia por amor e passamos nossa vida toda querendo amar e ser amados. Mas tem um conflito aí que surge justamente dos significados mais comuns da palavra amor. É complicado eu dizer que amo minha vizinha. Um pai pode ter um ataque cardiaco se o filho dizer que ama o amiguinho da escola. O chefe pode ser processado por assédio sexual se disser à sua secretaria que a ama. E alguém me chamará de exagerado se eu disser que amo os esquimós.
Que tal trocar por respeito? Está aí uma palavra pouco usada e quem tem quase todos os significados da palavra amor mas não carrega os mesmo compromissos. Respeitar é não burlar, não ferir, não lesar, não magoar, etc... E pode-se muito bem respeitar sem conhecer, sem conviver.
A Rita não ficará com ciume se eu disser que respeito a vizinha e o chefe não levará um tapa e um processo se disser que respeita a sua secretária. Eu serei visto com um bom cidadão se disser que respeito os esquimós.
Vivemos uma crise muito séria de humanidade. Não alcançamos ainda a plenitude de seres humanos. Talvez seja a hora de repensarmos o que realmente sentimos e dar o nome certo para isso. Talvez tudo se torne mais assimilável, mais palatável.
Quem sabe as igrejas cristãs modifiquem o enunciado do decimo primeiro mandamento ensinado por Jesus Cristo trocando o “ amai-vos uns aos outros” por “ respeitai-vos uns aos outros”?
Talvez uma mexidinha no vocabulário acabe por causar a revolução ética que tanto queremos.
Quem sabe?
Fiquem em paz
Jonas
sábado, 2 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Tem coisas que não se compram por propaganda
Tem um restaurante na praia de Calhetas que fica aqui perto do Recife e que tem em suas paredes, como muitos restaurantes costumam ter, fotos do dono do lugar junto com gente famosa que aparece por lá.
O objetivo é óbvio: é divulgar o restaurante como um local frequentado por gente famosa de várias áreas parecendo assim uma espécie de aval de que o lugar é bom.
Essa é uma prática bem antiga usada na propaganda, não é de hoje que se vê gente famosa emprestando seus rostos e suas vozes para vender produtos.
Isso existe unicamente por causa de nosso culto à personalidade, uma regra não escrita, mas que consiste em valorizar aquilo que as personalidades famosas fazem ou dizem que fazem, que torna muitas coisas certas e boas. Toma-se como o melhor tudo que os famosos dizem que é.
Para mim isso pode funcionar muito bem para bancos ou marcas de sabão em pó.
Uma praia como Calhetas não precisa disso. Não há rosto de conhecido que seja mais bonito do que o próprio lugar. Acho um equivoco do dono do restaurante não valorizar o que é realmente bonito por ali. O que vale mesmo é olhar aquela paisagem e deixar que tudo venha a flor da pele.
E ultimamente eu tenho tido a sensação de que os consumidores de tudo em geral estão ficando mais atentos. Aos poucos eu observo que as referencias de terceiros interferem cada vez menos nas decisões de comprar e consumir algo. Existem coisas que não se compram assistindo TV e lendo jornais, ou indo às lojas.
Tem muita coisa sendo comprada com as emoções de cada um, com o proprio bem estar, com as experiencias pessoais de cada individuo. Parece que existem coisas que são compradas com a alma e essas compras certamente são muito mais acertadas.
Quem quiser entender que entenda.
Quem quiser entender que entenda.
E tem uma musica - adivinhem de quem- bastante apropriada para traduzir isso que quero dizer. A composição é de George Harrison e é uma gravação dos Beatles da época em que experimentavam a musica indiana. Para nossos ouvidos de brasileiros lembra muito um xaxado. Chama-se The Inner Light ou A Luz Interior.
Publico apenas a letra em portugues.
Publico apenas a letra em portugues.
