domingo, 23 de outubro de 2011

Imagens para o domingo.

Hoje, ao contrário do que sempre acontece aos domingos, não foram meus ouvidos que me acordaram serelepes a fim de ouvir músicas e dividi-las com vocês meus raros e caros leitores. Hoje foram meus olhos que me acordaram com vontade de passear. Então saimos os tres: meus olhos, eu e a maquina fotografica. E descemos a Brigadeiro e depois subimos pelo Bixiga. E confirmei algo de que eu já desconfiava: meus olhos gostam de ver janelas. E me dá assim uma espécie de melancolia, um tipo de nostalgia. Mas daquelas melancolias ou nostalgias boas de serem sentidas. 

Ficamos assim: hoje não há nada para ouvir mas há para ver. O que embora sendo diferentes nos sentidos, são iguais nas sensações. Eu acho.

Fiquem em paz.

Jonas













quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A liberdade correndo risco

O competente Ricardo Kotscho lá em seu Balaio convida os internautas a opinarem sobre uma onda de intolerância que varre a internet. Deixei meu comentário por lá e faço-o por aqui também, dizendo que acho que uma parte considerável da sociedade - e eu no meio - ainda desconhece qual pode ser o melhor jeito de lidar com essa liberdade que a internet propicia, leia-se liberdade de expressão.

Para dizer a verdade não sei bem quem veio primeiro: se a liberdade de expressão propriamente dita ou se o processo de amadurecimento dessa tal liberdade  teria sido atropelado pela internet trazendo essa facilidade que todos nós temos de opinar de maneira publica sobre seja lá o que for.

Não sei nada de sociologia ou antropologia e demais estudos que observem e expliquem a evolução e transformação dos usos e costumes humanos, mas é sabido por todos que o homem, desde sempre, passou por processos que o levaram de estágio em estágio a caminho de uma suposta e ainda não atingida liberdade plena. Vai daí que a liberdade e junto com ela a democracia ainda é algo em construção, não sendo ainda muito claros para todos nós o seus contornos e limites.

Pode parecer um paradoxo falar em contornos e limites para a liberdade. Mas para mim e dentro do meu incipiente saber sobre qualquer coisa, fica cada vez mais claro que a liberdade é um bem não apenas para ser usufruído de maneira coletiva, mas que também carrega consigo obrigatoriamente fortes e indispensáveis noções de zelo, apreço e cuidado com o outro. 

Porém até aqui não é o que vemos acontecer. A impressão que se tem é que todos nós somos um pouco donos - e há casos em que uns são mais donos que outros - de nacos de  liberdade e os usamos de maneira privada com vistas a apenas proteger interesses particulares em prejuízo do outro individuo ou mesmo da coletividade.

Já temos um bom conjunto de princípios de direitos e liberdades bastante arraigados entre nós, como por exemplo, as deferências especiais aos idosos e crianças, ou a possibilidade de sanções penais para quem cometer crimes de preconceito de raça. Atenção!! Não estou dizendo que esses princípios já funcionam plenamente, mas eles estão aí e amadurecem cada vez mais.

No entanto ainda falta a percepção - quem sabe poderia ser semeada nas cabecinhas dos nossos pequeninos ainda nos bancos escolares - de que a liberdade vista de maneira individualista leva ao caminho oposto, ou seja, ao aprisionamento. A liberdade, e junto com ela a democracia, é um bem publico valioso e caríssimo. E quanto pior o uso que fazemos dela mais nos aproximamos da necessidade da intervenção do Estado para regular o exercício da mesma. Mais ainda provocamos o seu fim.

De certo modo sair por aí gritando: eu sou livre para expressar o que eu penso!,e dizer todo tipo de coisas que vier a cabeça, sem respeito ao próximo e sem os cuidados com os princípios de cidadania, é passar um atestado de que a liberdade precisa ser regulada, precisa ter regras. E que a partir daí não poderá mais ser chamada de liberdade plena.

