E tem uma fabricante alemã de pães, a Lieken Urkorn, que usou a materia prima de seus produtos para vende-los. Colocou uma musica bacana e o resultado ficou ótimo. Quem faz os desenhos é uma israelense chamada Ilana Yahav que, como voces podem ver no segundo video, chega a emocionar com seu trabalho.
E uma vez perguntaram para o Washington Olivetto qual comercial ele gostaria de ter feito. Ele indicou esse. É das fitas Basf, feito na nova Zelandia, do tempo em que a fita cassete faziam muito sucesso.Sempre me admiro com gente que faz essas coisas tão bacanas e inspiradoras.
Fiquem em paz
Jonas
terça-feira, 18 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
Somos todos Dungas.
Época de Copa do Mundo. Viramos todos técnicos de futebol isso já se sabe. E surgem mais formadores de opinião do que opiniões a serem formadas.
Essa semana foi uma chuvarada de criticas sobre a escalação da nossa seleção. Interessante notar que todas são radicalmente contrárias ao Dunga mas muito semelhantes entre sí, ou seja, parece que as criticas são apenas pelas criticas, sem clareza e sem originalidade.
E todos acham que deveriamos levar imperadores, moicanos e aves diversas pois esses sim seriam a solução para a vitória garantida e fácil. É assim como se um time de futebol tivesse apenas dois ou tres jogadores e não os 11 que sabemos. E que a vitória é apenas de quem faz gols e não do resto da equipe que trabalha duro para levar a bola até boca do gol adversário, ou então tira-la - de preferencia sem penaltis - da boca do nosso gol.
Nas palavras de muitos parece ser tudo muito simples e sempre me fazem lembrar do querido Garrincha quando fez a singela mas crucial pergunta: mas combinaram com o adversário? Pois é, parecem esquecer que nossos adversários tem os mesmo propósitos que nós e todos tem chances reais de botar a mão na taça.
Até sobre nacionalismos exarcebados se falou quando fizeram criticas a um dos assistentes do Dunga que cometeu a aparente bobagem de falar em amor e paixão pela pátria. Mas essses criticos - muitos deles - não ganham a vida justamente em cima do esporte que emociona o país inteiro? A diferença está apenas no vocabulário.
Prefiro esperar os jogos. Se o Brasil perder não será de mim que ouvirão a cinica e provocante frase: Bem feito! Eu não disse! Não gosto de tripudiar em cima de ninguém. Perder não faz bem seja para quem for. E se o Brasil ganhar celebrarei com a sincera alegria daqueles que não tem que explicar constrangidos por que a bonita imagem de uma taça sendo erguida pelo capitão nos faz esquecer todas as diferenças.
Jonas
sábado, 15 de maio de 2010
O diário da Gigi
No seu aniversário a Gigi ganhou um pequeno caderno que seria usado como diário, e me parece que não foi, pois o caderno está lá, paradinho, num canto do quarto dela.
Tudo que ela escreveu na primeira página foi: " Queria que voltassem os primeiros dias de maio. Mesmo que eu tenha adorado minha festinha".
Eu já escrevi uma vez aqui que existem certos sonhos que nós no fundo, no fundo, não queremos que se realizem. Preferimos mesmo continuar sonhando-os. Deve ser por que por mais que a realização do sonho seja bem proxima do que idealizamos nunca é igual. E muitas vezes fica aquela pontinha de frustração.
Sem contar o vazio que fica. Pois aquele sonho bom tantas vezes acalentado e que aqueceu nossa alma vai embora e nada fica no lugar. Até mesmo no exato momento da realização do que se projetou já dá saudade do sonho. E a gente se diz: não era bem isso!
Claro que não é assim em tudo. Tem aquela famosa música do Belchior cantada por Elis Regina que diz que " viver é melhor que sonhar", mas que tem sonho que dá saudade isso tem! Sonhar é bom e deve ser assim como que um alimento da alma.
Fiquem em paz.
Jonas
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Um bom fim de semana
Neste fim de semana visitou-nos minha filha a Carô. Trouxe na bagagem robustas mandioquinhas e verdejantes jilós.
Já no sábado as mandioquinhas, amarelas por natureza, transformaram-se em massa temperada com verdes temperos mais o branco do sal e para completar nossa brasilianice, pela janela e visto da mesa do almoço, brilhava um dos azuis mais azuis que o céu pode ter. Formatada em pequenos cilindros e mergulhada em olho fervente a tal massa transformou-se num dos mais saborosos pratos que já manjei.