Jonas
The Inner Light - A Luz Interior
Sem sair da minha porta
Eu posso conhecer todas as coisas do mundo
Sem olhar pela janela
Eu posso saber todos os caminhos do paraíso
O grande apenas viaja...
O pequeno apenas sabe...
O pequeno realmente sabe...
Sem sair da tua porta
Tu podes conhecer todos as coisas do mundo
Sem olhar pela tua janela
Tu podes conhecer todos os caminhos do paraíso
O grande apenas viaja...
O pequeno apenas sabe...
O pequeno realmente sabe...
Volte sem sair...
Veja tudo sem olhar...
Faça tudo sem fazer...
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
O absoluto relativo.
Vocês talvez digam que o titulo desse post é um disparate gramatical e conceitual. E é. Eu explico.
Passei quase toda minha adolescencia e o inicio da idade adulta ouvindo apenas músicas dos Beatles. Durante um longo período eu me recusava a ouvir qualquer outra música fosse de quem fosse.
Passou o tempo e minha paixão incendiária pela musica daqueles moços foi se transformando em amor sereno que acabou por acomoda-las em lugar definitivo no meu coração de onde elas nunca mais sairam.
Foi então que me dei conta que de uma certa maneira eu havia perdido coisas muito importantes acontecidas na musica brasileira daqueles tempos – anos 60 e 70 – e me bateu um sentimento de culpa por não ter apreciado com o devido respeito musicas do naipe de gente como Chico Buarque, Vinicius, Tom Jobim. Cito sómente esses tres para poupar vocês da leitura de uma lista enorme que deve girar na casa de uma centena que é a quantidade de gente boa da musica brasileira que produzia naquela época.
E nesse meu relaxamento auditivo acabei conhecendo e apreciando por causa da Rita, do Lê e da Carô bandas como U2, Depeche e Pearl Jam. Novamente cito somente mais tres para poupa-los de uma lista enorme.
Então quando penso nessas coisas é que me vêm a cabeça os conceitos de absoluto e relativo.
Gostar absolutamente e apenas dos Beatles não foi uma boa coisa pois deixei de ouvir outras musicas de boa qualidade também.
Mas ao mesmo tempo, mais tarde, não transformei meu senso critico e gosto musical num relativismo perigoso a ponto de eu passar a gostar de tudo e de nada ao mesmo tempo.
Assim é tudo mais na vida. Em todas as dimensões humanas – nas artes, na politica, na religião – tudo tem um tanto de coisas boas e um tanto de coisas ruins. Importante é observar também que as vezes coisas aparentemente opostas acabam por se apresentarem identicas em muitos sentidos. Alguém já disse por ai que se não fosse para as coisas se encontrarem mesmo nas divergencias, a terra seria achatada e não redonda.
Estamos sempre formando opinião na vida e, em razão de que opnião tem uma forte dose de pessoalidade , tudo pode parecer muito subjetivo e as vezes incompreensivel. Mas é indispensavel exercitar a escolha. E para escolher é preciso conhecer, estudar, observar....
Tomando o cuidado de não radicalizar no absolutismo a ponto de menosprezar e até humilhar aquele que tem opiniões contrárias a sua, mas também não relativizar demais chegando a não ter opinião e nem interesse por nada. O que resultaria em não aproveitar a vida da maneira mais plena possivel.
Então nada de relativismo absoluto e muito menos de absolutismo relativo. E tenho dito.
E já que comecei falando de música, quero dividir com voces a genialidade de dois compositores que atuando em universos tão distintos acabaram produzindo duas musicas que falam exatamente das mesmas coisas: das impossibilidades, das divergencias, dos desencontros. Mas ambos com uma forte dose de esperança de que tudo vai ser superado, e haverá a compreensão, a união final.
Chico Buarque A Dançarina e The Beatles Hello Goodbye.