E eu não queria ampliar esses comentários para além do mal uso que muitos fazem da liberdade de expressão na internet e seus riscos. Mas agora me ocorreram as piadinhas vindas daquele menininho de apelidozinho pequenininho como seu cerebrozinho e considero que ele é um sério fomentador da supressão parcial da liberdade dado seu comportamento no minimo - e pra deixar num termo bem educado - desrepeitoso em especial com as mulheres. E aqui um exemplo bem singelo sobre como uma certa revistinha nacional pode causar justamente isso: o marco regulatório da imprensa. E la nave vá.

Fiquem em paz
Jonas

domingo, 9 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Uma razão para a regulação

Esta semana quem viu o Jornal Nacional ficou sabendo que a Anvisa acabava de proibir a venda de alguns medicamentos conhecidos por aí como recomendados a quem quer emagrecer.

E a matéria do Jornal Nacional mostrava a opinião de médicos e lideres de entidades médicas todos combatendo a decisão da Anvisa e na hora o que me chamou a atenção foi a ausência de opiniões favoraveis à proibição. E pensei com meus botões: caramba! não é possivel que ninguém seja a favor da Anvisa. Não acredito que um orgão com toda a responsabilidade que tem vai cometer tal sandice, ou seja, proibir o que não se deve proibir.

E a matéria seguia entrevistando um cidadão diabético que estava com dificuldades para encontrar um remédio especifico para seu tratamento chamado Victozia. E o JN mostrou esse cidadão ligando para farmácias em busca do tal medicamento e a resposta que se ouvia era que só em lista de espera.

Pois bem a imprensão que o Jornal Nacional deixou é que a Anvisa estava totalmente errada e que sua decisão além de repudiada por "toda" a classe médica ainda prejudicava portadores de grave doença a seguirem seus tratamentos.

Mas vai daí que ao final do JN eu me lembrei de uma certa revista nacional cujo nome nos convida a olhar, mas ela propria não enxerga nada, e de sua edição de um mês atrás cuja capa está ai embaixo com matéria que mais parecia um comercial do medicamento que não é exatamente recomendado para emagrecimento mas sim para diabetes, como já está dito. E tendo a revista que "mais-fecha-os-olhos-do-que-olha" recomendado que para que se usasse o produto explica-se a corridas às farmácias e a óbvia falta do dito cujo.



Naqueles dias fiquei sabendo que a Agencia Nacional de Vigilancia Sanitária enviou oficio à revista condenando a matéria e alertando que o tal remédio não estava ainda totalmente aprovado e que além disso tinha provocado efeitos colaterais em algumas pessoas tais como: “hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarréia. Além destes eventos destacam-se outros riscos, tais como: pancreatite, desidratação e alteração da função renal e distúrbios da tireóide, como nódulos e casos de urticária” Quase nada, não é?

No oficio a Anvisa pedia que "aquela-revista-que-não-vê" publicasse a informação como complemento da matéria. Mas nada foi publicado.

Tem-se então o que? Tem-se que em razão de cores partidárias e vieses ideólogicos - pois sabidamente tanto a revista com a rede de televisão transmissora do JN são, por principio, avessas a todas as medidas emanadas de orgãos federais - e pelo especial apreço pelo deus mercado esses orgãos preferem incentivar o uso indiscriminado de medicamentos numa atitude irresponsável que pode causar sérios danos aos individuos que, desatentos, embarcam na onda de alguns editorialistas e jornaleiros.

Vivemos tempos de debates a respeito da Marco Regulatório das Comunicações e ocorrencias como essa podem servir de balisa para uma discussão que leve à obrigatoriedade das publicações oferecerem SEMPRE as opiniões dos dois lados de uma questão, especialmente quando se tratar de saúde pública.

EM TEMPO: Recomendo a visita a esse site http://www.comunicacaodemocratica.org.br/  
que convida a todos a deixarem sua opiniões e sugestões a respeito do Marco Regulatório bem como possibilita que se conheça o que já se debateu sobre o assunto até hoje. 