A noite a Gigi reuniu os amiguinhos para comemorar seus nove anos de idade que, por essas coincidencias da vida, é justamente a idade de um dos meus maiores amores.
Na manhã do domingo falei por telefone com dona Catharina, já na casa das nove decadas de existencia, mas que ainda me dá, vez ou outra, o prazer de pronunciar a palavra mãe e ouvir um oi filho.
Lá pelas vésperas do almoço com os ossos esparramados no sofá ouvi, vindo da cozinha, o caracteristico sssshhhh que saem das frigideiras ao prepararem frituras. Perguntei: Que fritas Rita? Jilós! Respondeu a Rita.
Sobre a mesa posta ví uma bandeja e dentro dela repousavam pequenas rodelas verde escuro do jiló outrora verde claro. Com a boca cheia d´água, minhas mandibulas passaram a triturar os crocantes pedaços da iguaria, cujo amargor paradoxalmente tantas vezes adoçou minha vida.
Decididamente não preciso de muita coisa para ser feliz.
Fiquem em paz
Jonas
domingo, 9 de maio de 2010
Cabelos ao vento
Quem é que não gosta de cabelos ao vento? No cinema especialmente essas cenas são quase de sonho.
Vai daí que o Santander bolou esse comercial com um surpreendente final.
Agora soltem seus cabelos e viajem por ai!
Fiquem em paz,
Jonas
Hair Conditioner from Jonathan Gurvit on Vimeo.
Vai daí que o Santander bolou esse comercial com um surpreendente final.
Agora soltem seus cabelos e viajem por ai!
Fiquem em paz,
Jonas
Hair Conditioner from Jonathan Gurvit on Vimeo.
sábado, 8 de maio de 2010
Microcontos
Noblat, jornalista de O Globo, promoveu em seu blog um concurso de microcontos através do twitter.
O que se lê na noticia é que foram mais de 2.200 participantes o que é um numero surpreendente pois, como se sabe, no twitter existe uma limitação de espaço, digita-se no máximo 140 caracteres.
A seguir copio os microcontos escolhidos pelo juri, o primeiro é o vencedor:
Subitamente, teve certeza: no futuro, se escrevessem sobre ele, teriam dificuldades para atingir os 140 caracteres exigidos pelo twitter.
Ananias José de Freitas
Ananias José de Freitas
Em ordem alfabética pelo nome do autor, os outros nove microcontos escolhidos pelo júri:
Revelou, no leito de morte, o segredo de uma vida. Não chegou a saber que havia entendido errado.
Elton Colini
Elton Colini
O gato saiu em disparada. A ratoeira acaba de cumprir sua missão.
Elza Ramirez
Elza Ramirez
Foi o raio de uma tempestade em copo d’água que o matou.
Felipe Cerquize
Felipe Cerquize
Cinco. Todos os dias, às cinco, ela se posta no portão, com o bilhete amarelado nas mãos. “Mãe, fui ao mercado. Volto às cinco”.
Luanna Azzarito ( esse e o proximo são os que gostei mais)
Luanna Azzarito ( esse e o proximo são os que gostei mais)
No primeiro jantar de viúvo, só fez olhar o prato. A memória que emanava da louça antiga foi seu único alimento.
Marcos A. Kohler
Marcos A. Kohler
Abrindo as pernas, ela abriu todas as portas.
Paulo Maurillio Pereira
Paulo Maurillio Pereira
Conferiu um a um os números da mega sena. Levou um susto. Acertou todos. 30 milhões. Devia ter jogado.
Rodrigo Guimarães Pena
Rodrigo Guimarães Pena
Olhos curiosos passeavam pelo livro, linha a linha, palavra por palavra, letra a letra. Deliciava-se, mas entristecia. Queria saber ler.
Valéria dos Santos Araújo
Valéria dos Santos Araújo
Chá de cavalos marinhos, a receita da avó para asma. O menino disfarçava, para que o Unicórnio não descobrisse o que lhe ia na xícara.
Viviane Burger
Viviane Burger
Fiquem em paz
Jonas
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Saude e estética
Vivemos dias em que os apelos para cuidados com a saúde, a beleza e a estética estão por toda parte.
Sem contar que para essas coisas não existe mais idade. E desde que estamos perto dos dia das mamães achei que as chamdas desses comerciais podem estar bem de acordo com a data. Passem pra elas.
O destaque fica para o último, da Max Factor, que é de 1960. Achei bem original. Espero que gostem.
Fiquem em paz.