Fiquem em paz,
Jonas
sábado, 25 de setembro de 2010
Caçando pipas e verdades
O livro Caçador de Pipas de Khlaed Hosseini é a narrativa de uma bonita amizade existente entre dois homens, amizade nascida ainda na infancia e que durou a vida toda. Daquelas amizades que envolvem segredos, renuncias, traições, assunção de culpas em favor do outro, arrependimentos, perdas e rompimentos. Amizade incondicional e que eu chamaria de amor. Quem não leu o livro deve ler, vale a pena.
Para mim um dos momentos mais marcantes dessa história é quando Amir – um dos amigos – descobre que seu pai ocultou dele, a vida toda, o fato de que o seu amigo Hassan era na verdade seu irmão..
E Amir diz sobre o pai ( cito de memória) : que o pai cometera contra ele, Amir, o maior crime que se pode cometer, roubara-lhe a verdade
.
Contundente essa definição de Amir: roubar a verdade!
E porque Amir é tão contundente? Por que durante boa parte de sua vida Amir percebia que o seu pai tratava Hassan muito melhor que ele mesmo e isso o fazia sentir ciumes. Então Amir montava armadilhas e mentiras para fazer o pai gostar menos de seu amigo Hassan. Foi infiel e desleal.
Amir sentiu-se mal muitas vezes. E agora percebia os muitos erros que cometeu. Amir entendeu que durante muito tempo viveu preso a uma mentira e por isso foi infeliz. Foi escravo de maus sentimentos. Não tinha a alegria da liberdade. Errou por causa de uma mentira.
Por isso é na direção da verdade que deveriam caminhar todos os responsáveis pela difusão de conhecimento. Sejam os professores na trasmissão do conhecimento academico, sejam as midias na divulgação de conhecimentos gerais.
Muitas vezes não é o que se vê. Deixando de lado as questões academicas pela complexidade envolvida no processo de educar as pessoas, e olhando apenas para as midias ( jornais, tv´s e revistas) cujos donos, ao sabor de seus interesses – que as vezes são legitimos apenas em si mesmos – acabam por interferir na divulgação de uma informaçao e terminam contando mentiras. Sendo portanto um roubo da verdade e que ao ser cometido retira do meio em que está a capacidade de se discernir, de se conhecer a história, de se ter referencias.
É serissimo, para não dizer vital, o trabalho dos jornais, das revistas e das televisões pois lidam com informação e conhecimento e consequentemente lidam com a verdade. Pode ser de responsabilidade deles, em algum momento da história, o destino de um povo inteiro. Precisam ter a percepção que a ausencia da verdade leva a erros – por causa do desconhecimento - muitas vezes insanáveis e que geram mais erros e mais mentiras. Além disso ao cometerem erros, lembremo-nos de Amir, os individuos tornam-se infelizes, incapazes de lidar com alegria e satisfação com as próprias vidas. Tornam-se escravos de algo que não conhecem e, sendo deconhecido, não pode ser combatido.
Fiquemos atentos e tenhamos firmeza na busca da verdade, pois é da verdade que depende a liberdade.
Não é possivel idealizar uma sem a outra.
Tem uma música dos Beatles que eu acho que já publiquei aqui chamada All You Need Is Love que diz exatamente isso: não há nada para saber que não possa ser sabido, não há nada para ver que não possa ser visto, tudo que você precisa é amor. Curtam.
Fiquem em paz
Jonas
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Cruzeiro 2 X Ceara 0
As vezes assisto algum jogo de futebol pela televisão. Tanto jogos brasileiros quanto europeus. Não que eu seja um entusiasta de futebol mas muitas vezes é por falta de opção na programação da televisão, e digo isso para informar que não sou especialista em nada de futebol e o comentário que faço aqui é de um espectador a procura de diversão ou passar o tempo e nada mais.
Para mim o que distingue fundalmente os estilos brasileiro e europeu de jogar futebol são as faltas.
Os jogadores europeus, assim me parece, esforçam-se por roubar a bola do adversário no drible, na competencia, na paciencia e no preparo fisico sendo esse último no caso de corridas e os vai-e-vens naturais de uma partida.