Fiquem em paz
Jonas

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Wall Street is our street

Sempre olhei com desconfiança o comportamento politico de meus irmãos do grande país norte. Não consigo engolir com facilidade o discurso de liberdade e democracia sempre proclamado em especial pelos politicos norte americanos. Imaginei sempre que por trás desse verniz do tão apregoado "american way of life" está um profundo desprezo ao individuo, às coisas da natureza humana, um preconceito inconfessável por tudo que passa pelo social, pela igualdade de direitos dos outros. Ao que parece a igualdade de direitos é tida antes como um exercicio privado e pessoal do que algo a ser usufruido em sociedade, em grupo. Para mim, sem querer generalizar é óbvio, há um forte viés de intolerancia a tudo aquilo que signifique estender a mão ao próximo. Sinto que na terra do Tio Sam vigora, literalmente, o "cada um por sí e Deus contra"

Porém essa semana fiquei agradavelmente surpreso  ao ler noticias a respeito do movimento " Occupy Wall Street", movimento esse que apesar da repressão policial - como era de se esperar, pois o governo norte americano não gosta de ser contrariado - foi idealizado e organizado pela população apenas. E embora seja uma manifestação bem ao gosto "duzamericanus" - pois é tudo muito pasteurizado, asséptico, eletronico e aparentemente bem organizado - está me parecendo que eles conseguiram ir ao ponto nevralgico da questão, questão que não é só daquele país mas da maioria dos paises do planeta, inclusive do Brasil. Segundo os organizadores do movimento o neo liberalismo fracassou como modelo economico e é tempo de voltar-se para os individuos.

Tanto lá como aqui, a excessiva priorização da Economia e das Finanças em detrimento das outras áreas da sociedade - saúde, educação, segurança, lazer, etc ...- finalmente chegou ao que parece ser uma encruzilhada. Aos poucos cai o véu do deus mercado, sempre visto como o único capaz de prever e prover os individuos em todas as suas necessidades. 

Nós brasileiros, que embora já estejamos por completar uma década de governo progressista, ainda amargamos e ainda pagamos a conta da cantilena inaugurada lá pelos anos 80 e que dizia que é preciso deixar o bolo ( da economia) crescer para depois dividir. O que se vê é que esse bolo já cresceu demais, em alguns casos já até queimou e a hora da divisão parece ainda estar bem distante, em que pese, repito, os esforços do governo dos ultimos 08, quase 09, anos em direcionar parte consideravel  das riquezas do pais para a base da população para então, a partir dessa base, sustentar um crescimento sólido e perene. É de uma ululancia oceanica o equivoco de imaginar que uma sociedade possa enriquecer indefinidademente só da metade pra cima de sua piramide. Piramide completa é isso mesmo: uma base e um vértice. Ponto.

Pois bem. Voltando aos americanos e seu protesto os organizadores de lá divulgaram um Comunicado Oficial que, pasmém, critica duramente e em primeiro lugar o corporativismo que rege o capitalismo e em seguida a falta de investimentos em áreas sociais. Sem perderem-se em subjetividades e foguetórios marqueteiros os signatários vão direto ao ponto, indicando um possivel caminho para as mudanças afirmando com muita clareza: "que nenhuma democracia é viavel quando o processo é determinado pela economia."  Vale a pena ler. Está no blog do Esquerdopata, aqui.

Seria muito bom que os "indignados" brasileiros ao invés de ofenderem indiscriminadamente toda a classe politica do Brasil - em especial os progressistas - e protestarem "contra-tudo-que-está-aí", e silenciosa e egoisticamente torcendo para que tudo dê errado, se articulassem minimamente e de maneira coerente trouxessem à luz o que de fato combatem e o que querem realmente mudar. Seria mais produtivo, mais eficiente e por isso mesmo levado um pouco mais à sério.

Abaixo vejam uma das dezenas de fotos que podem ser vistas aqui








Fiquem em paz

Jonas

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O homem que fazia videos amadores

Vez ou outra faço pequenos videos para o YouTube e que são geralmente para mostrar fotos que fiz por ai, ou então de algum evento ou ainda em razão de alguma música que gosto, daí eu faço ao contrário: procuro fotos que "combinem" com a musica.