Jonas
quinta-feira, 6 de maio de 2010
A atenção do amor
Como um bom e aplicado aprendiz de blogueiro - será que um dia eu serei só blogueiro? - ando por ai visitando outros blogs e mais que isso DEIXO COMENTÁRIOS EM ALGUNS, ééééééé. E gosto também de ler os comentários deixados por outras pessoas, gosto de ver os que criam polemicas ou acabam virando piada, e por ai vai. E às vezes me felicito quando vejo que meus comentários geram outros.
Então estava eu, e pra variar, lendo uma publicação a respeito dos Beatles e comentei que me sinto constrangido em desligar qualquer tocador de música meu que esteja tocando Beatles. É sério isso. Às vezes quando vou chegando em casa e começa uma música dos Beatles no rádio do carro eu desligo logo o rádio para não me ver na incomoda situação de desligá-lo na metade da música. Coisas de beatlemaniaco, deixa pra lá.
Então fiz esse comentário no blog e perguntei ao dono dele se acontecia o mesmo com ele. E outro leitor comentou o seguinte: “Concordo com você, Sr. Jonas. Antes eu ficava dentro do carro esperando a música acabar. Agora, a música acaba exatamente quando paro o carro. Mistérios do tempo e do rock..."
Fiquei a pensar. Até lembrei-me da música do Cazuza que diz assim: ...que coincidência é o amor, a nossa música nunca mais tocou...
Vai que de repente os amores acabam mesmo. E vão embora os pequenos rituais, as pequenas atenções, aquelas pequenas coisas que só nós sabemos fazer e a razão por que fazemos.
Senti um vazio danado. Não por mim, mas pelo moço que escreveu. Que pena que essas coisas acabam. Que pena as coisas perderem a importância.
Fiquem em paz
Jonas
terça-feira, 4 de maio de 2010
Giraffas, Samsung e Lipton
Que o pessoal gosta de fazer todo tipo de brincadeira ou caricatura do Lula todo mundo sabe. Mas a rede de fast-food Giraffas fez algo bem criativo. Reparem que uma das girafas, a que faz o Lula, não tem um "chifrinho" numa referencia à famosa ausencia do dedinho.
Muito bom esse novo comercial criado para a nova 3D LED TV da Samsung. O filme traz imagens criadas a partir de televisores da marca, mostrando todo os efeitos e visuais prometidos por eles.
E a Lipton em cima de uma mensagem de que o chá estimula a mente, jura que Lalo Schifrin compos o famoso tema de Missão Impossivel tomando um chá. Confiram
Fiquem em paz.
Jonas
domingo, 2 de maio de 2010
A burka na França
Na semana que passou ficamos sabendo que o presidente da França - num laicismo raivoso e patrulheiro - enviou projeto de lei que proibe mulheres muçulmanas de usarem a burka em lugares públicos, alegando que tal vestimenta depõe contra a liberdade feminina. Bonito né? Tocante mesmo.
Daí a gente começa pensar uma coisa: lá no Iraque, soldados estrangeiros ao pretenderem humilhar e agredir seus prisioneiros no centro de suas dignidades fizeram o que? Tiraram-lhes as roupas..
Daí a gente começa a pensar naquele famoso ditado que diz que o hábito faz o monge, e esse ditado é a sustentação das vestimentas protocolares muitas vezes hipócritas como é o caso do uso obrigatório de paletós e gravatas por suas excelencias, muitas vezes produtoras de excrescencias, lá em Brasilia.
Esse sr Sarkozy trasveste de preocupação com as liberdades individuais a sua verdadeira intenção que é banir hábitos, costumes e crenças que não sejam as suas próprias.
Acho bastante aceitável, mesmo que seja discutivel, a retirada de simbolos religiosos de edificios publicos dado que, sendo propriedade do estado, esses edificios não são locais de manifestação religiosa. Mas não é a mesma coisa as vestes de um individuo. A permanecer esse raciocinio em breve nem mesmo camisetas que ostentem as crenças ou a religião de quem as veste serão permitidas.
Se o sr Sarkozy quer defender a liberdade feminina então que pense em leis que proibam propagandas enganosas e cinicas que querem nos fazer pensar, por exemplo, que ter um carrão nos fará conquistar aquela gata alí da esquina colocando-nos, a nós homens, como seres descerebrados e desarticulados e as mulheres como seres movidos por uma montoeira de lata.
Se o sr Sarkozy quer que pensemos que ele está mesmo preocupado com as liberdades femininas que proiba a pornografia em seu pais, esse mercado que movimenta milhões para os bolsos de uns poucos enquanto vicia, humilha e escraviza milhares de mulheres ao redor do planeta.