Já os jogadores brasileiros, assim me parece, primam por tirar a bola do adversário na base da canelada, pernada, empurrão, carrinho e tudo o mais, o que demonstra uma boa dose de incompetencia e mais que tudo de impaciencia mesmo.
Esse jogo que está no título eu assisti – apenas o primeiro tempo – na quarta feira e, sem apelar para estatisticas, eu tenho impressão que houveram bem mais interrupções de jogada na base da falta do que na base da habilidade.
Neste e nos jogos brasileiros em geral já dá até pra prever as faltas. É bem fácil antecipar que haverá uma falta. Basta que haja um vislumbre qualquer de que o atacante vai invadir a área adversária e pimba! lá vem rasteira, pernada, puxão, empurrão.
Raramente se vê um zagueiro roubando a bola de um atacante em velocidade na base da habilidade.
Dizem por ai que a vida imita a arte. Dizem também que o futebol é arte. Vai daí que eu fico pensando: será que essa nossa tendencia em chutar as canelas de quem tem a chance de fazer um gol, não é transferida para todas as dimensões das nossas vidas?
Dado que nem todos nós somos craques nas coisas que fazemos, assim como no futebol, pode ser que a gente perca a paciencia e desista do fair play.
Nada ver com o processo eleitoral atual. É lógico.
Fiquem em paz.
Jonas
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Os ovos mexidos e o chinelo velho
Quem já não relutou em largar aquilo a que se habitua, aquilo que faz parte do cotidiano de cada um, quiça da própria vida?
Os chinelos velhos por exemplo. Acho que todo mundo tem aquele par de chinelos velhos que já nem é somente o caso de que o pé desliza para dentro dele de modo quase prazeiroso. De verdade mesmo a gente nem percebe que está usando. Nem percebe que calçou. Esse tipo de chinelo é assim como uma segunda pele no pé.
Ele está sempre no lugar exato que nossos pés buscam. Ao lado da cama, embaixo da cadeira, junto do sofá. Não nos damos conta mas basta descer os pés e ali estão nossos chinelos. Há que se perguntar se são os pés que sempre sabem onde estão os chinelos ou se são os chinelos que advinham onde os pés irão descer.
A nossa pisada fica desenhada na palmilha. Alí estão: os cinco dedos de cada pé e os calcanhares.O chinelo velho é quase uma fotografia da palma de nossos pés.
E ontem logo cedo me deparei com um inadiável ultimato da Rita: alegando que a sola de meu chinelo velho estava se desmanchando e deixando minisculos pedaços de sola pelo chão da casa, ela me deu um par de chinelos novos com a condição óbvia de eu me livrar do velho.
Nada pude fazer e entreguei meu par velhinho e calcei o novo. Agora vou começar uma nova relação que, no que depender de mim desejo que seja duradoura, e mais que isso quero rapidinho os prazeres para os meus pé de volta.
Simultaneamente a tudo isso acontecia a estréia da Gigi na cozinha, com a supervisão da Rita, na confecção de ovos mexidos. E tchans! Chegou à mesa um prato generoso e saboroso de ovos mexidos com presunto e queijo, até meio puxadinho no sal, coisa que a Gigi disse ser de proposito.
E fiquei assim meio sem saber o que a despedida de um par de chinelos velhos tem a ver com saborear ovos mexidos feitos pela Gigi, talvez em principio nada, mas só quem presta atenção nas sutis nuances da vida pode entender o que experimentei naquela hora.
Talvez seja algo assim como para compensar a perda de algo ganha-se outro um tanto mais prazeiroso.
Fiquem em paz,
Jonas
domingo, 19 de setembro de 2010
Comunicado Importante
Considerando que o jornal Folha de São Paulo ( doravante FSP) decidiu tornar-se partido político ao invés de cumprir sua missão de informar.