Mas o fato é que sempre faço isso sem muita pretensão, embora com capricho, pois sei que sou profissional de arte nenhuma então fica tudo com jeitão de amador mas as coisas cumprem seu papel. Aliás, como se pode ver, milhares ( milhões ) de pessoas fazem a mesma coisa.

Mas hoje eu vim aqui um tanto para lustrar meu ego, outro tanto para dizer que fiquei orgulhoso da minha última "obra prima". Tratava-se de exibir fotos que fiz na abertura das Olimpiadas 2011 no Liceu Coração de Jesus, local onde a Gigi estuda. E fiz muito mais por ela, a Gigi, e por seus coleguinhas que eventualmente gostariam de "se ver" num video na web. Para minha surpresa, a direção da escola, ao saber do video, exibiu-o no encerramento das Olimpiadas e hoje fez a divulgação do mesmo numa circular dirigida aos pais dos alunos. Diga-se uma circular com dois assuntos, um deles o video. Eita que fiquei feliz. 

Sei que o video continua sendo amador, continua sendo algo bem primário, mas quando fazemos coisas que caem no agrado de outros queremos mais é falar sobre. Vai daí que estou aqui dizendo tudo isso para voces e convidando-os assistirem o dito cujo, que está aí embaixo. 

E a quem interessar meus demais videos, sempre amadores, estão neste endereço: http://www.youtube.com/user/jonasrita#p/u  

Fiquem em paz

Jonas

domingo, 2 de outubro de 2011

Musicas para o domingo 021011

Emocionemo-nos !










Segundo o Meu Garçom O Recoil, pra quem não conhece, é a banda do Alan Wilder, que saiu do Depeche Mode em meados dos anos 90. E essa música é uma das coisas mais fantásticas que ele fez...



Mais uma:














SUBSTANTIVOS:



domingo, 25 de setembro de 2011

Musicas para o domingo 250911

















Superlativos:





Strawberry Fields Forever. Uma das mais de 25 musicas dos Beatles que foram especialmente remixadas por George Martin    (  que era como o "maestro" da espetacular banda ) para integrarem a trilha sonora do espetáculo Love levado ao mundo pelo Cirque Du Soleil.

Inclue também trechos de In My Life, Piggies, All You Need Is Love, Hello Goodbye

 Let me take you  down cause í´m going down to strawberry fields ...


sábado, 24 de setembro de 2011

O balé de sir Paul McCartney

Reproduzo, por sua importancia, artigo publicado no Brasil 247.


O ex-Beatle se aventurou no universo da dança clássica e criou sua primeira composição musical para o corpo de baile de Nova York; espetáculo estreia neste final de semana; assista ao vídeo

 

3 de Setembro de 2011 às 17:45

247 – “Não conheço Ballet, exceto por peças como O Lago dos Cisnes ou Quebra-nozes”, disse à BBC o ex-Beatle Paul McCartney, 69 anos, que compôs a sua primeira música para um espetáculo de dança. A peça chama-se Ocean's Kingdom e estreia nesta sexta-feira 23 nos EUA. Em entrevista, McCartney explicou que reuniu dezenas de canções que lhe pareceram agradáveis para a dança durante o seu processo de criação. O repertório foi composto e refeito algumas vezes pelo próprio artista, que ficou feliz com o resultado. 

A composição foi escrita a convite do diretor do Balé da Cidade de Nova York, Peter Martin. McCartney aceitou o desafio e também colaborou no roteiro do espetáculo, que narra um romance submarino através dos tempos. A filha do artista, Stella McCartney, também participou do projeto criando o figurino dos bailarinos. "Ocean's Kingdom" será lançado em CD pela gravadora Decca no próximo mês, a mesma empresa que em 1962 recusou um contrato com a banda britânica argumentando que as "guitar bands" já estavam fora de moda.


 



 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A Rainha Xuxa contra os Poneis Malditos

 

Todos leram, nestes dias, notícias dando conta de que lá nos Estados Unidos, mais exatamente em Los Angeles, um cinema ao anunciar a exibição de um filme estrelado por Xuxa, publicou uma pequena biografia da rainha dos baixinhos chamando-a de atriz pornô.