Fiquem em paz,
Jonas
terça-feira, 27 de abril de 2010
O rabino e o reggae
Estava eu navegando pelos mares sem fim dessa internet em busca de músicas africanas que ultimamente tem me chamado a atenção nos anuncios da Copa do Mundo na Africa. Aliás aproveito e peço a voces meus persistentes leitores que se um de voces souber de onde vejo aqueles videos fico grato.
Mas estava por ai em busca do que eu já disse e foi quando encontrei um certo cidadão chamado Matisyahu. Ouvi uma de suas músicas chamada One Day e gostei. É um reggae com uma letra que julguei bem bonita.
Mas o que me chamou a atenção é que trata-se de um rabino. Fiquei curioso e fui ver sua biografia no Wikipédia, que vá lá que seja, não é de muita credibilidade - ou como diz o próprio site: não dá pra confirmar a verificabilidade mamma mia - mas o dito cidadão tem uma biografia no minimo curiosa. Podem ler aqui .
E aqui estão dois videos do rabino reggaense. Ou será do reggae rabinense? Curtam.
Fiquem em paz
Jonas
Este é One Day:
Este é Youth:
Mas estava por ai em busca do que eu já disse e foi quando encontrei um certo cidadão chamado Matisyahu. Ouvi uma de suas músicas chamada One Day e gostei. É um reggae com uma letra que julguei bem bonita.
Mas o que me chamou a atenção é que trata-se de um rabino. Fiquei curioso e fui ver sua biografia no Wikipédia, que vá lá que seja, não é de muita credibilidade - ou como diz o próprio site: não dá pra confirmar a verificabilidade mamma mia - mas o dito cidadão tem uma biografia no minimo curiosa. Podem ler aqui .
E aqui estão dois videos do rabino reggaense. Ou será do reggae rabinense? Curtam.
Fiquem em paz
Jonas
Este é One Day:
Este é Youth:
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Por que o sapo não lava o pé?
Os filósofos respondem…
Fiquem em paz.
Jonas
Olavo de Carvalho: O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer e ainda culpa o sistema, quando a culpa é da PREGUIÇA. Este tipo de atitude é que infesta o Brasil e o Mundo, um tipo de atitude oriundo de uma complexa conspiração moscovita contra a livre-iniciativa e os valores humanos da educação e da higiene!
Karl Marx: A lavagem do pé, enquanto atividade vital do anfíbio, encontra-se profundamente alterada no panorama capitalista. O sapo, obviamente um proletário, tendo que vender sua força de trabalho para um sistema de produção baseado na detenção da propriedade privada pelas classes dominantes, gasta em atividade produtiva alienada o tempo que deveria ter para si próprio. Em conseqüência, a miséria domina os campos, e o sapo não tem acesso à própria lagoa, que em tempos imemoriais fazia parte do sistema comum de produção.
Michael Foucault: Em primeiro lugar, creio que deveríamos começar a análise do poder a partir de suas extremidades menos visíveis, a partir dos discursos médicos de saúde, por exemplo. Por que deveria o sapo lavar o pé? Se analisarmos os hábitos higiênicos e sanitários da Europa no século XII, veremos que os sapos possuíam uma menor preocupação em relação à higiene do pé – bem como de outras áreas do corpo. Somente com a preocupação burguesa em relação às disciplinas – domesticação do corpo do indivíduo, sem a qual o sistema capitalista jamais seria possível – é que surge a preocupação com a lavagem do pé. Portanto, temos o discurso da lavagem do pé como sinal sintomático da sociedade disciplinar.
Max Weber: A conduta do sapo só poderá ser compreendida em termos de ação social racional orientada por valores. A crescente racionalização e o desencantamento do mundo provocaram, no pensamento ocidental, uma preocupação excessiva na orientação racional com relação a fins. Eis que, portanto, parece absurdo à maior parte das pessoas o sapo não lavar o pé. Entretanto, é fundamental que seja compreendido que, se o sapo não lava o pé, é porque tal atitude encontra-se perfeitamente coerente com seu sistema valorativo – a vida na lagoa.
Friedrich Nietzsche: Um espírito astucioso e camuflado, um gosto anfíbio pela dissimulação – herança de povos mediterrâneos, certamente – uma incisividade de espírito ainda não encontrada nas mais ermas redondezas de quaisquer lagoas do mundo dito civilizado. Um animal que, livrando-se de qualquer metafísica, e que, aprimorando seu instinto de realidade, com a dolcezza audaciosa já perdida pelo europeu moderno, nega o ato supremo, o ato cuja negação configura a mais nítida – e difícil – fronteira entre o Sapo e aquele que está por vir, o Além- do-Sapo: a lavagem do pé.