Considerando que entre os cronistas e jornalistas empregados pela FSP contam-se arrogantes e truculentos profissionais que misturam informação com instrução, ou seja não dão noticias, dão isso sim orientações e declaram suas verdades sobre os fatos.
Considerando que a FSP rasgou seu manual-de-faz-de-conta-da-redação ao desconsiderar o contraditório nas suas pretensas reportagens investigativas.
Considerando que um dos blogueiros da FSP chamou os eleitores de Dilma de bugrada.
Considerando que uma das principais articulistas da FSP ao comparar a participação da massa de eleitores nas atividades partidárias ressaltou que no caso do PSDB a massa é cheirosa.
Considerando que a FSP publicou ficha mentirosa da candidata Dilma tachando-a de guerrilheira sanguinária sem levar em conta as circunstancias do momento político que o Brasil vivia à época em que Dilma jogou-se na oposição.
Considerando que a FSP esteve na Unicamp em busca do histórico escolar da Dilma ( e deu com os burros n água) e fez comentários com duplo sentido ao noticiar que a candidata tirou letra C em keysianismo, querendo dizer com isso que ela seria incapaz de gerir a economia nacional ( como se não bastasse o exemplo inigualável de Lula que nem nunca soube quem é Keynes e isso pouco ou nada importou.)
Considerando que a FSP não aproveitou a viagem à Unicamp e não deu uma olhada no histórico escolar"daquele que não se pronuncia o nome" tido sob suspeita a respeito da veracidade das informações divulgados sobre sua formação acadêmica.
Considerando que a FSP deu voz e vez a um agente da repressão da ditadura vigente no Brasil nos anos de 60 e 70, agente este que teve o desplante de discorrer sobre o perfil psicológico da Dilma, como se repressores e ditadores alguma vez tivessem dado importância alguma a complexidade da natureza humana.
Considerando que a FSP chamou a nefasta ditadura brasileira dos anos 60 e 70 - que atrasou o Brasil em um século e que matou e violentou centenas ( quem sabe milhares ) de homens e mulheres - qualificando-a de ditabranda.
Considerando que a FSP dá abrigo e voz "àquele de quem não se pode dizer o nome" e a uma oposição que não soube produzir um programa minimamente articulado para dar continuidade ao excelente governo conduzido pelo Lula.
Considerando que a FSP dá abrigo e voz a uma oposição que prima por desqualificar de maneira sem educação e denuncista - por não ter competência para debater os problemas nacionais - e que curiosamente desfia um rosário de falcatruas e descalabros somente nas vésperas das eleições e quando estão em vias de tomar uma surra de votos.
Considerando que a FSP não diz uma única palavra sobre a quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros cometido pela filha "daquele de quem não se diz o nome".
Considerando que a FSP publicou - sem dar espaço ao contraditório e sem considerar a presunção de inocência que a todos deve ser dada - noticia difamatória sobre uma Ministra de Estado, avalizada por um cidadão com extensa ficha criminal e tendo inclusive cumprido pena prisional.
Considerando que a FSP não estranhou o fato de um cidadão recém saído da prisão por crimes de receptação e falsificação de dinheiro estar a frente de um projeto de 9 bilhões (!) e que alegou ter ouvido cobrança de propina no valor de 500 milhões, 500 milhões, 500 milhões, 500 milhões!!! para campanha política da candidata Dilma, sendo que as arrecadações de campanhas presidenciais previram um gasto entre 157 e 180 milhões.
Considerando que se a FSP tivesse se dado o trabalho de consultar o BNDES saberia que o projeto do moço ex-detento não foi aprovado por tratar-se de uma empresa pequena demais para um orçamento de 2,5 bilhões (!) e não 9 bilhões como disse o mentiroso.
Considerando que a FSP juntamente com a velha imprensa considera a liberdade de imprensa como um valor absoluto acima de qualquer outro valor humano, moral e ético.
Considerando que a FSP ultimamente tem escrito muitos palavrões em suas páginas e aqui em casa a gente ainda fala bumbum querendo se referir à região glutea.