E outras notícias nos informam de que Xuxa está providenciando ação judicial contra os responsáveis por esta biografia uma vez que, seguindo o que ela tem feito desde sempre, essa moça tenta esconder uma parte digamos assim contraditória de sua carreira.

Pois, tendo ela se proposto a tornar-se uma espécie de tutora dos baixinhos, e quem tem mais de 20 anos e assistiu algum programa dela deve lembrar-se dos "momentos educativos" de seus programas em que ela ensinava coisas como escovar os dentes, alimentar-se bem e outros e sem contar a indefectível vitoria do bem sobre o mal nas brincadeiras do programa e em seus filmes, então não ficaria nada bem para ela revelar-se como uma simples mortal que em razão de circunstancias na vida, que cada um sabe como lidar com as suas, cometeu o que seriam contradições comportamentais.

Em resumo Xuxa, que para mim sempre pareceu sofrer de algum complexo de Peter Pan,  insiste em mostrar para todos que o mundo é habitado e governado por Ursinhos Carinhosos e que os Pôneis Malditos habitam alguma floresta muito distante e isolada e que jamais conseguirão invadir nosso universo que é protegido ferozmente por seus paquitos e paquitas.

Aliás, diga-se que paquitos e paquitas foram - ou ainda são - as quinta-essências da erotização de crianças e adolescentes.

Faria muito bem a dona Xuxa se deixasse de confundir sucesso profissional com sucesso como ser humano. Não tem nada uma coisa a ver com outra. Xuxa está usando o dinheiro que tem para, no mínimo, escrever uma biografia incompleta sobre sua vida. E com isso tentar deixar escrito na história uma vida impecável de acordo com seus próprios padrões, é óbvio.

E isto pode vir a ser um tormento muito maior do que coisas que ela eventualmente tenha feito no inicio de sua carreira o que, repito, cada um sabe como lidar.

Pois o pior de todos os ladrões é aquele que rouba a verdade. Não existe crime mais grave do que tirar de alguém o direito de saber a verdade. Xuxa não quer ser uma atriz pornô e por isso torna-se uma ladra. 

Xuxa está roubando o direito à verdade até de sua própria filha. Talvez chegue o dia em que a menina Sacha vá questionar a mãe sobre seus atos passados. E daí já viu.

Xuxa está perdendo a oportunidade de mostrar- se um ser humano comum. E que tanto os Ursinhos Carinhosos quanto os Pôneis Malditos existem não em florestas distantes, mas dentro de cada um de nós. E que a cada um cabe lidar com isso, preferencialmente e sempre sob a luz da verdade, da caridade e da misericórdia.

Fiquem em paz,

Jonas







domingo, 18 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A fim de trocar o carro velhinho?

Comercial da Peugeot do ano de 2003.

Dá pra assitir várias vezes.




E aqui a música inteira do dito comercial.



Fiquem em paz

Jonas

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Politica, o pára-choque da democracia.



Os Marchadores Cansados e sua movimentação genérica e subjetiva "contra tudo que está ai", apoiados pela mídia  oportunista, cometem um erro grave e não sei se por ingenuidade e ignorância política ou se por dissimulação das suas reais intenções.

Começam por declararem-se apartidários sem contudo explicar como que pessoas sem preferências e tendências políticas podem tratar de casos que justamente fazem parte da esfera política. Ora para se falar em soluções para a corrupção, que segundo os neo-Cansados infesta a política nacional, é necessária uma mínima noção do que representa a política para a democracia. A política é filha da democracia e ambas são dependentes entre si.

Ao demonizarem a política os comensais do Tea Party Tupiniquim sonham com a possibilidade de minimizar, senão excluir, a importância de um dos poderes da democracia, nesse caso o Legislativo, criando uma democracia manca, e que pode propiciar o surgimento de alguma espécie de messias sem histórico político e sem cores ideológicas e com instinto autoritário. Essa experiência já foi feita com Collor e deu no que deu.