John Locke: Em primeiro lugar, faz-se mister refutar a tese de Filmer sobre a lavagem bíblica dos pés. Se fosse assim, eu próprio seria obrigado a lavar meus pés na lagoa, o que, sustento, não é o caso. Cada súdito contrata com o Soberano para proteger sua propriedade, e entendo contido nesse ideal o conceito de liberdade. Se o sapo não quer lavar o pé, o Soberano não pode obrigá-lo, tampouco recriminá-lo pelo chulé. E ainda afirmo: caso o Soberano queira, incorrendo em erro, obrigá-lo, o sapo possuirá legítimo direito de resistência contra esta reconhecida injustiça e opressão.
Immanuel Kant: O sapo age moralmente, pois, ao deixar de lavar seu pé, nada faz além de agir segundo sua lei moral universal apriorística, que prescreve atitudes consoantes com o que o sujeito cognoscente possa querer que se torne uma ação universal.
Nota de Freud: Kant jamais lavou seus pés.
Sigmund Freud: Um superego exacerbado pode ser a causa da falta de higiene do sapo. Quando analisava o caso de Dora, há vinte anos, pude perceber alguns dos traços deste problema. De fato, em meus numerosos estudos posteriores, pude constatar que a aversão pela limpeza, do mesmo modo que a obsessão por ela, podem constituir-se num desejo de autopunição. A causa disso encontra-se, sem dúvida, na construção do superego a partir das figuras perdidas dos pais, que antes representavam a fonte de todo conteúdo moral do girino.
Carl Jung: O mito do sapo do deserto, presente no imaginário semita, vem a calhar para a compreensão do fenômeno. O inconsciente coletivo do sapo, em outras épocas desenvolvido, guardou em sua composição mais íntima a idéia da seca, da privação, da necessidade. Por isso, mesmo quando colocado frente a uma lagoa, em época de abundância, o sapo não lava o pé.
Soren Kierkegaard: O sapo lavando o pé ou não, o que importa é a existência.
George Hegel: podemos observar na lavagem do pé a manifestação da Dialética. Observando a História, constatamos uma evolução gradativa da ignorância absoluta do sapo – em relação à higiene – para uma preocupação maior em relação a esta. Ao longo da evolução do Espírito da História, vemos os sapos se aproximando cada vez mais das lagoas, cada vez mais comprando esponjas e sabões. O que falta agora é, tão somente, lavar o pé, coisa que, quando concluída, representará o fim da História e o ápice do progresso.
Auguste Comte: O sapo deve lavar o pé, posto que a higiene é imprescindível. A lavagem do pé deve ser submetida a procedimentos científicos universal e atemporalmente válidos. Só assim poder-se-á obter um conhecimento verdadeiro a respeito.
Arthur Schopenhauer: O sapo cujo pé vejo lavar é nada mais que uma representação, um fenômeno, oriundo da ilusão fundamental que é o meu princípio de razão, parte componente do principio individuationis, a que a sabedoria vedanta chamou “véu de Maya”. A Vontade, que o velho e grande filósofo de Königsberg chamou de Coisa-em si, e que Platão localizava no mundo das idéias, essa força cega que está por trás de qualquer fenômeno, jamais poderá ser capturada por nós, seres individuados, através do princípio da razão, conforme já demonstrado por mim em uma série de trabalhos, entre os quais o que considero o maior livro de filosofia já escrito no passado, no presente e no futuro: “O mundo como vontade e representação”.
Aristóteles: O [sapo] lava de acordo com sua natureza! Se imitasse, estaria fazendo arte . Como [a arte] é digna somente do homem, é forçoso reconhecer que o sapo lava segundo sua natureza de sapo, passando da potência ao ato. O sapo que não lava o pé é o ser que não consegue realizar [essa] transição da potência ao ato.
Platão:
Górgias: Por Zeus, Sócrates, os sapos não lavam os seus pés porque não gostam da água!
Sócrates: Pensemos um pouco, ó Górgias. Tu assumiste, quando há pouco dialogava com Filebo, que o sapo é um ser vivo, correto?
Górgias: Sou forçado a admitir que sim.
Sócrates: Pois bem, e se o sapo é um ser vivo, deve forçosamente fazer parte de uma categoria determinada de seres vivos, posto que estes dividem-se em categorias segundo seu modo de vida e sua forma corporal; os cavalos são diferentes das hidras e estas dos falcões, e assim por diante, correto?
Górgias: Sim, tu estás novamente correto.