Considerando que o Universo On Line ( UOL) faz parte das empresas administradas pelo mesmo grupo que administra a FSP, decido:
Que a partir do dia 03 de outubro próximo cancelarei minha assinatura no UOL, assinatura que mantenho há mais de dez anos. Quero que esse meu gesto some-se aos milhões de votos que serão dados a Dilma contra a sanha denuncista e difamatória da FSP e da velha imprensa.
Quero com isso dizer que a FSP junto com a velha imprensa é apenas uma ilha de ideologias arcaicas, superadas e que já não resistem ao novo modelo de sociedade que está sendo construído no Brasil. Um modelo mais justo, mais igualitário.
Que a FSP fique com seu absolutismo ultrapassado. Que naufrague com seu maniqueísmo tacanho e sua cegueira que a impede de ver os novos tempos, de novos seres humanos e novas idéias.
No passarán!
Fiquem em paz
Jonas
domingo, 12 de setembro de 2010
Nenhum a Menos
Nenhum a Menos é o nome de um filme chines de 1999, premiado em Veneza. Sinopse aqui.
Tudo começa quando o professor de uma escola no interior da China tira uma licença para cuidar de sua mãe. Em seu lugar, a prefeitura coloca uma garota de apenas 13 anos, Wei (Wei Minzhi). Ela terá que morar na própria escola durante um mês, junto com alguns dos 28 alunos, até que o mestre retorne. Sua missão é garantir que nenhum deles abandone a escola.
Mas há um aluno que abandona a escola e foge para a cidade grande. E a professora sai em busca dele. Passa fome, frio, privação de todo tipo mas ao fim consegue resgatar o fujão e traze-lo de volta para a escola.
Fiquei sabendo que esse filme foi muito debatido entre profissionais de ensino pois tem uma forte orientação pedagógica para professores e outros que lidam na área.
E para mim, um simples espectador, o grande lance do filme que ficou foi a firmeza da jovem professora em cumprir ao pé da letra a ordem de que não deve permitir que nenhum aluno abandone a escola. Não deve faltar nenhum.
Para mim essa é uma lição que costumo levar como lição de vida. Fico imaginando que na vida da gente as coisas também tem que ser assim. Exceto pela morte a gente não deve mesmo perder ninguém.
Sempre imaginei - e quase sempre foi assim - que amores e afetos não são para serem substituidos mas sempre para aumentarem isso sim. Tornarem-se numerosos. Jamais deixarei de amar e de bem querer alguém. Não quero nunca mudar da alma de niguém e não quero que ninguém mude-se da minha alma.
Eu nunca perdi ninguém. Não por rompimentos. Das pessoas que passaram por minha vida e eu pela delas nunca houve uma separação premeditada, proposital. Nunca houve brigas do tipo vou ficar de mal de você. Se nos separamos foi pelas realidades da vida de cada um, foi tudo por conta do acaso. E tenho certeza que se reencontrar uma dessas pessoas haverá celebração, nunca constrangimentos ou receios por histórias passadas e que ficaram mal resolvidas.
E assim foi no domingo passado quando estivemos em Sampa. Havia uma celebração a fazer. Era o aniversário de minha mãe e o meu mesmo daqui uns dias. A reunião foi na casa da minha irmã e não foram todas as pessoas que eu desejei que estivessem lá. Mas foram muitas delas.
E eu pude confirmar essa verdade que há muito carrego comigo: não nos percamos daqueles a quem amamos, não nos esqueçamos de quem queremos bem, pois é deles todo o sentido de nossas vidas. Pertence a eles de verdade tudo aquilo que somos.
Deixemos todos guardados no espaço mais aquecido de nossos corações, pois é disso que trata a vida.
Não há outra razão para nossas alegrias senão a singela constatação da interpendencia que o amor nos provoca.
Fiqem em paz, e que não haja nenhum de nós a menos.
Jonas
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