Esquecidos das regras que ordenam a democracia e as normas jurídicas que dão estabilidade ao país, os Cansados aderiram a um bordão bem semelhante ao já usado com Janio Quadros, outro triste momento da história da política brasileira, e que sugere faxina na política nacional como se fosse possível sair condenando e punindo todos os envolvidos em supostas ações ilegais, nivelando a todos no mais baixo grau de comportamento.

Ao exigerem da Presidência da Republica atitude que se assemelhe a faxina, esperando que essa "limpeza" seja feita de maneira apressada e autoritária, esses Marchadores resumem o cargo mais importante do país, o próprio símbolo da democracia, a um órgão meramente fiscalizador, espião e escarafunchador de gavetas.

Não se dão conta, os que apesar de Cansados parecem estar muito apressados, de que a governabilidade de um país democrático depende de coligações, de entendimentos diversos, de bases de sustentação e que a existência dos contrários é tão benéfica quanto a dos favoráveis.

Por trás disso tudo a imprensa oportunista rufa o tambores que cadenciam os passos dos Marchadores ao invés de prestar um serviço à nação e alertá-los de que foi justamente pelo distanciamento da sociedade dos políticos  é que se criou uma triste sensação de impunidade e de que nada funciona.

Ao achincalhar e ridicularizar com palavrões e denuncismos vazios os representantes legitimamente eleitos pela população, a imprensa oportunista coloca a cereja no bolo do repudio à nossa tradição democrática e pode criar clima propicio para o retorno do autoritarismo que vivemos em um tempo não muito distante e sob o qual muitos de nossos males atuais floresceram.

Temos coisas erradas sim. Lamentavelmente muito dos mecanismos que deveriam servir para refrear o apetite de alguns individuos sobre a coisa publica, não funcionam. Precisamos repensá-los.

Qualquer leigo pode fazer, inclusive eu, uma lista de providencias a serem tomadas em nome da honestidade, lisura e transparência no trato do seu, do meu e do nosso rico dinheirinho de impostos.

Fazem parte dessa lista o financiamento publico de campanhas, a regras para criação e existência de partidos políticos, a fidelidade a eles e suas coligações. Eu vou um tanto mais longe e imagino que possa ser limitado o em quantidade, no tempo e no espaço o exercício de cargos eletivos. Acho uma temeridade um senador, por exemplo, tornar-se "dono" de seu cargo em função do mandato exercido ao longo de intermináveis décadas. Isso é estimular vícios que prejudicam a democracia e perder a oportunidade de clarear idéias e determinar novos rumos para o país.

Mas nenhuma reforma poderá ser feita sem os políticos. Precisamos deles para encaminhar esses assuntos. Devemos, ao contrário de nos distanciarmos, fazer marcação homem a homem dentro dos legislativos para forçar as mudanças que já estão atrasadas.

E que não se apressem os Cansados. Reformas do naipe necessário devem ter prazo para serem implementadas, quem sabe prazo de alguns anos.  Veja o que foi o fracasso da tal “ficha limpa". Puro açodamento e deu no que deu. Não se pode resolver que todo mundo será honesto por decreto. Temos um viés cultural que tristemente favorece o mal feito. Temos regras demais e todas elas com brechas que facilitam os desmandos. Até desmontarmos essa armadilha montada em razão da distancia entre cidadãos e políticos, levará algum tempo. Há que se ter muita conversa e visão de futuro para encaminhar entendimentos que signifiquem o abandono de alguns hábitos difíceis de abrir mão.

Mas não se iludam em imaginar que essas reformas podem ser feitas sem políticos. A política é o pára-choque da democracia. É a política que agüenta os trancos e solavancos que podem fazer tremer a nossa ainda frágil democracia.

Ou é isso ou é o autoritarismo.

Fiquem em paz

Jonas

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pequena história sobre corrupção



Esta história aconteceu no Hotel Maksoud Plaza em São Paulo. Trabalhei lá por muitos anos no tempo em que este hotel era a meca dos profissionais hoteleiros, por ser referencia nacional em hotelaria. Era também o point de todos os points. Um local onde personalidades e celebridades de todas as areas gostavam de estar. Sinal de status e de glamour.