Sócrates: A característica dos sapos é a de ser habitante da água e da terra, pois é isso que os antigos queriam dizer quando afirmaram que este animal era anfíbio, como, aliás, Homero e Hesíodo já nos atestam. Tu pensas que seria possível um sapo viver somente no deserto, tendo ele necessidade de duas vidas por natureza,ó Górgias?
Górgias: Jamais ouvi qualquer notícia a respeito.
Sócrates: Pois isto se dá porque os sapos vivem nas lagoas, nos lagos e nas poças, vistos que são animais, pertencem e uma categoria, e esta categoria é dada segundo a característica dos sapos serem anfíbios.
Górgias: É verdade.
Sócrates: precisando da lagoa, ó Górgias meu caro, tu achas que seria o sapo insano o suficiente para não gostar de água?
Górgias: não, não, não, mil vezes não, Ó Sócrates!
Sócrates: Então somos forçados a concluir que o sapo não lava o pé por outro motivo, que não a repulsa à água
Górgias: de acordo
Sócrates: Pensemos um pouco, ó Górgias. Tu assumiste, quando há pouco dialogava com Filebo, que o sapo é um ser vivo, correto?
Górgias: Sou forçado a admitir que sim.
Sócrates: Pois bem, e se o sapo é um ser vivo, deve forçosamente fazer parte de uma categoria determinada de seres vivos, posto que estes dividem-se em categorias segundo seu modo de vida e sua forma corporal; os cavalos são diferentes das hidras e estas dos falcões, e assim por diante, correto?
Górgias: Sim, tu estás novamente correto.
Sócrates: A característica dos sapos é a de ser habitante da água e da terra, pois é isso que os antigos queriam dizer quando afirmaram que este animal era anfíbio, como, aliás, Homero e Hesíodo já nos atestam. Tu pensas que seria possível um sapo viver somente no deserto, tendo ele necessidade de duas vidas por natureza,ó Górgias?
Górgias: Jamais ouvi qualquer notícia a respeito.
Sócrates: Pois isto se dá porque os sapos vivem nas lagoas, nos lagos e nas poças, vistos que são animais, pertencem e uma categoria, e esta categoria é dada segundo a característica dos sapos serem anfíbios.
Górgias: É verdade.
Sócrates: precisando da lagoa, ó Górgias meu caro, tu achas que seria o sapo insano o suficiente para não gostar de água?
Górgias: não, não, não, mil vezes não, Ó Sócrates!
Sócrates: Então somos forçados a concluir que o sapo não lava o pé por outro motivo, que não a repulsa à água
Górgias: de acordo
Diógenes, o Cínico: Dane-se o sapo, eu só quero tomar meu sol.
Parmênides de Eléia: Como poderia o sapo lavar os pés, ó deuses, se o movimento não existe?
Heráclito de Éfeso: Quando o sapo lava o pé, nem ele nem o pé são mais os mesmos, pois ambos se modificam na lavagem, devido à impermanência das coisas.
Epicuro: O sapo deve alcançar o prazer, que é o Bem supremo, mas sem excessos. Que lave ou não o pé, decida-se de acordo com a circunstância. O vital é que mantenha a serenidade de espírito e fuja da dor.
Estóicos: O sapo deve lavar seu pé de acordo com as estações do ano. No inverno, mantenha-o sujo, que é de acordo com a natureza. No verão, lave-o delicadamente à beira das fontes, mas sem exageros. E que pare de comer tantas moscas, a comida só serve para o sustento do corpo.
Descartes: nada distingo na lavagem do pé senão figura, movimento e extensão. O sapo é nada mais que um autômato, um mecanismo. Deve lavar seus pés para promover a autoconservação, como um relógio precisa de corda.
Nicolau Maquiavel: A lavagem do pé deve ser exigida sem rigor excessivo, o que poderia causar ódio ao Príncipe, mas com força tal que traga a este o respeito e o temor dos súditos. Luís da França, ao imperar na Itália, atraído pela ambição dos venezianos, mal agiu ao exigir que os sapos da Lombardia tivessem os pés cortados e os lagos tomados caso não aquiescessem à sua vontade. Como se vê, pagou integralmente o preço de tal crueldade, pois os sapos esquecem mais facilmente um pai assassinado que um pé cortado e uma lagoa confiscada.
Jacques Rousseau: Os sapos nascem livres, mas em toda parte coaxam agrilhoados; são presos, é certo, pela própria ganância dos seus semelhantes, que impedem uns aos outros de lavarem os pés à beira da lagoa. Somente com a alienação de cada qual de seu ramo ou touceira de capim, e mesmo de sua própria pessoa, poder-se-á firmar um contrato justo, no qual a liberdade do estado de natureza é substituída pela liberdade civil.
Max Horkheimer e Theoror Adorno: A cultura popular diferencia-se da cultura de massas, filha bastarda da indústria cultural. Para a primeira, a lavagem do pé é algo ritual e sazonal, inerente ao grupamento societário; para a segunda, a ação impetuosa da razão instrumental, em sua irracionalidade galopante, transforma em mercadoria e modismo a lavagem do pé, exterminando antigas tradições e obrigando os sapos a um procedimento diário de higienização.
Antonio Gramsci: O sapo, e além dele, todos os sapos, só poderão lavar seus pés a partir do momento em que, devido à ação dos intelectuais orgânicos, uma consciência coletiva principiar a se desenvolver gradativamente na classe batráquia. Consciência de sua importância e função social no modo de produção da vida. Com a guerra de posições – representada pela progressiva formação, através do aparato ideológico da sociedade civil, de consensos favoráveis – serão criadas possibilidades para uma nova hegemonia, dessa vez sob a direção das classes anteriormente subordinadas.
Norberto Bobbio: existem três tipos de teoria sobre o sapo não lavar o pé. O primeiro tipo aceita a não-lavagem do pé como natural, nada existindo a reprovar nesse ato. O segundo tipo acredita que ela seja moral ou axiologicamente errada. A terceira espécie limita-se a descrever o fenômeno, procurando uma certa neutralidade.
Liberal de Orkut (esse indivíduo cada vez mais anônimo): o sapo não lava o pé por ser um indivíduo liberto da opressão estatal. Mas qualquer coisa é só arrumar um emprego público e utilizar o lavado do Leviatã!
Fonte: Carlos Frederico Pereira da Silva Gama ( Usina das Letras)
Jonas
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Cães e gatos
O calçadão onde caminho aqui na Piedade, fica a beira uma praia de pescadores e, como não poderia deixar de ser, tem uma peixaria. Ao lado da peixaria ficam, é claro, uns gatos sendo que um deles sempre me chama a atenção. Não só por sua presença constante - não há dia que eu não o veja esparramado ao sol com a cara da maior felicidade, mas está sempre com mais dois ou tres junto dele. Julgo que pela razão óbvia de que alimento por alí abunda.
Caminhando pelo calçadão estão muitos cachorros a levarem seus donos logo atrás de sí. Cachorros de todo tipo. Desde aqueles cuti-cuti - poodles e seus congeneres - até os outros com aparencia de cachorros propriamente dito. Me distraio ouvindo as "conversas" entre donos e animais com diálogos mui ternos do tipo "tá cansadinho tá?", "anda, vem, deixa isso" cercados de carinhos e que tais. Tem até uma dupla daqueles cães bigodudos - não sei a raça não - cuja matraqueante dona tem uma especie de bebedouro encaixado em uma garrafa plástica com água e que oferece aos seus bichinhos a cada cem metros de caminhada.
E assim estão os cães e os gatos por ali. Todos cuidados e afagados, e penso que muito bem alimentados.
E hoje, pela primeira vez, uma coisa me chamou a atenção: nas proximidades da peixaria cães e gatos se cruzam e nem tchuns uns pros outros. Nada de rosnados, de miados, nada de corridas, nada de gatos expondo as garras e nem de cães exibindo os dentes. Estranhei pra caramba.
Não sei bem o que pensei. Mas lembrei de um mundo de coisas que o homem, por sua interferencia, modifica, altera, transforma.
Não que eu ache que haja algum mal muito grande em cães não quererem perseguir gatos. Mas que não é normal, lá isso não é.
Agora você escolhe o final:
Final 01 - O homem é capaz de promover uma paz aparentemente impossivel entre irracionais. E justamente entre os homens, os ditos racionais, a paz está bem longe de ser possivel. Estranho.
Final 02 - E pode ser que outras mudanças o homem esteja provocando na área dos caninos e felinos. Pode ser que qualquer dia os caninos rosnem e botem seus donos pra correr e passem a dividir sardinhas com os gatos da peixaria. Vai ser bacana. Eu acho.
Fiquem em paz.
Jonas
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Libertar as diabruras
Não tenho autoridade téologica nem academica para dissertar sobre os erros da Igreja e nem preciso disso dado a obviedade dos mesmos.