Por conta disso a imprensa falada, escrita e enxergada chegava a fazer plantão por lá pois sempre havia alguém que era noticia hospedado no hotel. Por  conta disso também aconteceram por lá muitas gravações de cenas de novelas e até de filmes. 

E a minha pequena história se deu quando eu trabalhava na recepção e numa tarde a Globo veio gravar umas cenas de um capitulo de alguma novela sua.

E a cena era assim: um ator fazia o papel de recepcionista e um outro vinha até o balcão da recepção para pedir informações sobre um hóspede. O "recepcionista" se negava a dar a informação pedida, mas o outro puxava uma nota de dinheiro e dava ao "funcionário", que no mesmo momento passava a entregar informações sobre o suposto hóspede.
Fiquei bravo pra caramba. Ofendido de verdade. Pois aquela função alí representada e descaradamente subornada era a minha função. E fiz um discurso bravo e contrário àquela desinformação e distorção sobre a minha atividade e de meus colegas. Evidentemente não adiantou nada. Continuou a gravação e é certo que foi ao ar, embora eu não tenha visto.

Sempre me chateio e me constranjo com essas sugestões bastante comuns em filmes e novelas de que profissionais de hotelaria se não são altamente subornáveis são muitas vezes figuras caricatas e desprovidas de caráter e moral.

Não sei se foi isso que criou a cultura da gorgeta ou se foi ao contrário, e a gorgeta é que criou a possibilidade do suborno e da corrupção exibida em filmes e novelas. Tem gente por ai, muita gente, que acredita que pequenos mimos dados a funcionários diversos tais como recepcionistas, camareiras e garçons abre portas de privilégios e regalias muitas vezes negadas a quem não dá esses agrados. Ledo engano.

E cá entre nós, acho até que é essa mesma crença que leva pessoas a presentearem funcionários públicos (guardas de transito, fiscais, examinadores, etc.) a fim de terem facilitados seus processos sobre qualquer coisa.
 
Arrisco a dizer que essa prática é que faz alguns pais de familia, muitas vezes bons pais e otimos cidadãos, a subornarem seus próprios filhos oferecendo vantagens ( um carro zero por exemplo ) se passarem no exame da faculdade. 

A verdade é que muita gente acredita e pratica  a troca de favores aparentemente inofensivos como sendo ferramenta comum para fazer o mundo andar.

Tá bem, tá bem. Pode ser que eu esteja exagerando e mostrando um rigor excessivo embora, podem acreditar, eu sempre duvidei de rigor em excesso. Acho que o rigor em excesso é muitas vezes um disfarce para um sem fim de desmandos e despautérios.

Bem mas eu queria mesmo era falar de corrupção. E citei essa minha história e mencionei algumas possibilidades do cotidiano de muita gente por que eu quero dizer que é preciso que o pessoal do Cansei II vá com calma com seus discursos raivosos contra a corrupção nos meios politicos. Dou uma lasca da unha do meu dedo mindinho esquerdo se uma parte grande desse pessoal do Cansei, O Retorno, já não deu gorgetas por aí em troca de favores e privilégios e da mesma forma se já não recebeu favores mal intencionados.

E já que citei o Marchadores Cansados e suas pedradas generalizadas contra "tudo que está ai", quero dizer que ao falar da gravação de um capitulo de novela eu falei de uma ficção ( a própria novela ) , porém digo que não eram raros os dias em que eramos tentados por polpudas gorgetas nada ficticias, oferecidas por probos e respeitáveis senadores, governadores, ministros, altos executivos e assemelhados  para que facilitassemos o acesso de pessoas e coisas aos seus apartamentos e que fariam a história - escandalosa história, segundo a Veja -  do Zé Dirceu no Hotel Naoum em Brasilia, parecer convescote de amigos escoteiros.

O buraco da corrupção está bem abaixo da linha em que o pessoal do Tea Party Tupiniquim acha que o país deve caminhar. A corrupção é assunto que deve ser tratado em duas dimensões: cultural e fiscalizatória.

Mas isso é assunto pra outro dia.

Fiquem em paz

Jonas