Mas é com a autoridade de um seguidor da doutrina pregada pela Igreja Católica que digo que é dificil traduzir o que tenho sentido por esses dias. Não, não. Nunca fui ingenuo ao ponto de imaginar que toda a hierarquia da Igreja fosse composta por homens santos, certamente não é assim, mas nunca pude imaginar que essa hierarquia estivesse tão contaminada por tantos desvios de conduta cujo exemplo mais repulsivo é o da pedofilia.
Nunca me assombrou o celibato ou o voto de castidade que os padres devem fazer ao abraçar o seu oficio. Sempre consegui entender com alguma clareza os dizimos, a indissolubilidade do matrimonio, segredos de confessionário, a posição da Igreja contrária ao aborto e outros temas polemicos.
Pude privar de alguma proximidade com padres e, é claro, não pude deixar de perceber algumas vezes comportamentos incoerentes com seus sermões dominicais mas nada que fosse tão repulsivo quanto a pratica covarde de aliciamento de crianças.
É inadmissivel que homens que resolveram dedicar suas vidas à propagar o Amor maior pregado por Cristo sejam os que passaram a cometer tamanha afronta à vida humana e justo naquilo que ela tem de mais delicado e caro que é a estabilidade emocional e espiritual.
É um erro gravissimo da Igreja nesse momento em que ela deveria exorcizar a sí mesma, fazer exatamente contrário e apelar para firulas teólogicas chamando a todos para penitenciararem-se em prol dos que erraram. Jesus Cristo nos ensinou o perdão é verdade, mas também nos ensinou a nos afastarmos de tudo que for contrário à vida plena. Jesus Cristo nos ensinou a tolerancia, sim senhor, mas também nos ensinou que a insistencia no erro precisa ser denunciada e condenada.
Esses senhores, padres e bispos, cometeram erros que exigem a punição mais severa de todas. Esses senhores em muitos casos foram ardilosos, usaram da boa fé de inocentes, foram dissimulados e de maneira infame manusearam e profanaram a semente da vida contida nesses pequenos seres. Foram ao canto mais recôndito da alma dos pequeninos e de lá de maneira torpe arrancaram a pureza, macularam a inocencia. Dificil, senão impossivel, perdoar isso.
Para Bento XVI não resta outra coisa senão parar de tentar explicar o inexplicavel, deve agora mesmo declarar esses religiosos excomungados e buscar eliminar os mecanismos de acobertamento de coisas dessa natureza. A Igreja precisa deixar de arrogar-se de "fiel depositária" dos ensinamentos de Cristo, e como qualquer organização terrena, abrir as comportas de suas diabruras.
E nós fieis, talvez mais confiantes naqueles que querem nos doutrinar, voltaremos a nos ajoelhar diante dos altares erguidos por essa Igreja, pedindo um mundo melhor e de mais temperança.
Fiquem em paz.
Jonas
sábado, 17 de abril de 2010
The Guritles ???
Não sei se fico bravo ou se morro de rir. Uma idéia estapafurdia como essa, mas ao mesmo tempo hilária, só podia ser coisa de gaucho.
Estou dividindo com voces esse video que ví no UOL, foi tamanha minha surpresa que não pensei em outra coisa senão publicar no Saúva.
Não deixa de ser uma simpática homenagem aos meus eternos idolos, especialmente a última cena em que eles imitam a famosa travessia pela faixa de pedestres da Abbey Road.
E para quem não sabe, a paródia de Help ( Lennon e McCartney) montada no video, é em cima de uma música gauchesca chamada Canto Alegretense (Neto Fagundes), tida como mais que um hino por todos os gauchos. E tomado de saudade, lembro com muito carinho de meus "sobrinhos, tios, irmãos" - pra que as aspas? - deixa eu repetir: meus sobrinhos, tios, irmãos dessa terra maravilhosa que é o Rio Grande do Sul.
Divirtam-se e fiquem em paz.
Jonas
Estou dividindo com voces esse video que ví no UOL, foi tamanha minha surpresa que não pensei em outra coisa senão publicar no Saúva.
Não deixa de ser uma simpática homenagem aos meus eternos idolos, especialmente a última cena em que eles imitam a famosa travessia pela faixa de pedestres da Abbey Road.
E para quem não sabe, a paródia de Help ( Lennon e McCartney) montada no video, é em cima de uma música gauchesca chamada Canto Alegretense (Neto Fagundes), tida como mais que um hino por todos os gauchos. E tomado de saudade, lembro com muito carinho de meus "sobrinhos, tios, irmãos" - pra que as aspas? - deixa eu repetir: meus sobrinhos, tios, irmãos dessa terra maravilhosa que é o Rio Grande do Sul.
Divirtam-se e fiquem em paz.
Jonas
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